Edgard

10 Parte 10 - Rita


–Agora me responda...Se você sentiria tanta falta minha, por que não sentiu á dos outros que morreram? -.O joaninha sentiu uma dor bem lá no fundo do seu coraçãozinho, viu que seu amigo criou um coração de pedra, e desta vez, era definitivo. Ele se virou de costas e subiu a escada para a superfície, sem dizer mais nada. Mas antes dele ele fechar a tampa do bueiro, algo o fez parar de seguir caminho.
–SR.EDGARD!VOCÊ PODE MORAR NA MINHA CIDADE!

Edgard parou por um instante, curioso. Mas ainda estava com a cara fechada e olhar sinistro em sua face. Seus olhos brilhavam como duas lâmpadas, não se via suas pupilas, nada, só o brilho amarelo.


–Como é , garota?Morar com você?

Ela acenou, com um sorriso de esperança, mas que se afrouxou rápido.

–Até parece...Você acha que eu iria...Para um lugar imundo desses? Logo depois do que seus cidadãos idiotas fizeram? .-Hesitou e olhou raivoso para ela. A garota ficou confusa e triste. -.NUNCA, MENINA!!ESTÁ OUVINDO?EU ODEIO SEU POVO, ODEIO O QUE FIZERAM!! -.Parou por um instante e caiu em lágrimas novamente, elas caíram lá de cima para o rosto da menina. .-NUNCA! -.Fechou a tampa do bueiro violentamente e Zoe estava querendo chorar bem alto, viu que seu amigo tinha se tornado um ser vazio novamente. Cherzy olhou curioso, questionou a menina.

–Ele não te contou nada...?

–C-como assim? -Limpava as lagrimazinhas.

–Olha, eu acho que ele só contou para mim mesmo...Sobre o desastre?
–Já tinha apenas mencionado, não entrou em detalhes.

–Então me siga enquanto eu lhe conto.

Os dois começaram á subir as escadas enquanto Cherzy lhe explicava.

–Bem, ele era um garoto novo, tinha muito que conhecer do mundo ainda, sua família era muito unida, mas o mundo das ratazanas e dos camundongos estavam em guerra quando Edgard nasceu. Sua mãe, Lúcia, não deixava ele passar da cerca onde logo lá longe tinha uma imensidão de mato...

–Mas, onde ele morava? .-Zoe perguntou curiosa.

–Ele é do Kansas, sabe...Aí os camundongos começaram á atacar a nossa cidade, eu estava com a mãe de Edgard no momento, e ele estava brincando do lado de fora, aí começou o fogo, a fumaça preta e suja, o pai dele que era lenhador, voltando correndo para casa dizendo que o ataque começou.

Zoe escutava cada palavra, imaginando todas as cenas e as emoções que Edgard poderia ter sentido naquele dia.

–O maior desespero que vi na minha vida, atearam fogo na nossa casa e tivemos que sair correndo para fora, começamos á procurar o pequeno Ed, mas a fumaça era muito escura, algum camundongo poderia nos apunhalar pela as costas, não era seguro andar pelo o meio daquele cinza todo.

–Oh, pobre ratazana! .-Zoe exclamou

–Sim, e depois do ataque daquele dia, a cidade ficou em cinzas, eu vi tudo pelo os ares. Estava um caos, tudo que tínhamos tinha se acabado, procurei pelo o Edgard, ele poderia ainda estar lá, entre os escombros de telhas velhas e tudo mais...Mas nada dele. Sua mãe entrou em desespero completo, tinha perdido sua pequena ratazana, o seu pai ficou doente de tanto procurá-lo e eu...Bem, eu fiquei em tristeza por anos á fio.
Já estavam nas ruas, conversando escondidos sobre a vala que escorre a água para o esgoto. Zoe olhava em volta para ver se encontrava seu amigo, mas não o via.
–--
Enquanto isso, Edgard se sentia completamente perdido nas ruas, fazia anos que não saía para a superfície, e a cidade estava em um caos, havia várias pessoas e carros , todos apressadamente atravessando ruas, passeando e tudo mais, cada passo que a ratazana dava era uma glória por não ter sido pisado por alguém. Cruzou a rua rápido , segurando o saquinho com algumas coisas dentro. Chegando do outro lado, suspirou e seguiu em frente, calado e frio.

No caminho, viu um camundongo pequeno sem uma perna, sentando sobre o chão, pedindo dinheiro.

Edgard olhou para o menino e franziu a testa, odiava camundongos. Seguiu reto e nem quis saber de mais nada parecido com seres de pêlo curto ,dente pequeno e coração frágil.

Andando mais á frente, viu um pequeno hotel e resolveu entrar, querendo ou não que tivesse camundongos lá.

Logo na entrada, avistou uma camundongo um tanto quanto familiar para ele. Ela era morena, tinha lábios rosados, olhos azuis, corpo belo e jeito delicado. O nome dela era Rita, foi uma antiga paixão de Edgard.

Chegou perto dela, Rita estava no balcão anotando quartos e conversando com alguém pelo o telefone. Olhou para cima e avistou o antigo rapaz que conheceu á um tempo atrás.

–Em o que posso ajudar? .-Olhou selvagemente, como se o agarrasse pelo os olhos.
–Aãh, eu só...Queria um quarto para uma noite. .-Ficou um pouco envergonhado , mas manteve-se sério por fora.

–Oh, okay. Vai sair por US$19,50.Posso confirmar o pagamento? -Digitava no computador enquanto o fitava com os olhos.

–Sim, pode confirmar. -.Respondeu Edgard.

–Eu acho que me lembro de você..-A rata o fitava com seus olhares.
–...?
–Você é o...

–...Edgard...?
–Oh, é você! -Ela pulou da cadeira, super feliz em rever o amigo, e lhe deu um abraço apertado.
–*Ric*! -.Ele a empurrou, grosseiramente. A rata não entendeu o que aconteceu.
–O que foi, Edgard? -.Rita ainda negava aquela atitude.

–Já deixei de gostar de você á muito tempo, valeu?

–Hmm...Entendi. -.Ela puxou um papel de uma impressora, cuspiu e entregou para ele.

–*Ric*!

–É só assinar no local marcado e o quarto é seu.

–Hmf, mal criada...

–O que disse, Senhor?

–Caneta mal tratada, ela está ficando sem tinta, é! Sem tinta! -Edgard assinou cobrindo o rosto com a folha.

–Tá bemmm...Afe, cada louco com suas manias...!

Edgard entregou o papel á Rita, ela deu a ficha do quarto e ele subiu as escadas. Quando Edgard saiu de cena, a rata abriu uma gavetinha da sua mesa devagar, olhando em volta para ver se ninguém ia ver.
E puxou um quadro, na qual havia a foto dela com seu amado em uma suposta foto de formatura escolar.

Suspirou.E guardou a imagem.