Ei, esse Seme é meu!
8 From Y to Y – Vocaloid
Notas iniciais
“Você começou a andar, virando as costas para mim
Sem nenhuma palavra trocada
Minha mente estava indecisa, e eu chorei como uma criança
“Não vá, não vá”, eu disse”
On. Pov Autora
– Shin-san... Bom dia... – a voz suave e tímida de Takao ecoou pelo quarto.
O esverdeado abriu lentamente os olhos, sentindo uma mão quente toca-lo delicadamente no rosto.
– Takao...? – murmurou sonolento.
– Deixou a porta destrancada novamente. – riu o moreno docemente. – apresse-se, senão irá se atrasar para a aula. Não seria nada bom o presidente do conselho estudantil não dar exemplo não é?
– Hm... – foi o que o maior limitou-se a “dizer”.
Sentou-se na cama enquanto Takao procurava bandagens no armário. Midorima fez sua higiene pessoal e trocou de roupa na frente do moreno mesmo, o fazendo ruborizar violentamente e desviar o olhar para o chão.
O esverdeado terminou de se vestir e sentou na cama, Takao foi ao seu lado e começou a desfazer os curativos de seus dedos.
– Hm... Shin-san, já pensou em fazer um tratamento ou algo do tipo? – perguntou o menor passando uma tomada nos dedos longos de Midorima.
– Já, na verdade, mas... Eu não sei...
– Pois devia se decidir logo. – Takao terminou de enfaixar os dedos de Midorima e tomou suas mãos entre as dele. – a cada dia que passa sua pele fica ainda mais rachada e caí em maior quantidade, por favor, procure um médico. Estou te dizendo isso há tanto tempo.
– Hm. – olhou para o menor.
O mesmo estava corado, os olhos brilhantes fixos nas mãos do esverdeado e mordia o lábio inferior.
Francamente, fazia aquilo de proposito?
– Takao. – chamou Midorima.
– Sim, o que... – ergueu os olhos, logo em seguida os arregalou ao sentir os lábios do namorado cobrir os seus.
“Eu comecei a andar, virando as costas para você
Eu preciso ir antes que minhas lágrimas caiam
Fingindo que eu não gostava de ficar tão feliz,
Eu tentei ser forte, e deixei ir meu futuro”
O esverdeado separou lentamente seus lábios do moreno, ainda com um fino fio de saliva os conectando.
– Já falei o quanto você está lindo hoje? – sussurrou sensualmente o maior mordendo o lábio inferior de Takao.
– Ah... – balbuciou Takao completamente vermelho. – é... Eu... An...
– E fica ainda mais lindo envergonhado desse jeito. – segurou a cintura do secretario e o puxou para seu colo. – acho que atrasar uma vez na vida não vai me tirar da presidência do conselho estudantil, não é?
– Shin-s... – foi interrompido por outro beijo.
Colocou timidamente as mãos sobre o peito do namorado, sentindo o mesmo puxa-lo para ainda mais para perto de si. O calor que ambos os corpos compartilhavam era tentador. Não era apenas desejo, havia amor ali.
Um estranho, descomunal e inseguro amor.
Off. Pov Autora
“(futuro) futuro (futuro) futuro (futuro)
Não posso trazer de volta
meu desejo (desejo) desejo (desejo) desejo, aah”
On. Pov Takao
– E-Espera Shin-san... – falei ofegante por causa de seus beijos. – a aula...
– Como consegue pensar nisso agora...? – sussurrou Shin mordiscando meu lóbulo. – eu sei que disse que não tentaria nada, mas não vamos fazer nada demais... Só me deixe aproveitar um pouco...
– M-Mas...
– Por favor. – sussurrou com o hálito quente em meu ouvido. – só um pouco.
Meu peito apertou-se e abracei seu pescoço com minhas mãos tremulas.
– E-Está bem... Só um pouco!
Senti-o sorrir na curva de meu ombro, no segundo seguinte fui jogado na cama.
– Espera! Você disse um pouco!
– Mas é o que estou fazendo. – um sorriso pervertido surgiu em seus lábios. — não se preocupe, você vai gostar.
– Shin-s... – e, novamente, fui calado com um de seus demorados beijos.
Arg! Shin não tomava jeito!
Off. Pov Takao
“Meu pequeno quarto parece mais espaçoso
Parece estar ampliando a ferida da minha mente
Por um minuto momentâneo ou segundo no qual parece mais longo
Eu quero ficar com você”
On. Pov Autora
Depois de sua “diversão”, ambos os estudantes chegaram dez minutos atrasados na aula. A sorte era que Takao fazia o segundo ano, já Midorima o terceiro, assim não haveria piadas sobre os dois. Entretanto, nenhum dos dois conseguia prestar atenção na aula. Ambos pensavam no outro, era difícil controlar.
Após quatro horários, veio o intervalo, todos os estudantes se amontoavam nas filas, exibindo seus tickets alimentares. O pequeno Takao era praticamente esmagado em meio a eles.
– Precisa de ajuda? – uma voz rouca e brincalhona soou atrás do moreno.
– Miyagi-senpai! – Takao quase chorou de alivio. – preciso sim!
O maior riu de sua expressão aflita e abriu espaço em meio aos afobados estudantes, colocando um braço ao redor de seu kohai e afastando os outros na fila. Entre algumas mãos bobas e empurra-empurra (N/A: ‘Cês que compram lanche na cantina do colégio entendem a dor deles, né?), finalmente chegaram a seu bendito destino e pegaram seus lanches nas bandejas.
– Muito abrigado! – disse Takao sorrindo. – achei que fosse morrer ali!
Miyagi sorriu e ambos sentaram numa mesa um pouco mais afastada, para evitar a barulheira no centro do refeitório.
– Então, sobre a peça... – disse Miyagi.
– Ah! Eu já decorei todas as falas! – disse o menor contente. – não se preocupe!
– Não me preocupo, eu sei como se esforça em tudo. Acho você incrível.
– Eh? Obrigado! – bagunçou os cabelos e deu uma risada nervosa ao sentir as bochechas corarem com o elogio.
– Então... – Miyagi mordeu o lábio inferior antes de prosseguir. – como vão as coisas entre você e o... Midorima-san?
– Estamos bem! – deu uma abocanhada no alimento. – sabe, depois daquele dia, nos conversamos e ele disse que não forçaria a barra. Relativamente falando, está esperando eu estar pronto. Fico tão feliz!
“O mundo não me permite mesmo desejar isso, eu me pergunto
Mesmo uma mentira que eu contei
Irá e levará suas lágrimas”
Miyagi suspirou, parecia que havia uma aura de pureza ao redor de Takao que parecia mais feliz do que jamais esteve.
– Hm... – o senpai desviou os olhos para seu próprio lanche. – estão realmente bem? Digo, você está bem?
No mesmo instante, o sorriso do kohai morreu. Seus olhos baixaram para as próprias mãos que seguravam seu sanduiche natural.
– Não sei... Eu... Apesar de tudo, ainda me sinto muito inseguro. Não importa quanto tempo passe, continuo achando que na hora vou decepciona-lo e...
– ISSO NÃO VAI ACONTECER! – Miyagi gritou, chamando a atenção de outros estudantes. – digo... – abaixou a voz. – e se for o contrario?
– Hm? – o menor estava surpreso com a súbita fúria do mais alto. – como assim?
– O que quero dizer é... – mordeu novamente o lábio e tomou as mãos do menor entre as suas. – e se ele não for o suficiente para você? Fica o tempo todo se autodepreciando, dizendo que não é bom o bastante para ele, mas e se ele não for bom o bastante para você?
Takao pareceu meio desconcertado suas mãos tremeram um pouco.
– Nunca havia pensado nisso. – admitiu.
– Sei que não, está sempre pensando no bem dos outros, mas nunca te vi pensando no próprio bem, diga-me Takao, não acha que deveria se mimar um pouco de vez enquanto? Pode ser mimado comigo, eu não ligo. Só quero que fique bem, de verdade.
– Senpai eu...
“Eu já repeti tanto meus pecados que eu não posso contar
Um deles foi ter tocado sua mão
Um deles foi tentar viver gentilmente ao seu lado”
Foi interrompido por uma bandeja que foi bruscamente colocada ao lado da sua na mesa.
– BOM DIA. – disse Midorima com um sorriso forçado.
– Ah! Bom dia Shin-san! – disse Takao corando levemente enquanto tornava a abrir seu contagiante sorriso.
Midorima sentou ao seu lado, puxando Takao pelos ombros para mais perto de si e lançou um olhar ameaçador em direção a Miyagi que engoliu seco, mas logo se recuperou e devolveu com a mesma ferocidade.
E, claro, Takao estava alheio à batalha de olhares que os dois semes travavam.
– Mas... – o menor virou-se em direção ao de cabelos loiro-caramelado. – Miyagi-senpai, em qual papel irá atuar? Não o vi ensaiando. – franziu a testa.
O mais alto acariciou os cabelos do moreno, arrancado um olhar assassino de Midorima e disse numa voz calma:
– Eu serei o demônio.
– An?
– Você é o cupido, certo? – acariciou as bochechas macias de Takao. – então serei o oposto, você puxara o casal para um lado e eu para o outro. – a mão que lhe tocava o rosto desceu até o maxilar. – não se preocupe... – alcançava agora a nuca do menor. – ensaiei sozinho.
“Em memória e tempos finitos
Como algo que deixei no passado, poderá a qualquer momento voltar
Minha existência que somente havia se fixado ali
Na sua memória, deve ter sido
a-pa-ga-da”
Takao corou um pouco com a proximidade de seu senpai e Midorima acertou uma tapa na mão do mesmo.
– Pode não toca-lo com tanta intimidade Kiyoshi-san? – o esverdeado planejava mentalmente uma morte lenta e dolorosa para aquele desgraçado que ousa tocar o que era SEU.
–Qual o problema Shin-san? – perguntou ingenuamente Takao.
– É, Shin-san, qual o problema? – disse o de olhos castanhos provocando-o.
Midorima cerrou os dentes e puxou Takao ainda mais para perto de si, quase sufocando-o.
– Shin-san... Tá machucando... – murmurou o menor corado.
– Deixe-o respirar. – Miyagi puxou o braço de Takao, o arrancando de Midorima.
O moreno prendeu a respiração ao ser movido daquele jeito, e corou ainda mais, caíra justamente no colo do loiro-caramelado.
– M-Miyagi-senpai... – gaguejou.
– Oye, Kiyoshi-san! – alterou-se Midorima, novamente chamando a atenção de outras pessoas. – o que pensa que está fazendo? – uma veia saltou em sua testa.
– Nada de errado. – disse cinicamente passando ambos os braços ao redor da cintura de Takao, que estava estático e chocado com as atitudes imprudentes de seu senpai.
– Solte-o, agora. – quase se podia ver uma aura negra ao redor do presidente do conselho estudantil.
Miyagi limitou-se a rir baixinho e deu um beijo na nuca de seu kohai.
– Que gosto bom, Takao. – sussurrou na orelha do menor, fazendo-o estremecer.
Isso foi o ápice para Midorima.
“Nunca podemos voltar para trás outra vez?
Este é o começo? Ou o fim?”
– NÃO ENCOSTE MAIS UM DEDO NELE! – berrou o esverdeado arrancando Takao do colo do outro, agarrando-o contra si. – ELE É O MEU SECRETARIO, O MEU NAMORADO. NUNCA MAIS SE APROXIME DO QUE ME PERTENCE!
Após esse ataque de fúria, um silencio sepulcral se fez no refeitório. Todos pararam para olhar, e muitas expressões abismadas eram visíveis em praticamente todos os rostos.
Midorima, percebendo o que havia feito, sentiu o rosto queimar. Seu rosto estava vermelho, muito vermelho, queria se enterrar vivo depois disso.
Até que ouviu uma risada.
Sim, uma risada.
E vinha logo da pessoa que menos esperava.
– Eu te amo! – disse Takao limpando uma lagrima que vinha ao seu olho, de tanto rir, deu um breve selinho nos lábios do maior. – desculpe-me Miyagi–senpai, não posso corresponder aos seus sentimentos, eu amo o Shin mais do que tudo. – sorriu carinhosamente. – mas eu ainda gosto muito de você, espero que possamos continuar sendo bons amigos.
Foi o que se seguiu no refeitório.
– KAMI-SAMA! TINHA OUTRO? – berrou uma garota no meio dos estudantes. – COMO NUNCA PERCEBI? KYAAAAAAAAAAAA!!! ELE É FOFINHO QUE NEM O KURO-CHAN!!!
– QUE ESTUPRAVEL! – outra gritava. – NÃO É O TAKAO DO SEGUNDO ANO?! VOCÊS DOIS SÃO COMPLETAMENTE SHIPPAVEIS!
– MIDOTAKA! MIDOTAKA! MIDOTAKA! – começaram a gritar em coro.
– HEIN? – do outro lado outra menina gritou. – NADA DE MIDOTAKA! TEM QUE SER MIYATAKA!
– MIDOTAKA!
– MIYATAKA!
– MIDOTAKA!
– MIYATAKA!
E logo uma enorme briga começou, fujoshis histéricas se estapeavam por todos os lados enquanto os fudanshis partiam para o soco mesmo.
– Por que isso sempre acontece nesse colégio...? – murmurou Takao.
“A noite que estou dormindo em uma cama larga não acabou ainda
Eu vou sonhar sozinha novamente
Este é um sonho para marcar sua memória”
– Midorima! Takao-chan! Por aqui! – gritou uma voz familiar.
– Riko! – Takao nunca havia se sentido tão feliz ao ver a garota.
A morena se aproximou junto a rosada. Riku ajudou Midorima e Takao a deixarem o dormitório enquanto Momoi tentava consolar a Miyagi, pois ele realmente gostava de Takao, e elas não eram do tipo que ignoravam os sentimentos dos outros desta maneira.
– Não se preocupe Miyagi-chan! – disse ela dando umas tapinhas no ombro do menor. – você vai ficar bem, cuidaremos disso!
– Como assim cuidarão? – ergueu o rosto, mas a rosada havia sumido.
Momoi, de fato, ERA ASSUSTADORA.
◦◦◦
“Eu já repeti tanto meus pecados que eu não posso contar
Um deles foi ter tocado sua mão
Um deles foi tentar viver gentilmente ao seu lado”
◦◦◦
Takao saiu do banho, vestindo apenas um moletom vermelho-escuro de Midorima e uma box preta. Largou-se no chão, enxugando os cabelos e olhou para o lado.
– Shin-san, está acordado? – perguntou.
O esverdeado nem se mexeu. Continuou largado na cama, vestindo uma calça e uma blusa de moletom preta.
Depois de toda a confusão, as aulas foram suspensas e os estudantes obrigados a limpar todo o refeitório, após a pancadaria houve guerra de comida e a situação que já estava ruim, piorou.
Os namorados chegaram ao quarto do mais velho e foram tomar um banho, já que haviam sido atingidos por alguns alimentos. Além de tudo, ainda eram nove horas da manhã, não havia o que fazer.
Takao sorriu de canto ao ver o maior. Levantou-se e foi até a cama, deu-lhe um beijo na testa e sussurrou docemente:
– Eu te amo Shin.
Pegou um dos travesseiros e foi para perto da janela, o colocando no chão. Deitou-se e se encolheu como um feto, não tinha coragem de ir deitar na mesma cama que o namorado, apesar de tudo, ainda tinha um pouco de medo.
Medo de Midorima?
Não.
Tinha medo de si próprio, e do que seria capaz de fazer quando a hora “H” chega-se.
Com esses pensamentos, adormeceu.
“Eu vou me reparar por uma dor da solidão
Então me deixe ficar gentilmente em suas memórias”
Midorima despertou sentindo uma dor nas costas por causa da posição que havia dormido. Sem sequer abrir os olhos, tateou a cama, na esperança de que Takao estivesse deitado ao seu lado.
Soltou um suspiro frustrado ao perceber que o namorado não se encontrava ali.
Abriu lentamente os olhos, sentado na cama e olhou em volta.
Ele estava ali.
Próximo a janela, alguns raios atravessavam o vidro da janela, iluminando o belo rosto adormecido de Takao. Ele tremia um pouco por causa do ar-condicionado, murmurava algo semelhante há “cenouras verdes”.
Midorima sorriu e pegou se travesseiro junto a coberta, deixando os óculos sobre a cama e deitou-se ao lado do menor. O chão, de fato, estava frio. Cobriu-se junto ao menor e acariciou seus cabelos escuros. Logo deslizou a mão até a cintura do menor e deu-lhe um selinho.
– Eu te amo... – sussurrou.
“Eu desejo que nós nos encontremos novamente em sua memória
Então iremos andar de mãos dadas
Enquanto isso,
"até mais"”
Off. Pov Autora

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