Edgard

11 Parte 11 - Uma ratazana higiênica


Cherzy e Zoe caminhavam na beira da rua e avistaram um hotelzinho e resolveram entrar. Na entrada viram uma jovem rata e corpulenta no balcão.
–Com licença, senhorita?

–Sim, diga logo!

–Por acaso você viu alguma ratazana cinzenta bem peluda e dentuça...Tem quase a sua altura?

Rita parou para olhar para os dois e viu a menina, logo pensou que era dele.

–Quem é você menina?

–Eu sou Zoe, não sou daqui sabe?

–Aaah...Bem, pequena joaninha, eu não vi nenhuma ratazana por aqui não, afinal, ela já estão extintas — E soltou um risada falsa para disfarçar.

Cherzy olhou feio para a mulher e ajeitou os oculozinhos para soltar bronca, mas Zoe colocou o dedinho nas costas dele para ele não fazer nenhuma bobagem.
–Tudo bem moça, muito obrigada. -Deu um sorriso e levou Cherzy consigo.
–De nada...!

Rita colocou o lápis atrás da orelha e ficou pensando no seu escritório se aquela garota é algum parente de família dele. Ela decidiu falar com ele.

Edgard estava no corredor do hotel no 7° andar, era um lugar bem chique, plantas raras e bonitas em vasos dourados, era tudo muito ofuscante.

–Eu não creio que isso custe somente US$19,50...

Ele ouviu passos de salto alto no fim do corredor e se virou.

–Ah, com licença! – Rita levantou um braço, caminhando.

Edgard levantou uma sobrancelha com um olhar de irritação.

–O que foi?

Ela chegou próxima á ele e apontou para a porta.

–Você conhece uma tal de “Zoe”? – ela botou as mãos na cintura.

–Não. – mentiu e olhou para o teto. Rita olhou também sem entender. Voltou o foco para ela.

–Você está mentindo, não é?

–Ah, não, por que? – Ele olhou surpreso e ficou nervoso.

–Você falou e olhou para o teto.

Edgard largou o saco no chão e cruzou os braços, se curvou diante dela, tentando ficar maior que ela naquele salto. Rita cruzou os braços também.

–Eu sempre fui melhor que você em engenharia mecânica. – A mulher fez bico para provoca-lo.

–Então por que está trabalhando em um hotel?

–Eu vou me mudar para a Inglaterra mês que vem, fique sabendo seu forasteiro do Kansas! Você sempre foi um bonitão para mim, mas o cérebro só tem titica!

–Você não era a garota mais bonita da sala, mas namoramos por que VOCÊ se declarou pra mim. E me trocou por aquele cara do curso de design! Rídiculo, parecia um rato zumbi!

–Edgard, você nunca deu bola pra mim!

A ratazana já estava cansada daquela discussão pré-histórica e pegou o saco.

–Olha, eu vou para meu quarto, ok?

–Tudo bem, fique a vontade! Aposto que aquela Zoe é sua filha!

Edgard travou. Rita colocou uma mão no queixo.

–Eu nunca pensei que você iria construir uma família... Afinal, ratazanas são bem... isoladas.

–Ei, ei, ei! Não generalize! Eu sou isolado por MEUS motivos! Você não sabe nada sobre mim, nem quando estávamos juntos na faculdade! Sua boca sempre abre para falar fábulas atrás de fábulas!

–Ok, vai para seu quarto! Aliás, sua filha é uma graça... bem diferente do pai!

–Rita, ela não é minha filha! – Edgard virou de costas e pegou a chave para abrir a porta de seu quarto. A mulher ficou o encarando e quando ele abriu, foi perto dele.

–Quem é ela então?

Ele entrou no quarto e ela foi atrás sem pedir licença. Edgard olhou em volta do quarto e deixou as chaves e o saco em cima do criado mudo. Suspirou e se sentou na beira da cama, Rita ficou em pé , apoiada á penteadeira pronta para ouvir.

–Veja bem, até algumas horas atrás ela estava na minha casa. Chegou invadindo tudo e dizendo que estava perdida... Eu acolhi e tudo mais. Dai botaram fogo na minha casa.

–Quem? – questionou ela.

–Uns ratos arruaceiros. – suspirou.

Rita franziu o nariz.

–Ãh.. Edgard...

Ele ergueu uma sobrancelha.

–Nós temos box no hotel. – Apontou para a porta.

A ratazana ficou sem jeito. Quanto tempo não tomava uma ducha?

–O-oh... – Com licença.

–Tá certo... já tem toalha e tudo o que você precisa lá. Eu vou me acomodar na cadeira aqui. – ela se sentou.

Edgard acenou e foi caminhando até a porta e entrou. Minutos depois ela ouviu o barulho do chuveiro. Foi quase 30mins de água caindo. Rita já estava impaciente. Ele surgiu um tempo depois com os pelos um pouco molhados. A mulher ficou maravilhada, ele ficou mais claro, um cinza suave. Parecia mais novo que o normal.

–Uau... – Rita se levantou da cadeira.

–O-oque? – Edgard não estava entendendo.

–Uau...Edg... – Ela correu até ele e puxou sua mão para frente da penteadeira. – Olha isso!

A ratazana viu seu reflexo e sorriu, alegremente.

–Caramba! C-caramba! – Rita sorriu junto. – Como fiquei diferente!

–Sim! – ela olhou para seus dentes e foi rapidamente para o banheiro.

–O que foi?

Ela voltou com uma pasta de dente e escova em mãos, colocou a pasta na escova. Deu nas mãos dele.

–Vai lá e escove!

Ele foi e depois voltou, com os dentes esbranquiçados. Rita ficou com os olhos brilhantes.

–E-edgard... – ela suspirou.

–Sim...? – Suas orelhas se viraram em direção dela, enquanto se admirava no espelho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.