Ei, esse Uke é meu!
9 Ama no Jaku - Gumi Megpoid
Notas iniciais
“Deixe-me lhe dizer algo que venho pensando há muito tempo
Se nós pudermos voltar a ser amigos,
Então eu não vou pedir mais nada”
On. Pov Kuroko
Acordei sentindo alguma coisa me envolvendo. Essa coisa era quente e grande. Isso já está virando rotina...
Abri lentamente os olhos, a primeira coisa que focalizei foi uma longa cabeleira roxa.
Roxa?
Arregalei os olhos e dei um salto para trás.
KAMI-SAMA! O QUE EU ESTAVA FAZENDO DEITADO EM CIMA DO MURASAKIBARA-KUN?!
O arroxeado sentou-se na cama. Deu um longo bocejo e olhou para mim entediado.
– Kurochin está frio... – disse com a voz manhosa. – se vista ou vai pegar um resfriado.
Como assim me vestir...? Olhei para baixo.
Puta merda...
Eu estava só com a minha box azul escuro! Onde estavam minhas roupas? As marcas que Akashi e Kise deixaram em meu corpo ainda estavam ali. Corei violentamente ao constar isso e tornei a olhar para Murasakibara.
– O q-q-uee-e acon-t-te-ce-eu? – gaguejei tentando inutilmente esconder meu corpo com minhas mãos.
– Hm... – ele coçou o queixo, pensativo. – depois que te beijei você ficou todo vermelho e começou a falar umas coisas sem sentido... Hm... Aí desmaiou e eu te trouxe pro meu quarto no dormitório... Hm... Tava quente de noite. Aí tirei suas roupas, a propósito, por que está cheio de marcas roxas pelo corpo?
Eu queria enfiar minha cara dentro de cimento fresco e deixar secar para nunca mais sair dali.
– Me dê minhas roupas. – falei.
– Não posso. Ainda estavam sujas de doces, então mandei para uma lavanderia aqui perto da escola. Hm, mas você pode usar alguma roupa minha se quiser.
Encostei minhas costas à parede e deixei-me escorregar, cobrindo o rosto com as mãos.
Eu quero sumir.
– Kurochin o chão está muito frio. – ele se levantou e foi em minha direção.
Pegou-me no colo e sentou na cama, acariciando meus cabelos enquanto puxava uma coberta para enrolar-me.
– Está tudo bem? – perguntou preocupado.
Suspirei e afundei meu rosto em seu peito. Meu peito doía, sentia-me asfixiado. Mas sabia que não era fisicamente, era meus sentimentos que pareciam querer me sufocar.
– As aulas já começaram há umas três horas, hm. – disse Murasakibara. – mas você parecia cansado, fiquei com pena de te acordar.
– Tudo bem. – menti. – você pode ir ao meu quarto e pegar alguma roupa? A chave está guardada embaixo do carpete vermelho com um dragão desenhado. É o quarto trinta e sete.
– Posso. – ele sorriu se canto. – Kurochin, não mereço uma recompensa por te trazer até aqui?
– Recompensa?
– Uhum... – acariciou uma de minhas bochechas. – eu quero o Kurochin com doces!
– Como assim “com doces”?
– Assim!
Ele pegou um pote marrom com rotulo branco que estava no criado-mudo ao lado da cama.
– Nutella? – franzi a testa ao ler as enormes letras vermelhas no rotulo. – pra que isso?
– Quero Kurochin com doces! – repetiu e abriu o pote.
Pegou um pouco do chocolate com os dedos e voltou àqueles lindos olhos ametistas para mim.
– Abra a boca.
– Por que?
– Abra Kurochin... – sussurrou rouca e manhosamente.
Estranhei e abri a boca, no mesmo momento me arrependi.
Murasakibara espalhou o doce por toda ela, sujando também meu rosto e pegou um pouco mais de chocolate, espalhando-o por meu pescoço até chegar à clavícula.
– E-Ei! Que pensa que está fazendo? –reclamei.
– Comendo! – disse com um sorriso infantil e mordeu meu lábio inferior.
– Oye...! – reclamei ao sentir seus lábios largarem os meus e escorregarem para o rosto.
Ele segurou meus pulsos com uma mão enquanto a outra segurava os fios de minha nuca, inclinando meu pescoço para o lado. A língua úmida do arroxeado acariciou lentamente a pele de meu rosto e foi descendo até a mandíbula onde sugou e tornou a descer por meu pescoço.
– Kurochin com doces é tão bom! – disse ele lambendo os lábios.
– P-Pare com isso...! – reclamei sentindo meu baixo ventre se aquecer.
– Mas você está gostando! – ele sorriu inocentemente e pegou um pouco mais de chocolate de dentro do pote. – olha...
Deixou o doce escorrer por meu peito e abocanhou um de meus mamilos. Chupando-o com força para depois lamber ao redor.
– Delicioso... – suspirou traçando novamente o caminho até meu pescoço.
“Contanto que você esteja bem com isso,
Então eu realmente não ligo
Eu, uma mentirosa,
Cantei uma canção de amor contrária aos meus pensamentos”
Ah, bom. Vocês já podem prever o que aconteceu em seguida, por que isso SEMPRE ACONTECE COMIGO.
A porta do quarto foi arrombada (adivinha por quem? Isso mesmo! Você acertou!). Riku entrou toda saltitante junto a Momoi e mais umas dez garotas. A morena segurava uma câmera fotográfica e a rosada um tripé.
– E ESSE DAQUI É O PROXIMO CONCORRENTE PELO CORPO DO NOSSO UKE PERFEITO KUROKO TETSUYA! – anunciou Momoi como se tivesse ganhado na loteria. – VOCÊS JÁ PODEM COMEÇAR A VOTAR, QUEM O NOSSO UKE VAI ESCOLHER? O BOLÃO JÁ ESTÁ COM QUASE SETECENTOS REAIS! QUEM VAI QUERER ENTRAR?
Algumas das garotas começaram a gritar histericamente enquanto eu tentava esconder meu rosto envergonhado no peito de Murasakibara que resmungava e tornara a acariciar meus cabelos.
– MAS QUE BAGUNÇA É ESSA AQUI? VÃO PARA AS SUAS SALAS IMEDIATAMENTE! – gritou uma voz enraivecida que eu conhecia bem.
– Perdoe-nos Akashi-senpai! – disse uma das garotas. – mas queríamos ver por nos mesma para comprovar os boatos! Mas saiba que eu estou torcendo por você!
– An? – ele entrou no quarto empurrando todas em seu caminho e parou boquiaberto em frente a mim e Murasakibara. – MAS QUE PORRA É ESSA?! – puxou A Tesoura da calça e apontou para o arroxeado. – QUEM TE DEU PERMIÇÃO PRA TOCAR NO MEU TETSUYA?!
– Hm? Não tem nenhuma placa com seu nome nele. – disse Murasakibara erguendo o olhar para o ruivo psicopata.
– Não! Mas tem isso! – ele se aproximou de nós e me arrancou violentamente do colo do maior e segurou meus pulsos. – vê? – mostrou os chupões escuros que havia deixado no dia anterior. – ELE É MEU! NÃO ENCOSTE UM DEDO NELE!
– Kurochin não é seu. – Murasakibara levantou-se da cama com o rosto escondido pelos cabelos. – ele é meu. – As mechas arroxeadas escorregaram por seu rosto, mostrando-nos sua expressão ameaçadora. – Ele é o meu doce favorito.
“O clima de hoje estava ótimo,
Com apenas um banho de chuva na área
Ontem eu estava fazendo o melhor uso do meu tempo
Ficando parada e livre”
Ouvi gritinhos histéricos das garotas e tentei me soltar de Akashi, mas não tive sucesso algum. A única coisa que consegui fazer foi deixar o lençol escorregar para o chão, revelando todo o meu corpo marcado.
– KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! MONTA LOGO ISSO!!! – gritou Riko jogando a câmera para Momoi que começou a nos fotografar freneticamente. – QUINZE REAIS POR FOTO!
Akashi agarrou-me contra seu corpo, e não soltava de jeito nenhum! Murasakibara tentou me pegar de volta, mas o ruivo teimoso apontava-lhe a tesoura e eles tornavam a discutir.
– KUROCHIN É MEU! – berrava Murasakibara. – LARGA ELE SEU PROTOTIPO DE DOENDE!
– TETSUYA É MEU! – berrava Akashi do outro lado. – NÃO RESPIRE PERTO DELE SUA ABERRAÇÃO ROXA!
– Que bagunça é essa aqui? – a voz sonolenta de Aomine ecoou pelo quarto. – estou tentado dormir, dá pra ouvir você desde o final do corredor e... O QUE ESTÃO FAZENDO COM O MEU TESTU?
– SEU O CARALHO! – gritarem ambos ao mesmo tempo. – KUROCHIN/TETSUYA É MEU!
– EU NÃO SOU DE NINGUÉM!!! – gritei em vão.
“Não é como se eu estivesse pensando em você ou qualquer coisa
Mas pra falar a verdade,
Eu devo ter pensado em você só um pouco”
Debati-me nos braços de Akashi que simplesmente ignorava-me e continuava a discutir com Murasakibara.
– Alguém me ajude... – choraminguei.
Mas as meninas continuavam a gritar feito loucas enquanto os dois brigavam.
– JÁ CHEGA DESSA PALHAÇADA! – berrou Aomine tão alto que pensei que fosse ficar surdo. – LARGUE O TETSU AGORA PORRA!
Empurrou Akashi brutalmente e me puxou para seu colo.
– PAREM DE BRIGAR DESSE JEITO! ESTÃO ASUSTANDO ELE! – o moreno pegou o lençol que estava no chão e me entregou. – se enrole.
Saiu a passos pesados do quarto, deixando todos boquiabertos. AOMINE NUNCA SE ALTERAVA. Era sempre quieto, calado e resmungão. Sempre entediado, e eu nunca o havia visto tão irado!
“Igual a um carrossel,
Minha cabeça está girando”
– Não se preocupe, vai ficar tudo bem. – ele sussurrou carinhosamente. – tome um banho e se arrume, sei que tem um uniforme reserva guardado no armário.
– Obrigada... – falei com a voz embargada. – obrigada... – baixei a cabeça em encostei-a a seu peito, deixando as lagrimas rolarem livres.
Agora entendia o porquê da sensação de estar sendo asfixiado.
Eles me queriam, mas não era amor... Era só o meu corpo... Igual ao que ele fez. Me usou e jogou fora.
Homens são todos iguais.
“Já que está quase derramando das minhas mãos,
Onde eu devo jogar fora esse amor que você me deu?
Eu não preciso de coisas
Que diminuem quanto mais eu uso.”
Chegamos ao quarto e ele me deixou tomar banho em paz. Não fiquei mais do que dez minutos me limpando e saí do Box. Aomine me entregou meu uniforme reserva e me vesti. As marcas avermelhadas em minha pele já haviam sumido e roxo se tornava mais claro, deixando-me quase normal... Mas eu era tão branco que qualquer coisa me marcava.
– Está pronto? – ele sorriu e afagou minha cabeça. – vamos.
– Pra onde? E as aulas? – ergui as sobrancelhas curioso.
– Danem-se as aulas. Kise pode nos passá-las depois. – disse ele com um sorriso brilhante. – vem, você vai gostar. – estendeu-me a mão.
Olhei para ela. Os longos dedos morenos estendido em minha direção, eu...
– Ok, vamos. – segurei sua mão e deixei que ele me guiasse para fora do dormitório.
Realmente, a segurança dessa escola é uma droga, ninguém nunca impede quando alunos matam aula.
Aomine levou-me até uma praça afastada da escola. Havia um homem barbudo com um boné na cabeça encostado á um carrinho de sorvete. Aomine pediu-me para esperá-lo e foi em direção ao homem.
Encostei-me a um muro e fiquei observando enquanto o moreno retornava com os picolés e entregava um a mim.
– Tutti-fruti, certo? – disse com um sorriso de lado.
– Obrigada. – murmurei pegando o objeto gélido.
Aomine saltou e sentou-se em cima do muro, alojando-me entre suas pernas enquanto devorava seu picolé de melancia.
Observei o pequeno objeto tão azul quanto meus cabelos e levei-o a boca.
Aomine é tão gentil.
Suspirei e dei uma mordida no picolé, sentindo minha gengiva gelar com o contato em uma sensação de queimação ao sentir-lo escorrer por minha garganta.
– Por que eles fazem isso? – perguntei ao moreno acima de mim. – por que não escutam o que eu tenho a dizer?
– Por que todos te querem Tetsu. – sorriu travesso e mordeu o picolé. – simples assim.
“Deixe-me lhe dizer algo que venho pensando há muito tempo
Você não pode ver a forma,
Mas pode ver as palavras
Eu me sinto frustrada pelo fato de que existem coisas que eu não sei”
– Você é como eles? – perguntei temeroso.
Ele riu e tocou suavemente em meu rosto, por onde novas lagrimas surgiam e escorriam.
– Não se preocupe. – disse ainda rindo. – admito que tenho sim uma atração física por você, com esse corpo queria o que? – riu novamente de meu rosto corado. – mas você é como se fosse meu irmãozinho mais novo. Não te vejo realmente dessa maneira.
“As minhas emoções pendentes são bonitas ou sujas?
Eu ainda não sei,
E eu não tenho nenhum lugar para descartá-las
Vou esperar até eu chegar ao fundo do significado daquelas palavras
Afinal, não há nada de mal em esperar”
Segurou uma de minhas mãos e prendeu o picolé entre os dentes olhando-me seriamente.
“Quando você está seguindo em frente,
Enquanto eu estou completamente parada,
O que devo fazer para preencher a distância entre nós?”
Terminou de comer o picolé e sorriu confiante.
– Vai fica tudo bem. Estou aqui para protegê-lo, otouto.
“O "eu" que não é capaz de usar palavras honestas...
É covarde de nascença”
– Obrigada... – falei chorando ainda mais. – obrigada onii-san.
“Já que está quase derramando de minhas mãos,
Em vez de você, a quem devo dar esse amor?
Eu não acho que alguém pode ser encontrado com tanta facilidade”
Sorri e olhei para a praça. Foi quando avistei uma cabeleira loira.
Ele estava meio escondido atrás de um muro, observando-nos com os olhos marejados e uma mão apertando a camisa no lugar onde deveria estar seu coração.
– Aomine... – li o sussurro que seus lábios pronunciavam enquanto a dor em seus olhos se amplificava.
“Acho que vou esperar
Mais uma vez”
Off. Pov Kuroko

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