Ei, esse Uke é meu!
14 Tempo perdido - Renato Russo
Notas iniciais
“Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo”
On. Pov Kuroko
Seria muito clichê falar que acordei sentindo alguma “coisa” quente ao meu redor.
Mas isso estava acontecendo... DE NOVO!
Acordei, mas não abri os olhos, apenas escutei meu celular tocar, a última coisa que lembrava era...
– PUTA MERDA, O QUE EU FIZ!? – berrei sentando-me de vez.
A “coisa” ao meu redor gritou e caiu da cama... ESPERA! CAMA?
Olhei em volta. Eu estava num quarto enorme, em cima de uma cama de casal repleta de travesseiros listrados e um lençol vermelho. De um lado da cama o enorme cômodo se seguia, repleto de livros, uma bancada, um computador, televisão e um armário. Mais distante uma porta que devia levar a um banheiro ou closet. Do outro lado, uma enorme janela preenchia quase toda a parede.
Mas a pior parte era que... EU ESTAVA NU.
Gritei novamente e me enrolei até a cabeça no lençol vermelho da cama.
A “coisa” que havia caído no chão soltou um gemido de dor e se levantou, fazendo meus olhos arderem com o sol que refletia em sua cabelereira vermelha.
– Bom dia pra você também Tetsu. – disse Akashi esfregando a cabeça.
Meu rosto quase queimou de tanta vergonha que estava sentindo, o que havíamos feito inundou meus pensamentos tão rapidamente que eu mal tive tempo para respirar.
– O-O Q-QUE E-EU E-EST-T-OU FAZ-Z-ENDO A-Q-QUI?! – berrei.
Akashi sorriu minimamente de lado e sentou-se na cama. Ele vestia uma calça de moletom preta junto a uma camisa verde-piscina totalmente desabotoada.
– O que acha que está fazendo aqui? – disse ele apoiando uma mão sobre o queixo e seu sorriso se alargou.
– Seu eu soubesse não estaria te perguntando! – rebati.
Akashi riu e se ajeitou na cama, puxando-me para entre suas pernas.
– Sabe Tetsuya... Eu nunca havia experimentado alguém tão apertadinho que nem você.
– O Q-Q... – perdi a fala tamanha era a vergonha que sentia, respirei fundo e tentei dizer. – o-onde e-estamos?
– No meu quarto.
– Mas esse aqui não é seu dormitório...
– É claro que não, estamos na minha casa. Não se preocupe, meus pais estão viajando, não vão poder pegar a gente.
– U-Um segundo! Que papo é esse de “a gente?”, desde quando somos alguma coisa?
Akashi limitou-se a sorrir daquela maneira psicopata que só ele conseguia e acariciou meu rosto com as costas da mão.
– Têm ideia do quanto fica fofo quando está envergonhado?
Meu rosto esquentou ainda mais (se é que era possível) e desviei o olhar, encarando o chão.
– O que aconteceu? – perguntei.
Akashi suspirou e deixou a mão relaxada em meu rosto, acariciando minhas bochechas com a ponta das unhas médias.
– Depois do que fizemos ontem, você desmaiou. Tentei te acordar, mas me parecia muito cansado. Dei um jeito de despistar os outros – ele sorriu maquiavelicamente ao dizer isso. – e te trouxe para minha casa. Não se preocupe, chamei um taxi, praticamente ninguém te viu vestido daquele jeito. Depois que chegamos você acordou tonto, correu para o banheiro e vomitou, sujando suas roupas. Tive que te dar um banho, quando ia vesti-lo você começou a se debater... – A outra mão do ruivo deslizou até minha nuca e acariciou-a por cima do lençol. – mas o efeito da droga não havia passado – Como ele sabia sobre isso? – então... Tive que resolver o seu “probleminha” e acabamos por dormir depois.
– Akashi...
“Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder”
– Espera... – sussurrei e pus meus dedos sobre seus lábios carnudos. – eu... Estou confuso.
Akashi suspirou pesadamente, como se esperasse essa minha reação e deslizou ambas as mãos para minha cintura, puxando-me para seu colo.
– Eu não entendo... – disse ele apoiando o queixo em meu ombro e apertando os braços ao meu redor. – por que não me escolhe logo Tetsuya?
– Não sei... – admiti. – eu... Simplesmente... Ainda não consigo escolher...
O maior retirou o queixo de meu ombro e levou o rosto ao meu, colando nossas testas.
– Eu te amo Tetsuya. – disse seriamente. – é tão difícil assim me escolher?
Mordi o lábio inferior, mas não consegui desviar meus olhos de seus orbes heterocromáticos.
– Desculpe. – sussurrei.
Akashi apenas sorriu tristemente e me deu um beijo na testa.
– Entendo. – disse por fim. – não se preocupe, eu vou te deixar em paz.
Eu quase chorei de alivio e o abracei.
– Obrigada... – suspirei.
Akashi retribuiu o abraço e ficamos assim por alguns minutos até o ruivo começar a tremer. Julguei que ele estava chorando e tentei olhar para seu rosto, ele estava...
RINDO?
– Acreditou mesmo no que eu disse Tetsuya? – disse ele, parando apenas para soltar uma gargalhada (N/A: ACHARAM MESMO QUE ELE IA DESISTIR? POR FAVOR, NÉ! ESTAMOS FALANDO DO AKASHI! *risada histérica*).
– An...? – franzi a testa, confuso.
Akashi limpou uma lagrima que escorria de seu rosto de tanto ele rir e depois olhou para mim, sorrindo sadicamente.
– Eu nunca vou te entregar para aquele cara.
Assim que terminou de falar, segurou meus ombros com força e me empurrou contra a cama.
– Você é meu, e somente meu Tetuya. – sussurrou acariciando minha orelha com seu hálito absurdamente quente. – aceite isso, vai facilitar sua vida.
“Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem, Selvagem
Selvagem!”
Suas mãos possessivas deslizaram até as minhas, arrancando o lençol que eu segurava. O tecido avermelhado deslizou meu corpo, deixando-me novamente nu.
– Já te disseram o quanto você é sexy Tetsuya? – Akashi mordeu sensualmente o lábio inferior e abocanhou meu pescoço, chupando-o com força.
Mordi minha mão, contendo um gemido que quase escapara de meus lábios ao sentir as mãos promiscuas de Akashi envolverem meu membro já desperto.
– Akahi... – gemi. – n-não...
– Você é tão contraditório Tetsuya. – o ruivo deslizou os lábios carnudos até meu peito. – fica dizendo que não quando já está tão excitado. – mordeu meu mamilo com força, fazendo-me arquear as costas. – me quer aqui também, não é? – uma das mãos que acariciava meu membro desceu até minha entrada, acariciando ao redor dela.
Fechei os olhos com força, sem acreditar no que estava acontecendo.
Por que esse tipo de coisa sempre acontece comigo? Por que ninguém liga para o que eu estou sentindo? São tão egoístas. Eu me sinto tão imundo...
– Tetsuya... – sussurrou Akashi. – por que... Está chorando?
Senti os dedos cálidos do ruivo enxugarem as pequenas gotículas de água que escapavam de meus olhos.
– Por que eu sempre te faço chorar? – disse ele arrasado.
– Não suporto mais isso... – sussurrei sem olha-lo nos olhos. – não suporto mais... – mais e mais lagrimas escorriam por minha face, molhando-a.
“Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos”
– Você está pensando nele, não está?
– Ele?
– Kagami Taiga.
Prendi a respiração e minhas lagrimas parraram de escorrer.
– Não estou. – falei.
Akashi me olhou, parecendo ainda mais confuso do que eu.
– Eu gosto de você Akashi. – admiti. – mas... Não tanto assim. Não é que eu esteja pensando nele, mas eu ainda gosto muito dele... Foi o meu primeiro amor. – baixei o olhar. – foi com ele que tive meu primeiro beijo, meu primeiro encontro, a primeira vez que fiz amor. Foi tudo com ele... E no fim... Ele me traiu. Entreguei-me de corpo e alma, para no final ser traído, descobrir que eu era só mais um. Será que me entende agora?
Sentei na cama junto a Akashi e me afastei um pouco, tornando a cobrir meu corpo com o lençol e olhei seriamente para ele.
– Eu gosto de você. – falei novamente. – mas esse é o problema. Eu não te amo. Amar e gostar são coisas completamente diferentes. Meu coração pertence ao Taiga. Sempre pertenceu, mas... – calei-me.
– Mas o que, Tetsuya? – Akashi já tinha lagrimas nos olhos, pela primeira vez, não estava sendo psicopata.
– Eu quero esquece-lo Akashi. Você disse uma vez que costuraria meu coração, que me faria esquece-lo. Eu quero tentar, eu quero... Eu quero te amar Akashi.
“Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo (x3)”
Akashi me abraçou com força e depois segurou meu rosto entre suas mãos e falou com os olhos determinados:
– Eu vou te fazer me amar Tetsuya. Vou te fazer pensar em mim, só em mim. Ficaremos juntos, para sempre.
“Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora”
É diferente se entregar a alguém quando nos queremos.
E naquele dia, em muito tempo, fiz amor com alguém.
◦◦◦
“O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens
Tão Jovens”
◦◦◦
– Tetsuya... – sussurrou Akashi acariciando meu rosto e dizendo de forma doce. – eu vou entrar...
– Tudo bem... – sorri fracamente. – venha... – abracei seu pescoço, tomando seus lábios carinhosamente nos meus.
Akashi ajeitou-se entre minhas pernas, colocando-as cuidadosamente sobre seus ombros.
– Eu te amo Tetsuya. – disse ele.
– Eu gosto de você Akashi... – consegui dizer, minha respiração estava ofegante, minhas bochechas queimavam, mal conseguia pensar.
O ruivo penetrou-me com uma única estocada, fazendo-me quase sair da cama ao arquear as costas.
– Akashi...! – gemi abraçando seu pescoço com mais força. – Aaaah...
O maior saiu quase que completamente de mim e tornou a entrar, acertando em cheio meu ponto de prazer e gritei seu nome completamente extasiado.
Em algum ponto distante, minha consciência conseguiu escutar meu celular tocar. Com muito esforço consegui separar meus lábios dos de Akashi e olhei para o lado, vendo o pequeno aparelho piscando ao receber uma chamada. O nome escrito na tela fez meu coração parar.
Kagami Taiga
Eu poderia muito bem atende-lo, não é? Poderíamos voltar, poderia deixa-lo se explicar, talvez nos fossemos felizes juntos. Poderíamos rir juntos, ter outros encontros, fazer amor e talvez até casaríamos em algum lugar que aceitasse casamento homossexual.
Mas meus olhos voltaram a Akashi. Eu podia sentir todo o amor que ele sentia por mim expresso em seus olhos, em suas ações, que mesmo brutas, eram carinhosas e cuidadosas.
Tornei a beija-lo, esquecendo-me completamente da ligação.
Adeus... Taiga.
“Tão Jovens!”
Off. Pov Kuroko
Caído -One-Shot AoKaga — clique aqui

Fale com o autor