Notas iniciais
Como prometido...

Do lado de fora os ambientes passavam rapidamente.

O céu estava nublado, mas não havia resquícios de que a chuva viria tão cedo.


A cabine era ocupada somente pela jovem de cabelos róseos e um casal, não aparentando ter mais do que 25 anos de idade. Ela preferia não encará-los, pois qualquer fato que lhe remetesse ao amor lhe trazia angústia, desde que teve seu pobre coração despedaçado, ainda que tivesse apenas 17 anos de idade e não fosse tão experiente no assunto.


Abandonar a pequena Konoha e se mudar para Hiroshima logo após o término do segundo grau não foi um erro, pelo menos não em sua concepção. Deixar tudo o que ainda lhe restava em sua cidade natal e buscar refúgio na cidade grande foi uma ótima escolha. Cursar medicina e agora praticamente morar no lugar de trabalho sempre foi a melhor das escolhas. Tudo isso só para não se recordar dele, porque querendo ou não ele sempre estaria lá, fazendo parte de seu passado e isso era só mais um motivo para aumentar sua amargura.


Na verdade só estava voltando às origens por muita insistência do amigo que estava por casar, não planejava ficar mais do que duas semanas e logo poder voltar e afogar todas as mágoas no trabalho. Esperava não encontrá-lo por lá do fundo de sua alma. Não sabia se o coração suportaria, não sabia se conseguiria aguentar tudo o que estava preso em sua garganta há tantos anos.


Ela não era mais a garotinha iludida por amor, a adolescente irresponsável e inconsequente que um dia cogitou ser, pelo contrário, lidar com morte todos os dias lhe tornara mais fria e calculista. Não tinha mais tempo para sentimentalismo nem coração mole. Foi-lhe necessário levar muitos tombos para que pudesse aprender a se levantar sozinha, sem depender de ninguém.


Não. Nunca mais dependeria de ninguém, pois a única pessoa a qual ela jurou dependência a havia apunhalado pelas costas, nem mesmo se preocupando com o seu pobre coração.

Os beijos, os abraços e olhares de cumplicidade lhe causavam nojo. Nunca ouviu um “Eu te amo” da boca dele, mas pensava que o simples ato de ele sorrir em sua presença — o que era raro para outras pessoas- lhe transmitia o mesmo sentimento.


Agora mais do que tudo desejava pelo menos ter ouvido ao menos uma vez as três palavras vindas dele, para ter certeza de que tudo não se passava de uma mentira. Que ele não a magoou por querer.


À medida que o trem ia adentrando a estação sua aflição só aumentava. Não sabia se a cidade estava do mesmo modo como a deixou há oito anos. Não sabia se haveria alguém a esperando para lhe indicar o caminho. O ambiente pareceu escurecer de repente e só existia o silêncio.


Avistou o pai ao longe, estava um pouco mais novo do que imaginava que estaria. Os cabelos meio grisalhos e a barba por fazer ainda não apagavam o brilho do olhar do homem de meia idade. Suas roupas denunciavam a alta patente a qual ele pertencia, mas o sorriso amplo que lhe dirigia lhe mostrava toda a humildade.


Sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos e correu para abraçar o progenitor. Embora tenha se tornado uma mulher fria, só agia de tal modo com que não era intimamente ligado a ela. A família era a única com quem poderia demonstrar sentimentalismo e fragilidade.


– Que bom que chegou bem minha Musume!


A voz do homem era acolhedora e confortante, assim como o abraço.


Soubera pelo mesmo que a mãe não estava ali por estar ajudando a preparar um pequeno jantar para os familiares do amigo que estava para casar.


Naruto...


Será que ele continuava o mesmo depois de tanto tempo? Ainda era extrovertido e simpático com todos? O melhor confidente e amigo que ela poderia ter?


Estava feliz por ele finalmente ter ajeitado a vida e estar se casando com a paixão de infância.

Fora Tenten, Naruto era o único que sabia que ela havia sido traída e foi um dos únicos que a apoiou a se mudar e esquecer o passado, tocando em frente com a vida.


Adentrou no automóvel do pai e foram em direção a que ela esperava ser a sua antiga casa.


A cidade não havia mudado muito, ainda continuava pequena, mas agora já possuía um aspecto envelhecido. A arquitetura das casas era antiga e as ruas estavam desertas como sempre.

Viu uma gota bater contra o vidro e percebeu que a chuva já havia começado a cair.


A cada rua pela qual o pai dirigia a fazia voltar ao passado. Passado esse que ela preferia deixar esquecido.


Ao virar a esquina pode ver a antiga casa, que lhe deu muitas recordações boas e outras nem tanto. A pequena residência de dois andares e com um pequeno jardim a frente mantinha-se conservada, assim como o velho e pequeno bonsai que a mesma havia plantado ainda criança.


A casa do lado que um dia pertenceu à Tenten estava com aspecto abandonado. Soube pela mãe que algumas semanas após ela mudar-se para Hiroshima, a amiga foi morar em Tóquio com os pais. Por esta razão elas haviam perdido o contato.


O carro estacionou em frente a casa enquanto a chuva alternava sua intensidade.


Logo que a adentraram a rosada foi surpreendido pelo abraço caloroso de sua mãe que chorava de felicidade.


– Minha Musume! Você não sabe quantas saudades a Okāsan estava sentindo de você!


– Eu também estava com muitas saudades Okāsan!


– Venha, todos estão te esperando.


A mãe a puxou em direção a cozinha enquanto o pai levava as malas para cima. Era incrível como o interior da casa não havia mudado em nada, não parecia que haviam se passado anos desde a ultima vez em que estivera por ali.


Instantaneamente, ao pisar na sala de jantar sentiu o ocasional frio na barriga. Teve medo de quem poderia encontrar lá.


O local estava cheio de pessoas, algumas em pé e outras sentadas na enorme mesa de jantar.


Antes que pudesse visualizar o ambiente por completo viu uma cabeleira loira se desviando da multidão.


– Sakura-chaaaan! – o sempre extrovertido Naruto gritou ao avistá-la, lhe dando um abraço de urso logo em seguida, quase a sufocando. – Venha ver Hina-chan! A Sakura-chan já chegou!


– Sakura! – uma garota de olhos perolados e cabelos pretos azulado a cumprimentou.


– Como vai Hinata? Ansiosa pelo casamento? – Sakura não pode não reparar no anelar de Hinata que ostentava um enorme anel de diamante.


– Você nem imagina o quanto! Mas ainda não me acostumei que daqui a uma semana já serei a Sra. Uzumaki.


Todos riram do comentário. Sakura cumprimentou todos os presentes na sala de jantar, ainda que mostrasse um sorriso forçado, pois não queria estar lá. A mãe a retirou de lá, levando-a para a cozinha alegando que ela deveria estar com fome.


– Fiz Gyozá, já que você me disse que estava com vontade de comer!


– Arigatou Okāsan!


Querendo ou não, pequenos gestos como esse a fazia se sentir viva novamente. Ela se sentia viva porque sabia que havia pessoas que se importavam com ela.


O som da campainha soou.


– Pode atender? Estou ocupada fazendo Missoshiru!

– Tudo bem – ela respondeu dando um beijo estalado na bochecha da mãe e indo ver quem estava na porta.


Passou pela janela e viu que ainda chovia. Girou a maçaneta e não teve palavras para descrever o que viu.


Parado do outro lado da porta estava o rapaz dos olhos negros como a noite e a mesma pele pálida, mas com expressões mais másculas, com os cabelos e vestes ensopadas pela chuva.


Ali, parado do outro lado da porta estava o seu maior pesadelo.

Notas finais
Até a próxima semana...
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Beijos e podem comentar que eu não mordo, ok?