"Não é só o passado que influencia o futuro. O futuro também influencia o passado."

(Dark)

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Raccoon City

2050

Horas depois Ada acorda e percebe que está deitada numa cama de casal, ao seu lado há Wesker dormindo tranquilamente. Ela se assusta e sai da cama, consequentemente, acordando o seu marido.

— O que foi querida? — Ele sai atrás dela observando-a agindo tão estranhamente, vagando pela casa como se tivesse tentando reconhecer aquele lugar.

Ali é supostamente a Sua Casa, onde morava com o Seu Marido. Na sala há vários porta-retratos que vão contando momentos de sua vida, uma vida que não pertencia a ela. Mesmo assim estavam ali. Ao menos havia uma fotografia que comprovava que o seu grupo de amigos, permaneceu o mesmo: Spencer, Rebecca, William e até Annie estava ali ao seu lado. E, mais uma vez, aquele momento lhe causa outro Déjà Vu.

— Me lembro dessa foto como se fosse ontem. — Seu marido se aproxima dela, jogando um roupão por cima dos seus ombros a fim de aquecê-la, já que a mulher fugiu do quarto apenas com uma camisola fina. — Foi a última vez que todos nós estivemos juntos e felizes. E otimistas de que nós iríamos mudar o mundo. — Enquanto Wesker vai lhe contando aquelas coisas, Ada muda o seu foco para uma foto de uma menina que se parecia muito com ela quando era criança.

— Nossa pequena Alice, foi a última foto que tiramos dela... uma semana antes de... — A voz dele está embargada.

Ada decide tocar no ombro dele e, nesse instante tem vários vislumbres da sua filha: desde o momento de sua gravidez, depois o dia do nascimento da criança e passando por todos os pequenos momentos da infância, até chegar na fatídica noite da morte dela.


Em suas visões Ada se viu segurando em seus braços o corpo ensanguentado da própria filha, enquanto um Leon transtornado está parado na sua frente.

— Minha filha?! — Ada cambaleia para trás chocada demais com aquelas visões. — Acho que preciso de um pouco de água. Não estou me sentindo bem.

— Tudo bem. T-103, traga-me um copo de água e analgésicos! — Wesker chama por alguém que imediatamente aparece sob a forma de um robô do tamanho de uma criança de uns 10 anos e de aparência quase humanoide.

— Você me parece um pouco familiar. — Ada murmura meio atônita, ao se lembrar de um protótipo que havia construída na Califórnia com outro nome (T-002) e era bem diferente, sem qualquer semelhança humana.

— É claro, a senhora me criou. E me deu até um nome especial como a da sua filha. — A voz era idêntica a AI que estava no laboratório da Umbrella. O robô lhe entrega um copo de água e um comprimido para aliviar a sua enxaqueca. A cientista hesita um pouco olhando entre a sua Criação e o comprimido na palma da sua mão, no final, decide tomar o remédio.

— Tem uma cama bem quentinha nos esperando. Então... — Wesker bem que tenta lhe convencer a retornarem para o quarto. E mesmo com suas mãos começando a ficar muito frias e seu corpo a tremer, Ada permanece parada no mesmo lugar, olhando pela janela e vislumbrando a neve caindo lá fora.

— Que dia é hoje?

— 15 de dezembro, senhora. — Retorna a lhe responder o robô.

— De quê ano?

— De 2050.

— O quê? — Os castanhos de Ada se arregalam em choque.

— Por que você está agindo como se fosse uma alienígena vinda de outro planeta? — Wesker realmente estava ficando muito preocupado. Ela demora a responder e apenas fica olhando entre Alice e o seu... Marido.

— Talvez, porque eu... eu não pertenço a esse lugar. — Nesse momento, são as dúvidas e incertezas que mais estão atormentando-a. — Eu realmente viajei no tempo?

— Afinal, o que aconteceu com você? Por que está agindo assim tão estranhamente? — Wesker também está confuso e preocupado com as atitudes de sua esposa. Ele toca em seu rosto carinhosamente e seu toque lhe é familiar, mesmo assim a deixa desconfortável. — Isso só prova que ainda não estávamos prontos para usar a máquina do tempo.

— A Máquina do Tempo?! — Essa poderia ser a única forma dela voltar para o seu mundo. — Então, você precisa me levar de volta para Umbrella. Eu preciso voltar para minha casa.

— Ei, você já está em casa. — Seus azuis teimosos a fazem lembrar de Leon.

— Não! Aqui não é o meu lugar! — Ela grita novamente se afastando dele. — Preciso voltar no tempo e retornar ao mundo onde eu pertenço.

— Mesmo que eu te levasse lá, não podemos usar o Atalho... Ele se tornou instável demais e perigoso. — Então, Albert lhe revela que durante a sua viagem no tempo, ele e os outros cientistas perderam contato com ela por mais de 24 horas. — Não vou arriscar a sua vida por uma obsessão. — Por trás de sua rispidez também havia a dor do luto. — Já perdi Alice... não vou suportar te perder também. — Há um silêncio pesado e angustiante pairando sobre eles. Ao ver o sofrimento daquele homem, instintivamente, Ada resolve abaixar um pouco a guarda e abraça-lo, desejando aquietar o seu coração.

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"Use ele o tempo todo, assim vou saber onde você está e que está segura." Depois de descobrir que ainda estava com o rastreador que o detetive Kennedy lhe deu, Ada decidiu pegar o seu carro (que também era totalmente controlado pela inteligência artificial ALICE) e seguir para o único lugar onde achava que se sentiria em casa.

Logo ao chegar lá, se surpreende por encontrar toda aquela região diferente do que se lembrava. Muitas coisas haviam mudado, como os vários prédios construídos por ali que estavam cada vez mais sufocando a Floresta Arklay. A casa dos Kennedy era a única coisa que parecia estar sobrevivendo quase intacta ao tempo. Outra coisa que lhe chamou a atenção era que as ruas já estavam enfeitadas para o Natal e que a neve estava ficando mais densa.

— Doutora Wesker, já chegamos ao seu destino. — Ada nunca iria se acostumar com aquela voz robótica lhe chamando pelo sobrenome de Wesker. Era tão estranho e só a fazia se lembrar o quão perdida estava nesse mundo paralelo.

— Obrigada... Alice! — O portão não existia mais, então, Ada segue direto até a porta que, inesperadamente, se abre relevando uma Annie com uma expressão nada boa. Assim que Wong entra na casa, seu subconsciente lhe trás novas visões que vão alterando as suas memórias. Por exemplo, a mulher que pensava ser a mãe de Leon, aqui se chamava Monica, era viúva de William Birkin e na verdade irmã mais velha do detetive.

O mais curioso era que Monica Birkin poderia se passar por uma versão mais jovem de Annie Kennedy.

— Você ainda não me disse o que veio fazer aqui? Wesker sabe que você está aqui? — Ainda se sentindo muito desnorteada por conta daquelas memórias, Ada resolve ignorar os questionamentos de Monica e sobe as escadas, indo parar no quarto de Leon.

O mais confuso é que tudo ali ainda se parece um pouco com o lugar que ela conheceu, embora houvessem muitas coisas diferentes, como por exemplo, um porta-retrato com uma foto de Leon e Ada abraçados como um casal e eles pareciam bem mais jovens. O próprio Leon da foto era um pouco diferente, tinha cabelos castanhos com uma franja que quase lhe davam um ar mais inocente.

— Como isso foi acontecer? Como? — Ada ainda precisava saber como o Leon daquele futuro havia morrido.

— Você não se lembra? Afinal, o que foi que aconteceu com você? — A outra cientista continua confusa e desconfiada com as atitudes tão estranhas de Ada.

— Por favor, apenas me fala! — Mas a viajante do tempo também se sentia confusa com essa outra realidade. E as coisas se tornam ainda mais angustiantes quando Monica resolve lhe entregar uma carta deixada por Leon, antes de sua morte:



"Me perdoe Ada por não ter sido um bom policial.

Eu falhei em pegar aquele assassino sem rosto que tanto perturbava os meus dias e noites. Mas, hoje algo diferente aconteceu.

Hoje eu vi o rosto dele e descobri que o assassino sempre fui eu.

Ada, hoje cumprirei a minha promessa.

P.S. EU SEMPRE VOU TE AMAR."

L.S.K



— Ele se matou bem no dia da Ação de Graças. E hoje fazem... 21 dias da sua morte. — Monica também tinha lágrimas nos olhos enquanto lhe contava todo aqueles segredos. — Tentei te entregar esta carta antes, mas você nunca quis ler. Nem no enterro dele você foi. Achava que era porque você não se importava realmente com o Leon.


"Então, quando eu viajar no tempo... vou voltar para te ver."


"E eu vou te esperar até você retornar."


— Você me prometeu que esperaria por mim. Por que não cumpriu a sua promessa?! Por que Leon?! —Ela cai ajoelhada no chão e chora agarrada naquela carta de despedida, enquanto a sua mente se enche de memórias deles na sacada de seu quarto fazendo aquela promessa.

— Sabe qual é a pior parte de tudo isso, Ada? — As últimas palavras de Monica são ainda mais cruéis e chocantes. — É que você deixou que ele morresse... sem saber ao menos que Alice... também era filha dele.

— O que foi que você disse?— Inesperadamente, Wesker indaga aparecendo na porta e interrompendo a conversa tensa entre elas.

— W... Wesker... — Monica está nervosa e começando a nausear quando encara a expressão ríspida dele.

— Eu vim atrás da minha esposa! — Seus azuis estão obscurecidos de fúria quando encara Ada que, se sentindo pressionada e com medo, tenta fugir de novo.





Raccoon City

2021


Com Chris e Alomar ainda se recuperando no hospital, a equipe dos STARS se encontrava meio desfalcada, tendo que se desdobrar em dobro para investigar os desaparecimentos de Ozwell Spencer e Ada Wong. Durante as investigações foram encontrados uma bala de rifle e sangue no chão do terraço do prédio da Umbrella, provando que o Assassino não se jogou lá de cima com a sua vítima, mas sim que aquela queda foi provocada por um possível atirador de elite.

Mas enquanto a polícia não conseguia desvendar esse mistério, Leon estava focando toda a sua atenção em encontrar Ada, até que se lembrou do rastreador que havia deixado com ela.

— Leon, aonde você vai? — Marvin tenta chamá-lo, mas ele o ignora entrando no carro e seguindo o rastreador que o leva de volta para a sua casa.

— Ada, Ada, onde você está? — Ele invade a casa desesperado para encontrá-la. O rastreador continua mostrando que a mulher está ali. De alguma forma, ela está ali dentro casa. — Por favor, se você está aqui... apenas me dê um sinal. — Ele continua a procurando, pois o cheiro dela está ali dominando cada canto do lugar.

O homem só para por um instante, quando chega na cozinha e por acaso olha para um bloquinho de anotações grudadas na geladeira. Há alguns recados deixados por ele ali como: "SEJA BEM-VINDA, SINTA-SE EM CASA," ou onde encontrar algumas coisas que ela precisasse e também havia um "OBRIGADO" escrito por Ada.

É aí que Leon tem uma ideia um tanto inusitada, pegando um dos bloquinhos em branco e deixando uma mensagem lá.Se houvesse uma possibilidade de sua mensagem de alguma forma chegar até ela, pelo menos Ada saberia que não estava sozinha.





Raccoon City

2050


— Me fala a verdade, Ada!— Wesker sai atrás dela, determinado a descobrir a verdade.— Alice era minha filha, certo? — Entretanto, ela não estava mais prestando atenção naquela discussão, pois seus olhos se distraem vislumbrando outra coisa:


"POR ACASO VOCÊ ESTÁ AQUI? EU TAMBÉM ESTOU AQUI. TE ESPERANDO."


"Aqueles recados já estavam ali antes?" De repente ela sente o cheiro dele impregnado no ar, como se aquele homem estivesse presente ali, naquele momento.


"SEI QUE ESTÁ COM MEDO, MAS EU PROMETO QUE VOU SALVÁ-LA.

APENAS ESPERE POR MIM."


— Ei, essa mensagem já estava ali antes? — Ada questiona Monica enquanto tenta ignorar Wesker.


— Essa letra é igual a... do Leon. — Monica está atônita. Isso significava que, de alguma forma inexplicável, Leon havia conseguido fazer aquelas mensagens ultrapassarem as fronteiras do espaço-tempo e chegar até Ada.

— Ada! — Wesker grita puxando rispidamente o seu braço. — Responda a minha pergunta!

— A única coisa que me importa, é que no Meu Mundo, Leon tá vivo e está procurando por mim. — Ada corajosamente o enfrenta. Nessa hora, Monica começou a passar muito mal.

— Por favor, eu não quero perder o meu bebê! Não me deixa perder o meu filho! — Monica está suplicando para o Wesker que sem hesitar a pega em seus braços. No minuto seguinte, os três já estão seguindo para o hospital.





Notas finais
A cena do LEON deixando um recado para ADA com os bilhetes, seria meio que inspirado no filme A CASA DO LAGO e também no K-DRAMA ALICE. É interessante imaginar os dois habitando o mesmo lugar, mas em tempo e universo diferente.