Ei, esse Uke é meu!
15 Romeu and Cinderella – Hatsune Miku
Notas iniciais
“Não deixe que meu amor se transforme em um drama como o de Julieta
Me leve para qualquer lugar longe daqui
É só isso que eu te peço”
On. Pov Kuroko
As semanas passaram voando em nosso colégio (que até agora não tem nome, mas isso não interessa...). Akashi e eu começamos a namorar “escondido”, apenas os alunos sabiam. E Kagami... Este era o único desinformado. Evitava-o ainda mais do que antes.
– Eu mereço... –suspirei, no mesmo dia já havia esbarrado quase cinco vezes com Kagami, e isso estava me matando.
Dirigi-me até a sala do conselho estudantil, Akashi havia me pedido para entregar alguns documentos a Midorima, já que estava ocupado fazendo a vistoria em alguns clubes.
– Com licença, Midorima-sen... – abri a porta.
A cena que vi em seguida me fez derrubar os papeis que segurava.
Midorima-senpai estava segurando os pulsos de um garoto moreno que eu não conhecia contra a mesa que ficava no centro da sala. O garoto tinha a blusa do uniforme completamente amaçada e aberta, o rosto avermelhado, respiração descompassada e olhos lacrimejantes. Midorima possuía um joelho entre as pernas do menor, e o outro pé apoiado no chão enquanto chupava o pescoço do moreno.
– M-ME D-D-ESCULPE POR I-INTERROMPER! – gritei gaguejando e fechei a porta logo atrás de mim.
Engoli seco e contei até dez para me recuperar da cena que havia visto, saindo correndo dali logo em seguida.
Off. Pov Kuroko
“Papai e mamãe, por favor vão dormir
Desejo a vocês bons sonhos
A essa hora os adultos deveriam estar dormindo”
On. Pov Takao
– E-Ele viu... – gaguejei sentindo meu rosto queimar com a vergonha.
Tentei me levantar, mas Shin-san segurou meus pulsos com mais força e deitou seu corpo sobre o meu.
– Não podemos parar agora... – sussurrou Shin-san roucamente em meu ouvido. – não aguento mais esperar...
– M-Mas...
– Por favor... Takao... – soltou um de meus pulsos e acariciou minha bochecha corada. – eu quero saber com é estar dentro de você...
– S-Shin-san...
Ele me calou com um beijo enquanto suas mãos deslizavam até a barra de minha calça, afrouxando-a, seus dedos percorriam toda a extensão de minhas cochas, massageando a pele leitosa delicadamente.
– Já faz um mês que estamos juntos Takao... Não posso me segurar mais.
– M-Mas...
Outro beijo ardente e possessivo calou-me. Meu baixo-ventre queimava, e o calor se espalhava até chegar ao meu rosto. O esverdeado retirou os óculos, pondo-os em cima da cadeira e tornou a marcar meu pescoço, causando-me arrepios.
– S-Shin... P-Por favor... – tentei dizer em meio aos gemidos. – não... A-Aqui não...
Ele não me deu ouvidos.
Eu estava nervoso. Minhas mãos tremiam. Estava com... Medo. Nunca havia feito aquilo antes. Eu não queria fazer, não aqui, não agora.
A adrenalina subiu até meu cérebro, meu coração disparou bombeando o sangue mais rápido e minha respiração acelerarou-se.
– Shin-san... Não... – meus braços moveram-se sozinhos, arrancando meus pulsos de suas mãos. – PARE! – empurrei-o com toda a força que tinha, o fazendo cair da mesa.
Ele me olhou, surpreso com minha reação e se colocou de pé enquanto eu me afastava e ajeitava minha roupa.
– Desculpe-me... – disse ele. – Takao, eu...
– POR QUE NÃO PAROU QUANDO EU PEDI? – gritei me encolhendo contra mim mesmo. – EU ESTAVA COM MEDO!
– Takao...
Abri a porta e saí correndo.
Shin-san era um idiota! Ele não entendia os meus sentimentos! EU NUNCA HAVIA FEITO SEXO COM NINGUÉM!
Será que eu era... Só mais um?
Esse pensamento me perturbou tanto que não olhei para frente enquanto andava, acabei por esbarrar em alguém.
– M-Me desculpe. – sussurrei.
A pessoa me ajudou a levantar e sorriu carinhosamente.
– Não se preocupe Takao. – era Miyagi-senpai. – eu... – sua expressão alegre fechou-se num segundo. — O que é isso no seu pescoço?
Droga! Tapei rapidamente meu pescoço com uma mão.
– Isso... É... Um bicho me picou.
Miyagi ergueu uma sobrancelha, desconfiado. Depois suspirou e segurou minha mão.
– É mesmo? – disse ele entrelaçando seus dedos aos meus. – então venha aqui, vamos passar um gelo antes que fique inchado.
– E-Está bem! – segui-o.
Shin-san... Por que não entende o que eu sinto?
Off. Pov Takao
“Uma doce bala de ilusões
Minha perna denuncia como estou nervosa
Até onde vamos chegar essa noite?”
On. Pov Aomine
“Não seja rude, me trate com carinho
Eu não gosto de morder coisas ainda
Culpe os doces que mamãe sempre me fez...”
Eu não era ciumento, mas...
KASAMATSU ESTAVA ME PROVOCANDO!
– Nee, Kasamatsucchi – disse Kise todo sorridente. – está bom? – ele soltou outra nota na guitarra.
– Você aprende rápido! – disse Kasamatsu também sorrindo. – é o melhor que já ensinei Kise-kun!
KUN? KUN? QUE INTIMIDADE É ESSA? EU DEIXEI?
– Etto... Aominecchi, você está espumando pela boca. – disse Kise limpando meu rosto com um papel toalha.
– Por que esse cara tá aqui Kise? – fuzilei Kasamatsu com os olhos.
– Eu já falei que ele me ensina a tocar guitarra no tempo livre. – disse Kise. – não se preocupe Aominecchi, já nos resolvemos, ele está de boa.
– Exatamente. – Kasamatsu sorriu e sentou-se ao lado de Kise na cama. – olhe aqui... Está errando ao fazer o “C” (N/A: gente eu aprendi a tocar violão com as Letras, tipo A, C e talz. Por isso aqui não estão as notas “comuns”). Quando passou do “D” para o “C”, seu anelar ficou frouxo na primeira corda... O que quero dizer é... – posicionou-se atrás de Kise e segurou suas mãos, guiando-as pelas cordas enquanto colava os lábios a sua orelha. – aqui. Vê? – quase sussurrou.
O QUE ESSE FILHO DE UMA MULHER QUE VENDIA O CORPO PARA PAGAR AS DIVIDAS ESTAVA FAZENDO TOCANDO O MEU KISE COM AQUELA INTIMIDADE TODA?!
– JÁ CHEGA DESSA PALHAÇADA! – berrei me colocando de pé e arranquei aquele maldito de perto de Kise. – QUAL O TEU PROBLEMA? – ergui-o pela gola da camisa, o que de longe seria uma cena engraçada já que eu era quase vinte centímetros mais alto que ele.
– O que? – ele fingiu inocência. – eu só estava ensinado o Kise a tocar, qual o problema?
– Aominecchi, acalme-se. – Kise segurou minhas mãos, fazendo-me afrouxa-las da gola daquele maldito. – o Kasamatsucchi só estava me ensinando, não precisa ficar tão estressado.
– SÓ ENSINANDO O CASSETE! – berrei. – ELE ESTAVA QUASE TE ENCOXANDO PORRA!
Kise suspirou e olhou para Kasamatsu, me ignorando completamente.
– Desculpe por isso Kasamatsucchi. Marcamos a aula para outro dia.
– Não se preocupe Kise. – AQUELE FILHO DUMA MERATRIZ ABRAÇOU O MEU KISE. – dá próxima vez te dou a aula no meu quarto do dormitório.
– Tudo bem. Até. – retribuiu o abraço.
Kasamatsu guardou a guitarra com estampa da Inglaterra que tinha e saiu do quarto, não sem antes sorrir perversamente para mim e piscar um olho para Kise que corou.
ESPERA. “COROU”?
– Não quero que se encontre mais com esse cara. – falei sem olha-lo.
– Eh? Mas por que? Kasamatsucchi...
– Eu só não quero você mais perto dele, entendeu? Não se aproxime e fim de papo.
– As coisas não podem ser resolvidas assim Aominecchi. – Kise bateu o pé e cruzou os braços. – Kasamatsucchi é meu amigo, eu não vou parar de falar com ele.
Olhei para ele, furioso.
– Esse cara quer te comer Kise! – reclamei. – vai continuar vendo ele? Pois acho melhor escolher: Ou eu, ou ele. Até lá, não fale comigo!
– Aominecchi... – tentou dizer.
Saí do quarto a passadas pesadas e fechei a porta com um estrondo alto.
Encoste-me a parede e escorreguei até o chão, apertando o tecido de minha camisa com força, por cima de onde seria meu coração.
– Por que sou tão inseguro...? – murmurei afundando o rosto em minha outra mão.
Odiava meu jeito. Sempre assim. Inseguro. Imprudente.
Kise não merece alguém horrível como eu.
Off. Pov Aomine
“Se existem algo que eu não entendi, irei descobrir
Isso não é normal?
Me mostre tudo o que você esconde
Então eu lhe mostrarei tudo o que tenho...”
On. Pov Murasakibara
Aquele garoto era estranho.
O cabelo preto cobrindo um dos olhos, sempre fixos no chão, as bochechas muito vermelhas. As mãos tremulas e uma sacola pendurada no braço.
– O que foi? – perguntei.
Ele estava me encarando a um bom tempo, eu estava sentado num dos bancos do pátio comendo uma barra de chocolate com castanhas e aquele garoto estava sentado num banco à minha frente, me observando há uns quinze minutos.
Ele corou ainda mais e desviou o olhar.
– D-Desc-culpe. – gaguejou apertando a sacola entre os dedos pálidos.
Continuei a comer, ignorando sua presença, até ele pigarrear e falar:
– V-Você gosta de doces, n-não é? – disse quase rasgando a sacola de tanto aperta-la.
– Sim, por que?
– G-Gosta do Nerunerunerune? – perguntou timidamente. – e-eu ganhei uma promoção e recebi dez dele. – retirou a embalagem colorida da sacola. – s-se q-quiser.
Levantei-me num salto e sentei rapidamente ao lado dele.
– SÉRIO? – eu praticamente gritei de alegria.
– S-Sim! P-Pode pegar! – entregou-me o doce.
Peguei o pacote como se minha vida dependesse disso e o abri, o cheiro delicioso logo invadiu minhas narinas e meu estomago gritou por ele.
Peguei a colherzinha, misturando o conteúdo ao granulado (N/A: Pessoas procurem esse doce no google imagens). Devorei-o completamente em segundos.
O garoto riu de meu desespero em comer, pegou um para si e começou a comê-lo e logo me entregou outra embalagem.
– Pode ficar com todos os outros de quiser. – disse ele com um sorriso tímido. – ah... Seu rosto...
Ergueu os dedos pálidos que outra hora apertavam a sacola e tocou-os delicadamente no canto esquerdo de minha boca.
– Estava sujo. – disse levando os dedos agora adocicados a boca.
Depois de o ter feito, corou violentamente e encarou o chão.
– M-Me d-desculpe... – gaguejou. – e-eu n-não devia ter f-feito isso...
– Tudo bem. – falei dando um mínimo sorriso. – o seu rosto também...
Toquei seu lábio inferior, retirando um pouco de calda que havia ali.
O moreno corou ainda mais e desviou o olhar, deixando a franja cobrir ainda mais seu rosto.
– O-Obri-g-gada. – disse ele.
– Por que está com tanto medo? – perguntei depois de mais uma colherada. – eu não mordo.
– N-Não...! – ele ergueu as mãos, parecendo um tanto desesperado. – e-eu só estou feliz.
– Feliz? Por quê?
Corou ainda mais (e por ser branco o rubor já era tão forte que mais parecia um morango) e fixou seus orbes escuros nos meus.
– Eu finalmente falei novamente com você.
– Nos conhecemos?
– Mais ou menos. Você não deve se lembrar de mim. Estudamos juntos durante o sexto ano do fundamental.
– Desculpe... Não vou lembrar... – franzi a testa. – qual o seu nome.
– Himuro. Himuro Tatsuya.
Off. Pov Murasakibara
“Eu sempre quis amar que nem a Cinderela
Mesmo que só tenha um uniforme para vestir
Vamos deixar a mágica parar o tempo,
ao menos até que alguém entre”
On. Pov Midorima
Merda! O que eu tinha feito?
Takao era muito... Puro. Eu devia ter parado quando ele pediu, por que fui dar ouvido aos meus hormônios?
Midorima diabinho: Você não fez nada de errado! Ele só tá “frescando”! Você tem mais é que pegar ele de jeito de uma vez!
Midorima anjinho: Não faça isso, ele precisa de tempo para pensar. É sua primeira vez, está nervoso.
Midorima diabinho: Não dê ouvidos a esse puritano de merda! Vai atrás dele e arrombe-o logo!
Midorima anjinho: Não o faça. Pense nos sentimentos dele, pense no quanto está inseguro.
Midorima diabinho: PUTA QUE O PARIU! CALA A BOCA E DEIXA O CARA TREPAR EM PAZ!
Midorima anjinho: COMO OUSA FALAR ASSIM COMIGO? SE ELE FIZER ISSO VAI PERDER O TAKAO PARA OUTRA PESSOA!
Ok... Acho melhor não dar ouvidos ao meu subconsciente.
Suspirei e me deixei cair na cadeira enquanto ajeitava minhas roupas. Como vou pedir desculpas ao Takao? Droga, droga...
Levantei-me da cadeira desajeitamento.
“Não tenho tempo a perder, é melhor procura-lo logo e pedir desculpas”, pensei.
Saí da sala as pressas, ignorando completamente o rosto assustado dos outros alunos ao me ver sair tão impetuosamente pelos corredores.
Rodei por alguns minutos até ouvir a voz de Takao.
– ...Não acho que seja isso. – dizia ele.
– Mas Takao, pense bem...
Aquela segunda voz... PUTA QUE O PARIO, O QUE MIYAGI ESTAVA FAZENDO COM O MEU TAKAO?
Fui a passos furiosos em direção as vozes que vinham da enfermaria. Ia entrar, mas meu corpo inteirou parou ao ouvir a voz de Takao.
– Não posso terminar com o Shin-san. – disse ele.
Hein? Que papo era aquele?
Encostei-me a parede e espiei a enfermaria.
Takao estava sentado numa das macas, segurando uma bolsa de gelo contra o pescoço e Miyagi sentado numa cadeira perto dele.
– Eu amo o Shin-san. – disse Takao sorrindo docemente.
– Mas ele...
– Eu sei o que ele fez. – suspirou Takao. – eu não devia ter te contado... Mas... Tudo bem pra mim.
– Como assim “tudo bem”? Ele te forçou!
– O Shin-san ainda é humano. – Takao olhou distraidamente através da janela. – eu agi com a cabeça quente, ele também foi imprudente, mas a culpa foi de nós dois. Eu não devia ter gritado, ele não devia ter me... Forçado. Mas... Nos amamos, eu acho que ele me ama, isso é natural. Shin-san têm necessidades físicas, eu quero poder satisfazê-lo, só tenho medo de não ser o suficiente. De que quando fizermos pela primeira vez, ele não goste e vá para outro. Como... Aquele garoto de cabelo azul... Por isso não me sinto pronto. Quero estar seguro quando chegar a hora “H”, eu quero... – seus olhos voltaram para Miyagi e ele sorriu. – fazer o Shin feliz.
Afastei-me silenciosamente da enfermaria, parando num corredor vazio e soquei a parede com tudo.
– Eu... Sou um idiota... – deixei as lagrimas presas escorrerem. – Takao... Você também é um idiota... – não pude evitar sorrir em meio as lagrimas.
Eu amo tanto aquela coisinha estupidamente pura.
Off. Pov Midorima
“Eu sempre esperei para fugir como Julieta
Mas não me chame por esse nome horrível
Não tenho certeza, estamos ligados pelo destino
Preciso acreditar nisso ou então ficarei entediada”
On. Pov Kagami
Sorri ao ver Himuro e Murasakibara conversando. Espero que esses dois sejam felizes juntos logo.
Agora... O Kuroko.
Fui procura-lo novamente, mas não o encontrei.
Eu sei que ele deve me odiar, mas aquilo tudo foi um mal entendido. E eu ia me explicar! Só precisava encurrala-lo.
Resolvi procura-lo novamente, até ouvir gemidos familiares.
Exatamente, gemidos.
Fui em direção a eles, vinham de um dos corredores da ala em reforma do colégio.
– E-Espera Akashi... – era a voz de Kuroko.
– Só mais um pouco Tetsuya... – sussurrou a voz do ruivo.
MAS O QUE PORRA...
– QUE MERDA É ESSA?! – berrei pegando-os no flagra.
Akashi encurralava Kuroko numa parede, o azulado tinha as pernas ao redor da cintura do ruivo que lhe mordia o pescoço. Kuroko estava vermelho, um filete de saliva escapava de seus lábios e agarrava-se com força as costas da blusa do maior.
Ele empalideceu ao me ver e, em pleno estado de fúria, puxei Akashi com tudo, fazendo Kuroko cair no chão, mas na hora nem me importei.
– QUE PORRA VOCÊ PENSA QUE ESTAVA FAZENDO COM O MEU KUROKO?! – berrei empurrando o ruivo com força.
Ele se desequilibrou, mas logo retomou a postura e me lançou um sorrisinho maldoso.
– “Seu”? – riu. – está meio desinformado... Tetsuya é meu namorado.
Nesse momento esqueci-me completamente de Akashi e olhei para Tetsuya que estava todo encolhido enquanto ajeitava o uniforme.
– Isso é verdade? – sussurrei com a voz ameaçadora.
Kuroko ficou ainda mais pálido e baixou a cabeça.
– S-Sim.
Foi como se toda minha energia se esvaísse de meu corpo. Toda a força de vontade, todo o ódio, tudo. Eu me senti...
“Amor, você vai morar comigo mesmo?”
– Taiga eu... – disse Kuroko.
Ignorei-o e comecei a andar. Depois de poucos metros, senti alguém segurar meu pulso.
– Espera! – era Kuroko. – eu...
– O que você quer... – falei sem olhar para trás. – não conseguiu o que queria?
– Você não...
– Me superou fácil hein Testuya? – virei meu rosto, encarando-o friamente. – nem deixou eu me explicar. – senti sua mão afrouxar em meu pulso. – tudo bem – mentira. – você quer seguir em frente, tudo bem – mentira. – espero que seja feliz com seu novo namorado. – mentira.
Sua mão tremeu em meu pulso e arranquei-o dela, seguindo a passos lentos no corredor.
Mas dessa vez, Kuroko não veio atrás. Aconteceu apenas algo que já havia previsto antes:
Eu o perdi.
Off. Pov Kagami
“O Brilho que nos une era emprestado
Eu prometo que serei uma boa menina amanhã
Então me perdoe por enquanto”
On. Pov Kise
Qual o problema de Aominecchi?
Kasamatsucchi só queria me ensinar! Qual a dificuldade daquele moreno complicado entender isso?
– Tsk. – chutei uma pedrinha que estava em meu caminho e segui até a parte de trás do colégio, largando-me no gramado que havia ali.
– Aominecchi... – murmurei. – por que não se explica pra mim...?
Será que eu não era o bastante para ele? Será que Kasamatsucchi o fazia se sentir ameaçado? Eu não sei! Odiava brigar com ele
– Idiota... – murmurei deixando as lagrimas escaparem.
Off. Pov Kise
“Tenho renda negra na barra das minhas roupas
A porta do quarto tem as dobradiças quebradas
Então, como podemos um dia vamos avançar?”
On. Pov Akashi
– Tesuya? Está me ouvindo? – perguntei.
Ele continuava parado de costas para mim, encarando o corredor pelo qual Kagami sairá, nem se movera.
– Tetsuya!
Coloquei-me na frente dele, perdendo completamente a fala ao ver seu rosto.
Pálido, os lábios secos, os olhos vazios e grossas lagrimas pingando por seu queixo.
– Ele... Me odeia... – murmurou.
DE NOVO ESSE CARA? PORRA!
– Pare de chorar. – enxuguei suas lagrimas. – que droga! Pare...! Você está sempre chorando!
– Me diz... Akashi... Eu sou tão horrível assim?
“É difícil para mim te morder, eu sinto sua dor
Eu sei que estou apaixonada, eu sei
Mas papai parece odiar quando você vem”
Kuroko seu idiota...!
– NÃO! VOCÊ NÃO É! – abracei-o.- pare com isso! O errado aqui é ele! A culpa não é sua! Pare de se culpar desse jeito! Eu... Não aguento te ver sofrendo desse jeito!
– Vou para meu quarto. – disse ele ainda com aqueles olhos vazios.
– Tetsuya...
– Nos vemos depois. – ele se desprendeu de meu abraço.
E simplesmente me deixou ali.
Baixei a cabeça, deixando-me cair de joelhos no chão. Fiquei incrédulo ao perceber que chorava.
– Por que... O ama tanto? – murmurei.
Off. Pov Akashi
“Você estendeu a mão e me puxou para você
Mas tudo que fez foi romper meu colar
Por que você não me leva embora, meu Romeu
Tão longe até que não possamos voltar”
On. Pov Kuroko
Taiga... Deve me odiar agora.
“Espero que seja feliz com seu novo namorado”.
Por que ele disse aquilo? Por que aquele idiota não sai da minha cabeça? Por que me deixa tão confuso?
– ARG! – gritei. – IDIOTA! IDIOTA!
Larguei-me em minha cama e comecei a socar o travesseiro.
– POR QUE VOCÊ FAZ ISSO COMIGO?! POR QUE NÃO DEIXA MEUS PENSAMENTOS?! POR QUE EU TE QUERO TANTO?! ARF! TE ODEIO! TE ODEIO SEU BABACA!
Droga... As lagrimas não paravam de escorrer, minhas mãos doíam de tanto socar, ia ficar com uma dor de cabeça horrível por tanto chorar.
– Por que... Eu te amo tanto... – deixei-me cair exausto na cama. – por que... Quero tanto você de volta... Taiga...
Off. Pov Kuroko
“Os sinos batem que nem em Cinderela
Vou garantir que perderei o sapatinho de cristal
Então prometa que vai me achar rápido
Antes que os pesadelos me encontrem”
On. Pov autora
Depois de horas chorando, Kuroko levantou-se da cama e foi tomar um banho. Estranhara por não ter visto Kise ou Aomine o dia inteiro, mas nem se preocupou tratando-se daqueles dois tudo era possível...
Cansado de tanto pensar, pegou o celular e discou o número de sua mãe.
– Alô, mãe, sou eu...
– TETSUYA MENINO! NÃO SABE MAIS LIGAR NÃO? EU ESTAVA PREOCUPADA!
– Desculpe... É que... As coisas estavam meio... Complicadas aqui. Será que eu posso ir pra casa por uns dias? Me sinto um pouco doente e queria descansar aí. Além de que as férias do meio do ano já vão começar;
– Hm? Tudo bem. Pode sim filho, há meses que não dorme em casa, mas... Aconteceu alguma coisa? Sua voz me parece triste.
– É só o cansaço... – mentiu o azulado. – então, amanhã mesmo eu volto.
– Está bem, vou ligar para o colégio para liberar sua saída.
– Ok. Te amo mãe.
– Também te amo, muito. Não se esqueça disso nunca.
– Está bem... Tchau.
– Tchau.
Kuroko largou o celular na cama e tornou a se deitar, agora limpo e com as roupas trocadas. Afundou o rosto no travesseiro, mas não haviam mais lagrimas para colocar para fora.
– Sou um covarde... – murmurou abafadamente contra o tecido.
◦◦◦
“Ela deve ter feito tudo que fiz,
Deve ter mentido sobre isso ter sido um acidente
E claro, roubei sua desculpa
Porque quero me entregar a ele
Veja, eu ainda estarei aqui quando amanhecer”
◦◦◦
Do outro lado do colégio, Kagami falava ao celular com seu pai.
– Desculpa ligar velho...
– Tudo bem. Diz logo o que você quer que eu estou ocupado.
– Posso passar uns dias naquele apartamento que você tem no centro? Estou enrolado com umas coisas aqui.
– Mas você só faz merda mesmo, pode ir, a chave extra está guardada no lugar de sempre.
– Está bem, tchau.
Encerrou a ligação e guardou o aparelho no bolso, encostando a cabeça na parede.
– É melhor eu me afastar e esfriar a cabeça... – suspirou. – vai ser melhor para nós dois...
◦◦◦
“Você ao menos tenta ver meu coração?
Você consegue ver o quanto te desejo, não é?
E isso não é o bastante, sei que quer mais
Faça tudo que quiser, mesmo que não faça sentido”
◦◦◦
O dia passou voando para os dois garotos. Kuroko despedira-se de um Kise choroso e de um Aomine irritado, o loiro alegava que não aguentaria viver sem seu “filhote”, Aomine ficara calado o tempo inteiro.
– É só pelas férias... – disse Kuroko tentando respirar no abraço-de-urso que Kise lhe dava.
– É muito tempo! – choramingou Kise. – coma direitinho, viu? Use um casaco pra sair de casa, já começou a nevar. Não se esqueça das luvas. Nada de anjinhos da neve por que você se resfria fácil e...
– Kise, ele já entendeu. – cortou Aomine.
Kise lançou um olhar irritado em direção a Aomine, encheu o rosto de Kuroko com beijos e deixou o menor sair.
Em outro dormitório, Kagami terminará de arrumar a mala e se despedia de seu companheiro de quarto, Himuro.
– Desculpe-me de novo por toda a confusão que causei. – disse Himuro com um sorriso triste.
– Tudo bem... Você não fez de proposito. – Kagami ergueu a mão. – sem ressentimentos?
– Sem ressentimentos. – o moreno apertou-lhe a mão, fazendo o ruivo sorrir. – espero que fique bem.
– Também espero...
“Parece que a felicidade
É encontrada em caixas pequenas
Então mostre-me que escolhas devo tomar
Me avise, ou vou acabar te desapontando..”.
Ambos garotos, ruivo e azulado, deixaram as dependências do colégio por portões diferentes, assim não se encontraram. Ao longe, pela janela de um quarto, um Akashi deprimido observava seu “namorado” partir sem sequer se despedir.
– Idiota... – o ruivo jogou A Tesoura no chão e largou-se na cama. – eu sou um idiota...
“Papai e mamãe tão gananciosos,
eles continuam com a mesma vida de antes
Mas claro, vou aceitar quem eu sou,
Mesmo que eu não tenha meu machado de ouro”
A noite cairá. A lua era a maior iluminação no céu.
Kuroko sentara-se exausto da caminhada na borda de mármore perto de um banco na estação de trem, pondo a mala de rodinhas ao lado e abrindo um pequeno doce que ganhara de Murasakibara.
A poucos metros dele, Kagami arregalara os olhos ao ver quem estava sentado.
– Não é possível... – murmurou aproximando-se lentamente.
Parou em frente ao menor. O azulado ergueu o rosto ao ver os familiares sapatos de seu ex-namorado.
– Taiga...? – sussurrou Kuroko.
“A mocinha que mentiu demais, Cinderela
Todos dizem que ela foi comida pelo lobo
Então o que vou fazer quanto as minhas escolhas?
Me diga, ou serei devorada também”
– Parece que não sou o único que vai fugir. – disse Kagami.
Kuroko desviou o olhar e deu mais uma mordida no doce.
– Vai ficar calado? – perguntou Kagami.
– O que quer que eu diga? – O azulado ergueu o olhar. – não temos mais nada para conversar.
– É assim que vai ser?
– É assim que devia terminar.
Ambos se encararam, perdendo a linha de raciocínio ao se verem devorados pelo olhar do outro.
Kagami se inclinou, até ficar da altura de Kurko.
– Vamos terminar assim? – disse ele num sussurro quase mudo.
Kuroko não respondeu, apenas sustentou o olhar do maior.
– É assim que você quer terminar?
Mas nenhuma palavra foi pronunciada. Apenas continuaram se encarando, até um apito alto ser ouvido e Kuroko ver que o trem que esperava havia chegado.
– Adeus. – disse o azulado pegando sua mala, desviando seus olhos do ruivo.
Kagami não respondeu, deixando o azulado ir.
Kuroko suspirou pesadamente e se dirigiu ao trem, entrando no vagão.
– TETSUYA! – ouviu alguém gritar.
Virou-se a tempo de ver o rosto banhado de lagrimas de seu ex-namorado. As mãos ágeis do maior agarraram seu rosto, e seus lábios buscaram desesperadamente o do outro.
Não passou de um simples selinho, mas que foi o suficiente para fazer toda a estrutura mental de Kuroko desabar.
– Adeus. – sussurrou o maior largando-o.
As portas do vagão se fecharam. Deixando um Kuroko paralisado de um lado, e um Kagami sorrindo tristemente do outro.
– Por que... Ele fez isso... – murmurou Kuroko baixando a cabeça.
Perdeu o controle das pernas e deixou-se cair de joelhos no chão, sendo observado por vários outros passageiros.
– Idiota... Idiota...
Ainda na estação, Kagami estava parado no mesmo lugar, tocara os lábios de leve e sorrira tristemente.
– Eu te amo Tetsuya...
“Me salve antes que coisas ruins aconteçam...!”
Off. Pov Autora
FIM?
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