Effect, wolf, vampire!
2 Cap. 1.0 - Reencontro com a olhos de vampiro.
Notas iniciais
“A pessoa mais importante da sua vida pode ser alguém que você nem imagina, o passado se liga ao presente e ao futuro, creio que o “efeito borboleta” é algo que definiu a minha vida para sempre, considerando que em minha infância sempre tentei agradar a todos. Mas algumas coisas aconteceram, e sobre elas prefiro ficar em silêncio do o que comentar sobre.”
Estes pensamentos aleatórios rondavam a mente de certo garoto de 15 anos, que pilotava a sua bicicleta em direção à escola que frequentaria naquele ano letivo. A escola de artes Natsu era um local para poucos gênios de todos os tipos de artes, sendo elas dos mais variados estilos. Localizava-se em uma pequena cidade do Brasil conhecida como Benção Cultural, todavia não possuía um nome fixo e cada um chamava-a como queria.
O barulho de porta se abrindo colocou toda a sala de aula em silêncio enquanto o jovem entrava. Com aparentes 1,75 de altura, cabelos cinza bagunçados com uma parte pintada de escarlate, esta era tão lisa e fina que relembrava uma fita, esta cobria sua testa. As roupas que vestia eram simples, apenas uma camisa branca de mangas curtas, calças verde-escuro e sapatos azul-claros, com um cinto marrom comum. Ele segurava um caderno de capa azul e com aproximadas 100 páginas, – ou pelo menos, era o número de folhas que os alunos achavam que o caderno havia. – em seus bolsos se localizava apenas uma caneta e as chaves de casa, nada mais.
Ele se dirigia para frente da sala de aula enquanto vários sussurros passeavam pelo ar, o mais falado? É claro que era sobre o garoto que acabara de entrar. Alguns alunos o acharam legal, as meninas elogiaram sua aparência meio selvagem, outros apenas continuaram a conversar sobre os assuntos que estavam a falar antes do rapaz entrar.
Já estava de fronte a todos os alunos quando o silêncio irrompeu na sala, o professor de francês, Carlos, chamando a atenção dos alunos, levantava-se de sua cadeira e ia até o rapaz. Ele vestia uma camisa social azul de duas tonalidades, calças jeans e tênis brancos. Aparentava seus 25 anos e possuía simples cabelos lisos, curtos, de cor negra, com uma pequena cicatriz em sua testa coberta por alguns fios.
— Nice to meet you, my name is Tsuryu Mach.
Utilizando o inglês para se apresentar, deixou algumas dúvidas entre os seus colegas de classe.
“Ele é estrangeiro?” ou “O que foi que ele falou?” eram as mais comuns.
— Tsuryu, por favor sente-se ao lado de Mitsuri.
O professor apontou para a cadeira com o seu piloto. Olhando a sala pelo seu fundo, era a segunda cadeira da esquerda para a direita da última fila.
Tsuryu pôs-se a andar em passos lentos e largos naquela direção. Seus olhos não expressavam sentimento algum, ele parecia totalmente indiferente apesar de tudo o que ouvira anteriormente. Sentando-se, olhou para a garota que se sentava à sua esquerda, percebendo algumas coisas familiares. Uma loira de cabelos longos e lisos utilizando o uniforme escolar (Um blazer amarelo com detalhes azuis, uma blusa branca e uma saia amarela com duas linhas azuis em sua parte inferior. Era bem elegante em comparação aos outros da cidade) com meias brancas e sapatos marrom-claro. ( Caso consigam imaginar, a Mitsuri é basicamente a Mikagura Seisa, só que loira. )
— Mitsuri Ken, olhos de vampiro, é você?
A menina sentiu um calafrio correndo por todo o seu corpo rapidamente, virando o seu rosto de forma trêmula, com um pouco de medo do o que veria. Os seus olhos escarlates expressavam corretamente o que ela estava sentindo.
“Essa voz e esse apelido, NÃO ME DIGA QUE”
— T-Tsuryu?!?! – Um tom espantado, o que não era estranho numa situação daquelas.
Tsuryu Mach e Mitsuri Ken são amigos de infância de quando ainda moravam no Japão, por conta de muitas coisas que aconteceram, ele se mudou aos 7 anos de idade, e ela aos 12. Aparentemente, o rapaz era novo na cidade, o que indicaria que se mudara de novo.
— É bom te ver, medrosa – Debochar com a cara dos outros é quase sempre bom, não é?
Mitsuri cruzou os braços, virando o rosto com uma expressão irritada.
— Huh! É melhor ter medo do o que se perder na própria casa! – Deu um sorriso de deboche, junto a um olhar “Acha que pode me vencer nos insultos?” para ele.
As palavras proferidas pela garota causaram um impacto mental como se fossem um porrete na nuca do rapaz.
— Não precisa sair dizendo isso em voz alta, senhora estômago delicado!
Essa foi a gota d’água. Ambos bateram suas testas levemente, empurrando-as com uma expressão de ira.
— É o quê?!?!?! – Ela estava bastante irritada. Quando estava prestes a socar Tsuryu, o professor interviu, chamando a atenção deles com um tapa no quadro negro.
— Se querem brigar, que não seja na escola e muito menos na minha aula, ouviram!? – Do modo em que falou, ele colocou um sentimento de medo em toda a turma.
— Sim – Falaram juntos com um tom chorão e amedrontado, ambos tomando seus assentos lentamente.
Passaram-se cerca de duas horas de aula sem parar. Então, o sinal toca, indicando o intervalo de 30 minutos antes de mais duas horas de aula.
— Aller bien, les étudiants – Carlos pegava suas coisas e saía da sala enquanto falava, indiferente. No entanto, os alunos apenas se atreveram a se mover de suas carteiras quando ele já estava no corredor.
— Tsc. – Tsuryu colocava seu cotovelo esquerdo na mesa, apoiando sua cabeça em sua mão esquerda. – Se não fosse você, não teríamos conhecido o lado sombrio do professor tão cedo.
Mitsuri, com a maior educação possível, se levantou e foi até atrás do rapaz.
— POURRIEZ-VOUS RÉPÉTER??? – Suas palavras pareciam as de um demônio.
— Votre faute. – Disse indiferente, olhando diretamente para os olhos da garota, o que rendeu um soco em sua bochecha. – É só isso? – Na verdade, estava doendo bastante. – Parece o soco de uma criança! — Só se for uma de onze anos super-desenvolvida, idiota!
— MAL-DI-TO... – Respirando fundo, ela se acalmou. Por enquanto. – Não vou perder o meu tempo com você, hum! – Cruzou os braços, saindo da sala em passos rápidos. Tsuryu seguiu o mesmo caminho depois de alguns segundos, em direção à cantina.
Mitsuri chegou na lojinha rapidamente, apanhando um pão doce em meio a uma guerrilha pelos pães favoritos, no entanto, na hora de pagar, ela procurou, procurou, procurou e procurou, mas não achou o dinheiro.
— Me desculpe, eu não estou achando o meu dinheiro.
— Eu não posso vender nada sem me pagarem na hora, pode ir devolvendo esse pão!
A garota hesitou um pouco ao colocar o pão de volta, deixando sair alguns grunhidos chorões enquanto o fazia. Então, se sentou sozinha em uma mesa qualquer perto da janela do refeitório, e deitou seu rosto nela. Seu estômago roncou, pois não havia comido nada no café-da-manhã. Depois de alguns segundos, alguém jogou um pão doce, ainda embalado, na mesa, ao lado do cotovelo da garota, ao mesmo tempo em que uma voz masculina falou com ela.
— Coma. – O dono da voz sentou-se ao lado. – Mas agora, esquecer o dinheiro para comprar a única coisa que você iria comer durante cinco horas... francamente! – Deu uma mordida em um pretzel (aparentemente muito doce) que estava segurando.
— Hm..? – Ela levantou lentamente, com um rosto sonolento e cansado. – Kansha... shimasu. – Abrindo o pacote lentamente, Mitsuri parecia não possuir forças para a tarefa. Sem perceber, deitou no ombro do rapaz (que era o Tsuryu), começando a comer o pão doce. No entanto, digamos que ela não tem muita afinidade com alimentos doces enquanto está com sono, e o seu estômago começou a se revirar todo. – Com licença... – Ela não conseguiu ver o rosto do rapaz que a ajudara, e deixou o pão doce na mesa. Ela seguiu, e foi seguida, até o banheiro feminino.
Tsuryu ficou esperando que ela saísse, do lado de fora na porta, para que lhe entregasse o pão doce novamente. Mitsuri adentrou um dos toaletes e, abrindo a tampa dele, começou a vomitar, mas foi pouco, pois quase não tinha o quê jogar pra fora. Três meninas haviam entrado no banheiro enquanto ela saía do compartimento. Lavando a sua boca, ouviu uma voz aguda e irritante e, infelizmente, sabia de quem era.
Hikari Yamamoto, a mais popular da escola, mas não era por uma boa fama. Uma valentona que só sabe implicar com os outros. De pele morena e com os cabelos loiros, sempre utilizando uma tiara branca ou amarelada, e possuía um cup size F. Ela estava usando o uniforme escolar e possuía uma tesoura em seu bolso traseiro.
— Ei, Mitsuri, por que você não aproveita e morre vomitando??? – Falou em desprezo.
— Desculpe-me.
— Por que está se desculpando?
— O fato de que apenas um fio do meu cabelo vale mais do o que toda a sua vestimenta te incomoda? – Abriu um sorriso fraco de deboche para Hikari, o que deixou a garota extremamente irritada.
— Grrr, cale a boca! – A valentona avançou contra Mitsuri, direcionando um tapa na direção do rosto, mas recebeu um soco no próprio antes, que a fez cambalear para trás.
As duas garotas que acompanhavam Hikari agiram, segurando Mitsuri pelos braços com a maior força que tinham.
— Agora você vai ver o que é bom! – Ela puxou a tesoura de seu bolso, e as meninas seguraram Mitsuri mais forte ainda, que estava com uma expressão indiferente com um sorriso acabado.
Queria fugir, mas não tinha forças. A essa altura do campeonato ela já tinha certeza que foi uma má ideia ter saído doente de casa naquele dia. Foi então que sentiu os seus cabelos sendo cortados.
— Você tem sorte, piranha! Estou de bom humor hoje, então vou apenas deixar o seu cabelo mais curto. Soltem-na, garotas, vamos indo.
Mitsuri caiu no chão do banheiro, começando a chorar, deitada ali mesmo. Tsuryu ficou ouvindo, calado, se arrependendo de não ter impedido as garotas, mesmo tendo noção do o que fariam. Foi quando uma, e a única, amiga de Mitsuri da escola adentrou o banheiro feminino.
Sora Santos, uma menina mestiça, metade brasileira e metade japonesa, simpática e que não gosta de ver alguém excluído de jeito algum. Conheceu Mitsuri no 9° ano do ensino fundamental, quando ainda eram novatas. Cabelos marrons e muito bagunçados com roupas desengonçadas eram a marca dela. No entanto, ela estava um tanto arrumada naquele dia em comparação aos outros.
— Mitsuri! – Gritou ao encontrar a garota chorando ao mesmo tempo em que estava ardendo em febre. – Aguente firme, vou te levar até a enfermaria. – Saindo pela porta, viu Tsuryu com um olhar um tanto preocupado em direção à garota em enfermo.
— Me dê ela e me guie!
De começo, Sora hesitou por não saber quem o novato era, mas logo entregou-a nas costas dele, pois percebeu que ele conseguiria correr mais rápido enquanto carregando Mitsuri. Sora começou um diálogo enquanto estavam correndo.
— Eu sou Sora Santos, quem é você?
— Tsuryu Mach, amigo de longa-data da Mitsuri.
Falando em Mitsuri, ela ainda estava soltando gemidos sofridos enquanto nas costas dele. Ele queria conseguir ajudar, mas não tinha nada o que podia fazer. Olhou para o rosto chorão da garota, ficando nervoso e um pouco vermelho, seu coração sentia-se perfurado a cada som que escutava.
— É aqui! – Abriu a porta da enfermaria de supetão e muito fortemente. – Dout... – Não havia ninguém.
— Droga! – Ficou indignado e determinado. – Eu vou levá-la a um hospital, Santos-san, faça-me o favor de justificar as nossas fugas, por favor! – Saiu correndo em disparada.
— Espera, você realmente pretende fazer isso?! O hospital mais próximo daqui é a 6 quarteirões de distância!
— Obrigado. – As palavras foram escutadas bem de longe.
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