Efêmero

3 Capítulo lll


– Sa-Sa-Sasuke? – as palavras custaram a sair.


O rapaz assim como ela estava surpreso. Nunca imaginara reencontrar a ex-namorada após tantos anos. Ela havia sumido do mapa e parecia que nunca mais iria reaparecer novamente. Mas lá estava ela, agora com os cabelos rosados na altura da cintura, a pele sedosa e bem cuidada e os mesmos olhos verdes, só que não com o mesmo brilho que tinham na juventude, mas sim com um olhar vago e de frieza.


– Aí está você rapaz! Que bom que chegou, saia dessa chuva! Não quero um de meus homens doente!


O pai da jovem estava parado no pé da escada olhando para os dois.


Sem quebrar o contato visual Sasuke entrou na residência. Sakura teve a impressão de que ele ria levemente da situação, que não era nem um pouco engraçada. Ele ainda aparentava a calmaria de sempre.


– Olá capitão! – Sasuke cumprimentou o pai da rosada.


Sakura estranhou a intimidade dos dois, mas nada disse. Queria ver-se longe daquele embaraço e de quem tanto machucou seu coração um dia.


– Bem, Otousan, estou com dor de cabeça acho que irei subir. Com licença. – disse quebrando o contato visual com o ex-namorado.


Subiu a escada rapidamente, sem se importar se poderia tropeçar e rolar degraus abaixo.


Sentiu-se aliviada quando avistou ao fim do corredor a porta de madeira e foi adentrando no antigo quarto. Tudo ainda estava lá, em perfeito estado, do mesmo modo como ela havia deixado o local há oito anos.


Atirou-se na cama se controlando ao máximo para não chorar e tentando ignorar a vontade de gritar que brotava do fundo de seu ser.


A vida só poderia estar de brincadeira com ela.


Ouviu alguém bater a porta e resolveu fingir que estava dormindo. As batidas pararam depois de um tempo, mas o som da maçaneta se fez presente. Resolveu fechar os olhos e fingir dormir. Sentiu o peso de algo sobre o colchão e depois uma mão passar a acariciar seus cabelos, seguidos daquela voz extremamente escandalosa, mas que estranhamente soava reconfortante para o momento:


– Eu sei que você não está dormindo Sakura-chan.


Sakura-chan...


Depois de tantos anos ele ainda a chamava assim, do mesmo modo como a chamava quando se conheceram aos 8 anos de idade.


De repente o motivo pelo qual ela havia se isolado em seu quarto veio à mente. Abriu os olhos devagar e não pode conter as lágrimas mais uma vez, abraçando com toda força o amigo loiro.


– Você não sabe como dói Naruto – falava em meio a soluços.


Quando se acalmou um pouco se encostou à cabeceira da cama, tendo a mão do amigo a acariciar a sua como maneira de consolo. Tomou coragem e retomou a conversa.


– Pensei que havia dito que ele havia ido embora...


– Ele havia ido – Naruto suspirou, sabendo que mais cedo ou mais tarde teria de contar a verdade – mas um tempo depois voltou.


– Por quê? – ela tentava evitar que as lágrimas viessem à tona novamente.


– Pelo que eu soube, ele havia se mudado para Otto e se alistado no exército. Depois de um tempo ele voltou e ingressou na polícia local, seu pai é o chefe dele. Ninguém sabe ao certo porque ele voltou. Desculpe-me não ter lhe contado antes, mas é que eu estava tão ocupado que mal tive tempo de lhe escrever.


Então era por isso que ele havia chamado seu pai de capitão quando estavam na sala.


Não culpava o amigo por não ter contado sobre a volta de Sasuke, ela mesma já havia deixado claro muitas vezes que a história dos dois estava no passado e que há muito já havia sido esquecida. Mas agora ela percebera ser uma grande mentira.


Naruto lhe lançou um olhar inquieto e ela logo soube que havia algo a mais que não lhe havia dito.


– O que você está escondendo? – perguntou sem papas na língua, ela odiava que lhe escondessem as coisas.


– Você sabe que por mais que você seja minha amiga e que ele tenha lhe feito algo tão terrível, eu conheço Sasuke desde que nasci e querendo ou não ele sempre será o meu amigo. Não pense que não te defendi quando ele lhe fez tão mal, mas você tem que entender que eu não posso levar em conta só um lado da moeda –


Ela nunca o julgaria por ainda ter amizade com quem um dia lhe causou tanto mal, era injusto que ela interferisse no elo que sempre existiu entre os dois.


– O que você quer dizer? – ela apressou, pois sabia que havia algo por detrás do discurso do amigo.


Notou certa apreensão dele em responder sua pergunta. O viu fechar os olhos e suspirar, quando o mesmo abriu os olhos novamente pode identificar algo como determinação em seu olhar:


– Sasuke e Ino... estão juntos.


O choque inicial foi inevitável: as palavras sumiram, sua garganta se fechou, os olhos arderam e o coração pareceu parar de bater.


Ela nunca pode imaginar que uma traição no passado pudesse se tornar algo verdadeiro no futuro e muito menos afetá-la de tal modo.


Suspirou fechando os olhos, tentando absorver a informação. Com o máximo de força conseguiu pronunciar poucas palavras, quase inaudíveis:


– Pode me deixar sozinha?


O amigo loiro suspirou resignado. Já esperava que ela tivesse aquela reação. Tudo o que pode fazer foi dizer algumas palavras de consolo e deixá-la sozinha, como a mesma havia pedido:


– Você sabe que pode dar a volta por cima. Você é uma mulher forte Sakura-chan! Nunca deixe que isso – apontou para o coração dela – afete isto – disse apontando a para a cabeça da mesma, dando-lhe um beijo na testa e deixando o quarto.


Naruto tinha razão.


Antes ela era só uma garotinha assustada e apaixonada que colocava o coração na frente da razão acima de tudo.


E no que deu isso?


Ela foi enganada e traída, e descobriu da pior maneira possível; resolveu partir e esquecer o passado, mas descobriu ser impossível, mais impossível ainda quando o destino coloca bem na porta à sua frente a pessoa que lhe fez todo esse mal. E ainda lhe reservou um Gran Finale: ele estar com a outra, que um dia considerou mais do que uma amiga, a considerava uma irmã.


Antes fosse que tivesse agido com a razão. Poderia estar sentindo agora felicidade plena, e não fingir essa felicidade que não tem. Não sofreria, não fugiria, não se amedrontaria.


No entanto tudo o que reatara agora era a dor e as lembranças.


Ela nunca o perdoaria.

Notas finais
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Até o próximo!

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