Effect, wolf, vampire!

7 Capítulo 1 - Z - O dia em que tudo foi esquecido.


Notas iniciais
Yo, minna-sama! Buji desu ka? Boku ga honma ni ii desu! Espero que não tenham feito magia negra para que eu postasse mais cedo. Enfim, um belo dia dessa semana, eu tive inspiração e motivação e tempo ao mesmo tempo, então consegui escrever mais um capítulo de uma vez e... Nossa senhora, como demorou. Espero que gostem!

Capítulo 1 – Z – O dia em que tudo foi esquecido.

O Sol raiava em mais uma linda manhã NA CIDADE DE TOWNSVILLE... Foi mal, script errado. Mostrava-se um lindo alvorecer de segunda-feira... Que quase ninguém achará bonito simplesmente por ser o primeiro dia útil da semana. O céu ainda estava um pouco azul-escuro, mas já se tornava mais claro conforme os minutos passavam. As condições climáticas manifestavam-se de forma que fosse deixar toda a cidade insuportavelmente fria. A temperatura cercava os 5°C, e os ventos, suaves, mas em grande quantidade, não ajudavam muito. O típico dia em que todos querem apenas ficar embrulhados em seus cobertores, aproveitando o quentinho agradável que eles fornecem para nós.

Protagonista-kun e PersonagemPrincipal-chan se preparavam para mais uma ida à sua edificação acadêmica para realizar o ato de aprendizado a partir do transporte de informações que o Professor gentilmente fornece, não só a eles, mas para todos aqueles que procuram... Ou que o pagam. Tsuryu estava ajudando sua irmã a se arrumar, esta que ainda estava sonolenta.

Respectivamente, Tsuryu e Mashiro estavam com o uniforme, como já é de costume. A farda masculina da E.A. Natsu (Não, não foi uma referência à Eletronic Arts) é um caso um tanto estranho: Apenas um blazer amarelo com detalhes azuis... É só isso mesmo, o que você esperava? Algo ultra chique se tratando de um colégio de elite? Mil perdões por ter quebrado suas expectativas. AHEM. A roupa de Saint Rose era tão simples quanto, tanto para homens quanto mulheres. Uma camisa (ou blusa, chame como quiser) branca, social de mangas médias, com linhas cor de vinho nas bordas, saias ou calças brancas, sapatos sociais, preferencialmente de cores claras, mas não chamativas, luvas brancas e braçadeiras de pano que cubram por anteposição todo o braço até parte do antebraço. A querida irmãzinha sempre usa calças (o que dá, sim, mais trabalho para o querido irmão) e luvas longas, mudanças essas exclusivas apenas para ela.

Em outra parte daquela cidade de tamanho médio, Mitsuri estava deitada, já com as suas roupas escolares, mas seu cabelo completamente bagunçado. Havia usado toda a energia na noite passada, “virando a noite” apenas pensando em como agir na escola no dia seguinte. Acabou que juntas, sem exceção, essas ideias foram completamente inúteis, visto seu estado físico atual. Olheiras nada pequenas, olhos dilatados que não ficavam mais que entreabertos, dores musculares, movimentos mecânicos e, levando em conta que o dela já é abaixo da média, nem ao menos um pingo de equilíbrio, eram as características que definiam o que ela sentia fisicamente naquele momento, mas por dentro, ainda estava alegre pelo que aconteceu há alguns dias, todavia também perplexa. Seus pensamentos mantinham-se muito confusos. Cada um atropelava outro, e isso criava uma corrente tão grande que a deixava com dor de cabeça.

Aquele dia tinha tudo para mostrar-se ser um inferno, e Mitsuri sabia disso. Abriu a tela do seu celular e olhou a data, logo se espantando com o que viu. “Meu Deus!!! Hoje é o dia da apresentação dos dois grupos!”, pensou, sentindo-se desesperada, mas respirou fundo e, levantando da cama, andou até o andar de baixo, onde cumprimentou sua mãe, que estava de saída, e virou-se em direção a cozinha, entretanto, esqueceu-se de perguntar se poderia saírem juntas, então olhou para ela novamente, e na metade do caminho .

— Mãe, esper-- — Ouviu apenas o som da porta batendo, como resposta. Seu grito não havia sido alto o suficiente, mas não tinha nada o que fazer sobre, mal tinha energia para andar, quem dirá para gritar. Foi até a mesa e tomou o café, que ainda estava quente, mas não tanto. Já eram 07:30AM, Mitsuri havia 45 minutos para chegar em Natsu, sendo que, apenas em transporte automobilístico, seriam 25 minutos. Escovou os dentes, penteou seu cabelo levemente e o prendeu num... Coque..? Eu não sei ao certo, e saiu de casa em exatas 07:40:48AM.

O protagonista-kun já havia saído faz 20 minutos, e estaria na escola a qualquer momento.

Não demorou muito até que ela se encontrasse com sua mãe, que parou no caminho para ter certeza de que nada estava faltando dentro de sua bolsa. A Sra. Kaori estava vestida com roupas finas. Um terno de alta, mas não fantástica, qualidade, óculos simples com lentes levemente amareladas, que deixavam os seus olhos de cor escarlate com um efeito que se assemelha a um leve brilho, blusa branca comum, blazer de mangas até os pulsos e calça até os pés, ambos pretos, listrados com uma tonalidade de cinza quase semelhantemente escura, e sapatos de salto não muito alto pretos.

— Mãe... Você já não deveria estar na estação? – Sua voz estava abatida e rouca, parecia ter dificuldade até mesmo para sair. Kaori se espantou com a presença da filha. Por sorte já tinha acabado, então poderiam seguir com a viagem sem mais delongas.

— Mitsuri! É verdade, vamos indo! – Diferentemente, ela estava até animada demais para aquele dia. – Então, por que você ficou acordada a noite toda ontem? – Mitsuri sentiu um calafrio.

— Ah... Não precisa se preocupar. Eu só... Não tenho certeza de como devo encarar o Tsuryu e o Shiroo. – Suspirou pesadamente no final da frase, e seu padrão de respiração ficava cada vez mais lento e pesado, mas não seria algo digno de preocupação. – Ouvi algumas coisas vindas deles e... Sei lá, não parece certo continuarmos no mesmo clube, ou até mesmo escola. – Olhava sempre para frente, mas estava tão cansada que mal conseguia prestar atenção por onde estava indo.

— Filha, eu vou te levar na escola hoje, e pedirei para Sora te trazer. – Kaori se mantinha olhando para ela, pensativa, mas ao mesmo tempo orgulhosa por não ter criado alguém insensível.

— Não precisa... – Bocejou, e sua coluna curvou-se um pouco. – E sério, eu consigo me virar, mesmo dessa forma.

— Se você não conseguiu entender o porquê de eu querer te levar lá, é porque você está em um dia ruim. Normalmente você aceitaria na mesma hora. – Mitsuri se animou um pouco, pois finalmente conseguira perceber.

— Tudo bem, mas não vou ficar muito melhor se você levar bronca por causa de mim. – Deu uma pequena risada no meio da frase.

— Você se declarou para o Tsuryu e ele te recusou, mas então você ouviu ele dizer que te ama por telefone, não é? – Mitsuri parou ereta, completamente estupefata, e ficou assim por alguns segundos.

— M-m-m-mãe... Quem te falou isso? – Seu rosto começava a ficar cada vez mais e mais vermelho.

— Bom... O que eu posso dizer é que uma pequena flor que sacrificou seu caule para salvar alguém me falou.

— Quem é você e o que fez com a minha mãe, ser maligno? – Começou a puxar as bochechas de Kaori.

— Isso dóooooiiiiiii – Depois de alguns segundos, abraçou a olhos de vampiro – Não se preocupe com isso, o tempo certo virá quando vocês estiverem prontos. – Estava sorridente, com as bochechas um pouco vermelhas por conta das puxadas. – Vocês são amigos de infância, por que não podem continuar se falando da mesma forma pelo menos mais um pouco? – Saiu do abraço e segurou-a pelos ombros, olhando diretamente para aqueles olhos escarlates que lhe davam tanto orgulho. – Eu tenho certeza que vocês vão se acertar, então... – Levantou os dois braços enquanto abria as mãos e fechava os dedos.. – Trate de se espertar e colocar tudo em ordem! – Realizou um tapa duplo em Mitsuri, acertando as duas bochechas dela e um pouco mais, deixando toda aquela área vermelha. Ela deu um grito de dor que a deixou quase sem voz.

Chegando à escola, ela apenas se sentou em sua cadeira e ficou olhando para frente. Aguentar até a hora das apresentações sem dormir seria um milagre. Colocou a sua bolsa no compartimento, e então deitou nos seus braços cruzados, apoiados encima da mesa.

Não obstante, Tsuryu sentou-se em sua cadeira após ter ido resolver outros assuntos referentes à sua estadia. Então, olhou para Mitsuri, e fitou-a por três segundos, desviando o olhar com um rosto corado, pois havia pensado no que tivera gritado anteriormente. Viu-se olhando para um livro de matemática encima de sua mesa. Depois de algum tempo o fitando, pegou-o.

— De quem é esse caderno de matemática? – Foi respondido sem muita demora. Lançou o caderno sem dó no aluno. Então, o professor Carlos entrou na sala de aula.

— Aller bien, les étudiants. – Começou a lecionar assim que os alunos sentaram em sua cadeira.

Tsuryu estava preocupado. Era a aula que Mitsuri mais gostava, mas mesmo assim ela estava ali, dormindo, como se nada estivesse acontecendo.

— Mitsuri Ken. – Carlos exclamou depois de alguns minutos de aula, antes do início da explicação. Como já era de se esperar, não teve resposta.

– Mitsuri Ken. –Tentou mais uma vez, em um tom apenas um pouco mais alto. Sem resposta novamente.

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— MITSURI KEN! – Ela acordou em um pulo.

— S-s-sim, professor! – Olhou para ele, nervosa, em uma postura reta. – P-posso ajudar?

— Pode me explicar o porquê de você estar dormindo em minha aula? – Já havia percebido que ela não havia conseguido dormir na última noite.

— É... Na verdade... – Virou seu olhar para a diagonal esquerda inferior. – Eu tive alguns problemas pessoais, difíceis de falar em sala, e não tive tempo para dormir... – Aparentava estar triste, e realmente estava. O professor sorriu.

— Você quer ir para a enfermaria? Não é bom forçar seu corpo demais. – Mitsuri era uma de suas melhores alunas, e também a mais esforçada de toda a sala, então ele tinha certeza que, para ela estar daquele jeito, algo sério deve ter acontecido. De qualquer forma, aquelas palavras a espantaram.

— E-eu sinceramente... Quero... – Sua vista estava começando a borrar rapidamente, e em poucos segundos já não conseguia distinguir nada. Tsuryu se levantou rapidamente e agachou-se, segurando o corpo da garota antes que caísse no chão.

— Tsc. Eu queria tanto que você pelo menos não fosse tão problemática. – Se levantou, ajeitando Mitsuri em seu colo de maneira que ela ficasse confortável. – Professor? – Já estava andando em direção à porta.

— Por favor. – Ao mesmo tempo, o rapaz abriu a passagem, mas antes que ele pudesse sair, Carlos exclamou novamente, o que fez com que virasse seu rosto, apenas o necessário para olhar para o professor. – Se puder, tente contatar Kaori Ken sobre isso. Já é a segunda vez em duas semanas que acontece, e está se tornando preocupante.

— Tudo bem, obrigado. – Não obstante, andou até o corredor e fechou a porta, seguindo até a enfermaria, que ficava no centro da escola.

Mitsuri acordou exatamente às 16h30min, meia hora depois do término das aulas. Não conseguiu reconhecer onde estava, mas sabia que era dentro da escola.

— Acorde Bela adormecida, ou vai perder o espetáculo. — Aquela era uma voz familiar, mas estava confusa em meio a dores de cabeça e zumbidos, até que finalmente recobrou a consciência de vez. Ela olhou para Tsuryu, mas virou-se de costas e embrulhou-se até o pescoço, corada. O rapaz soltou um suspiro de tristeza. – Mil desculpas por ter vindo até aqui. – Ele já estava se levantando de um banco que estava próximo à cama, mas sentiu sua mão sendo puxada de leve, mas não deu meia volta, pelo contrário, continuou parado a olhar para o teto. – Me solta, por favor. – Foi puxado com uma grande força, e não viu o que aconteceu direito, mas quando havia voltado para si, estava beijando Mitsuri, que estava sentada na cama, segurando a mão dele. Nem mesmo ela se lembra de muito do o que aconteceu na hora, aparentemente foi algo como “sinceridade do sono”. Após alguns segundos, eles se soltaram, mas as mãos continuavam se segurando.

— Não me assuste daquele jeito, seu idiota! – Falou friamente, com lágrimas caindo dos seus olhos.

— Perdão. – Sentou novamente, olhando para o lado contrário.

— Mas eu não ligo mais. – Ele virou seu rosto, finalmente, e olhou-a diretamente nos olhos cheios de lágrimas de felicidade. – Afinal, você é o tapado que eu amo. – Sorriu levemente após limpar as lágrimas com as mangas de seu blazer.

Tsuryu sentiu como se metade de sua vida tivesse sido quebrada em mil pedaços de uma só vez. Relembrou de cada vez que resolveu mudar, e se arrependeu de quase todas. Recordou-se das vezes em que sentira falta de ser feliz como na infância, e sentiu-se feliz por aquele tempo não ter perdido o seu valor, nem mesmo na época mais escura de sua vida. Rememorou dos tempos alegres que passara com sua irmã, e o quanto aquilo tivera ajudado a mantê-lo no caminho certo, e de tantas outras coisas, algumas indescritíveis, felizes, tristes, enfim. Todas eram memórias que ele tinha guardado para dar um aviso para si mesmo.

Ele se lembra até hoje. Era segunda-feira, 17:30 da tarde, Tsuryu Mach estava brincando com seus amigos num parquinho, quando caiu em um grande buraco, se ferindo em muitas partes do corpo, acabando por torcer o tornozelo, impossibilitando-o de escalar de volta.

— Eu vou ficar bem, procurem ajuda! – Nunca havia sentido uma dor tão grande quanto aquela, mas não queria preocupar os seus amigos. Estava sentado, com a perna mais ferida esticada, sem praticamente nem conseguir se mover direito, mantendo a mão encima do tornozelo. – Não se preocupem! – Todos foram procurar ajuda dos pais, mas apenas uma ficou: Mitsuri Ken.

— Tsuryu-kun, eu vou te tirar daí antes que anoiteça!

— Idiota! Já imaginou se você cai aqui e nos deixa em uma situação pior ainda? – Não havia nenhum adulto numa distância de meio quilômetro, pois eles estavam numa floresta, em um passeio vespertino durante uma excursão interescolar de férias. Estariam voltando para os aposentos da escola àquela hora.

— Tanto faz pra mim, eu só quero tentar te ajudar de qualquer forma! – Tsuryu se espantou com a força de vontade da garotinha. – Agora fica quieto e me deixa “trabralhar”, Mitsuri sabe que você tá sentindo muita dor, então eu quero pelo menos tentar! – Ela estava tão nervosa quanto ele, mas a motivação era muito maior. Depois de um tempo coletando algumas coisas para criar algo e tirar ele de lá, Tsuryu começou a gritar, sabia que fazer pose ali não adiantaria de nada.

— SOCORRO! – Sua respiração era pesada, e lágrimas começavam a cair dos seus olhos. – SOCORRO!!

— Não se preocupa, Mitsuri vai te tirar daí! – Ela tinha feito uma corda de cipó que seria resistente o suficiente para aguentar ele por um bom tempo. – Você garante usar as mãos pra me ajudar a te puxar? – Tsuryu ficou surpreso, mas entendeu a ideia e foi lentamente para perto da parede de pedra mais próxima de Mitsuri.

— Quem você acha que eu sou?

— Uma criança teimosa e problemática! – A resposta veio de imediato. Ela terminou de fazer um nó que havia aprendido há poucos dias, e então tentou laçar o seu colega, mas claro que não conseguiu e ele teve que ajudar um pouco. Colocou a corda de cipó por debaixo dos ombros.

A parede que ele teria que subir estava cheia de pedaços robustos de terra, a maioria circulares, então não seria muito difícil, mas ele não tinha como usar as pernas.

— Vamos lá!

— Certo... – Estava um pouco nervoso.

— Três.

— Dois.

— Um... – Ela começou a puxá-lo para cima

— Vai! – Começou a escalar, e depois de cinco minutos, ele já estaria no topo, deitado na grama a alguns metros de distância do buraco. Mitsuri se deitou ao lado dele para observar o céu poente.

— Você tá bem? – Falou ofegante.

— Não muito... – Ele ficou a olhar para cima, pensativo. – Mitsuri... Por que você insistiu tanto?

— Hm... – A resposta demorou um pouco. – O que eu posso dizer é que Mitsuri se lembra das coisas que Tsuryu fez no passado, então ela sabia que, mesmo se não tivesse outra pessoa, quando ele precisasse, Mitsuri ia ajudar o Tsuryu. – Aquelas palavras ficaram na mente do garoto, e não saíram mais.

Logo após voltar a si, Tsuryu começou a gargalhar alegremente, com o sorriso mais feliz que já havia feito em três anos.

— E-eu disse algo engraçado? – Ficou confusa, olhando para ele sedenta pela resposta.

— Não, não. – O seu tom apenas ficava mais e mais contente. – É que eu me lembrei de uma coisa muito importante, que eu deveria nunca ter esquecido. – Levantou suas mãos, abertas, na altura do tórax e olhou para elas, demonstrando conformação. – “Tô” me sentindo um idiota, mas fazer o quê, eu sou um mesmo, hehe. – Cerrou os punhos e olhou para Mitsuri, determinado. – Eu irei apresentar sozinho.

— Quê? – Espantou-se com o que ouviu, o combinado seria que pelo menos ele, ela e Khyara tocassem. – Mas, por quê? Não faz sentido, pelo menos pra mim.

— Você deve descansar mais, e eu não vou entrar no mesmo palco que o Shiro. – Suspirou, se levantando e abrindo a cortina que separava a cama do resto do quarto. Realizou um passo lento para frente e, antes de ir, resolveu fazer algo que já deveria ter feito há muito tempo. Olhou diretamente para os olhos de Mitsuri, um pouco corado, com o rosto apenas um pouco virado. – Sabe... Eu já devia ter deixado o orgulho de lado pra falar isso há muito tempo. – Soltou o ar, respirando fundo em seguida. – Mitsuri, eu te... – A expressão de surpresa dela ficava cada vez mais evidente, enquanto o rosto de Tsuryu ficava cada vez mais vermelho. – Amo. – Sussurrou e saiu em disparada ao local da apresentação. Não podia se atrasar, ainda tinha que resolver sobre apresentar sozinho com Khyara. Pretendia tocar a música “Orange”, de Soraru, que necessitava apenas de um violão e uma voz calma e afinada.

Ao chegar, imediatamente se pôs à procura da pequena italiana. Por sorte, pouca tivera sido a demora. Ela estava nos bastidores, treinando um pouco com seu teclado. Redirecionou sua atenção, não obstante, a quem havia entrado ali correndo.

— Khyara-san! – Parou em frente a ela. – Eu tenho um pedido a fazer! – Sua postura estava corcunda, com a mão esquerda no joelho e a direita segurando sua camisa perto dos pulmões. O tom ofegante mostrava um pouco da determinação que ele tinha. Tórax dolorido, cansaço, pernas quase sem força para manterem-se de pé, era o que estava sentindo no momento. – Me deixe – Respirou fundo. – Tocar sozinho hoje! – Soltou só de uma vez, sentando-se ali mesmo, com as pernas cruzadas.

— É... Tudo bem, mas... – Se abaixou, oferecendo um lenço bordado branco para que ele enxugasse um pouco de suor que estava em seu rosto. – Você tem certeza que consegue?

— Tenho. – Pegou o lenço e esfregou usando a canhota. – Obrigado. – A fadiga ia passando aos poucos, um tanto quanto rapidamente. – Não vou precisar de muito para derrota-los em uma batalha musical. – Sorriu. – E eu estou determinado, coisa que só acontece de vez em nunca, então... – Soltou um pequeno riso no final.

— T-tá, eu acho. – Certamente estava com pouca fé, mas foi ela quem pediu ajuda, então se deixou ser ajudada, por assim dizer. – Você precisa de que instrumento?

— Apenas um violão. – Se levantou, oferecendo a mão para levantá-la. – Será que pode me arrumar um? – Ainda mantinha pequeno sorriso.

Não deixarei os detalhes da apresentação, pois não sinto a necessidade de pô-los, basicamente. Tornaria a leitura, provavelmente, maçante, e eu sinceramente quero evitar conteúdo desnecessário o máximo possível. O motivo? Não fiquei nem um pouco satisfeito com o “prólogo musical”, para ser sincero.

Como já era de se esperar, Tsuryu caiu no palco por conta de seus problemas respiratórios, mas, diferentemente da última vez, não durou muito tempo. Ele saiu do palco, com aplausos cada vez mais altos, aliás, com os juízes aplaudindo de pé. Era óbvio que ele tinha levado “aquele prêmio” pra casa. No entanto, mal sabia ele que o “prêmio” não seria algo que normalmente as pessoas gostam.

Foi recebido fora do auditório com mais aplausos dos que estavam ali presentes. Mitsuri correu para abraça-lo no momento em que ele passou pela porta. Tsuryu não teve tempo de se preparar, então acabou caindo e batendo a costa na porta.

— M-Mitsuri... – Seu tom era um pouco irritado, mas deixou passar com um suspiro. – Deixa pra lá. – Fez um pouco de carinho na cabeça dela, que percebeu apenas agora o que estava fazendo.

— Etto... – Corou de imediato, levantando-se rapidamente e oferecendo ajuda para que se levantasse. Soltou um sorriso meio arrependido. – Parabéns... – Ele aceitou a ajuda. Logo após pôr-se de pé, colocou a mão na cabeça de Mitsuri, bagunçando um pouco o cabelo dela. – É... Amor. – Falou quase sussurrando.

— Obrigado. – Ele queria dar um pulo até o teto, mas se contentou em dar apenas um sorriso para ela. – Agora vamos cumprimentar o pessoal. – Pegou-a pela mão direita e... (acabei de perceber que eu ainda não descrevi o físico de Mitsuri)

A nossa protagonista-chan possui um corpo mui esbelto, o que já preocupou sua família uma vez, no passado, mas não houve alarde por tratar-se apenas de sua genética. Com seus 1,68 de altura, busto B, braços e pernas delicados, pele branca, rosto oval, lábios comuns, nariz triangular de ponta sub projetada, sobrancelhas finas, cabelos loiros, quase dourados, que chegam até a altura do joelho, olhos escarlate, glúteos de tamanho médio e pé de tamanho 37/38.

Todos se puseram a falar com o casal que havia se formado há pouco tempo. Khyara agradeceu pela ajuda, e então os dois saíram pela porta principal da escola, já 07:30PM. Andavam em direção à casa de Mitsuri, para que passassem um pouco mais de tempo juntos. É claro que nem um nem outro gostariam de se separar, mas a vida segue. Estavam na metade do caminho e acabaram por encontrar sua amiguinha.

— Khyara? – Chamou Mitsuri. Ela continuava com as vestes da escola, aparentemente estaria voltando de outro compromisso. – O que faz aqui a essa hora da noite?

— Ah, Mitsuri e Tsurin! – Falou alegre, aproximando-se deles.

— Tsurin? – Ele se perguntava o que aquilo era para ser..

— É apenas um apelido, não ligue para isso. – Respondeu risonhamente.

O trio conversou durante trinta minutos, quando Tsuryu ouviu um barulho estranho. Risadas misturadas ao som de passos irritados vindos dos dois lados da rua.

— Mitsuri, Khyara. – Olharam para ele. – Procurem abrigo em uma dessas casas, rápido. – Ele retirou suas luvas e seu blazer e entregou para Mitsuri, ficando apenas com sua regata branca. – Aqui vai ficar perigoso, mas se não fizermos nada, eles continuarão a perturbar-nos como ratos à procura de comida.

— C-certo. – Falaram em uníssono.

Por sorte, uma senhora deixou-as entrar em casa, e elas ficaram observando da janela.

Não demorou muito. Logo, quatro adolescentes apareceram, dois de cada lado da rua, equipados com dois canos de ferro e dois pedaços de madeira.. Eram os participantes do clube de Khyara.

— Eu sabia que vocês viriam. – Estralou os dedos dos punhos. – E então, quem quer levar uma surra primeiro?

— Que levar uma surra o quê, “rapá!”, o surrado aqui vai ser tu, mas só pra ti aprender o teu lugar “mermo” – Exclamou quem parecia ser o líder deles.

— Tsc. – Entrou em postura de boxe

— Então quer dizer que tu manja dos paranauês? Que pena que isso não vai adiantar de nada aqui! – Um dos que estavam atrás de Tsuryu avançou enquanto falava, o mais musculoso deles. Estava com um cano de ferro enferrujado em mãos. Tentou realizar um golpe vertical simples, mas Tsuryu percebeu a ação e pulou para o lado, se agachando e virando o seu corpo rapidamente no meio do ar para atingir um gancho no queixo do indivíduo, que caiu para trás, mas continuou de pé.

— O que foi?! É só isso o que vocês têm? – Gritou, voltando a sua postura inicial, esperando a próxima ação, que não demorou muito. Todos vieram ao mesmo tempo, mas nem ao menos um deles era ágil o suficiente para acertar Tsuryu, no entanto, o suprimiram o suficiente para que ele não conseguisse reagir. Golpes verticais e horizontais eram todos usados contra ele, que aparava-os com as mãos e redirecionava-os ou simplesmente desviava.

Depois de alguns minutos de luta, Tsuryu se encontrou a alguns passos de distância dos quatro, que estavam tão ofegantes quanto ele. Foi quando sentiu uma pontada em seu pulmão. O mais musculoso percebeu aquilo e partiu em disparada, pegando o outro cano de ferro do “líder” e acertando um golpe direto, com ambos os canos, na testa de Tsuryu, que caiu inconsciente e recebeu vários chutes de todos os outros. Ossos quebrados, costelas muito danificadas, crânio rachado e um braço que ficaria, por alguns meses, inutilizável.

— NÃO!!! – Mitsuri gritou de dentro da casa, tentando ir ajuda-lo, mas sendo impedida por Khyara, que esperou os valentões sumirem da rua para deixa-la ir. A garotinha agradeceu a senhora e saiu para ajudar seu amigo. – TSURYU! – Gritava, tentando acordá-lo de várias maneiras, mas acabou por ficar em prantos encima dele, chorando com a cabeça em seu tórax.

— Mitsuri, recomponha-se, não adianta chorar agora. – Estava sofrendo tanto quanto ela, pois pensava que a culpa daquilo ter acontecido teria sido parte sua.

— Mas... O que eu posso fazer? – Limpava as lágrimas enquanto falava, só então olhando para Khyara.

— Vamos leva-lo para o hospital, rápido. – Pegou Tsuryu pelo ombro direito, tentando levantá-lo.

— C-certo. – Estava determinada. – Vamos! – Ficou, obviamente, com o ombro esquerdo, e conseguiram levantá-lo depois de muito esforço. Então, ficaram lado a lado e o puseram em suas costas, passando um dos braços pelo pescoço de cada uma, para deixar mais fácil de leva-lo, então elas só teriam de não deixa-lo cair.

Depois de alguns minutos de caminhada, chegaram até a rua principal, onde foram imediatamente atendidas por um médico de passagem, que se ofereceu para leva-los em seu carro. Claro que aceitaram, e depois de alguns minutos, já estariam elas em seu destino. Quando chegaram, o médico que as acompanhou pediu prioridade. Estavam no hospital mais renomado de toda a cidade, e aquele era o doutor chefe de toda a filial. Ele se aproximou de Mitsuri, já com roupas médicas, mantendo as suas mãos para cima, para que não tivesse de esteriliza-las de novo.

— Senhorita, se quiser esperar aqui, sugiro que venha comigo e fique em frente à sala cirúrgica.

— Sim, irei esperar. – Virou-se para Khyara. – Você pode ir, não quero que seus familiares fiquem preocupados.

— Mas e quantos os seus? – Olhava diretamente para os olhos dela. – E quanto a você? – Mitsuri espantou-se.

— T-tá, já entendi.

— Vou esperar junto com você! – Disse determinada.

— Tudo bem. Vamos indo, não temos tempo a perder. – Ele seguiu em passos rápidos, até o segundo andar. – Que Deus esteja conosco. – Falou antes de entrar na sala de cirurgia.

As meninas ficaram sentadas em cadeiras que ficavam perto da sala de cirurgia. O corredor era grande o bastante para três macas passarem ao mesmo tempo caso não houvesse fluxo de pessoas. As paredes, chão e teto eram completamente brancos, e havia presença de plantas em vasos, também brancos. O andar em questão possuía apenas consultórios e salas para exames, cada sala com uma porta branca de três metros de altura e 75cm de comprimento, com um espaço quadrado na parte superior preenchido por uma janela de vidro. É claro que o estilo de portas mudava de quarto em quarto para as especificações necessárias para cada exame e/ou cirurgia, enfim. Encima de cada uma havia uma pequena placa que dizia do o que se tratava.

Mitsuri deitou-se de lado, apoiando sua cabeça nas coxas de Khyara. Expressava uma grande tristeza e preocupação.

— Ei, Khyara... – Falava em um tom desanimador. – Obrigado por ter ficado...

— Não há de quê. – Já o dela parecia animador demais. – Não se preocupe, ele vai ficar bem.

— Eu sei, mas... – Suspirou pesadamente. – Como eu posso dizer, parece que meu tórax vai ser esmagado a qualquer momento, entende?

— Isso é normal. Você o ama, não é? – Deu uma risadinha.

— Sim, eu amo muito, desde a infância. – Sorriu de leve.

Eram exatamente 06:18AM quando a cirurgia acabou. Tsuryu foi encaminhado para um quarto e devidamente colocado na cama, da maneira que melhor se recuperaria fisicamente. Mitsuri estava dormindo no colo de Khyara, havia ficado exausta de tanto se preocupar.

O Doutor saiu da sala com uma prancheta e imediatamente foi falar com elas.

— É bom saber que ela conseguiu descansar pelo menos um pouco com isso tudo. – Ele retirou os acessórios de segurança, menos as luvas. Era um homem alto e forte, de cabelos negros que chegavam até a altura do pescoço e eram um tanto volumosos e bagunçados. Aparentava ter de 38 a 40 anos. – Tenho boas notícias.

— Pobe beixar que eu balo pra ela debois. – Ela estava com muito sono, o que prejudicava drasticamente a sua fala.

— Certo. Ele terá apenas que descansar durante algumas semanas, por sinal, duvido até mesmo que vá acordar hoje. Caso queira, posso levá-la até os aposentos dele. – Khyara deu um tapa em seu próprio rosto.

— Tudo bem, mas, como poderemos pagá-lo? – O Doutor soltou uma risada.

— Não se preocupem com isso, a felicidade que o dinheiro pode me dar não é nem um décimo do o que simplesmente ajudar alguém me proporciona. – Ele se abaixou um pouco. – Senhorita? – Realizou uma tapa de leve nas bochechas, o que a acordou de imediato. Mitsuri sentou-se, sonolenta, coçando os olhos.

— O-olá... – Ela olhou para o Doutor, com expressão sonolenta e um pouco triste.

— Boas notícias, mas sua amiga te conta depois, seu amigo já está se recuperando no quarto!

Eles seguiram imediatamente até o quarto andar, ou andar hospedeiro, onde ficaram por um tempo, conversando ao lado de Tsuryu sobre coisas aleatórias que Khyara indagava para alegrar Mitsuri.

Uma semana depois.

Mitsuri estava no quarto de Tsuryu, sentada ao lado de sua cama, observando-o de longe, quando ouviu alguns gemidos. Ele estava acordando.

— Onde... Estou? – Sua voz estava fraca e seus movimentos um tanto mecânicos e sem equilíbrio. Sentou-se lentamente. Metade de seu crânio estava enfaixado, incluindo o seu olho direito, assim como praticamente todo o seu tronco e algumas partes de sua perna e braço direito, enquanto o esquerdo estava com um gesso. Sentia fome. Seu corpo estava esquelético por conta dos poucos nutrientes.

— Tsuryu! Você acordou! – Ela não sabia o que fazer, então apenas o olhou com uma cara alegre. – V-você está bem? Sente dor em algum lugar? Quer alguma coisa? Está com fome? Frio? Calor? – As perguntas simplesmente não paravam de vir, mas foi interrompida no meio delas.

— Quem... – Falava lentamente – Quem é você? – Mitsuri ficou estupefata, olhando fixamente para ele, com um olhar de desespero. Continuou imóvel por um tempo, completamente paralisada. – Me desculpe... Eu não consigo me lembrar de nada, nem ninguém... – Essas palavras apenas pioraram tudo.

A única coisa que Mitsuri não queria ouvir ou ver, naquele momento, era a realidade.

Notas finais
E então, gostaram do final do ato 1? Tenho certeza que muitos estão, neste momento, revoltados. Espero que estejam ansiosos com o ato 2, então, até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.