Eduardo Ravelo No. 70
3 Olhares e desejos
Elizabeth Keen seguiu até uma mesa indicada por Red. O local tinha pouca iluminação, mas seria perfeito para uma aproximação do alvo. Ela havia pegue outra taça de margarita e pensou rápido sobre como faria para iniciar uma conversa. Haviam vários homens juntos de Eduardo Ravelo. Ele era alto, cabelos pretos e lisos, e pele clara. Era um homem apresentável, mas muito daquilo devia-se as cirurgias, que ele havia feito para fugir das investidas do FBI. Atualmente, eles não sabiam qual era a aparência de Ravelo. Reddington tinha sido fundamental em tal informação.
Ela ficou observando o criminoso à distância. Não seria tão fácil chegar ao homem e fingir que estava interessada. Precisava agir naturalmente. Chegar de repente não era a forma mais sutil. Ela sentou-se próximo a um balcão, cruzou as pernas e aproveitou para tomar sua bebida. Enquanto isso, não hesitava em lançar olhares para o alvo. Na posição que estava Eduardo, seria quase impossível não perceber Elizabeth Keen ali sentada. Mas para a infelicidade da agente, o homem parecia ser um baita desligado.
...
A alguns metros, Reddington observava Lizzie. Ele tirou um charuto do bolso e o acendeu. Tragou e soltou a fumaça densa, que foi se dissipando aos poucos até sua visão ficar novamente livre para observar a agente. Esta que permanecia sentada, com o vestido um pouco mais levantado, ainda na tentativa de chamar atenção do outro homem.
I put a spell on you
Because you're mine
You're mine
A banda que tocava no local permanecia com um repertório composto pelas canções de Nina Simone. Reddington voltou a pensar no momento que estava dançando com Lizzie. Por alguns instantes, ele pôde tocá-la, pôde sentir o cheiro maravilhoso dela e encarar aqueles olhos que pareciam sempre confusos, mas que tanto lhe faziam bem. Ele, como criminoso internacional, conhecia todos os lugares do mundo. Já tinha perdido as contas de quantas mulheres havia tocado e de quantos corações ele já havia feito sofrer. Red era o tipo de homem que sabia exatamente como tratar o sexo oposto, mas sentimentos era algo que o deixava vulnerável. Qualquer coisa era válida, menos se sentir frágil, porque isso desencadearia uma série de eventos que o levaria a situações delicadas. A outra verdade é que ele não queria, em hipótese alguma, magoar Lizzie. A agente estava muito fragilizada, e sua situação parecia piorar em todas as vezes que ela se recordava da vida que tinha, ao lado de Tom Keen. Apesar de também ser o seu maior medo, Red sentia necessidade por ela. Queria ser o abrigo de Elizabeth e fazê-la se sentir novamente amada e desejada. Em algum momento, talvez, ele fizesse isso. Naquela noite, eles estavam trabalhando juntos e precisavam concluir o dever com êxito.
...
Elizabeth já estava receosa de não conseguir chamar a atenção do tal Ravelo. Nos últimos tempos, a agente estava se sentindo cansada e desgastada, porém sua auto-estima nunca deixara de ser alta. Ou seja, era óbvio que o problema ali não era que Elizabeth não fosse atraente o bastante, para chamar atenção de um homem desconhecido. O problema era que Eduardo estava tão quieto na mesa, que parecia preocupado com algo e esquecera o mundo ao redor. Ela olhou no relógio e viu que já passavam das onze horas, mas ela permaneceria ali até o momento certo. Por fim, a mulher acabou não se dando conta de que outro homem, que estava ao lado direito de Ravelo, é quem a encarava.
Por Deus, até que enfim alguém se deu conta.
O homem sussurrou algo no ouvido de Eduardo, que finalmente levantou o olhar para Elizabeth. Ela tomou um gole de sua bebida e o encarou com um olhar voraz. Ficaram nessa reação por cerca de 10 minutos, até que Eduardo ficou de pé e foi até onde ela estava.
– Meu amigo me disse que você observava há um bom tempo. Nos conhecemos? Questionou Ravelo
– Não, na verdade eu sentei aqui para tomar um drink e fiquei te encarando. Às vezes não temos controle sobre nossos olhos. Disse Lizzie, com sensualismo na voz. – Prazer, sou Kathleen Garcia.
– Prazer Srta Garcia, sou Ravelo. Cumprimentou tomando a mão de Elizabeth e beijando-a com todo o cavalheirismo. – Você tem um par de olhos muito lindos. Impressionante!
– Obrigada. Sorriu Lizzie. – Posso mostrar muito mais se você quiser.
Naquele momento, Lizzie depositou o drink sobre o balcão e apoiou as duas mãos sobre o peito de Ravelo. O homem, vendo toda aquela investida, percorreu a mão pela nuca de Elizabeth, que fingiu estar gostando de tudo. De repente, o homem a puxou e deu-lhe um beijo. Ela teve que retribuir, mas sentiu vontade de sacar uma arma e descarregar em Ravelo. Enquanto era beijada, Elizabeth sentiu a mão do homem percorrendo seu abdômen, até chegar aos seus seios, que começaram a ser apertados de forma altamente voraz. Quando o criminoso finalmente se afastou de Elizabeth, ele a puxou pela mão e sem falar nada, levou-a por uma porta que Lizzie não fazia ideia onde daria. Ela começou a sentir o medo tomar conta de seu corpo. Só conseguiu pensar em uma pessoa:
Red!
Pediu aos céus que ele estivesse a observando e que a ajudasse. Ravelo levou Lizzie até uma adega.
– Adoro o cheiro desse lugar. Sussurrou ele puxando Lizzie e dando-lhe outro beijo. As mãos taradas do criminoso, dessa vez sem espectador, começaram a deslizar por debaixo do vestido da mulher. Ela ainda segurava a bolsa, onde estava a sua pistola Glock, mas o homem tomou-lhe o acessório e jogou para longe. De forma altamente bruta, Ravelo encostou o rosto de Elizabeth na parede, deixando-o de costas para ele. Ela sentiu que precisava fazer algo e seria naquele momento. Mas de repente Lizzie sentiu uma espécie de corda fina apertando-lhe o pescoço. Eduardo Ravelo estava tentando matá-la.
– Você acha mesmo que eu não sei quem você é? Sussurrou no ouvido da agente. – Onde está Reddington? Seria um enorme prazer dizer o quanto foi bom tirar uma casquinha da namoradinha dele.
Lizzie tentava de todas as formas se desvencilhar da armadilha de Ravelo. Por sorte, ela ainda conseguiu acertar uma cotovelada no estômago do homem. Soltou-se e desabou no chão, mas estava muito tonta e sem fôlego, por isso não conseguiu reagir. Naquele momento, Ravelo deu um soco no rosto de Elizabeth. Gotas de sangue espirraram com o golpe, o que fez o homem soltar uma expressão de prazer.
– Você só esqueceu um pequeno detalhe no seu disfarce: A sua cicatriz! Disse ele sorrindo e dando outro soco em Elizabeth. Naquele momento, o homem levantou a visão para a entrada do local. Ele percebeu que alguém estava chegando. A adega possuía duas portas: a que eles haviam acabado de passar, e uma segunda que levava até a cozinha. Com o barulho, Ravelo não hesitou em correr e sair pela segunda porta.
A agente ainda estava no chão e sentia sua visão turva. Não teve como reagir contra o criminoso. Ela percebeu que estava um corte profundo no lado esquerdo do rosto e sentia muita dor. De repente, ela ouviu passos rápidos em sua direção, e braços envolvendo-lhe.
– Red? É você? Sussurrou
– Sim, Lizzie. Estou aqui. Respondeu Reddington com certa preocupação na voz. Ele pegou o celular e ligou para Dembe.
A agente sentiu seu corpo ser suspenso, estava sendo carregada nos braços.
–Vou tirar você daqui. Não se preocupe, está segura agora.
Lizzie viu tudo se apagando aos poucos diante dos seus olhos. Por último, conseguiu ver o rosto preocupado de Reddington, até que tudo se tornou um breu.
Fale com o autor