Effect, wolf, vampire!

6 Capítulo 1.3, segunda parte - "A humildade é realmente uma virtude?"


Notas iniciais
Yo! Há quanto tempo, não? Provavelmente eu já devo ter perdido mais da metade do meu público por causa dessa demora de meses pra postar só 6 páginas do Word por vez, mas enfim. Desculpem-me pela demora, eu estava em uma crise criativa até pouco tempo atrás x.x Enfim, obrigado. E como de costume, o dicionário das palavras em outras línguas: Siscon - Alguém com complexo pelos próprios irmãos, que ama eles de uma maneira "diferente". Saint Rose - Santa rosa (duh) Mashiro - Puro branco Konnichiwa - Pode ser usado tanto como "Boa tarde" quanto como "Olá!" Imouto - Irmã mais nova Onii - Irmão mais velho Boku ga Mitsuri no koto aishiteiru - Eu amo a Mitsuri.

O dia seguinte foi uma folga para os alunos por alguns problemas acidentais de estrutura escolar que estavam sendo resolvidos. Tsuryu estava em casa a fazer suas atividades rotineiras, com mais calma e alegria por conta do tempo de sobra que havia.

Era pequena e simples, com pisos e paredes de madeira muito bem-cuidados e um tanto antigas, num terreno de 30x25m². A estrutura possuía cerca de 200 anos e é onde a família Mach morara há algumas gerações. De cor marrom escuro com detalhes brancos simétricos, deixando a “estampa” da casa bastante listrada, tanto de cima quanto para os lados, formando vários quadradinhos de tamanhos iguais ao redor de todas as paredes externas. O jardim era pequeno (Cerca de 8x8m²), no entanto, extremamente verdejante, como se fosse cuidado por um biólogo profissional especializado nesta área. De dois andares, a cozinha e o banheiro (além de um pequeno armário “secreto” ao lado da cozinha) ocupavam todo o primeiro andar, enquanto dois quartos compunham o superior, com um sótão pequeno conectado à casa por uma escada de madeira, separado por uma portinhola que ficava quase todo o tempo fechada. O quarto de Tsuryu era um pouco menor, por escolha própria, contendo apenas uma cama marrom, colchão branco e lençóis brancos, uma pequena caixa abaixo dela feita de papelão de cor bege claro, uma penteadeira do outro lado do quarto que possuía a mesma largura do cômodo com três gavetas contendo as roupas dele e, à cercania do tálamo, uma pequena janela com diâmetro de 30x60cm² a 25cm de distância do chão. Do outro lado do andar, separados por um corredor, ficava o quarto da irmã de Tsuryu, bem mais espaçoso e com todas as necessidades especiais que ela precisava.

Não muito maior do o que o quarto do irmão, o de Mashiro era um tanto humilde. Uma cama especial para seus problemas de coluna, não muito macia, mas na medida certa. Ali haviam aparatos médicos para caso dores começassem a aparecer na região danificada, que ia desde a metade da coluna vertebral (verticalmente falando) para baixo, todos muito bem cuidados, esterilizados, separados e embalados em pequenas gavetas de um guarda-chaves de três compartimentos que ficava encima de um estande alto, de madeira de boa qualidade, com o pé e cabeça redondos como um circulo bidimensional. Os outros detalhes eram exatamente iguais ao quarto de Tsuryu, entretanto com maior grau de organização por conta de o espaço ser maior. Havia uma bem pequena penteadeira de madeira, com três gavetas, ao lado de sua cama, no entanto, onde ficavam lenços e os jogos dela.

Mashiro deve tomar remédios frequentemente para manter a saúde de seu corpo, por conta do esforço que ela não consegue fazer com as pernas. Em um acidente que ocorreu há cinco anos antes do presente, a garota de oito anos salvou o seu irmão de dez de um acidente de carro que, caso o atingisse, seria fatal por conta da pouca saúde em que ele se encontrava na época. Paraplégica dos membros inferiores, os órgãos da menina trabalham um pouco mais lentamente que o normal, fazendo com que ela tenha dificuldades em manter-se em movimento por muito tempo, caindo no sono frequentemente. Uma adolescente de extrema força, Mashiro possui cabelo, unhas e olhos totalmente brancos (O corpo humano redireciona as proteínas que são usadas para a pigmentação da pele e afins durante um período de extrema necessidade de se recuperar a saúde, e é um pouco difícil de recuperar depois da perda.), porém, a sua pele não chega a ser albina, apesar de ser bastante pálida, então pode sair no sol por períodos moderados de tempo. Com 1,44 de altura, muitas pessoas a confundem com uma criança. Olhos de tonalidade cinza-claros incomparavelmente lindos e raros. Frequenta a escola “Saint Rose”, e está atualmente no 8° ano do ensino fundamental, com 13 anos. Costuma usar roupas que cobrem bastante o seu corpo, mas frequentemente usa quimonos e gosta de ficar apenas com as vestimentas íntimas, quando está sozinha, é claro. Amante de jogos de estratégia e ação. Tem muito ciúmes de seu irmão (quase siscon), mas consegue se controlar, a maioria das vezes. Suas comidas favoritas são doces e afins. Possui muito talento para a música, e sabe tocar flauta, violão, violino, guitarra, piano e cantar. Apesar de tudo isso, se mostra uma garota muito tímida, difícil de fazer o primeiro contato, mas sempre encara os seus problemas de frente, mais do o que o seu irmão, às vezes.

(Nota do autor: Eu não me lembrava no momento em que escrevi: como especificar as medidas de algo tridimensional?)

Tsuryu havia acabado de limpar os cômodos que faltavam por já ter limpado um pouco no outro dia. O mais importante para ele em casa é deixar Mashiro confortável, então ele faz isso sem reclamação. Encontrava-se na cozinha, a testar a sua culinária em um nível mais avançado, apesar de estar fazendo um prato simples. Arroz com sushi de filé bovino, acompanhado por um molho de carne saudável, feito de vários ingredientes não prejudiciais à saúde com uma mistura de ervas medicinais que formam um aroma único, mas não estupendo. Foi quando ouviu alguém bater à porta. Gritou para que, por favor, esperasse um pouco e arrumou tudo na mesa. Ainda demoraria alguns minutos para que tudo estivesse pronto, então apenas embalou os ingredientes e deixou as ferramentas na pia (Duas facas de alta qualidade, uma concha e um garfo), indo a ter com o visitante inesperado quase que imediatamente. Abriu a porta apenas um pouco, deixando apenas pequena parte do seu corpo à mostra. Surpreendeu-se com quem era, não de uma maneira boa, no entanto.

— O que vocês querem? – Olhou com desinteresse, quase desprezo, para eles.

— E isso é jeito de tratar os amigos? – Falou Shiroo com o tom irritante e enérgico de sempre.

— Sim, sim, Tsuryu! O que acha de nos tratar pelo menos como conhecidos? – Mitsuri estava com um sorriso no rosto. Ela já sabia que ele odiava visitas inesperadas.

— Ok, ok. Podem entrar se é isso que vocês querem. – Abriu a porta por completo, revelando as suas vestimentas.

Ele estava vestido com uma calça de cor verde sólida com alguns bolsos e usando um cinto de couro, essa combinação, porém, focando-se na confortabilidade. Sandálias comuns marrom escuro, uma camisa de mangas longas preta de material fino que cobria toda a parte superior de seu corpo até o pescoço. Além disso, de peça extra e que retiraria logo mais, estava um avental branco comum e uma bandana branca que cobria o seu cabelo pela frente, triangular, amarrada de uma forma que ficasse pontuda para cima. Mitsuri ficou estupefata com essa cena, mas não falou nada.

Aliás, ela estava vestida com uma bermuda jeans laranja que cobria quase toda a sua coxa, sapatilhas de estampa florida de margaridas amarelas e brancas misturadas, meias brancas, luvas brancas que cobriam metade de seu braço e uma blusa de botões de cor também laranja de mangas curtas, cobrindo apenas até pouco mais de seu antebraço. Seus cabelos estavam bagunçados, pois não teve tempo de se arrumar por conta de outros motivos, vulgo Shiroo foi à sua casa para chamar ela repentinamente, no entanto, estavam de uma maneira até bem estilosa. As luvas estavam ali para esconder as faixas de dois ferimentos que adquirira tentando cozinhar no dia da apresentação do ensaio.

Já Shiroo estava bem mais à vontade. Uma bermuda jeans azul simples que cobria até pouco mais de seu joelho com sandálias azuis e uma regata branca que deixava os seus braços, um tanto quanto musculosos, à mostra. Seus cabelos estavam dessa vez presos, e se mantinham dando uma curva partindo da esquerda para a direita no pescoço dele para evitar desavenças.

— Podeis sentar à mesa. Trarei a minha irmã para conhecer-vos em um futuro não muito distante, logo após o término do cozer das comidas que serão servidas no banquete às vossas senhorias. – Falou Tsuryu, de forma extremamente eloquente e que deixou os dois um pouco espantados. – Resumindo, podem sentar à mesa que eu vou ajudar a minha irmã a descer, basicamente. – Retirou as panelas do fogo e terminou de preparar o prato rapidamente. Por sorte, havia o suficiente para todos.

— Que nostalgia... – Mitsuri se lembrava das vezes em que Tsuryu comia em sua casa, de vez em quando. – Mas nunca pensei que fosse ser servida por você. – Sorriu.

— Eu também nunca, na verdade, eu pensava que não conseguiria nem falar com ele. Sabe, ele é tão estrelinha, não é? Em? Em? – Shiroo ficou olhando para Mitsuri, tentando fazê-la entender a piada, mas ela olhou para ele sem conseguir entender nada. Desapontado, cruzou os braços e apoiou sua cabeça na mesa, pouco atrás. – Vocês realmente deveriam ter mais senso de humor.

— Shiroo. – Tsuryu fixou seu olhar nele. – Vous pouvez répéter?

— O q... – Quando olhou para Tsuryu, sentiu um medo extremamente forte bater. – Por favor, me desculpe. – Falou de forma a esconder o desespero. Mitsuri riu da cena.

— Tudo bem, hora de servir. – Colocou todo o necessário à mesa, no caso, quatro tigelas e pares de hashi, e se pôs em direção à escada. – Eu já volto. Caso puderem servir o prato de cada um, eu agradeço.

Quando ele terminou de subir, Shiroo indagou uma conversa um tanto quanto íntima com Mitsuri.

— E então, o que você vai fazer?

— Quê? – Pergunto Mitsuri, com dúvida.

— Sobre o Tsuryu. – Continuava com uma calma impressionante.

— Como assim? – Ela estava com um pouco de medo sobre o que viria a seguir.

— Está na cara que você o ama de outra forma, e isso não vem de agora. – Apoiou seu rosto na mão direita e seu cotovelo na mesa, olhando para ela de maneira fria. – Vai ficar parada sem fazer nada? – Ela estava nervosa e corada, mas respirou fundo e se acalmou.

— De qualquer forma, o que você tem a ver com isso? – Respondeu friamente. Shiroo abriu seus olhos um pouco mais, demonstrando interesse. – O que uma pessoa que, há mal um dia me conhece sabe o que realmente pode acontecer? – Ele desapoiou seu rosto, olhando diretamente para os olhos dela.

— Não é óbvio? Você vai ficar sozinha caso apenas guarde isso pra você. Ele nunca vai pensar sobre ti desta forma caso não conte. Não vê que ele é um tapado que só pensa em si mesmo e não liga para os outros ao seu--- — Foi interrompido por uma palmada muito forte em seu rosto. Mitsuri se levantou imediatamente.

— Estou saindo. – Falou com raiva, quase a chorar. –Trate de nunca tentar se intrometer na minha vida de novo! – Andou em passos fortes em direção à porta, abrindo-a e saindo em direção à sua casa, rapidamente.

Tsuryu desceu sozinho após o baque, calmamente. Parecia que ele já esperava que aquilo fosse acontecer.

— O que aconteceu? – Perguntou retoricamente enquanto servia a tigela de sua irmã e o levava.

— Não foi nada, apenas uma garota que não consegue ouvir nem um pouco da verdade. – Deu uma pequena risada. – Me desculpe, mas eu vou ter que recusar o seu banquete hoje. – Se levantou, saindo lentamente. – Jaa ne.

— Eu espero que nunca mais volte. – Sussurrou para si mesmo. Pegou o celular e ligou para Mitsuri enquanto subia as escadas para servir sua irmã. A chamada não foi completada. – Tsc. – Respirou fundo antes de entrar no quarto onde dormia Mashiro, deixando a tigela na pequena penteadeira ao lado de sua cama.

Sem muita demora, pegou um casaco preto de capuz que costuma usar frequentemente e o vestiu no lugar do avental. Saiu em disparada em direção ao lugar em que ela provavelmente iria, pegando um atalho. O metrô. Quando chegou lá, apenas seguiu Mitsuri para observar qual deles iria pegar. Quando entraram, Mitsuri sentou ao lado da janela, com uma expressão um tanto triste. Estava sem suas luvas, pois não tinha mais por que esconder. Depois de pouco tempo, Tsuryu sentou ao seu lado, mas esperou o metrô sair da estação para começar uma conversa.

— E então, como foi o seu diálogo com o Shiroo? – Falou em tom irônico. Ela se espantou com a voz, mas não ficava tão feliz assim desde o dia em que Tsuryu foi até sua casa. Virando-se rapidamente, viu o rosto sorridente de seu amigo e derramou uma lágrima. – Espera, eu sou tão bonito a ponto de fazer você chorar? Fico muito lisonjeado, se me permite dizer.

— Idiota. – Realizou um soco fraco no antebraço dele. – Idiota, idiota, idiota, idiota!- Falava baixo, continuando a dar soquinhos com uma curva de força crescente muito grande.

— Ei, isso está começando a incomodar.

— Idiota... – O último soco foi dado, em que ela começou a chorar de verdade.

— A idiota é você! – Tsuryu ficou um tanto desesperado, e sussurrava em tom imperativo. – Pare de chorar ou vão ter a ideia errada de nós dois! – Deu um golpe na testa dela, que colocou as mãos encima do machucado.

— Doeu! – Olhou para ele com raiva, mas com algumas lágrimas ainda no rosto. Então, resolveu limpá-las e a viagem permaneceu silenciosa. Saíram do metrô, andaram metade do caminho e pararam numa praça, sentados no pequeno banco de madeira que, curiosamente, tinha capacidade apenas para duas pessoas, mesmo. – Ei, Tsuryu.

— Hm? – Continuava a olhar algumas crianças brincando do outro lado do parque, então resolveu tirar o casaco, pois estava começando a sentir um pouco de calor.

— Eu tenho algo para te contar. – Estava um pouco corada e olhando para o chão.

— E o que é? – Falava um tanto preguiçoso, bocejando.

— Na verdade, desde aquela época, eu te...

— Pare aí mesmo. – Cortou de maneira um tanto fria. – Eu já sei, desde aquela época. – Mitsuri ficou com uma expressão alegre, olhando para ele com expectativas.

— Que bom... Né?

— No entanto... – Suspirou. – Não é que eu não goste de você quase da mesma maneira, mas eu tenho motivos para não aceitar. – Mitsuri sentiu seu coração ser esmagado de uma só vez. – Pra falar a verdade... – Ele sorriu com os olhos fechados na direção de sua amiga de maneira um pouco sofrida e com um pouco de arrependimento desde já, por estar fazendo aquilo. Não porque ele quer, mas não pode estar com ela, mas por... – Eu nunca senti algo assim por ninguém. – Disse de uma forma que mostrava constrangimento, enquanto isso, ao seu lado, Mitsuri se sentia como um vidro que havia levado um golpe de marreta, ou como um prédio sendo demolido, ou até mesmo, como se tivesse levado uma pancada em seu estômago, tão forte que a fez cuspir sangue e ficar com uma falta de ar extremamente sufocante.

— Mas é claro que não... – Ela se levantou, saindo do local. – Até mais... – Seu tom mostrava a tristeza que sentia de forma bem expressiva. Tsuryu suspirou antes de responder.

— Até. – Estava com um sorriso deslocado e confuso. Quando Mitsuri já não estava mais lá, ele olhou para o céu, se escorando no banco, com uma postura comum, as mãos descansando encima do casaco que estava dobrado e as pernas retas. Ficou pensando em várias coisas, mas apenas uma pergunta surgiu em sua mente, e acabou falando em voz alta. – Amar... O que significa isso? – Ele estava tão distraído que não havia percebido que uma jovem de cabelos marrons, de aparência cercando os 25 anos, havia sentado em seu lado, que estava observando uma pequena criança de 3 anos brincar na areia com as outras.

— Você provavelmente nunca saberá de verdade até sentir. – Tsuryu baixou a cabeça e olhou para as crianças, com uma expressão calma, mas ao mesmo tempo séria. – Querer ver o sorriso da pessoa a todo custo, mesmo que esse custo seja relacionado a perder algo ou fazer algo difícil ou constrangedor, no caso, estar sempre buscando o melhor para ela, independente do o que seja, e aconselhando-a quando o melhor que está visível é o errado... – Ela falava com uma grande certeza, como se no passado, ela mesma já tivesse feito essa pergunta. – Não é algo que você tem que apenas dizer que sente, mas deve provar, seja por coragem ou presentes... Pelo menos, é isso o que eu acho. – Ele abriu um sorriso.

— Obrigado. – A jovem olhou para ele, que expressava satisfação com um sorriso no rosto. – Acho que eu pensei demais em mim. – Levantou-se, virando lentamente o seu rosto na direção dela. – Ei, qual o seu... – Ela já não estava mais lá, nem as crianças que eles estavam observando, apenas as maiores que continuavam a brincar como se nada houvesse acontecido. Ele ficou estupefato a olhar para o banco. – E-tto... – Respirou fundo. – Bem, acho que não importa mais. – Saiu dali, indo para sua casa.

Ao chegar, foi direto ao quarto de Mashiro, que normalmente à aquela hora estaria acordada.

— Konnichiwa, imouto-chan! – Entrou no quanto com um sorriso no rosto, segurando um banquinho de madeira, onde se sentou ao lado da cama.

— Konnichiwa, onii-san! – Eles conversaram em japonês durante todo o diálogo, mas...

Nota do autor: Eu fiquei com preguiça de traduzir tudo para o japonês.

— E então, como está a comida? – Observava ela comer.

— Deliciosa, como sempre. – Falava calmamente com a sua voz suave. – E você? Como foi com a Mitsuri? – Ele riu um tanto constrangido e corado.

— É... Como eu posso dizer... – Sentiu um desconforto ao ouvi-la perguntar sobre.

— Não precisa me contar. – Suspirou ao terminar de comer, deixando a tigela na penteadeira. – Você a recusou, não é, Tsuryu? – Ela falou com um tom raivoso. Ele sentiu um soco no seu rosto. – Porque você disse que nunca sentiu isso por ninguém. – Sentiu outro soco, mas dessa vez soltou um grito de dor, não muito alto. – Não é, Tsuryu?

— Tá bom, tá bom! – Suspirou. – Como você consegue? – Olhou para ela esperando a resposta por alguns segundos. Silêncio... – Não importa.

— Então, qual a sua explicação verdadeira dessa vez? – Sentou-se ereta na cama.

— Na verdade... – Não desviou o olhar em nenhum segundo. – Eu também sofri muito fazendo isso. – Ela riu.

— Finalmente. – Brincou.

— O quê? – Ele a fulminou com o olhar.

— Nada. – Ela fechou os olhos. Ficaram em silêncio por alguns segundos, até que ela abriu risada de novo, mas parou alguns segundos depois. – É sério, não é nada, pode continuar.

— Tsc. – Se irritou um pouco com aquilo. – Quando ela saiu, acabou que eu me perguntei “o que é amor” em voz alta, e fui respondido por uma mãe que estava no parque. – Mashiro ficou estupefata, mas ele não percebeu. – Ela me falou o que achava e...

— E..? – O interrompeu extremamente curiosa.

— Tsc. E eu concordo com ela. – Tsuryu não quis falar que ela tinha sumido, na verdade, achava que seria irrelevante.

— Então... – Pegou o celular e abriu uma foto, mostrando pra ele. – O que você me diz disso? – Era uma foto da Mitsuri atual, com o uniforme escolar e o cabelo todo bagunçado. Tsuryu corou. “Só pode estar de brincadeira” ela pensou. – E dessa? – A foto da vez era ela de bikini na praia junto com Sora. Tsuryu ficou completamente vermelho e desviou o olhar.

— TÁ BOM, EU JÁ ENTENDI, EU GOSTO DELA.

— Olha só, pelo menos pra isso você não é tapado. – Falou com pouco volume.

— O quê? – Fulminou ela com o olhar novamente.

— Nada. – Desviou o olhar, fechando o celular no mesmo instante e cruzando os braços. Abriu o celular de novo quando ele já não conseguia mais ver e ligou para Mitsuri, que atendeu.

Por via de curiosidade, o porquê de ela ter tudo isso é que uma amiga dela em Saint Rose é amiga tanto de Sora quanto de Mitsuri.

— Sim? – Falou tristonha. Ela estava em seu quarto, em posição fetal numa cama desarrumada, apertando um travesseiro com todas as forças. As cortinas estavam fechadas e estava um breu quase completo. Ela ouviu a voz de Tsuryu ao longe e quase desligou, mas estava curiosa para saber do o que se tratava.

— Eu tenho que me desculpar com ela logo... – Falou indignado.

— Você é realmente muito idiota mesmo, irmão. – Mitsuri se perguntava por que eles estavam falando tudo em japonês, mas deixou para lá.

— Não sei... nos Estados Unidos eu estava tão acostumado a rejeitar as garotas daquela forma, que acabei falando sem pensar. — Ela ficou aliviada, e quase começou a chorar de novo.

— Irmão, eu tenho um desafio pra ti fazer. – Aquilo deixou ambos confusos.

— E o que seria?

— Se você tem mesmo culhões...

— Tsc.

— Grite “Mitsuri no koto ga aishiteiru!” o mais alto que puder. – Mashiro deu um sorriso maléfico.

— Nem morto! – Disse em tom imperativo e irritado.

— Não se preocupe. Ninguém vai entender o que significa. Estamos no Brasil, lembra? Um dialeto totalmente diferente do nosso. – Ele suspirou.

— Já que você quer tanto assim... – Se preparava, totalmente corado. Mitsuri continuava espantada, e prestou muita atenção.

— BOKU GA MITSURI NO KOTO AISHITEIRU!!! – O grito pôde ser ouvido em todo o quarteirão. Mitsuri desligou a chamada de imediato, totalmente corada e rolando muito na cama com o surto de energia que ela sentiu. – E então, tá bom?

— Sim, sim, mais do o que bom. Fuhuhuhu – Continuava rindo enquanto ele saía do quarto junto com o banquinho.

— Tsc.

Do outro lado da cidade, no ginásio inutilizado antigo de Natsu...

— E então, o que vocês acham de dar uma lição naqueles metidinhos? – Falava uma voz irritantemente arrogante.

— É uma ótima ideia. Aqueles caras acham que podem chegar e mandar em toda a escola, por algum acaso?

— Todos concordam? – Algumas mãos se levantaram em meio aquele escuro. – Mas vamos jogar o jogo deles até o final. Caso nós percamos, alguém vai levar algumas pancadas de carinho. – Várias risadas ecoaram por ali

Notas finais
Olá de novo! Espero que tenham gostado e, aos que estão lendo isso, e que provavelmente vão me perturbar no inbox do Facebook depois, vocês podem opinar sobre o que vai acontecer no próximo capítulo, apesar que, provavelmente, eu não vou usar nenhuma das ideias. Fuhuhuhu Jaa ne!