Efêmera
2 Amor e Reencontro
Notas iniciais
Os nomes dos capítulos são meio toscos, odeio títulos hahah
|| Anna ligou para os pais e disse que passaria a noite na casa de uma amiga, o que não deixa de ser verdade, afinal de contas. Acendi a lareira e me joguei no sofá, esperando ela sair do banho. Pouco depois, minha namorada veio até mim, enrolada na toalha, apenas. — Não tenho roupas! Meus jeans estão molhados e não tenho mais o que vestir. Sorri maliciosamente e puxei a toalha branca que a envolvia.
– Safada! — Ela exclamou.–Só com você... — Eu disse, puxando-a mais para perto. Beijei seu pescoço, traçando pela pele aveludada um caminho até seus seios. Assim que meus lábios os tocaram, Anna arrepiou-se e abraçou-me com força. Tirou minhas roupas com ferocidade, como se não pudesse me ver vestida nem mais um segundo. Tocou cada centímetro do meu corpo com os dedos magros e os lábios macios. A chuva lá fora abafava nossos ruídos e exclamações, e sem aviso as lâmpadas apagaram-se em conjunto, deixando-nos na completa escuridão, a não ser pelo fogo que tremulava na lareira.2012: As lembranças me torturavam, eu a olhava de longe sem poder tocá-la como um dia fiz, e sabendo que agora ela tinha uma vida longe de mim. 1999: Puxei o corpo de Anna para mais perto do meu e deitei-a no sofá marrom, observando seu corpo nu sob a luz vacilante da lareira. Comecei a beijá-la pelo corpo todo, todos os lugares mais imprevisíveis e inesperados. Percebia que a cada movimento de nossos corpos sua respiração ia ficando mais e mais ofegante. O corpo dela movia-se sensualmente ao lado do meu. Eu já havia tido relações anteriormente, mas nenhuma como quando estivera com Anna. Acariciei seu corpo, invadindo-a de uma forma que eu sabia que ela gostaria. Ouvi sua respiração mudar, ficou mais intensa, e percebi que a pequena e de certo modo inocente inglesinha não se conteve e deixou escapar um pequeno e rápido ruído de seus lábios, que logo ocuparam-se em meus seios. Ela desceu pelo meu corpo de um jeito maravilhosamente sexy e, como eu a havia invadido antes, desta vez ela o fez com a língua. Eu não pensava mais em me controlar. Minha namorada era tão incrível que eu não queria parar nunca mais. Por outro lado, ela merecia sentir o mesmo. Levantei e beijei-a ferozmente, jogando-a no chão, mais perto da lareira, e me dirigi a realizar o que pretendia. Anna estava quase delirando com o que eu sabia fazer, modéstia à parte, muito bem. Ela segurou minhas costas e eu podia sentir suas unhas me arranhando sem controle. Desta vez, ela deixava escapar ruídos mais altos, e eu sabia que ela tinha chegado ao ápice. Deitei-me ao seu lado e sussurrei em seu ouvido: – Você é maravilhosa. 2012: Anna levantou-se, está vindo até o balcão, oh, deuses. Não, por favor. Bebi a tequila que há pouco haviam me servido de um só gole, e observei-a sentar no banco ao lado do meu.– Lembra de mim? — Disse, com um sorriso tímido. Mas afinal, o que ela esperava? Que eu esquecesse? Jogasse fora, como se nossos dois anos juntas não fossem nada?– Faz onze anos, mas você ainda é a mesma, Anna. — Eu me lembrava claramente de cada momento nosso juntas, quando estávamos em casa, na biblioteca com Demetrio ou nos cafés de Londres. Algum idiota inoportuno mudou a música da jukebox, para, não sei porque diabos, já que a música é brasileira, uma canção que tinha nos marcado. 1999: Peguei o violão e desatei a arranhar acordes descompromissados. Fui levada, no entanto, por meu inconsciente, a tocar uma de minhas favoritas. Cantarolei o refrão, o que provocou perguntas. A inglesinha não entendia o português, e tive de explicar o sentido da canção.– Eu me lembro do meu pai tocando essa música para eu dormir, eu devia ter em torno de 5 anos de idade... — Continuei a cantar, de olhos fechados, levada apenas pela memória. "Olha que coisa mais linda, mas cheia de graça, é ela a menina que vem e que passa...". Eu cantava para ela, somente, baixinho. Anna me observava com os olhos mergulhados em fascínio. Ah, nada é melhor do que causar essa sensação em alguém que você ama desta maneira, garanto-lhe. "Moça do corpo dourado do sol de Ipanema, o seu balançado é mais que um poema, é a coisa mais linda que eu já vi passar...". Apesar das lembranças boas que a música me trazia, lembrei-me também das noites em claro, o choro abafado pelo travesseiro. Meus pais discutiam constantemente, e poucos anos após a separação, meu pai, que possuía minha guarda, falecera. Foi quando me mudei para a Europa: de jeito nenhum eu viveria com a louca alcóolatra da minha mãe. Apesar de eu ainda não ser maior de idade,era emancipada: podia fazer o que bem entendesse, apesar de minha atitude tê-la aborrecido. Não que eu me importasse, bufei. O turbilhão de memórias me levou às lágrimas, e apoiei a cabeça no colo da minha namorada, à procura de conforto. Anna acariciava meu cabelo gentilmente, e sussurrava Let It Be. Não mais pude me conter: beijei-a com delicadeza. 2012: Anna cruzou as pernas e apoiou no balcão o livro que estava lendo. Shakespeare, é claro. Meu favorito, ela sabia disso. Levantou-o e me mostrou o título.– "Sonhos de Uma Noite de Verão" . Não era o que você mais gostava? Eu me lembro. — Ela não me deixou responder. – Na verdade, eu havia comprado pra você, num sebo londrino. – Então você se lembra mesmo... — Eu disse, perdida em pensamentos. Eu amo sebos. Adoro livro antigo, velho. Com cara de lido. Anna estendeu o braço para mim e botou o livro nas minhas mãos.
– Tome, agora é seu. — Minha nuca se arrepiou ao sentir o toque dos seus dedos nos meus. Nossos olhares se cruzaram por um breve momento, deixando-me tensa. — Obrigada... – Rach, não há motivo para tanto. Você não precisa ficar toda tensa, agindo como se tivéssemos um passado obscuro do qual você não quer lembrar. — Suas palavras foram frias e ao mesmo tempo acolhedoras, era estranho ouvi-la mencionar nosso tempo juntas. – Anna... De verdade, o que você veio fazer aqui? Você sabe que estamos a poucos quilômetros da casa da minha tia, e sabe das memórias que este lugar guarda. — Ela me olhou, pasma, como se não entendesse o sentido da pergunta. Encarou-me por alguns momentos e acabou por baixar o olhar e murmurar algumas poucas palavras. "Me desculpe. Não pude me conter, vim por impulso. Me desculpe." Seus pedidos de perdão desencadearam dentro de mim um misto de raiva e saudades. Eu queria beijá-la, mas ao mesmo tempo tinha vontade de pedir que seu rosto de porcelana se retirasse da minha vida.– Você acha que foi fácil, estar lá fora todos os dias sem você? Eu ainda moro na mesma casa onde, pela primeira vez, eu disse que te amava. Eu ainda penso todos os dias em cada beijo, antes de dormir. Por que você foi embora, Anna? Por que diabos um determinado dia você virou as costas e disse que não queria mais nada? — Explodi. Ela levantou o olhar e demorou-se em meus olhos, como se procurasse um jeito fácil de explicar. Acabou por levantar-se e deixar o lugar, murmurando mais um pedido de perdão. Fui atrás de Anna exatamente como na primeira vez que a vi, e puxei-a pelo pulso.
Notas finais
Continua...
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