Efeito Borboleta

33 A Máquina do Tempo


"Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente."

(Sêneca)

***


Raccoon City

2021


Ada acordou sozinha na cama e, para piorar o seu dia, estava de ressaca e ainda teve que se cruzar com Claire Redfield saindo do quarto de Leon. É claro que o café da manhã não foi nada animado com as duas mulheres trocando algumas farpas. A ironia é que na noite passada, ambas até pareciam ter se tornado amigas. Mas, no fim, era tudo fruto da bebida.

— A bebida é milagrosa, faz até inimigos se tornarem amigos. — E Chris até passou o dia a provocando sobre isso.

Dessa vez, é o Redfield e a Alomar que ficam responsáveis por cuidar da segurança da Professora Wong. E, apesar de estarem ali para cumprir o seu ofício, eles também haviam feito amizade com Ada e isso tornava o isolamento dela menos difícil. Aliás, foi através de Sheva que conseguiu por um breve momento, falar com a mãe por telefone e matar um pouco a saudade.

Após a ligação, Ada decidiu tomar um banho demorado, aproveitando a banheira para tentar relaxar e só saiu de lá quando a água começou a ficar fria. Depois de se secar e vestir uma roupa confortável, de repente o som de um trovão lhe distrai, fazendo-a dar uma espiada pela janela e vislumbrar um céu nublado. Nessa hora, um alarme dispara pela casa, já demostrando que havia algo de errado. Há barulhos estranhos como vozes alteradas, coisas caindo no chão vindas do andar debaixo.

Mesmo apavorada, ela ainda decide sair pelo corredor e averiguar o que estava acontecendo. Entretanto, assim que desce as escadas, logo, se depara com Chris e Alomar lutando, ferozmente, contra o Assassino que de alguma forma conseguiu encontrá-la. Naquele momento, Ada paralisa sem saber o que fazer.


— Seu desgraçado! — Chris tenta atirar nele, suas mãos estão trêmulas e seu coração acelerado, sabendo que qualquer movimento agora poderia ser fatal.

— Vocês realmente acham que pode me parar?! — A arma dele está apontada para a cabeça de Sheva, dificuldade ainda mais aquela situação. Chris não vê outro jeito, senão se render abaixando o revólver.

— NÃO! — Ada grita desesperada ao ver o Assassino, traiçoeiramente, atirar em Chris.





Corporação Umbrella

2021



Leon e Jill tinham passado a tarde checando alguns arquivos para saber se alguma informação ainda estava passando despercebida, depois decidem fazer uma visita rápida de novo a Annette e a Umbrella Corp.

Leon ainda estava determinado a descobrir os segredos que se escondiam, possivelmente, no subsolo do lugar onde estaria a suposta Máquina do Tempo. É óbvio que a viúva de William Birkin, ficou irritada ao descobrir que Ada havia revelado sobre o projeto deles. Um projeto que ainda estava inacabado.

— É sério mesmo que todo esse mistério em torno desse projeto era... Por causa de uma máquina do tempo? — A agente do FBI achava aquilo uma fantasia boba.

— Queríamos criar um Atalho pra facilitar as nossas vidas e poder controlar o tempo. E, principalmente, queríamos vencer a morte.

— Como isso seria possível? — Jill estava pasma com toda aquela ideia louca dos cientistas. Mas, todo aquele interrogatório precisou ser interrompido, quando o celular de Leon toca e eles são avisados que Ada Wong tinha sido sequestrada.

— Merda! Ele a pegou! — Leon vocifera já saindo correndo dali. A ironia é que seguindo o dispositivo de rastreamento, eles acabam por descobrir que Ada estava mais perto do que imaginavam.


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Ela deveria saber que aquele relâmpago diferente entre as nuvens escuras que cobriu o sol era um sinal que algo ruim aconteceria. Um sinal de que não importa o quanto ela tentasse fugir de seu destino terrível, ele a encontraria. De um jeito ou de outro, o Assassino a encontrou. E dessa vez, ele conseguiu captura-la e trazê-la até o topo do prédio da Umbrella.

Como eles foram parar ali? Ela não fazia a mínima ideia.

— Por que você quer me matar? O que eu fiz de tão horrível pra... Pra você querer me matar? — Ela confronta o assassino que está ali bem na sua frente a encurralando. Não há tempo dele lhe responder, pois Leon e Jill surgem, repentinamente, para tentar detê-lo.

— Solta ela, agora! — Leon está furioso empunhando sua Magnum na direção do Assassino, que decide usar Ada como escudo humano enquanto pressiona o cano frio de sua arma na cabeça dela.

— Ninguém precisa se machucar. — Jill resolve intervir em tom ponderado, tentando ser a voz da razão em meio àquele conflito. — Então, vamos abaixar as nossas armas e você vai deixá-la livre.

O que eles não imaginavam era que em um prédio a poucas quadras dali, havia um atirador de elite que estava com o Sequestrador bem na sua mira.

— Independente do que aconteça, nenhum dos dois deve sobreviver. Elimine tudo que possa interferir em nossos planos. — Seguindo aquelas ordens, o atirador aperta o gatilho, assim, acertando o seu alvo.

— Adaaaa! — Leon grita desesperado assim que vê o Assassino e a vítima caírem do topo do prédio, ao mesmo tempo em que surge entre às nuvens aquele relâmpago estranho, seguido pelo som furioso de um trovão. Consequentemente, algo imprevisível acontece... Seus corpos nunca chegam a atingir o chão, Eles misteriosamente desaparecem.

— Porra, o que foi que acabou de acontecer aqui? — Jill para cautelosamente na beirada do terraço ao lado de Leon, com um olhar chocado e meio com vertigem. — Cadê eles?






Raccoon City

2050


Ela desperta ali se sentindo, completamente, desnorteada. Há quatro pares de olhos lhe olhando meio preocupados e curiosos.

— Então, nós conseguimos viajar no tempo? Nosso buraco de minhoca funcionou? — Spencer se aproxima dela entusiasmado demais e a deixando ainda mais tensa.

"Spencer não havia sido sequestrado? Quando foi que ele voltou?"

— Caramba, você nos assustou. Achamos que tínhamos perdido você. Mas, você conseguiu nos levar para o futuro. — Dizia Rebecca abrindo uma garrafa de champanhe para comemorarem, porém Ada continuava em estado de choque ao ver a sua amiga ali... viva.

Será que isso era um sonho?

— Estamos muito orgulhosos de você, querida! — Wesker que está ao seu lado decide tocar numa das mãos dela, fazendo-a ser consumida por um monte de memórias estranhas que mais tarde descobriria que eram Déjà Vus, mostrando vários momentos entre eles trocando vários beijos e carícias como se fossem um casal e depois dela vestida de Noiva olhando para o seu reflexo no espelho e, por fim, deles no altar de uma igreja se casando. Aliás, uma aliança de ouro está pesando em seu dedo.

— Não, não, não... Isso não faz sentido! — Ela praticamente salta para longe de Albert. — Isso só pode ser um sonho bizarro! — Murmura parecendo meio enlouquecida, andando de um lado para o outro e deixando os outros cientistas apreensivos.

Nada daquilo fazia sentido, especialmente por se ver diante de três pessoas que deveriam estar mortas e, cada uma delas, parecia muito diferente do que ela se lembrava. Por exemplo, Annie Kennedy agora tinha cabelos loiros sem mechas grisalhas e seu rosto não possuía nenhuma ruga, ou seja, parecia uma mulher na casa dos 30 no máximo, Rebecca parecia ser ainda mais jovem. Já Albert Wesker, aparentemente, parecia o mesmo, porém não deveria estar ali também.

— Ei, querida, se acalme! — Wesker até tenta se aproximar dela.

— Não se aproxime de mim! — Ela grita histericamente.

— Albert, dê espaço para ela. — Diz Annie interferindo. — Talvez, ela está sofrendo algum tipo de reação... um efeito de se viajar no tempo.

— Viajar no tempo? — Ada balbucia para si.

ALICE, precisamos fazer um check-up completo para saber se houve alguma sequela no corpo dela. — Annie ordena para que a AI faça uma espécie de escaneamento no corpo de Ada.

— Doutora Birkin, tudo parece em ordem. — Responde a inteligência artificial denominada ALICE. — Apenas há uma certa alteração em algumas atividades cerebrais e seus batimentos cardíacos estão acelerados. Ela está com medo.

— Talvez, ela só precise descansar um pouco. — Annie se aproxima e lhe dá um sorriso gentil que Ada não consegue retribuir. — Então, vamos dar um tempo para ela descansar.

— Monica tem razão, vamos dar um pouco de espaço para Ada. — Wesker troca um olhar fugaz com a mulher que ele acabou de chamar de Monica.

"Monica?" Ada não entendia o porquê Wesker estava chamando Annie de Monica, até que seus olhos pousam sobre o crachá grudado no jaleco daquela mulher e o nome que está escrito lá é Monica Birkin.


Quando seus pequenos olhos se abrem e ela se depara com uma realidade tão distante da sua, onde as conexões entre as pessoas ao seu redor mudou tão dramaticamente e fantasmas ressurgem para lhe assombrar, tudo o que pode fazer é fugir.

Mas, fugir para onde?


De repente ela está correndo pelas ruas de uma Raccoon City futurista, completamente sem rumo e debaixo de uma neve fina e fria. Tudo ali é diferente, até o ar que respira parece pesado e tóxico que a faz tossir sem parar.

— Você está louca? — Wesker consegue puxá-la antes que a sua esposa seja atropelada. — O que foi que aconteceu com você? Ada?! Ada?! — Todavia, a professora de Física está distraída olhando para o outro lado da rua, onde há um enorme letreiro escrito RPD na frente. Sendo assim, Ada foge para o único lugar onde acha que encontrará um refúgio, porém acaba por se deparar com algo ainda pior e desolador.

— Por favor, onde está o detetive Kennedy? Eu só preciso ver o Detetive Kennedy? — Ela está gritando raivosa e fora de si quando invade a RPD.

— Oh, Chris você... você está bem? — Ela achou que o Assassino tinha conseguido machuca-lo. Por um instante, Ada sente um alívio por encontrar o único rosto familiar e que fazia algum sentido dentro daquela realidade tão distorcida. Porém, esse alívio não dura muito tempo...


— Senhora Wesker, você precisa se acalmar!

— Eu vou ficar calma quando eu... eu ver o Leon. Onde ele está? — Ela confronta Chris que lhe encara atônito.

— Eu sinto muito senhora, mas o Leon... Ele está morto... — Chris diz com o semblante tão sombrio e angustiado.

—O quê?! — Indaga incrédula. — Isso é algum tipo de piada de muito mal gosto. — Então Ada, teimosamente, sai pela delegacia atrás do paradeiro do Detetive Kennedy.

— Senhora Wesker, para com isso! — Chris novamente tenta detê-la.

— Para de me chamar assim! Meu nome é Ada Wong. — Nessa hora Wesker aparece atrás dela.

— Ela por acaso está sob efeito de álcool? Ou algum tipo de medicamento? — A cientista fica nervosa quando escuta Wesker e Chris conversando como se ela tivesse fora de si.

— Ela está assim desde que perdemos a nossa... filha. — Wesker tentou explicar.

— Por favor, parem com isso! — Ada se agarra no colete de Chris forçando-o a encara-la. — Detetive Redfield, hoje de manhã eu... eu... Quer dizer, nós estávamos com Leon... Você e a sua irmã também estavam lá... Então, como que o Leon de uma hora para outra, pode estar morto? Nada disso faz sentido! — Ela continua alterada, não querendo acreditar que aquilo fosse uma verdade.

— Ada, olhe para mim! — Wesker chega a sacudi-la como se tivesse tentando trazer algum juízo de volta para a sua esposa. — Você tá agindo como uma louca!

— Eu não sou louca! — A mulher consegue se livrar do seu aperto de aço e tenta empurra-lo para longe dela.

— Ei, vocês precisam se acalmar! — Mais uma vez, Chris tenta interferir na discussão do casal, tentando apaziguar o clima.

— Leon é o cara mais casca grossa que já conheci. Tão irritantemente persistente, que seria capaz de desafiar até a própria morte.— A mulher os ignora e continua choramingando com o coração melancólico. — Além disso, Leon me prometeu que não faria nada estúpido. Então, ele... Leon não pode ter morrido... — Ela desaba diante daquela realidade assustadora.

Tudo o que conseguia pensar era em como num piscar de olhos, 2021 havia se tornado 2050 e seu futuro não parecia nada promissor. Aqui nesse mundo, o seu futuro havia se tornado triste, solitário e muito obscuro.