Eddie e Seus Peugeots: Roads of Paradise

12 Maués Rumble Rally - Duelo Tenso


Notas iniciais
Eddie confronta Elina em busca da vaga pelas semifinais do torneio Maués Rumble Rally.

Quarto do Eddie, Residência Família Peugeot, Rua Agrepino Aleluia, Santa Luzia, 11 de outubro de 2016, 05:00

Deitado na cama, praticamente desnudo – apenas vestido com a sua cueca preta, porém, está todo encoberto com o seu edredom, apenas deixando o peitoral exposto e com as mãos para trás da cabeça – e sem sono, ou seja, ainda acordado e olhando para o teto, Eddie ainda vive se relembrando sobre a revelação da Elina Battaglia – sua oponente na corrida de sábado – na noite anterior: a perda do bebê para a adoção.

Eddie já passou por esse mesmo drama, porém, de forma judicial: pouco depois de se divorciar com a Brena Dortmund, em 2014, a mesma pediu a guarda do filho do casal. Mesmo de terem articulado junto com o seu advogado e amigo Victor – que pode ser o seu provável oponente se avançar para a fase seguinte do torneio – uma ótima defesa para manter a guarda, não conseguiu o seu favorecimento e perdeu a guarda do filho para a mãe biológica.

Quarto da Lindinez, Residência Família Ferruccio, Rua Henrique Magnani/Estrada Maués, Ramalho Júnior

Deitada na cama, vestida com a sua camisola azul – toda encoberta pelo edredom e com cabelos castanhos ondulados soltos – e sem sono, ou seja, ainda acordada e olhando para o teto, Lindinez ainda vive se informando dia após dia sobre a sua grande paixão do passado: Eddie Peugeot, que irá disputar no sábado um duelo contra a Elina Battaglia pela vaga das semifinais do torneio Maués Rumble Rally. Tudo o que pensa sobre ele, não consegue se esquecer sobre o seu passado passional.

“Eu só queria estar ao teu lado, Eddie”— pensa – “o meu amor por ti fala mais alto do que qualquer assunto... até mesmo nas corridas. Eu sei que você não me abandonou... mas ficou ocupado com a sua carreira fora do país... eu queria ter tido um filho contigo, Eddie.”

De volta ao quarto do Eddie

“Se eu tivesse reencontrado a Lindinez ainda na minha carreira de piloto, eu a levaria para o mundo afora”— pensa – “meu primeiro filho poderia ter sido fruto daquela paixão...”

Mais uma vez no quarto da Lindinez

“A gente iria-se casar na igreja e no cartório...”

Quarto do Eddie de novo

“Morar juntos...”

Outra vez no quarto da Lindinez

“E ser uma família mais reconhecida pelo povo mauesense.”

E mais uma vez, quarto do Eddie

“Eu te amo.”

E pela última vez, quarto da Lindinez

“Eu te amo, Eddie.”

Horas depois... ainda na residência da família Ferruccio

Já é manhã, às 08:00 horas – como marca o seu relógio digital – e a Lindinez finalmente acorda e se levanta da sua cama. Em frente ao seu espelho, a moça amarra os seus cabelos em estilo ‘rabo de pônei’ e depois... abaixa a cabeça e tira da gaveta do seu armário uma carta antiga, no qual está datada do ano de 1997, e abre em seguida, no qual retorna à sua cama e deita, dessa vez, para ler a carta que está nas suas mãos.

“Querida Lindinez.

Eu estou em Mônaco, uma verdadeira beleza de luxo na costa mediterrânea europeia, é hotel, é iate, é cassino, muito glamour o que passa tanto nas ruas quanto nas calçadas e também quando você vê o oceano (claro que não é um oceano geograficamente, mas sim um mar). Sim, dá para ver um belo pôr-do-sol no horizonte do Mar Mediterrâneo.

É, é difícil ver o principado de Mônaco porque as passagens são caras e você ainda não possui um visto europeu para poder vir aqui, pena que você ficará vendo pela televisão, especialmente a minha corrida no sábado e domingo.

Vai ser uma corrida bem parecida como a gente tinha visto em Maués: um circuito de rua e mais desafiador do que Maués.

Eu queria você ao meu lado para sentir o que é viver na Europa, bem diferente do que viver em Maués... até um dia, reviver as raízes da sua família ao visitar a Itália (manda um crédito para a sua irmã Jeycianne, ela me contou tudo sobre a história da família de vocês).

Um beijo para você, te amo.

Eddie Peugeot”

— Carta do “cunhadão”, né? – disse uma voz feminina, bem familiar para a Lindinez.

A irmã do meio, que estava lagrimejando emocionalmente ao ler a carta, percebe a presença da sua irmã primogênita – vestida de camisola preta – na porta do seu quarto.

— É, mana – disse a irmã do meio, limpando as lágrimas ao esfregar – nessa época, ele estava na Europa tendo uma excursão como piloto...

— Excursão? – questiona a irmã primogênita – Eddie não estava na excursão e sim disputando o campeonato da Fórmula Peugeot, cê esqueceu, mana? Nós vimos o Eddie correr na TV e também quando estivemos na arquibancada aqui em Maués no dia da corrida, mana!

— Jeyci – disse a irmã do meio, agitada – esta carta ele escreveu em Mônaco, mana, no meio daquele glamour Nutella de hotel luxuoso, iate, ostentação, tu sabe o que entende de luxo europeu. Ele nunca me esqueceu na vida, mesmo que ele teve outros relacionamentos, mas nunca me esqueceu! Ele ainda tinha o desejo de que eu estivesse ao lado dele naquele período!

— Lindi – disse a primogênita – eu sei da sua ansiedade de reencontrar o Eddie, mas ele precisa se concentrar e muito para a disputa deste sábado.

— É verdade – a moça fica cabisbaixa, sabendo de que não pode nem comparecer ao local do evento por fatores lógicos e psicológicos que podem influenciar negativamente a campanha do Eddie – mas vai demorar e muito para conseguir um tempo para encontrar o Eddie, mana!

— Só depende dele mesmo, Lindi – disse a irmã primogênita – isso só pode acontecer mais cedo se ele ficar de fora antes de chegar à final.

— Eu não quero que o Eddie fique antes de chegar à final, mana – exclama, temendo a uma possível eliminação do Eddie no torneio – eu quero que ele chegue à final e que ganhe o torneio! Ele merece, mana, ele passou quinze meses em coma de um acidente grave e isso seria o recomeço da vida dele e o ápice de um sucesso nas pistas!

— Eu sei, Lindi – a irmã primogênita se aproxima da sua irmã do meio e a consola – eu entendo o seu amor por ele...

— Muitos tratam ele como um monstro... mas ele tem um coração afetivo, mana...

— Com a gente, Eddie não é um monstro, você sabe, ele te trata bem como ele me trata, trata a Joanna...

— A mãe dele também nos tratou bem. É uma pena que não irei a ver quando for no dia do nosso futuro casamento...

— A Dona Maria é a pessoa mais importante da vida dele, a morte dela foi um grande choque na vida do Eddie e do Frederico, que é irmão dele, assim como foi o pai antes de vir para Maués um ano antes.

— Mana...

— Diga, Lindi.

— Já que você irá acompanhar a corrida do Eddie no sábado, será que você poderia deixar um recado para ele?

— Eu posso, mana, desde que não influencia o desempenho mental do Eddie.

— Diga para ele que... eu ainda amo ele... – começa a lagrimejar – e diga pra ele também que... estou dando uma boa sorte pra ele no sábado e que eu tô torcendo e rezando por ele.

— Eu sei, mana... eu irei dar esse recado para ele – abraça a irmã, que está emocionalmente agradecida pela primogênita – calma, não chore... o Eddie vai ganhar esse torneio por você... quer saber, mana? Eu vou te levar pra lá, mas se afaste quando Eddie estiver presente por perto para que ele não te veja.

X///////X

Armazém Lisa Stevens Organization, Rua Guaranópolis, Maresia

— O que você está vendo, Lisa? – disse uma voz feminina.

— Os documentos dos participantes, Bebe – responde a moça de cabelos castanhos ondulados, que está vestida de camiseta lilás e calça short laranja e óculos de lente brancos – que irão disputar a segunda fase.

— E qual documento de participante que você está lendo? – pergunta a moça de cabelos loiros cacheados, vestida com a camiseta preta e calça short jeans azul e sandálias rosas.

— Estou lendo aqui uma breve descrição do Eddie Peugeot e depois vou ler a da Elina Battaglia, os que irão fazer o duelo neste sábado.

— Deixe eu acompanhar esta leitura, amiga – disse a loira.

“Sou Eddie Andrade Peugeot Neiva, sim esse é o meu nome, filho de um ex-mercenário, mecânico e piloto e de uma autônoma. Sou piloto, empresário e, às vezes, mecânico, pois sou um pouco especialista em mecânica automotiva quando estive nesses anos de piloto de automobilismo.”

— Tem alguma descrição do porquê de estar participando do torneio, amiga? – pergunta a loira.

— Agora é o que iremos ler o porquê, Bebe – responde a gordinha.

“Me ingressei neste torneio não só justamente pelo prêmio do carro, mas também para demonstrar o meu desempenho de piloto profissional que eu sou e que ainda não foi perdido depois do terrível acidente que sofri há quinze meses.”

— Acidente terrível? – questiona a loira – que acidente?

— Pelo conhecimento de alguns – responde a gordinha – ele sofreu um acidente repentino quando estava duelando com um Volkswagen Gol GTI de cor preta em numa aposta de corrida. Essa é a explicação, amiga.

— Mas para quê ganhar o carro? Ele quer ganhar o carro enquanto ele tenta te encanta no torneio, amiga.

— Bebe! – exclama a gordinha – Eddie não é um playboy encantador! Nunca...

— Um dia, eu quero enfrentar o Eddie Peugeot para que ele prova que sabe pilotar bem ao meu ver...

— Você estará vendo a corrida do Eddie neste sábado, Bebe – disse a gordinha – e claro que ele enfrentará uma mulher na série de três. Afinal, você já viu o Eddie correndo nesses dias? Aquela corrida lá com aqueles Opalas chamou muito a atenção nossa.

— Amiga, a gente pensamos naquela ocasião que era o Freddy, o irmão dele, dono daquele Opala amarelo.

— O carro é do Freddy, mas ele estava ao volante. Não só aquela corrida com aqueles Opalas chamou muita a atenção, mas tinha outra corrida com outros Opalas, os Diplomatas, no qual ele foi o destaque tanto nos vídeos quando muita gente filmou por vários ângulos nas ruas e compartilharam nas redes sociais. Eddie provou e muito o seu desempenho naquelas corridas da etapa preliminar do torneio, aliás, ele calou a sua boca, Bebe.

— Lisa, você me acha uma tagarela? Achei que era a minha amiga!

— Uma tagarela pior do que o Conor McGregor – Lisa estapeia o rosto da Bebe, de forma leve – foi assim que você não quis mais conversar com a Wendy, a sua ex-melhor amiga.

— Lisa! A Wendy se preocupou tanto com o Stan e que ela abriu mão da nossa amizade!

— A Wendy só não foi minha amiga porque nós achávamos que estava com a inveja da nossa popularidade quando frequentamos a nossa academia – lembra-se.

— Lisa, você só foi popularizada por causa de uma foto sua editada por ela!

— Eu sei, eu sei me conviver de ser gorda mesmo. Eu já tive um namorado, depois o outro...

— Esse outro a gente conhece e que recentemente disputou o torneio e que esteve aqui pouco depois dessa corrida – disse a loira, relembrando o fato de que o Corey Lanskin esteve cara a cara com a Lisa Berger após a corrida, fato de que deixa a gordinha irritada ao recordar.

— Não precisa recordar desse “outro namorado”?

— Azar sua, ele ainda não te esqueceu, amiga. Lembre-se que ele te beijou?

— Ele me beijou forçadamente! – contesta a gordinha, justamente relembrando o fato do beijo do Corey – você acha que ele foi justo querendo me forçar à beijá-lo?

— Pra mim, amiga, justíssimo! – responde a loira – preço para quem ainda não devolveu o carro para ele.

Inconformada, Lisa novamente estapeia o rosto da Bebe, dessa vez, forte, capaz de sentir a dor.

— Nossa, amiga, essa foi forte! – reclama a loira.

— Preço é o caralho, Bebe – contesta a gordinha, no qual deixa os documentos do Eddie Peugeot e de Elina Battaglia na mesa e deixa o local, pouco depois de entrar em “seu” carro, o Dodge Challenger 1970 de cor lilás.

Logo depois da saída de Lisa, Bebe tira do seu bolso o seu celular – modelo Motorola Moto G5 branco com capa personalizada banhada à ouro – e em seguida, faz uma ligação, enquanto observa a descrição de Elina Battaglia.

— Alô? Sim, aqui é a Bebe Stevens...

Quem será essa pessoa que está conversando com a Bebe via celular?

X///////X

Oficina Twingarage, Rua Gualter de Almeida, Santa Luzia

Eddie – vestido normalmente com a sua camisa laranja sob sua jaqueta preta, calça jeans preta e tênis Mizuno vermelho – estava caminhando em direção à oficina dos gêmeos Yuri e Chelinka, quando percebeu a presença do Fiat Strada 2008 de Geovanni Dortmund na frente do portão principal.

“Merda”— pensou Eddie logo quando notou a presença de Geovanni Dortmund.

Em seguida, a mesma picape deixa o local, sem esquecer de passar direto no Eddie, que vê a presença do próprio Geovanni Dortmund ao volante e da amiga Nendra Ahli no banco do passageiro. Ambos também olham de volta ao piloto do Opala amarelo, sequer soltando uma palavra.

Mesmo assim, Eddie prossegue andando até a porta de acesso à oficina, que fica embutido com o portão principal. Em seguida, Eddie bate a porta.

— Quem é? – disse uma voz masculina por dentro da oficina.

— Eddie Peugeot – responde, se identificando.

— Entra, rápido – treplica a mesma voz masculina por dentro da oficina, no qual Eddie abre a porta, destrancada, e entra para dentro da oficina.

— O que houve, gêmeos? O que o Geovanni veio fazer por aqui? – pergunta Eddie, intrigado com a recente visita de um dos seus prováveis oponentes do torneio na oficina.

— Ele veio fazer a mesma cobrança de sempre – disse Yuri, vestido com um macacão verde-azul.

— Todo o dia ele pergunta ‘cadê o carro da Nendra’ – complementa Chelinka, vestida com um macacão amarelo-dourado, assim como o irmão, todos sujos de graxa – no telefone, no e-mail, a gente ficamos o tempo todo preparando o Opala para a disputa do torneio, agora acabamos de terminar o exame do carro e de repente, ele aparece do nada com a Nendra, arrombando a porta.

— Ele viu o Opala? – pergunta Eddie.

— Não tivemos tempo de cobrir o Opala – responde Chelinka.

— Ele pegou o pé-de-cabra das minhas mãos – complementa Yuri – e ameaçou a quebrar o para-brisa do carro, exigindo que a gente trabalhe na reconstrução do carro da Nendra!

— Escutem – disse o Eddie – ele deve estar mais preocupado com esse troço do carro da amiga dele do que o torneio. Olhem – Eddie caminha em direção ao carro da Nendra Ahli, um Chevrolet Chevette 1983 roxo – esse carro já era! Pra quê consertar?

— Eddie – disse Yuri – o que você tem a dizer sobre isso? Você está querendo que a gente vire presa fácil para o Geovanni e Nendra? Ele ameaçou a nos denunciar para às autoridades por calote e não-atendimento e isso pode resultar no fechamento da oficina e a gente ser retida!

— E a indenização será pesadíssima! – complementa Chelinka.

Eddie observa o Chevette da Nendra, pensando algo.

— Tem razão – decide Eddie – é melhor mesmo que vocês consertem logo esse carro. Porém, tem uma condição.

— Qual é essa condição, Eddie? – pergunta os gêmeos, simultaneamente.

— Se o Geovanni for meu oponente numa eventual final, é melhor testar o psicológico dele. Quanto mais ele cobra a pressa do conserto do carro da Nendra, mais ele perde a concentração na corrida.

— E o que nós temos que fazer? – pergunta Chelinka.

— Consertem o carro da Nendra, e só.

— Só? – questiona os gêmeos, simultaneamente.

— Se ele quer manter essa hegemonia de ser um dos melhores corredores de rua da cidade, é melhor que ele pare de pressionar vocês dois. Se ele vier em mim perguntando essa mesma hipótese de que vocês já terminaram de consertar o carro dela, prefiro falar nada, apenas ignorá-lo.

— Mas se ele perguntar, como você havia dito – disse Yuri – a gente para de consertar o carro?

Eddie sequer cita uma palavra para responder, apenas pensa ao olhar para baixo, no chão.

— Se ele for à final, parem de consertar o carro – responde Eddie.

— Eu não acho a ideia de parar o conserto do carro – retruca Chelinka, no qual Yuri e Eddie a observam – eu estou entrando em contato com uma loja de peças lá da China aqui no notebook para adquirir peças novas do motor desta Chevette. E essas peças, pelo que eu vi, vão chegar daqui 35 dias.

— Você comprou? – pergunta o irmão gêmeo.

— Comprei com o meu bolso, custou uns 900 reais no cartão – responde, com um sorriso irônico – já, já, a Nendra vai ter o seu carrinho de volta com um motor “made in China” – ri, sarcasticamente.

— 35 dias, mais que a duração do torneio, que tem a segunda fase, as semifinais e a final, ou seja, quinze dias, contando os intervalos nos dias cíveis – disse o Eddie.

— Para complementar, Eddie – disse Yuri – mais vinte dias de cobrança do Geovanni.

— Verdade – concorda a irmã gêmea.

— Eu entendo – disse Eddie – a cobrança será alta, mas vão por mim, eu sei lidar com uma tonelada de críticas, até sei aturar várias gentes escrotas da política, da sociedade e da religião.

— Mas você não se sentiu tão magoado quando revelaram que você era ateu anos atrás? – relembra Yuri.

— Magoado fui, mas nunca tive problema fisiológico porque ateísmo nem é doença, igual a homossexualidade! – responde Eddie – coisa de gente escrota que acha que o ateísmo e a homossexualidade são doenças, coisas de mídia escrota também. É pecado? É, mas não é doença nem mental, nem psicológico e nem fisiológico. Hoje sou católico cristão, pela segunda vez, assim como a minha família.

— E o que você pretende dizer se tiver uma oportunidade de responder esses críticos? – pergunta Chelinka.

— Cuide de sua vida, a sua alma pode ser prejudicada, mas a sua personalidade não. A minha já foi prejudicada, mas já garanti a minha salvação.

— Olha, parece que o Eddie teve uma aula de filosofia contemporânea – elogia Yuri.

— Claro que não sou filósofo, eu só entendo a situação universal do ser humano, e como dizia o filósofo Sócrates, “só sei que nada sei”.

Todos riem, simultaneamente.

— Afinal de contas, o carro já está pronto para a corrida?

— Como eu falei antes do Geovanni aparecer, já está pronto – responde Yuri, que entrega as chaves do carro para o Eddie – guarde bem esse carro, já que pertence ao seu irmão, porque checamos e detectamos algumas imperfeições que possam comprometer o desempenho do carro. Para o seu alívio, também para o seu irmão, todas foram corrigidas.

— Obrigado, valeu – agradece Eddie, que entra no carro e liga em seguida.

— Um, dois, três, TWINGARAGE – exclama os gêmeos, fazendo o seu grito de guerra em nome da oficina. Em seguida, Yuri abre o portão para permitir a saída do Eddie com o seu Opala.

— Boa sorte, Eddie – disse os gêmeos, simultaneamente, se despedindo do Eddie.

X///////X

Estacionamento do Armazém de Lisa Stevens Organization, Rua Guaranópolis, Maresia, 15 de outubro de 2017, 13:30

Na tarde de sábado, mais uma vez os dois irmãos Eddie e Freddy Peugeot – vestido com uma camisa amarela, calça jeans azul e tênis preto, enquanto o irmão mantinha a mesma roupa de segunda-feira – compareceram ao estacionamento junto com o Opala amarelo, completamente cheio de gente, para a disputa da segunda fase do torneio Maués Rumble Rally. A expectativa para os dois é de corrida fácil, mas para o Eddie, é corrida difícil.

Enquanto os dois conversam sobre estratégias, de longe, uma pessoa de cabelos castanhos ondulados – vestida com uma camisa lilás, calça laranja e sapatos marrons – os observa ao lado de outra pessoa de cabelos loiros cacheados – vestida com a camiseta branca, calça jeans azul e sapatos pretos.

— Eddie chegou, Lisa – disse a loira – ele é favoritaço para vencer essa série contra a Elina.

A gordinha sequer fala, mas ainda continua observando o referido favorito.

— Você viu a descrição sobre a Elina? – pergunta a loira, porém, a gordinha sequer olha para a amiga – A Elina quer ganhar o torneio por causa de tentar buscar o filho perdido – conta, relembrando justamente o desejo da candidata visto em sua descrição no ingresso ao torneio.

Mais uma vez a gordinha sequer solta uma palavra à loira, ainda atenta ao Eddie.

— Amiga, cê está me ouvindo? – reclama, mais uma vez ignorada pela gordinha – foda-se – desabafa, no qual se afasta da Lisa.

De volta aos irmãos Peugeot...

— Mano, não se preocupa pela história revelada pela Elina – alerta Freddy – isso pode influenciar negativamente no seu desempenho.

— Eu sei.

— Boa sorte, mano – abraça o seu irmão, no qual ele retorna ao Opala, que pertence ao Freddy, porém, sendo usado pelo Eddie para o torneio.

— Atenção, chamando os pilotos Eddie Peugeot e Elina Battaglia, repito, chamando os pilotos Eddie Peugeot e Elina Battaglia – anuncia o alto-falante.

Era a hora da corrida.

X///////X

De um lado, está o Chevrolet Opala SS 1976 amarelo, guiado pelo Eddie Peugeot. De outro, está o Chevrolet Corsa Wind 1995 verde-azul, guiado pela Elina Battaglia – vestida com uma camisa preta com pulseira branca em ambos os pulsos, calça jeans azul e sapatos pretos. Ambos os pilotos estão perfilados já na Rua Guaranópolis com o sentido até o cemitério, tendo uma multidão ao redor dos carros na largada.

No meio do espaço entre eles, aparece a Bebe Stevens, justamente para sinalizar o início da corrida. Mas antes, uma breve explicação para os dois pilotos.

— Escutem, esta corrida é a primeira da série de três, no qual o classificado desta corrida virá de duas vitórias consecutivas ou da terceira corrida que será o desempate e garantirá a vaga para as semifinais, vocês entenderam? – os dois pilotos acenam a cabeça, concordando com a explicação da Bebe.

Logo depois, a Bebe começa a sinalizar o início da primeira corrida da série ao abrir os braços e começar a contagem.

— Preparados? Atenção – levanta os braços – já – baixa os braços, se agachando ao mesmo tempo, sinalizando o início da corrida. Ao mesmo tempo que disse ‘já’, os dois carros já largam ao mesmo tempo, deixando a loira sentindo poeira.

A corrida já começa com o Eddie com uma pequena vantagem em relação à rival, porém, o foco do piloto ainda é na pista e nos retrovisores, muito atento de qualquer reação da Elina. Já a pilota do Corsa ainda continua concentrada e procurando algum espaço de tentar ultrapassar o rival. No final, os dois viram para a esquerda, no qual pegam a parte final da Estrada dos Moraes e cruzam a Rua Getúlio Vargas, entrando na rua Quintino Bocaiúva.

Após a descida e subida, os dois carros viram para a direita, entrando na Avenida Dr. Pereira Barreto no sentido até o início – próximo à praça – tendo Eddie ainda liderando enquanto Elina permanece um pouco distante, mas seu semblante ainda mostra a sua total confiança de que ela pode conseguir a vitória na primeira corrida da série.

Nada mudou logo após a virada para a praça e também na virada para a rua Adolfo Cavalcante no sentido centro-bairro. Enquanto o Eddie ainda liderava, Elina já começa a pegar o vácuo por trás do Opala amarelo e ganhar velocidade. Eddie nem se preocupava com a aproximação da Elina, então possui táticas estratégicas de se distanciá-la e manter a liderança.

Lá no estacionamento...

— Bora, mano! – disse Freddy, acompanhando a corrida do irmão primogênito pelo telão.

De repente...

— Oi, Frederico! – disse uma voz feminina, bem familiar para o loiro. Ao mesmo tempo, sente suas nádegas sendo acariciadas, deixando o loiro avermelhado de vergonha, e ainda vira para trás quando reconhece justamente a pessoa de que acabou de lhe chamar.

— Joanna! – disse Freddy, espantado – Tchoco, tu me pegou de susto, lesa! – reclama.

A moça – que está vestida de uma camiseta branca com uma longa saia listrada em horizontal azul e grená e sapatos pretos, com cabelos amarrados, batom roxo e rímel – acaba de chegar justamente para acompanhar o seu amigo enquanto assiste a corrida do Eddie. Joanna foi cautelosa para que o Freddy não desconfiasse da sua presença e decidiu surpreender de um jeito... embaraçoso para o loiro.

— Hehehe – ela ri – te peguei porque ainda tu não superou esse seu medo, seu bobão.

— Por favor, mana – disse o loiro, envergonhado com a carícia da moça em suas nádegas – não faça isso comigo em público, ok?

— Tá bom, seu fofo – disse, envergonhando ainda mais o loiro justamente com o apelido carinhoso, porém, aproxima-se da sua orelha e sussurra – você é fofo porque tu é o gatinho da minha vida.

Freddy não perdeu a oportunidade de retrucar a amiga também sussurrando.

— Gato é o meu irmão, segundo a sua irmã que é a paixão dele.

— Mas você também é gato, Frederico – sussurra novamente – seu cabelinho loiro me encanta demais como o seu rostinho, mesmo tendo esses piercings na sua testa e na sua boca. A Lindinez só não apenas foi ajudada pelo seu irmão nos estudos como ela ficava tão encantada no cabelo azul dele.

— Pena que o cabelo azul virou preto porque alguns arrombados simpatizantes de uma oligarquia muito conhecida por décadas daqui e de uma igreja evangélica corrupta mancharam a imagem dele. Ao invés de usar uma camisa preta com uma caveira, ele preferiu a laranja ou amarela, para se diferenciar com o Frank Castle e nem ‘cosplayzar’ o personagem.

— Caramba! – fica surpresa – e por isso que ele nem é tão reconhecido como o velho Eddie de cabelo azul?

— O nome não mente, mana – responde Freddy – mas a imagem foi mudada para mostrar o impacto de ódio, justiça e vingança que ele carrega.

— Meu Deus, mano.

— E aquele acidente do ano passado resultou nesse novo sentimento de vingança em busca de caçar o misterioso corredor de Gol GTI preto.

— É, esse pensamento ainda pesa para o Eddie... – disse a moça, no qual começa a segurar o Freddy com uma mão no lado direito, mais uma vez deixando o loiro com o semblante avermelhado de vergonha, mesmo assim, ambos continuam assistindo a corrida do Eddie contra Elina.

De volta à corrida, Eddie mantém-se em primeiro, seguido pela Elina e ambos estão passando pela Rua Ramalho Júnior. O piloto do Opala continua tendo uma boa diferença em relação à pilota do Corsa, mesmo que a pilota tenta diminuir a desvantagem.

Depois de passar pela descida e subida da Rua Ramalho Júnior, por onde fica os poços de bombas do serviço de água da cidade na descida e o posto de gasolina na subida, os pilotos fazem o contorno do igarapé, no bairro Mirante do Éden, virando para a Rua Cicanta e entrando na estrada Ramal Adolfo Carneiro de forma direta.

No meio da estrada, a pilota do Corsa mais uma vez pega o vácuo do Opala do Eddie para ganhar mais velocidade e diminuir mais a sua desvantagem em relação ao líder, mas não preocupa o Eddie, que continua acelerando em ritmo tranquilo.

Logo depois, os dois pilotos, agora estão bem próximos, viram para a Rua Rodrigues Preto, no bairro Mário Fonseca, e continuam acelerando, mesmo que a Elina está próxima ao Eddie e as chances de ultrapassagem são grandes; já o piloto do Opala amarelo ainda mostra sua tranquilidade e foco.

Enquanto isso, no estacionamento da organização...

— Mana, a Elina está próxima do Eddie! – disse Freddy, desesperado ao ver a concorrente próxima ao seu irmão e com chances de ultrapassagem no clímax da primeira corrida.

— Calma, Frederico – tranquiliza Joanna – ele vai conseguir vencer, confia, mano! – abraça, deixando mais uma vez o loiro envergonhado com a timidez constante devido a sua proximidade e intimidade de longa data com a moça.

“Meu Deus, a Joanna está mais obcecada por mim!”— pensa Freddy – “Ela não quer me largar mesmo, ela está louca tanto por mim quanto na velocidade!”.

“Eu amo o Frederico, ele é tão fofo quando ele fica tímido”— pensa Joanna – “fiquei anos sem vê-lo assim como a Lindinez ficou sem ver o Eddie. Espero que ele me retribua assim como eu”

— Eu duvido que ele ganhe – disse o loiro, mesmo sendo abraçado pela amiga, ainda se sente esperançoso na chance do irmão de vencer a primeira corrida da série.

De volta à corrida, na Rua Santa Luzia, seguindo direto após a Rua Rodrigues Preto, os dois continuam lado a lado em busca de vitória da primeira corrida na série do duelo. Eddie, mesmo sabendo que a Elina pode ultrapassá-lo, mantém sempre o seu foco na corrida e no seu volante.

No ponto de chegada, na Rua Agrepino Aleluia – uma rua com a ligação direta da Rua Santa Luzia e da Rua Rodrigues Preto – os fiscais de prova já sabem de que a corrida pode ser decidida em décimos de segundos, decímetros ou centímetros de distância. Então, eles colocam as câmeras fotográficas para fazer um tira-teima para decidir o vencedor dessa corrida.

Foi só após a instalação das câmeras que os carros aparecem na linha de chegada lado a lado. Desde então, os fiscais começam a verificar as fotografias tiradas na hora do cruzamento da linha e em seguida, determinam o vencedor.

— O vencedor é o Opala amarelo!

Lá no estacionamento, o anúncio do vencedor pelo fiscal de prova fez alegria para Freddy e Joanna, que estavam torcendo pelo Eddie na primeira corrida.

— Aê, mano! – celebra o loiro, abraçando a sua amiga – já ganhamos a primeira etapa, só falta apenas uma corrida e está garantido para a próxima fase!

— Aham, mas calma, Frederico, ele não pode relaxar nessa segunda corrida, mano! – avisa Joanna – só uma vaciladinha como o que quase aconteceu nesse final da primeira corrida e ela ganha e força a corrida de desempate.

— Eu sei, mana – disse o loiro – mas venha cá, rapidinho, mana – a moça se aproxima do loiro, no qual ele aproxima-se da orelha e sussurra – não use esse termo ‘relaxar’, mana, você sabe muito bem o que se refere.

A moça mostra-se com a cara de confusa e retrucou o aviso, também sussurrando na orelha do loiro.

— Que delícia, mano, eu entendo muito bem essa referência – ri, com o Freddy.

— Agora é só torcer, mana... mas eu não sei como vai ser o trajeto dessa segunda corrida, mana... espero que seja fácil ou equilibrado.

— Tomara, Frederico – encerra a moça, no qual ambos voltam a olhar para o telão.

X///////X

Esquina Rua João Verçosa Rolim/Avenida Higina Rolim Bonilha, Santa Luzia

Novamente os dois carros concorrentes estão à postos na largada da segunda corrida, no qual o foco da largada, localizada na Rua João Verçosa Rolim, está em direção ao centro. E novamente entre os dois carros, está a Bebe Stevens, mais uma vez dando instruções para ambos pilotos.

— Esta é a segunda corrida, que pode definir o primeiro semifinalista desta competição. Você – aponta a loira ao Eddie, piloto do Opala amarelo – pode-se classificar se vencer esta segunda corrida. Agora você – aponta à Elina, pilota do Corsa verde-azul – pode levar esta decisão à “morte súbita” – se referindo à corrida de desempate – se vencer esta corrida.

Ambos os pilotos acenam a cabeça, concordando com as instruções que a loira acabou de descrever. Em seguida, a loira abre os braços, dessa vez, para iniciar a contagem regressiva para o início da corrida.

— Atenção – começa o ronco dos motores dos dois carros – preparados? – ambos os carros começam a fritar os pneus e a loira já fecha os braços, batendo palma – JÁ! – ambos os carros começam a largar, deixando a loira sentindo a poeira voando em sua direção.

Começa a segunda corrida, podendo ser decisiva para Eddie e Elina, tendo ambos pilotos largados ao mesmo tempo, mas vai variando as distâncias por centímetros a centímetros. Eddie se mostra tranquilo ao volante, sem qualquer preocupação de ameaças da Elina, que se mostra determinada e observa e muito o seu concorrente, sem notar a mudança na expressão do piloto.

Eddie já está acostumado a correr na pressão; isso já acontecia quando o seu objetivo de ser o melhor piloto da história da Fórmula Peugeot era uma missão difícil, devido a péssima performance dos carros e do fato da equipe da família estar numa fase difícil de 2002 a 2011, após o auge antes desse período, apesar de ter disputado o título de 2005 até 2007 por conta de grandes melhorias que a sua equipe investiu junto com a fornecedora de motores justamente para brigar por títulos e quebrar a hegemonia do Naruto naquela época.

Agora esta pressão se refere ao desejo de conquistar o principal prêmio da competição: o clássico Chevrolet Camaro SS 1967 laranja, mas sabe-se de um objetivo secreto dado pelo detetive Renan que precisa cumprir: trabalhar disfarçado no Lisa Stevens Organization para tirar supostas ligações criminosas envolvendo a organização, independentemente de vencer o torneio, apenas mostrar o seu desempenho para agradar as organizadoras Lisa Berger e Bebe Stevens.

Ao chegar no fim da rua, os pilotos viram para a direita, entrando na Avenida Francisco Magnani, porém, Elina consegue ultrapassar Eddie ainda na virada, surpreendendo até o seu irmão Freddy e a amiga Joanna, que estão acompanhando pelo telão no estacionamento da organização, sem acreditar no que estão vendo o amigo sendo ultrapassado pela pilota do Corsa.

— Mano, ela ultrapassou o ‘Eddinho’! – disse Joanna, surpresa.

— Merda, era isso que não iria acontecer, deixou uma brecha para que ela pudesse ultrapassar, agora, mano, é só se acalmar e tentar recuperar a liderança.

Com a desvantagem, Eddie precisa tomar uma atitude de tentar recuperar a liderança, aproveitando a longa extensão do trajeto na rua. Justamente essa atitude do Eddie é pegar o vácuo do Corsa da Elina para ganhar desempenho e diminuir a distância com a concorrente. Porém, Eddie não consegue ultrapassar a Elina ainda na rua, no qual no final do trajeto os dois viram para a direita e entram numa parte da Estrada Miri-Moraes.

Apesar de todos os esforços do Eddie para tentar ultrapassá-la, Elina começa a contra-atacar bloqueando os espaços livres na hora em que o Eddie ameaçava a ultrapassar, nisso ainda na parte da Estrada Miri-Moraes e também na virada para a Rua Santa Luzia. Eddie nem se desanima, mas ainda foca para aproveitar a longa extensão nessa parte do trajeto entre a Rua Santa Luzia e Rua Agrepino Aleluia, tendo espaço capaz de ter chances de ultrapassar a Elina.

Nada feito. Mesmo com toda a essa extensão, Eddie ainda não conseguiu recuperar a liderança. Enquanto isso, lá no estacionamento, o seu irmão, Freddy, já começa a se preocupar e até suar, inclusive, a Joanna já sente o suor em seu braço no ombro do loiro, vindo do pescoço de trás.

— Mano, tu tá suando, leso! – reclama.

— Nervosismo, mana, me desculpa. Não consigo me controlar com essa tensão que começo a suar e feder, mana.

— Calma, mano – disse Joanna.

— O mano precisa usar o nitro agora para recuperar a ponta e levar a vaga para as semifinais!

— Não, Frederico! Ele precisa reservar o nitro pra final, mano!

— É mesmo, mana, ele precisa mesmo poupar as garrafas de nitro para a final. O problema é que eu nem sei se a organização pode autorizar a instalar mais garrafas de nitro para os finalistas.

— Se eles confirmarem, é bom para a gente, que estamos torcendo pelo ‘Eddinho’, se ele chegar à final.

— Tomara – Freddy consegue ‘tomar a coragem’ e abraça Joanna, porém, como o loiro estava suado do seu nervosismo, a moça já sente o suor do loiro, mesmo fazendo o rosto de nojeira, mostra um sorriso de apaixonada ao loiro.

De volta para a corrida, os dois pilotos recentemente viraram para uma parte da Rua José Hugo Dinelly e na sequência, após a descida, viram para a esquerda, entrando novamente na Avenida Francisco Magnani. Nada mudou em relação aos últimos fatos ocorridos na corrida: Elina mantém-se liderando enquanto Eddie continua para trás.

Por dentro, Eddie sequer mostrou o seu semblante de preocupação da possibilidade de enfrentar mais uma corrida de “morte súbita”, a seguida desde que iniciou o torneio na primeira fase, quando enfrentou Gael Piochi, venceu a primeira, perdeu na segunda e conseguiu desempatar na terceira, porém, teve que enfrentá-lo numa briga corporal e acabou sendo nocauteado ao mesmo tempo que ele.

Como a corrida – e o torneio também – é transmitido pela internet, muitos internautas e também a multidão que está no estacionamento – incluindo Freddy e Joanna – já comentam que o Eddie aceitou a derrota na segunda corrida – que está quase no final – da série e que irá disputar a “morte súbita”. Outros comentários dizem que o Eddie está se entregando para forçar a decisão de desempate, enquanto outros acusam de “compra”.

No final, após virar para a Estrada dos Moraes, Elina finalmente enxerga de longe os dois sinalizadores vermelhos no qual apontam como a linha de chegada. A pilota só apenas acelerou fundo o seu Corsa verde-azul e depois, próximo à sede da rádio local, cruza a linha de chegada, vencendo a segunda corrida. Eddie aparece na sequência, chegando em segundo lugar. Já está determinado: vai haver mais uma corrida de desempate, a chamada “morte súbita”.

Lá no estacionamento do armazém, Freddy e Joanna se discutem com o resultado.

— Porra, o mano nem se mexeu para ultrapassá-la! Se fosse usar o nitro na hora, aceleraria até o talo, mana! – desabafa Freddy.

— Parece que o ‘Eddinho’ adora dar emoção pra gente, mano. Não foi ele que nos fez sentir muita emoção na primeira decisão de desempate?

— Foi, mana, mas no final, o filho da puta do Gael deu porrada nele e tomou um troco ao mesmo tempo. Aí foi aquele desespero de resgatá-lo.

De repente...

— E aí, maninha? – disse uma voz feminina, bem familiar para Joanna e para Freddy – tudo bem com a corrida do Eddie?

— Jeyci? – disse Freddy e Joanna, simultaneamente, surpresos vendo a irmã primogênita da caçula chegando junto com a irmã do meio, Lindinez.

A irmã primogênita – vestida com uma camiseta verde com estampa de desenho do guaraná (fruta nativa na região da cidade), calça jeans azul e sapatos pretos – trouxe a sua irmã do meio – com cabelos amarrados e vestida com uma camiseta azul com estampa de desenho de flores e rosas brancas, calça jeans azul e sapatos pretos – para o local. Era inesperada a presença tanta da irmã do meio quanto da irmã primogênita para a irmã caçula, pois elas haviam feito um acordo para que a Lindinez não pudesse comparecer ao local da organização para assistir a competição e, especialmente, as corridas do Eddie no torneio.

A caçula fica com o semblante de desconfiada e já pensa o porquê da Lindinez de ter comparecido ao local.

— Mana, por que tu veio pra cá? – pergunta Joanna à Lindinez.

— Deixe comigo, mana – avisa Jeycianne à Lindinez – desculpa, Joanna, ela queria vir pra cá e tive que acatar o pedido dela de querer deixar um recado para o Eddie.

— Mana, tu esqueceu que isso pode influenciar negativamente o desempenho do “Eddinho”?

— Joanna, calma – disse Freddy, tentando tranquilizar a sua amiga.

— O Eddie está vindo pra cá para ter uma reunião para a definição da “morte súbita” e ele pode te ver de longe, mana!

Enquanto a discussão ainda acontecia entre as irmãs, Eddie finalmente chega ao estacionamento junto com a sua oponente Elina Battaglia a caminho para o quartel-general da organização do torneio, em prol de acompanhar a reunião da definição da terceira e decisiva corrida, intitulada “morte súbita”. O próprio Eddie nem sabe da presença da Lindinez no local, mas enquanto caminhava até a porta do armazém, as próprias irmãs Ferruccio, mais o irmão Freddy, começaram a observá-lo.

Lindinez, por sua vez, já não consegue pensar duas vezes a não ser que observasse o Eddie caminhando. Isso faz a moça sentir o seu coração, pulsando rapidamente, e vira para as costas e ainda fecha os olhos, cabisbaixa.

“Meu Deus, por favor, não deixe que eles machuquem o Eddie, é a corrida decisiva para ele... ainda não é hora para que ele pudesse me ver, mas eu quero ficar ao lado dele para dar uma forcinha”— pensa Lindinez, no qual segura o seu colar da cruz que está usando e ainda faz o sinal divino. Já a sua irmã caçula observa a sua irmã do meio, agora preocupada com a presença dela enquanto o Eddie ainda está em atividade de disputa do torneio.

— Lindinez? – disse uma voz masculina, no qual a moça que estava cabisbaixa e com olhos fechados, olha para trás e reconhece a pessoa que estava falando: era o Freddy Peugeot, irmão do Eddie.

— Oi, Freddy.

— Eu sei o que tu está se sentindo, mana. Me responde, por que você quis vir pra cá ao invés de ficar em casa?

— Mano... eu convenci a mana para que ela pudesse me trazer pra cá apenas por um dia, e só.

— Só, mana? Só para ver o Eddie correr e perder a vaga para as semifinais por causa da sua presença?

— Mano, elas não queriam minha presença por causa dele. Até eu mesma não queria enfrentá-lo justamente com medo de que eu cruze com ele na final aqui no torneio! O que você queria ver, o seu irmão “Todo Poderoso” Eddie Peugeot perdendo a final para a maior paixão da vida dele? Aí já é demais, maninho.

— Então foi por isso que você desistiu de disputar o torneio justamente por causa dele.

— Me dei bem, mano, para que ele dispute o torneio em paz, enfrentando contra tudo e contra todos.

— Mas quando o seu nome foi anunciado lá na seleção de duelos no primeiro dia da competição, o mano ficou arrepiadíssimo, até com a vontade de desistir de correr se isso acontecesse.

— Vai por Deus, Freddy. Meu coração não permitiu que eu disputasse o torneio logo quando soube da presença dele. Por isso que eu sumi quando eu vi-lo andando contigo. O Eddie já teve outros relacionamentos, apesar de que um desses já gerou um “curumim” – referindo-se ao relacionamento do Eddie com a Brena Dortmund que resultou em casamento e um filho gerado pelo casal, hoje já divorciados – ele ainda está no meu coração. Você sabe, Freddy. Vinte anos se passaram e a qualquer momento, fora do torneio, posso encontrar o Eddie cara a cara com fortes emoções.

— Lindinez, mas me explique o porquê tu convenceu a Jeyci pra te deixar vir pra cá em plena corrida do Eddie?

— Eu falei pra a Jeyci depois que ela me abraçou quando acordei que ela e a Joanna estão erradas sobre essa tal coisa de que a minha presença pode atrapalhar o desempenho do Eddie na corrida. Que nada, se o Eddie olha para os lados e acaba me observando de longe, a minha presença pode dar forças para ele na corrida. Eu seria uma espécie de talismã, de amuleto da sorte pra ele, maninho.

— Eu discordo sobre disso, mana. Tu ainda não é um amuleto da sorte, desde que soube da presença do Eddie no torneio muitos dias atrás. Mas, se você tem razão, boa sorte, maninha.

— Eu sei que você é apaixonado pela Joanna, Freddy.

— Eu, apaixonado?

— Você e ela estiveram muito tempo juntos naquele período que você morou com a gente.

— Calma, Lindinez, uma parte juntos foi em casa, apenas em 1997. O resto? Foi lá na escola como colegas de sala e merendamos juntos no intervalo, assim como você e o mano.

— Eu sei.

— Mas apaixonado, eu, por ela?

— Seu semblante não mente: vocês tiveram um momento íntimo recentemente.

— Eu? Não... – Freddy tenta desviar a verdade, mas não consegue – porra, é verdade, mas foi no dia em que fui passear com a Joanna e depois enfrentei uns playboys na racha junto com ela. Aí fui pro porto abandonado lá no Bairro do Éden para fazer hora entre nós.

— E o que você fez? – Freddy nega ao balançar a cabeça – E ela?

Freddy sequer responde, mas gesticula com um gesto indecente que faz a referência ao... ato sexual... deixando a amiga – que é irmã do meio da Joanna – caindo nas gargalhadas.

— Ela fez isso? – pergunta, rindo.

— Foi, e só – disse o loiro, envergonhado ao revelar esse fato íntimo enquanto a amiga continua rindo – tu é lesa, mana, fazendo essa pergunta aloprada pra mim, vai perguntar pra Joanna, mana – reclama.

— Até parece, mano – a moça se aproxima da orelha do loiro e sussurra – a amizade íntima resulta namoro, foi assim que tive com o seu irmão – Freddy fica avermelhado de vergonha.

Logo depois, lá na saída da porta principal do armazém, finalmente os dois pilotos saem após a reunião de definição da terceira e decisiva corrida da série. Enquanto isso, Freddy, Joanna, Jeycianne e Lindinez já notam a presença do Eddie caminhando em direção ao seu carro. Do quarteto, apenas a Lindinez só observou o Eddie continuamente.

“Eddie, não desfoque em nada, apenas segue o controle do teu volante e pisa fundo, como um piloto profissional”— pensa Lindinez, ainda observando a sua grande paixão do passado.

Em seguida, Eddie retorna ao seu carro para preparar-se para a terceira e decisiva corrida, assim como a Elina. No caso do piloto do Opala, ele sequer não percebeu a presença da Lindinez no meio da multidão.

X///////X

Estrada dos Moraes, Bairro Senador José Esteves

Novamente os dois carros estão perfilados pela última vez no sentido contrário da estrada – sentido bairro e interior ao centro. O ponto de largada fica próxima à entrada do Campus Educacional Federal de Maués e também dos conjuntos habitacionais do bairro. E novamente, no meio entre os dois carros, está a Bebe Stevens, mais uma vez deixando uma breve instrução sobre a “morte súbita”, que é a terceira corrida da etapa, aos dois pilotos.

— Agora não é hora de brincar, pilotos. Esta corrida vale a vaga para um de vocês. O sortudo ou sortuda que vencer esta corrida vai continuar se aproximando do sonho de faturar aquela relíquia do Camaro laranja, enquanto o outro ou a outra vai ficar chorando no colinho da mamãe.

Os dois pilotos caem na risada quando a Bebe cita essa sarcástica declaração.

— Repito, um de vocês vai continuar atrás do sonho de levar o Camaro – Bebe recua por uns passinhos e abre os braços para iniciar a contagem para o início da corrida – preparados? – começa o ronco dos motores – atenção... – bate palmas – já!

Ao mesmo tempo em que Bebe bate palma para dar o sinal para a largada da corrida, como sempre, os carros começam a fritar pneus e largam para correr, enquanto a Bebe sente a poeira batendo em seu corpo e sua face – por sorte, ela fecha os olhos ao mesmo tempo em que bate as palmas.

Começa a terceira e decisiva corrida da série duelo Eddie versus Elina. O piloto do Opala amarelo obteve a sorte de estar na vantagem por segundos em relação ao Corsa verde-azul de Elina.

Enquanto isso, lá no estacionamento...

— Isso, mano! – celebra o irmão loiro do Eddie.

— Deixa essa lesa comer poeira, “cunhadão”! – celebra também a amiga e irmã primogênita da paixão do Eddie.

— Isso mesmo, mana, faça ela sentir quem é o verdadeiro “rei das ruas de Maués” – celebra também, com sarcasmo, a amiga e irmã caçula da paixão do Eddie – alô meu povo, aquele é o Eddie Peugeot – se vira para a multidão que estava acompanhando a corrida pelo telão, assim como ela, as irmãs e o Freddy, agora olham para a Joanna, toda exaltada – o reizão da porra toda! Chegou chegando pra causar a zorra toda! Geovanni que se exploda, entrega a taça pro Eddie Andrade Peugeot Neiva, o verdadeiro “rei de Maués”!

A multidão, que agora ficou atenta na exaltação da Joanna, fica sem graça, todos com o rosto fechado.

— Tchoco, mana, tu é lesa? – disse Jeycianne, dando bronca para a sua irmã caçula – aloprou pra caralho, sua pirralha! Olha o pessoal de olho em ti, toda apresentada! Égua...

— Desculpe, galera – disse Joanna, rindo e ainda exaltada, se desculpando de toda a sua exaltação à multidão no estacionamento.

De volta para a corrida, os dois carros estão chegando ao ponto de virar para a direta, na esquina da rádio, para entrar na Avenida Higina Rolim Bonilha. Eddie mantém-se em primeiro, ainda seguido pela Elina. Depois de uma breve subida da rua, os dois pilotos viram para a esquerda, entrando na Rua Francisco Xavier Dineli.

A situação começa a se apertar quando os dois pilotos viram para a direita ao entrar para a Rua Guilherme Afonso, na região do principal conjunto habitacional do bairro, pegando ruas pouco estreitas e desviando de carros estacionados na entrada do portão de algumas casas. Pouco tempo depois, os dois pilotos viram para um pequeno trecho da Rua Sebastião Nassau e depois, viram para a direita, entrando na Rua A. Rodrigues e, de forma direta, Rua Cícero Dias. Eddie ainda se mantém na ponta enquanto a Elina segue em segundo lugar.

De volta ao estacionamento...

— Isso, mano – disse o loiro, atento ao telão que está exibindo a corrida do seu irmão, com calma – não deixe um espaço para que ela te ultrapasse.

Freddy está com a Joanna ao seu lado, também atenta ao telão, porém, tensa. Junto com eles, Jeycianne e Lindinez, esta última está de joelhos com as mãos juntas na altura do queixo, também atenta ao telão e tensa.

— Vamos, Eddie – disse a irmã do meio das irmãs Ferruccio, ajoelhada e torcendo pelo Eddie, sua maior paixão da vida.

De volta para a corrida, Eddie acaba de virar para a esquerda, entrando na Rua Maria Piedade, ainda na região do principal conjunto habitacional do bairro, e segue o trajeto ainda na liderança ao virar para a direita, entrando na Rua Hilton Nogueira, e pisa mais fundo.

“Será que o Eddie ignorou a história da Elina?”— pensa Joanna, ainda atenta ao telão.

“Me desculpa, Elina Battaglia, mas eu quero é vencer. Eu irei te procurar mais tarde depois do torneio para acertar as contas”— pensa Eddie, ainda líder da corrida.

Metros depois, Eddie vira para a esquerda, entrando na Estrada dos Moraes, assim como a Elina que está em segundo lugar. Distante, a pilota já está desesperada em busca de tentar alcançá-lo, pois sabe-se que uma vitória de desempate a garante para a próxima fase.

“Eu perdi o meu filho porque a minha ex-esposa pensava que eu não tinha condições de cuidá-lo”— pensa Eddie – “mas não era esse objetivo que estou pensando, e sim o outro”.

“Eu perdi o meu filho para a adoção porque eu não sabia de onde a minha família mora e nem me lembrava da pessoa... porra, eu não quero saber dele”— pensa Elina.

“Brena Dortmund, se você estiver me assistindo ao vivo na internet, diga um oi para o Pedrinho, que o papai está mais veloz do que nunca”— pensa Eddie.

“Eu ainda sou forte, porque a corrida é a minha essência. E o Eddie Peugeot é a minha inspiração de como correr na garra” — pensa Elina.

Poucos metros depois, os dois pilotos viram para a direita, entrando na Rua Senador José Esteves e no bairro Mário Fonseca, no qual a distância começa a se estreitar com a aproximação da Elina em cima do Eddie. Enquanto isso, lá no estacionamento, a aproximação da Elina já começa a preocupar o quarteto Freddy, Jeycianne, Lindinez e Joanna.

— Mano, ela está aproximando do Eddie! – disse Joanna, preocupada com a chegada da concorrente – o que ele pode fazer, Frederico?

— Eu não sei, mana – responde Freddy, no qual “toma a coragem” e beija a cabeça da amiga, que estava abraçando-a enquanto acompanhavam o telão. A própria Joanna já muda rapidamente a sua expressão de preocupada para alegria, por conta do beijo que recebeu do loiro.

“Agora que ele tomou a coragem”— pensa Joanna – “como ele é tão fofinho”.

Já a Lindinez mantém-se ajoelhada, cabisbaixa, desesperada e com mãos fechadas na altura da testa, começa a rezar.

“Por favor, Senhor, ajude o Eddie! Eu não quero que ele saia derrotado dessa guerra que ele está enfrentando!”— reza.

De volta para a corrida, os dois pilotos já se aproximam da virada para a Estrada Maués, porém, de forma dramática: Elina consegue aproximar-se do Eddie e quase ultrapassou na virada. Já o piloto do Opala amarelo se alivia com o quase da manobra da concorrente.

“Merda, isso foi por pouco!”— pensa Eddie – “achei que a porra já estava feita!”.

Eddie se distancia por poucos e depois, assim como a sua concorrente, vira para a direita entrando na Rua dos Cuiabanos e começa a pisar fundo para aumentar a distância em relação à Elina. Já a pilota do Corsa verde-azul não desiste e também pisa fundo para continuar colando no Opala amarelo.

O termo “tranquilidade” não pintou nem na mente do Eddie e nem do quarteto que está acompanhando a sua corrida no estacionamento do armazém da organização, pois a corrida está chegando ao fim e vai se variando as chances de que um dos dois possa levar a vaga para as semifinais do torneio: seja para o Eddie ou seja para a Elina. A única palavra que pinta ainda na mente dos dois pilotos chama-se: “pressão”. E é essa pressão que aumenta quando os dois já notam de longe um rastro de fumaça de sinalizador, percebendo que estão chegando ao ponto final do trajeto.

Seguindo o trajeto, os carros viram para a esquerda entrando na Rua Ramal Adolfo Carneiro, pegando uma breve subida, e metros depois, viram para a direita, entrando na Rua São João, mais conhecido como “Estrada do Aeroporto”. A partir daí, já é visível a presença de sinalizadores de chegada à uns metros de distância.

Eddie e Elina começam a acelerar até o limite máximo dos seus carros, como a velocidade e a marcha máxima. Mesmo que a distância entre os dois se diminua lentamente, estava praticamente impossível da Elina alcançasse o Eddie; ele cruza a linha de chegada e vence a corrida, levando a vaga para as semifinais.

Com os carros diminuindo a velocidade após a chegada, Eddie se alivia depois de estar brigando de ponta a ponta em três corridas e vencer a “morte súbita”. Já a Elina... infelizmente é só tristeza para a pilota, que cai em prantos no volante do Corsa.

Já no estacionamento da organização, é só festa para o quarteto Freddy, Jeycianne, Joanna e Lindinez. Todos estão celebrando a classificação do Eddie para as semifinais com danças e cantadas, incluindo um trecho da música dos Beatles, “Hey Jude”.

— Na, na, na, na na na nah – canta Freddy, Jeycianne e Joanna – na na na nah! Hey Jude!

Enquanto o trio continuava cantando em festa, Lindinez deixou o local indo para os fundos do armazém da organização, se ajoelha e olha para os céus.

— Obrigada, Senhor! – agradece, rezando emocionadamente. Logo depois, se levanta, enxuga as lágrimas e faz um rápido sinal da cruz, depois, deixa o local retornando ao trio Freddy, Jeycianne e Joanna.

De volta à estrada do aeroporto, Eddie deixa o seu Opala amarelo e corre em direção ao Corsa verde-azul de Elina. Chegando por lá, Eddie encontra a sua concorrente, derrotada, chorando com o rosto no volante.

— Elina...

— Vai embora! – exclama, ainda em prantos – me deixe em paz!

— Mas...

— Vai embora, porra! A vaga é sua e me deixe em paz!

— Ok. Prefiro aturar uma moça que está chorando por ter perdido a vaga por mim do que oferecer a entrada para uma equipe da oficina de onde estou representando neste torneio e poderei te ajudar a arrumar um detetive particular que irá descobrir o seu filho perdido na adoção – se explica, no qual se vira e retorna ao seu Opala amarelo.

Enquanto ele caminhava de volta para o seu carro, Elina para de chorar e sai do seu Corsa verde-azul, indo em direção ao Eddie.

— O que você quer? – disse Eddie – Agora você mudou de ideia?

— Eu aceito o seu convite, Eddie – responde Elina, enxugando as suas lágrimas nos olhos – eu quero entrar nessa sua equipe da sua oficina.

— De que função você exercerá?

— Talvez... de promotora de eventos da oficina, eu tenho umas estratégias de marketing quando a oficina for organizar um evento, eu consiga arrumar patrocínios e atrair os experts de tuning no mundo afora para a visita.

— Você é ótima nessa função?

— Eu espero que sim.

— Beleza, eu vou comunicar aos gêmeos Yuri e Chelinka para avisar a sua inscrição na equipe.

Em seguida, os dois se abraçam, consolando de um para o outro.

— Eu vou conseguir o detetive particular pra ti, ok?

— Ok, Eddie.

No final, os dois se dispersam e retornam aos seus respectivos carros, no qual deixam a estrada para retornar ao estacionamento da organização na Rua Guaranópolis em Maresia.

X///////X

Estacionamento do Armazém de Lisa Stevens Organization, Rua Guaranópolis, Maresia

Por lá, os dois carros acabam de chegar ao estacionamento da organização rodeado pela multidão presente no local. O mais recepcionado é o Eddie, por ter se classificado para as semifinais. No meio da multidão, estava o seu irmão Freddy e suas amigas Jeycianne e Joanna.

— Caralho, mano – disse o loiro ao seu irmão primogênito – essa corrida foi suada! Estamos nas semifinais!

— Isso, “cunhadão” – disse Jeycianne – o prêmio está chegando perto, é só manter o ritmo e o Camarão é seu!

Em seguida, Eddie sai do carro e deixa o local acompanhado pelo trio, sem saber que a Lindinez está presente no local. Justamente a mesma Lindinez que observou de longe a chegada do Eddie ao estacionamento e acompanhado pelas suas irmãs e pelo irmão dele faz a moça mudar seu semblante de feliz e apaixonada, sabendo-se que ele já está classificado para as semifinais.

“Eddie... eu estou torcendo por você... meu coração não quer pensar em qualquer coisa, apenas pensando em você vencendo esse torneio por mim”— pensa Lindinez, no qual junta as suas mãos na região do coração e sente os batimentos acelerando mais rápido – “Eddie... eu te amo”

Para não ser vista pelo Eddie, Lindinez prefere observá-lo à distância...

— Calma aí, mocinha – disse uma voz masculina, que segura o ombro direito da moça por trás, deixando-a assustada e paralítica.

— Não vai doer nadinha – disse uma voz feminina, no qual a moça tenta olhar para trás, porém, é agarrada por trás e sua boca e o nariz foram fechados por um pano umedecido e acaba inalando o odor de... clorofórmio, que faz a Lindinez adormecer rapidamente.

Adormecida, Lindinez é puxada para os fundos dos galpões do armazém, sem ser vista pelas irmãs, por um casal desconhecido, vestidos de traje ninja de cor preta com máscara para disfarçar as suas identidades.

Quem será esse casal desconhecido que acaba de raptar a Lindinez?

Qual será a definição das semifinais do Maués Rumble Rally? O Eddie já está garantido em numa dessas vagas.

(CONTINUA)

Notas finais
Galera, este capítulo está longo, eu sei que as recomendações dos demais sites de fanfictions (como o Nyah! Fanfiction) fossem no máximo 5000 palavras, é cansativo, mas... é o meu jeito de fazer capítulos longos para evitar o tamanho excessivo de capítulos. Vou atualizar os capítulos anteriores desta saga porque acabei de encontrar uma palavra errada em todos os capítulos da saga do torneio nesta história: o “pátio” é o “estacionamento”, lugar à céu aberto. Até a próxima.