Eddie e Seus Peugeots: Roads of Paradise
13 Maués Rumble Rally - Amigos à Parte
Notas iniciais
Estacionamento do Armazém de Lisa Stevens Organization, Rua Guaranópolis, Maresia, 15 de outubro de 2016, 16:00
No capítulo anterior, Eddie Peugeot enfrentou Elina Battaglia e conseguiu vencer após um difícil duelo em busca da vaga para as semifinais do Maués Rumble Rally. Após a corrida, Eddie ofereceu ajuda a Elina sobre o caso do filho, inicialmente a proposta foi recusada, porém, se readmitiu e aceitou. Durante a celebração da classificação do Eddie, sem saber, Lindinnez foi raptada nos fundos do armazém.
Eddie Peugeot, ao lado do seu irmão Freddy e das amigas Jeycianne e Joanna, está assistindo pelo telão a corrida entre Steffane Flora Dortmund e Victor Hugo Battaglia, que pode definir o seu oponente nas semifinais do Maués Rumble Rally. Era a segunda corrida, no qual Victor Hugo havia vencido a primeira corrida com folga, e novamente ele está na liderança, podendo-se confirmar como classificado e seu futuro oponente nas semifinais.
— Mano, essa gótica não sabe nem pisar fundo! – disse Joanna, que está abraçando Freddy ao seu lado, porém, nessa frase, reclamando do desempenho de Steffane na corrida – parece que ela está se entregando!
— Pois é, Joanna – responde o loiro – depois que ela se acha um top nas pistas, mas é uma ruim de volante – ironiza.
— Mas você sabe que eu sou bom no volante, tá?
Freddy não responde, porém, retribui com um beijo na testa dela, enquanto ela sorri. Enquanto isso, Jeycianne apenas conversa com o Eddie, no qual a primogênita observa os dois se interagindo.
— Olha lá, “cunhadão”, o seu irmão beijando a testa da Joanna, eles são tão próximos do que nunca.
Eddie apenas observa rapidamente os dois se interagindo, mas retorna ao seu foco ao telão.
— Você sabia que eu peguei os dois se beijando enquanto eu trazia uma sopa que eu fazia para a janta, naquele tempo em que você estava longe daqui?
— Eu não sabia – responde, ainda focando ao telão.
— Eles se beijaram exatamente no mesmo dia em que você e a Lindinnez se beijaram na praça, só que um ano depois.
Eddie não reage ao ouvir esse nome e a data citados pela Jeycianne, mesmo que o seu passado passional pela Lindinnez lhe condena.
— Eu sei que tu sente falta da Lindinnez, pelo seu semblante...
— Não... – nega Eddie – não é nisso o que está pensando...
— Opa, ‘mi dispicai’... acabei pensando nisso sem querer....
— Eu sei...
O que a irmã primogênita não sabe é que a sua irmã do meio foi levada enquanto esta esteve longe de vista do Eddie para não ser detectada. E a preocupação da Jeycianne é a tamanha espera de “pique-esconde” da sua irmã do meio, pois ela sabia que seria uma má ideia trazendo-a para o estacionamento justamente se ambos se reencontrem antes do esperado.
Jeycianne tem a tamanha responsabilidade de cuidar de suas duas irmãs, desde quando os seus pais deixaram a cidade já no início da década de 1990 graças aos efeitos do confisco de poupanças (uma das artimanhas do polêmico Plano Collor na época) em busca de emprego, pois foram afetados justamente por esse motivo citado anteriormente, em Manaus. Retornaram quando os ânimos melhoraram, mas tiveram que sair novamente em 1995, e a Jeycianne, já quase maior de idade, assumiu a responsabilidade de cuidar de Lindinnez e Joanna até que ambas se formassem no ensino médio (2º grau na época), pois a mesma Jeycianne havia se formado.
Com a repetição de série da Lindinnez, Jeycianne pensava em forçar o retorno dos pais para Maués, porém, desistiu ao saber que ela tinha conseguido um colega ajudante, um monitor, tanto que esse colega ajudante era o irmão do colega da irmã caçula e que frequentaria tantas vezes a casa da família Ferruccio ao lado dele. A forte aproximação entre o Eddie e a sua irmã do meio resultou em numa paixão platônica, tanto que os boatos de namoro dos dois fizeram que a irmã primogênita o chamasse de “cunhadão”.
O mais irônico de tudo é que o Freddy, irmão caçula do Eddie e que era colega da Joanna na ocasião, também se apaixonasse pela irmã caçula no ano seguinte, ou seja, a família Peugeot ganhou uma aliança amorosa com a família Ferruccio. Porém, para o azar da irmã primogênita, só os dois irmãos se apaixonaram pelas suas irmãs do meio e caçula, respectivamente, enquanto a mesma ficou isolada e sempre se desejou que eles tivessem um terceiro irmão que poderia apaixoná-la para completar essa aliança.
— Mas já que você falou nela, como ela está?
— Bem... – Jeycianne gagueja, já que começa-se a preocupar com o “pique-esconde” da sua irmã do meio, sem saber que ela foi sequestrada – ela está bem, acompanhando a competição na internet em casa – mente.
“Porra, eu nem sei o que ela deve estar fazendo com tanta demora de ficar se escondendo!”— pensa a primogênita, preocupada com a situação da irmã.
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Fundos do Armazém
Enquanto isso, Lindinnez acorda e percebe-se que está dentro de um furgão e, para piorar, está com suas mãos e pernas amarradas em cordas. De repente, as duas portas por trás do furgão são abertas por duas pessoas, vestidas de capuz de cor preta com uma máscara de hóquei que remete ao personagem de filme de terror Jason, do filme Sexta-Feira 13.
— Credo, teléso – disse Lindinnez, assustada ao ver as duas pessoas de capuz e máscara – agora só falta uma serra elétrica para querer me devorar – ironiza.
— Silêncio – disse uma voz masculina por trás da máscara.
— Nós te trouxemos aqui para fazer uma proposta ideal para uns servicinhos – disse uma voz... feminina, porém, grossa, mas não engana a Lindinnez.
— Por que tu fala assim, grossa, igual a minha irmãzinha? – ironiza Lindinnez ao comparar a “imitação” da mascarada com a voz da irmã caçula – Tu é cunhantã, lesa! Tu tem peito, bunda, mas disfarçada assim com uma imitação de voz mal improvisada?
— Credo, agora você acabou comigo – lamenta a moça disfarçada.
— E agora, o que vocês lesos querem fazer comigo? Me desamarrem agora, lesos!
— Silêncio! – disse o mascarado – a gente vai propor à você um trabalho para que você tira as informações secretas do Eddie Peugeot, mas não agora, só depois desse torneio que está acontecendo, independentemente de quem será o campeão.
Basta ouvir o nome Eddie Peugeot que começa a passar um filme na mente da Lindinnez, graças ao seu passado passional com ele.
— Eddie...
— Lembre-se – disse o mascarado – depois desse torneio, você vai atrás do Eddie Peugeot e tira as informações secretas dele, e sem justificativa.
— E se eu não aceitar?
— A gente joga este furgão com você lá na Língua da Princesa – ameaça a mascarada – e você não verá o teu amorzinho eterno – referindo-se ao Eddie.
— Como vocês sabem disso? Vocês estão invadindo a minha privacidade?
— Cala a boca – disse o mascarado, que fecha a porta de trás do furgão junto com a mascarada.
— Ei! Tu esqueceram de me desamarrar, lesos!
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Estacionamento do Armazém
— Mana, cadê a Lindi? – disse Jeycianne, sozinha em num espaço aberto, porém, andando em círculos – ela deveria estar ainda comigo a esta hora antes que o Eddie aparecesse...
— Mana, você viu a Lindinnez? – pergunta Joanna à irmã primogênita – eu procurei por todos os cantos, mas eu não vi-la.
— Eu também não encontrei, mana – responde.
As irmãs estão preocupadas com o sumiço repentino da Lindinnez, sem que ambas soubessem que ela foi sequestrada por dois mascarados e está guardada dentro de um furgão. Enquanto isso, os irmãos Peugeot – Eddie e Freddy – estão em outro ponto do estacionamento, dessa vez, conversando com o ganhador do duelo entre Steffane Flora Dortmund X Victor Hugo Battaglia, este último, o ganhador, que é velho conhecido dos irmãos Peugeot.
— Cara, eu achei que a sua oponente estava andando lento em relação à sua corrida – disse o loiro ao amigo – a Joanna que disse.
— Mano, eu só estava atento na corrida, não na minha oponente. Vocês estavam vendo no telão aqui – disse Victor.
— Para mim – disse Eddie – eu notei que o seu carro tem desempenho superior em relação ao carro dela. Quantos cavalos de potência o seu tem?
— O meu Celta? Uns 280 cavalos, mano – responde, que surpreende o Eddie, pois a potência do seu Opala é um pouco inferior ao dele – dá para atingir quase 300 quilômetros na estrada, ainda bem que os corredores compram asfalto para evitar tantas buraqueiras que ainda existem nas ruas.
“Preocupação com os pneus e eixo de suspensão, é claro, ao invés do chororô dos caras”— pensa Eddie.
— Caramba – disse Eddie, surpreso com a ficha técnica do carro do Victor – será que é capaz de ganhar de mim?
— Eu não sei, cara – disse Victor – ainda dá para melhorar de igual para igual porque ainda não estamos no dia da fase semifinal, ainda há dias úteis para melhorar e testar os nossos carros.
— É verdade – disse Freddy.
— A gente, se referindo além de mim com o meu irmão e a equipe, instalamos novas peças para o carro, especialmente o motor, que tem 260 cavalos de potência – disse Eddie.
— 260 cavalos? – disse Victor – isso sim é equilíbrio técnico!
— Mas tu tem vantagem prática, mano! – disse Freddy ao Victor.
— Freddy – disse Eddie – nem toda a vantagem prática ganha a corrida. Basta uma vacilada na marcha ou mecânica que tudo faz a diferença. Ele ganhou da Joanna por estratégia no volante, mesma coisa como ele ganhou da Steffane.
— Mas eu já perdi algumas corridas por vacilo meu.
— Aí é o seu problema – complementa Eddie.
— Mano, a gente se vê na próxima, ok? – Victor se despede aos irmãos Peugeot.
— Ok – responde Eddie – que vença o melhor!
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Escritório do Eddie, Residência Família Peugeot, Rua Agrepino Aleluia, Santa Luzia, horas depois
Em seu escritório, localizado no segundo piso da residência, Eddie está conferindo em seu notebook MacBook Pro a agenda dos confrontos das semifinais já definidas no torneio, analisando não só a data do seu duelo contra o Victor Hugo Battaglia, mas de outros semifinalistas como Geovanni Dortmund contra o Kenneth McCormick, ambos respectivamente superaram seus oponentes. Quando analisa o histórico de corridas do Victor, cai na mente do Eddie uma memória de ter convivido como colegas de colegiado e também ter a companhia de direito, pois Victor Hugo é o seu advogado de defesa tanto jurídica familiar quanto de negócios.
Enquanto isso, Freddy está atendendo a ligação na sala, no primeiro piso, que era a Joanna.
— E aí, mana? O que houve agora?
— (Mano, a Lindinnez apareceu assustada aqui em casa!)
— O que houve com a Lindinnez? – pergunta, em voz baixa.
— (A Lindinnez nos disse que ela foi sequestrada e ficou presa dentro de um furgão nos fundos do armazém enquanto o evento acontecia! Mano, ela está em pânico e chorando no colo da Jeyci!)
— Mana, eu já sabia que iria dar merda se vocês trouxessem ela no evento, mas seria muito pior se ela reencontrasse o Eddie durante esse período.
— (Frederico, a culpa não foi minha! A culpa foi tanta da própria Lindi quanto da própria Jeyci, ah, maldita vontade!)
— Joanna, eu achei que você diria “mamma mia” como a Jeyci diz.
— (Eu não falo em italiano, mano, é o jeito dela, porque a nossa descendência é italiana!)
— Ouça, Joanna – disse Freddy, ainda com a voz baixa – por favor, não levem a Lindinnez às escondidas no dia do duelo das semifinais do Eddie contra o Victor. Acalmem, tranquilizem, porque foi um susto do tamanho do cume do Monte Everest.
— (Ok, Frederico.)
— O mano ainda tem a preocupação com os detetives sobre o caso do cara desconhecido, mas ele não sabe de nada sobre a Lindinnez.
— (Ele já chegou a perguntar sobre ela com a mana, mas não se demonstrou nenhuma preocupação.)
— Ainda bem... e olha que o duelo entre Eddie e Victor é no outro fim-de-semana...
— (Mano... será uma verdadeira treta de amigos... ou melhor, amigos à parte.)
— E esse duelo vai ofuscar o Geovanni neste torneio, porque o tamanho da visibilidade do Eddie chegou ao cume do Monte Everest ao longo do torneio, porém, é provável que o sentimento de inveja dele possa acumular.
— (Geovanni não é invejoso, Frederico, mas ele já vai sentir na pele o sucesso do Eddie.)
— Não enche de expectativas, Joanna, porque isso pode dar muito ruim para o mano, e nem pense ficar apostando a final entre o mano e o Geovanni, eu ouvi o papo do Victor de que ele tem o motor á 280 cavalos, vinte a mais que o nosso e que pode fazer a diferença técnica na corrida.
— (Mas um vacilo pode fazer uma grande diferença no duelo, por exemplo, exagerar no freio, errar a marcha...)
— É isso que o mano vai estar atento ao volante, e o Victor também.
— (É isso, Frederico.)
— É, mana, até a próxima – se despede.
— (Tchau, Frederico, um beijo.) – encerra a ligação.
De volta ao escritório, Eddie ainda confere em seu notebook toda a repercussão não só do seu duelo contra a Elina Battaglia, mas também dos outros duelos pelo torneio. Porém, quando notou no vídeo dos melhores momentos entre Eddie vs. Elina, um comentário chamou a atenção do Eddie:
“Aê, quero ver esse cara ganhar do Geovanni, pq ele vai triturar esse Opalinha ruim”— comentou um usuário anônimo.
Outro comentário também chamou a atenção do Eddie.
“Geovanni > Eddie”— comentou outro usuário anônimo, dessa vez, comparando a “superioridade” do Geovanni ao Eddie.
“Esses caras ainda apostam no Geovanni, mas eles vão perceber que um dia esse reinado durará pouco”— pensa Eddie.
Porém, de repente, começa a passar na mente do Eddie mais um filme de vinte anos atrás...
Residência Família Peugeot, Santa Luzia, 07 de setembro de 1996, 17:00
— Feliz aniversário, Eddie – disse uma jovem moça de 16 anos ao referido jovem rapaz de 17 anos recém-completos de cabelos azuis que o abraça.
— Obrigado, Lindinnez – responde o jovem de cabelos azuis que ainda abraça a jovem moça de cabelos castanhos levemente ondulados – eu te amo – sussurra no ouvido da moça.
— Eu também te amo, Eddie – responde, sussurrando no ouvido do rapaz – você me ajudou e muito no nosso estudo, claro que você tem uma inteligência... de gênio.
— Você tem que me agradecer, pois sem a minha ajuda, você ainda beirava a mais uma repetição de série e poderia ser colega da sua irmãzinha.
— Não só você que tenho que agradecer... mas a sua mãe também. Ela foi muito importante para me incentivar a estudar... assim como você – beija a bochecha do rapaz, que o deixa tímido, assim como ela.
— Achei que você iria repetir aquele ato da praça na frente de todo o mundo – disse o Eddie, depois do beijo na bochecha.
— Não posso... sua mãe e a nossa turma não podem saber que estamos namorando, apesar das fofocas deles. Somente nós dois precisamos guardar esse segredo.
— Mas a sua irmãzinha vive na nossa cola, depois ela conta para a sua outra irmã e também para o Freddy.
— Mano... eu posso falar uma coisa – Eddie acena a cabeça, no qual a Lindinnez se aproxima novamente em seu ouvido – pra mim, a Joanna e o Freddy em breve eles se apaixonarão assim como a gente – sussurra.
— Eu aposto – responde Eddie, também sussurrando no ouvido dela.
Dia presente
“Torcendo pelo Eddie Peugeot ir para as semifinais”— disse Lindinnez em seu post no Facebook, no qual Eddie acabou de observar. Para ele, ela estava acompanhando a corrida pela internet, porém, o que ele nem sabe é que a própria Lindinnez, por sua vontade, esteve presente no estacionamento do armazém ao lado das irmãs Jeycianne e Joanna.
Sem pensar duas vezes, Eddie clica no botão “curtir” justamente no status da Lindinez, sinalizando que não só viu, mas deixou o “seu like”.
“Ela deve perceber que eu vi o post”— pensa.
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Oficina Twingarage, Santa Luzia, segunda-feira, 17 de outubro de 2016, 10:00
De volta para a oficina, Eddie está observando os gêmeos Yuri e Chelinka analisando de forma geral o Opala SS que foi usado no último fim-de-semana, enquanto o mesmo apenas observa o seu tablet todas as notícias da repercussão da última fase no fim-de-semana, porém, se depara com uma manchete recente:
“Carro do corredor de rua é incendiado”— descreve a manchete exposta em numa postagem da página “Papel de Maués”, com o destaque da foto do carro completamente incendiado, no qual Eddie percebe a marca e o modelo do carro: Honda Civic 2003, e ainda reconhece o dono do veículo, não exposto na foto.
“Queimaram o carro do Yago Kury”— pensa Eddie.
— Esse cara esteve muito envolvido nas questões políticas da cidade – disse o mecânico ao observar o tablet do Eddie – não é a toa que ouvi um boato de que ele foi ameaçado por uma militância do partido dele de querer ganhar o Maués Rumble Rally, se você ler mais detalhadamente – Yuri visualiza a descrição da manchete – não só queimaram o carro mas até a oficina de onde estavam consertando foi abaixo pelo fogo.
— Eu não sabia de que ele tinha ligações políticas... mas e daí, Yuri?
— Isso está me cheirando muitas armadilhas que podem acontecer não só no Maués Rumble Rally mas também no decorrer das corridas que não só você for disputar, mas eles também – desconfia Yuri.
— Armadilhas do tal do piloto misterioso? Foi ele que articulou aquela armadilha que me deixou 15 meses em coma no hospital?
— Cara, eu não sei de nada – nega Yuri – nem a Chelinka sabe, por isso que contratamos aqueles dois detetives para te ajudar.
— Aqueles detetives deveriam estar investigando nesse momento, mas o problema é que eles estão com uma preguiça e tanta que teve um momento de que eles estiveram lá no estacionamento e me procuraram de repente.
— Essa eu não sabia – nega Yuri – mas eles podem trazer boas notícias dos resultados.
— Ou zero de resultados, para mim. Se o cara perdeu o carrinho bonitinho por ameaças de militância, eu prefiro ser perseguido por uma armadilha que o piloto misterioso possa articular.
— Não pense em nada o que pode ser pior, Eddie, você sabe o que você já passou por isso.
— Eu sei – encerra Eddie, que continua observando o seu tablet ao conferir mais notícias de repercussão do último fim-de-semana, enquanto Yuri retorna ao carro para checar ainda mais para evitar problemas grandes no decorrer do campeonato.
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Quarto da Lindinez, Residência Família Ferruccio, Rua Henrique Magnani/Estrada Maués, Ramalho Júnior
— Senhor, eu quero fazer uma pergunta – disse Lindinez, rezando de joelhos na frente da sua cama – por que está acontecendo isso comigo? Ontem, fui sequestrada por dois mascarados que não revelaram a sua identidade e queriam me fazer de bode expiatório... não... uma “cabra expiatória” se eu não fizer um serviço que eles me mandaram fazer... – lagrimeja – por favor, Senhor, proteja o Eddie desses malfeitores...
Do lado de fora, sua irmã primogênita Jeycianne estava ouvindo todo o seu desabafo e fica chocada quando disse que ela precisará fazer um serviço à mando dos seus sequestradores.
“Mamma mia, minha irmã disse que ela precisa fazer um serviço a mando deles? Preciso contar para Joanna e também para o Eddie urgentemente, mas eu não sei...”— pensa Jeycianne.
O que a irmã primogênita não sabe é que a Lindinez possui uma tornozeleira eletrônica instalada pelos seus sequestradores justamente para saber a localização da mesma quando estiver em serviço à mando deles... ou melhor, não sabia quando deparou algo estranho no tornozelo da irmã.
“Mas quando vi uma fita com uma luz piscando no tornozelo da Lindi... mamma mia... ela está sendo monitorada! Eu não posso fazer nada para evitar!” — pensa, ao mesmo tempo, se desespera.
Enquanto isso, no outro quarto da residência...
— Oi, Frederico, seu “portuguêszinho” loiro tímido, mas fofinho – disse Joanna, ligando justamente para o Freddy – tudo bem com você?
— (Oi, Joanna) – responde o loiro – (eu estou bem).
— Que bom, eu só queria saber como estão os preparativos para a corrida contra o amigo de vocês, o Victor Hugo.
— (Mana, o carro está em análise dos gêmeos para que não tenha problemas nas semifinais, tanto na corrida contra o Victor quanto para uma provável final).
— É – disse a moça – parece que essa corrida não vai intrometer com a velha amizade que vocês possuem com ele.
— (Joanna, tu é lesa? A amizade com o Victor será deixada de lado porque ele será rival do mano nesse fim de semana! Acabei de conversar com a esposa dele e ela vai torcer para que a corrida não tenha uma entrega fácil como houve um tempo atrás quando tínhamos uma pista de kart no antigo quintal da nossa casa, o Victor iria ganhar uma corrida quando entregou a vitória para o Eddie!)
— Que diga o próprio Victor, que supostamente ensinou ao Barrichello de como entregar uma vitória fácil para o amigo – ironiza, fazendo uma clara referência a “entrega” do Barrichello ao Schumacher no Grande Prêmio da Áustria de 2002.
Freddy ri na linha.
— (Ainda bem que o mano não fez isso para querer me ajudar, ou vice-versa.)
— Mano, a Lindinnez ainda está em pânico depois do que aconteceu ontem, ela não parava de chorar enquanto a gente dormia, não parava de rezar... mano, foi um desespero daquelas de tentar acalmá-la.
— (Meu Deus... coitada da Lindinnez) – lamenta Freddy com a situação da amiga – (eu tenho dó por ela, tanto que ela é a grande paixão do mano que sequer sairá da cabeça de cada um deles.)
— Uma espécie de nascidos e feitos um para o outro... igual a gente.
— (Igual a gente) – Freddy ri na linha – (tu não esquece do nosso primeiro beijo na frente da Jeyci.)
— Que bom que você apareceu depois de tanto tempo...
— (Mana, agradece a tu mesma! Tu que apareceu do nada com o seu Escort preto, lá na estrada de noite, naquela preliminar do torneio, ao lado de nós dois, você dando um beijinho para mim e para o mano! No final, comeu a poeira do nitro do meu Opala que o mano dirigia naquela ocasião.) – Joanna ri justamente ao relembrar desse fato descrito pelo Freddy.
— Pelo menos o teu Opala era mais potente que o meu Escort. Então é isso, Frederico – começa a se despedir – tchau, meu loirinho gatinho.
— (Tchau, a mais fofa das três) – despede-se Freddy, retribuindo o “carinho” que recebeu da moça, deixando-a vermelha de vergonha e, ao mesmo tempo, cai nas gargalhadas.
— Só faltou responder de quem é a mais fofa – disse Joanna, após desligar o celular, ainda gargalhando com o que o Freddy havia dito para ela, elegendo-a como a “mais fofa das irmãs Ferruccio”, mesmo sendo caçula.
De repente...
— Joanna! – disse Jeycianne ao abrir de forma explosiva a porta do quarto da sua irmã caçula, assustando-a.
— Mana, o que foi?
— A Lindinnez... – suspira – ela está sendo monitorada pelos sequestradores... – suspira de novo — mamma mia, ela tem uma tornozeleira eletrônica! Por isso que eu vi de forma estranha aquela faixa preta no tornozelo dela com uma luz piscante.
— Como você soube, me explica, mana?
— Primeiro, eu ouvi a confissão da Lindinnez no quarto dela dizendo que os sequestradores queriam que ela faça um serviço obrigatório disfarçado para eles – Joanna acena a cabeça, entendendo o que a irmã está explicando – segundo, foi quando me lembrei daquela tal faixa preta que estava no tornozelo e que estava piscando. Resultado, provavelmente a Lindinez está sendo usada como isca dos sequestradores... e... ela pode um dia puxar o Eddie para esses sequestradores!
— Não só o Eddie, mana, mas nós duas também!
— Tu não está lembrando do Freddy, ele pode entrar nessa lista também!
— Ah... mas será que esses sequestradores... um desses... poderia ser o tal do piloto misterioso que desafiou o Eddie para uma corrida um tempo atrás e que ele se acidentou, ficando em coma por tanto tempo e que hoje o Eddie está procurando-o?
— Joanna, minha sorella caçulinha, eu não sei.
— E o que podemos fazer agora, mana?
— Nada.
— Nada? Vamos deixar a Lindi à merecer desses sequestradores? Ela é a nossa irmã!
— Não, mas temos que ter muita cautela... oh mio dio— termina Jeycianne, no qual abraça a sua própria irmã caçula.
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Oficina Twingarage, Santa Luzia, sexta-feira, 21 de outubro de 2016, 16:00
“Não vai embora, fique um pouco mais; ninguém sabe fazer o que você me faz...” (Teorema, Legião Urbana)
Eddie está sentado no banco do motorista do Opala SS após mais uma avaliação dos gêmeos mecânicos Yuri e Chelinka, que segundo eles, o carro não apresenta nenhum futuro problema mecânico para a corrida de sábado (apesar de se tratar de um veículo dos anos 1970, porém, com peças modernas adaptadas ao veículo de época, sabendo-se de que irá enfrentar um carro moderno dos anos 2000, que possui mecânicas bem avançadas do que o Opala).
Os gêmeos estão com os semblantes de preocupação, pois para eles, o Opala terá chances mínimas de poder superar o Celta do Victor na semifinal.
— Eddie, você está preparado para amanhã? – pergunta Yuri, porém, Eddie sequer responde.
— Você sabe que o Victor tem um carro moderno e bem melhorado para essa corrida – disse Chelinka – um Celtinha daqueles é como se fosse um Uno com escada, como mostra aqueles memes.
— Chelinka, o Uno com escada é “imbatível”! – rebate Yuri.
“Este carro não é fraco, mas nada será impossível nas três corridas”— pensa Eddie, com as mãos no volante e com a mente toda concentrada para o duelo de sábado.
— Eddie, lembre-se, você vai correr pelas irmãs Ferruccio e também pela nossa oficina – disse o Yuri – esqueça essa amizade de longa data com o Victor, porque amanhã vocês dois serão rivais em busca da vaga para a final do torneio.
— O Opalão do Freddy comandado pelo irmão contra o Celtinha do Doutor Victor Hugo Battaglia – disse Chelinka.
— Victor deve ter uma filosofia bem diferente do que a sua...
— Filosofia é o que ele entende, gêmeos – disse Eddie – mesmo ter se formado em direito, vive na laia daquele livro que eu não vou citar o nome.
— Tá bem, Eddie – disse Yuri – eu não quero me aprofundar muito... mas você deve ter algumas estratégias, né? – Eddie acena a cabeça, concordando com a pergunta – ok, agora... é só esperar até amanhã...
O que eles não sabem é que no forro da oficina há um microfone escondido que está gravando todas as conversas secretas dos gêmeos com o Eddie. Tanto que essas gravações imediatamente estão sendo transmitidas para algum lugar da cidade...
“Qual é o nome dessa pessoa que eles estavam falando?”
“Victor Hugo Battaglia.”
“Pesquisa aí...”
“Victor Hugo Battaglia; Nascido no dia 10 de maio de 1979 em Maués; Ocupação: Advogado; Estado civil: Casado.”
“Ele tem alguma ligação com o Eddie?”
“Tem sim, ele é advogado do Eddie e foram colegas no colegiado.”
“Duelo de amigos...”
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Mais tarde...
Residência Família Peugeot, Rua Agrepino Aleluia, Santa Luzia
— Alô? – disse Freddy ao atender a ligação.
— (Alô, Freddy, mais conhecido como a passione da minha maninha Joanna?)
— Oi, Jeycianne. Como está a Lindinez?
— (Ela está calma agora, foi tenso para tentá-la acalmar depois de tudo o que aconteceu.)
— Ainda bem, maninha...
— (Ainda bem? AINDA BEM? Mamma mia, a Lindi está com a porra da tornozeleira eletrônica!)
— Torno... o quê, mana?
— (Tornozeleira eletrônica, a porra do rastreador usado pela polícia para saber a localização de um suspeito, os arrombados que sequestraram a Lindinez durante a corrida do Eddie implementaram essa coisa no tornozelo dela para fazê-la como isca deles! A qualquer momento, ela pode fazer o Eddie virar alvo fácil para eles!)
— Caralho! Tenho que contar para o Eddie...
— (Freddy, não conte para o seu irmão não! Eu sei que a situação pode chegar a ser perigosa, mas não conte nada para o seu irmão.)
— Mas a Lindinez pode correr perigo, assim como o mano!
— (Eu sei, Freddy...)
— Mana, agora tu me complicou...
— (A única coisa que devemos tomar é muito cuidado, porque a qualquer momento, alguém possa articular uma armadilha pegando as coordenadas da Lindinez.)
— Então o que podemos fazer?
— (Nada, apenas.)
— Puta que pariu...
— (Nós temos que nos preparar para uma forte tempestade que pode afetar a gente nos próximos dias, ok, amico?)
— Ok, é isso.
— (Lembre-se, tenha calma porque a tempestade não começa agora e sim daqui alguns dias, semanas...)
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Rua Boa Vista, Ramalho Júnior – sábado, 22 de outubro de 2016, 14:00
Ao lado do posto de gasolina e próximo à esquina, estão perfilados os dois carros: um Chevrolet Opala SS 1976 amarelo, e um Chevrolet Celta 2000 preto, todos virados para o sentido bairro/centro. Será a primeira corrida da série de três nas semifinais do Maués Rumble Rally, por isso, uma forte multidão está presente no entorno para acompanhar a primeira largada.
— Oi, mana, eu estou aqui próxima a tua casa porque irei assistir a largada do meu amigo Eddinho Peugeot nas semifinais do Maués Rumble Rally. Tchoco, lesa! Ele dirige um Opala! Opala, aquele carrão da década de setenta e oitenta e que o Frederico deu para o irmão justamente para disputar esse torneio. Mana, tu tá ocupada fazendo tarefa? Eu te ajudo depois de ver as três corridas.
— Mana, deixa ela em paz, ela tá ocupada porque o bicho deve estar pegando lá no Campus Federal.
— Desculpe, mana, porque a minha irmã está querendo encerrar a ligação... opa, agora eu preciso desligar porque vai começar.
Bebe Stevens, vestida com uma camiseta vermelha-escura com decote, calça jeans e sapatos de cor ciano, está entre os dois carros semifinalistas.
— Vocês são dois dos quatro que chegaram bem longe deste torneio ao longo de semanas de corridas e muita disputa. Falta apenas um passo para chegar à final, e um de vocês alcançará a esse degrau. Mas antes, vocês se enfrentarão numa série de três corridas, é o mesmo regulamento que vocês já sabem desde a primeira reunião e as primeiras corridas.
Em seguida, a loira cacheada começa a sinalizar a contagem regressiva para o início da corrida ao estender os braços para cima, tendo os três dedos – indicador, médio e anelar – estendidos, seguido do Eddie e Victor começando a “roncar” os motores dos seus respectivos carros.
— Três, dois, um... JÁ! – sinaliza Bebe, seguido da largada dos dois carros e deixa-a “comendo poeira”.
— Vai, Eddinho! – grita Joanna, torcendo pelo amigo.
— Forza, “cunhadão”! – grita também Jeycianne, também torcendo pelo amigo.
Enquanto isso, no restaurante Yaakysooba Mawé, exatamente próximo ao ponto de largada, Geovanni está acompanhando a corrida pela televisão ao lado da companheira Nendra Ahli.
— Eddie ganhou muita reputação ao longo do torneio – disse o piloto, que disputará a segunda semifinal no domingo – a cada vitória sofrida que ele teve, mais ele se fortalece.
— Eddie é bom de estratégia! Lembre-se que a gente teve um dia que nos encontramos com ele lá antes do início do torneio.
— Então se o Eddie passa dessa fase... ele será favorito na final.
— É verdade – completa a companheira – mas você sabe que estará defendendo o teu trono se você passar na semifinal de amanhã, sempre o campeão será o favorito, mas agora... você e ele, se confirmar, são igualmente favoritos.
De volta à corrida, Eddie já lidera por alguns décimos de diferença em relação ao Victor. Na sequência do trajeto, os dois carros viram para a direita ao entrar no Largo Marechal Deodoro, quando Eddie já se distancia mais do concorrente.
Mais tarde, Eddie vira para a Rua Coronel Tito Leão, ao entorno da Praça da Matriz e vira para o sentido oposto do Largo Marechal Deodoro, seguindo-se o trajeto projetado para a primeira corrida. Victor, que está atrás do Eddie, faz o mesmo.
Na área da Praça de Alimentação, Eddie faz o entorno ao pegar a parte final da Estrada dos Moraes e atravessa o cruzamento com a Avenida Getúlio Vargas com a Rua Quintino Bocaiúva, esta última, seguindo direto para a descida e a subida, virando assim no final para a esquerda, entrando na Avenida Dr. Pereira Barreto. Victor faz o mesmo, ainda como segundo colocado da corrida.
Não muito longe dali...
— E o Eddie continua liderando a primeira corrida da semifinal com uma boa vantagem em cima do Victor – disse o narrador, no qual a corrida está sendo transmitida via internet e sendo vista pelo smartphone de Renan Hamilton-Button e Kerol Mori-Neiva, que está ao seu lado, dentro do Chevrolet Corvette C2 de cor preta.
— Eddie tem o sangue de corredor, geneticamente adotado do seu pai, João Peugeot, porque o João criou a categoria chamada Fórmula Peugeot e que a primeira corrida dessa categoria foi disputada em Maués – disse o comentarista na transmissão – e que a família Peugeot está bastantemente acostumada de correr em Maués.
— A gente estamos observando aqui uma espécie de fã-clube do Eddie, revendo aqui o momento da largada, que parece que são amigas e mais um irmão dele, o Frederico Peugeot, que é apelidado carinhosamente como Freddy – disse o narrador.
Renan e Kerol logo observam direto o momento do “flagra” das irmãs Jeycianne e Joanna com o Freddy pela transmissão.
— O Frederico deu esse Opala para o irmão justamente para a disputa do torneio – disse o comentarista – porque ele retornou a disputar várias corridas após um longo período de recuperação após um gravíssimo acidente durante uma disputa contra um piloto desconhecido que dirigia um Volkswagen Gol GTI de cor preta, segundo o próprio Eddie.
No restaurante Yaakysooba Mawé...
— Bora, Eddinho! Acelera mais essa carroça, maninho! Já, já, você alcançará a final e esmagará aquela picapezinha ruim! — disse Joanna, agitadíssima e faz uma indireta para Geovanni. O mesmo observa para a caçula das irmãs Ferruccio.
— Mana, tu exagerou demais e ele tá de olho porque ele entendeu a sua indireta – adverte Jeycianne à sua irmã caçula. Ambas estão assistindo a corrida do Eddie pela televisão do restaurante junto com Freddy, porém, no lugar à frente do Geovanni e Nendra – E olha que estamos a frente deles.
— Só fiz isso só para desestabilizá-lo, mana.
— Cuidado, Joanna, e isso pode influenciá-lo a ganhar do Eddie na provável final – termina Jeycianne, enquanto o Freddy observa para trás justamente o Geovanni.
De volta à corrida, na Avenida Dr. Pereira Barreto, Eddie continua liderando a corrida, porém, a sua vantagem em relação ao Victor começa a diminuir. Em seguida, Eddie e Victor viram para a esquerda, entrando na Avenida Antártica, e o piloto do Celta já encosta no piloto do Opala.
Enquanto isso, na residência da família Ferruccio...
— Victor Hugo Battaglia já encosta no Opala do Eddie Peugeot e isso promete muitas emoções logo na primeira corrida da série – disse o narrador da transmissão. Lembrando que a corrida está sendo transmitida pela internet em diversas plataformas, como smartphones, tablets e computadores, este último está sendo utilizado pela Lindinnez Ferruccio, que está em seu quarto.
— Vamos, Eddie... – disse, agonizando e torcendo pelo Eddie.
De volta para a corrida, Eddie já vira para a Avenida Castelo Branco pela esquerda próxima ao Serviço de Saneamento e Distribuição de Água de Maués, e pisa fundo, mesmo vendo o seu concorrente se aproximando. No cruzamento entre a Avenida Presidente Castelo Branco, Estrada dos Moraes e Rua Francisco Magnani, os dois pilotos já enxergam duas fumaças de sinalizadores, percebendo que estão aproximando do fim da corrida.
Victor já encosta, mas Eddie começa a pisar mais fundo no pedal de aceleração e trocando a próxima e última marcha para garantir mais a velocidade e tentar se distanciar do Victor. No final, Eddie cruza a linha de chegada, cujos sinalizadores estavam localizados no ponto da rua ao lado da estação de rádio O Comentário FM, vencendo a primeira corrida e Eddie garante a vantagem da série de garantir a classificação para a final na segunda corrida. Victor também cruza, chegando em segundo e último lugar, mas com chance de empatar a série na segunda corrida para levar a decisão para a “morte súbita”, a terceira e decisiva corrida.
Enquanto isso no restaurante Yaakysooba Mawé...
— Aêê, Eddinho! – comemora Joanna, junto com a irmã primogênita Jeycianne e com o amigo Freddy, irmão do Eddie – pode cravar, Eddie vai ser finalista sim! – se empolga.
— Menos, mana – adverte Jeycianne – ainda não está totalmente decidido!
— Você tem razão, Jeyci – disse Freddy – nada está decidido ainda, então, se empolgue menos, Joanna. Ainda vamos ver a segunda corrida daqui a pouquinho.
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Rua Boa Vista, Ramalho Júnior
De volta ao ponto de largada da primeira corrida, os dois carros voltam a ser perfilados no sentido bairro/centro. Parece a relargada da primeira, mas será a segunda corrida e com outro trajeto e outro fim. Novamente, Bebe Stevens está presente entre os dois carros para sinalizar a largada da segunda corrida.
— Atenção vocês dois, esta corrida pode definir o primeiro finalista do Maués Rumble Rally, ou terá a decisão pela “morte súbita” – avisa a loira cacheada aos dois pilotos. Em seguida, se posiciona e estende os braços, mais os três dedos – Contagem regressiva! – ronca os carros — Três, dois, um... já! – bate palma, seguido dos carros largando e deixando a loira cacheada “comendo poeira”.
Começa a segunda corrida, valendo para o Eddie a vaga da final do torneio ou, para o Victor, a terceira e decisiva corrida, chamada de “morte súbita”. Na largada, sem que o Eddie notasse, Victor larga bem melhor e está a uns décimos de distância em relação ao piloto do Opala. Isso não preocupa Eddie, mesmo em desvantagem pequena.
Lá no restaurante Yaakysooba Mawé...
— Mano, o Eddie largou mal – disse Joanna, quando ela, mais Jeycianne e Freddy começam a sentar na mesa do restaurante e acompanhar a corrida pela televisão – parece que ele teve um... não sei.
— Calma, Joanna – disse Freddy, colocando sua mão direita no ombro direito da amiga – o mano vai reagir, eu juro, assim como eu nas pistas.
— Eu também, Frederico – retribui Joanna, tanto pelas palavras quanto pela mão no ombro dele.
“Joanna, já está na hora de se casar com ele, maninha!”— pensa Jeycianne logo quando observa rapidamente a sua irmã caçula e seu amigo se abraçando.
Ao mesmo tempo em que os três acompanham a corrida, Geovanni e Nendra também acompanham por trás deles, lembrando-se que Geovanni corre no domingo, podendo definir os dois finalistas, tanto um desta corrida em progresso quanto o outro de domingo.
De volta para a corrida, Eddie continua atrás do Victor, quando os dois viram para a esquerda ao entrar na Rua Rui Barbosa, seguindo o trajeto predeterminado pela organização. Eddie começa a encostar no Celta do Victor e pega o vácuo que lhe dará mais velocidade. Posteriormente, os dois ficam lado a lado quando se aproximam do cruzamento entre Rua Rui Barbosa, Rua Francisco Magnani e Rua José Hugo Dinelly, neste caso, o trajeto determina que fosse virado para a esquerda para entrar na Rua Francisco Magnani, no qual os dois pilotos acabam seguindo o trajeto.
Mesmo no lado esquerdo que teria mais o benefício de ultrapassá-lo, Eddie não consegue por conta da pressão do Victor na hora da virada. Os dois seguem acelerando pela rua, até chegar no cruzamento com a Estrada Miri-Moraes, por onde os dois corredores acabam virando para a direita, entrando na referida estrada.
Eddie continua acelerando e olhando normalmente pela estrada, sem se desfocar no Victor, mesmo tentando ultrapassá-lo.
Enquanto isso, na residência da família Ferruccio...
— Eddie Peugeot e Victor Hugo Battaglia, os dois estão brigando pau a pau pela liderança da segunda corrida! Que corrida emocionante! Lembrando que se o Victor vence essa corrida, teremos uma terceira corrida intitulada de “morte súbita” que definirá o primeiro finalista deste torneio! – disse o narrador na transmissão via internet
Quem acompanhava a corrida pela internet era a Lindinnez, em seu quarto, apreensiva com a situação do Eddie.
— Meu Deus... – disse a moça, que começa a se ajoelhar no chão e segurar as próprias mãos cruzadas – Senhor, ajude o Eddie, urgentemente, faça que ele ganhe esse duelo por mim... – lagrimeja.
De volta para a corrida, os dois pilotos estão lado a lado novamente. Eddie aciona a última marcha para ganhar mais velocidade, porém, o Victor faz o mesmo no exato instante e ambos continuam praticamente lado a lado brigando pela liderança da segunda corrida. Depois de muitos quilômetros acelerando pela Estrada Miri-Moraes, eis que os dois pilotos chegam na parte final asfaltada e viram para a direita, entrando na estrada que liga da referida rua até a Estrada dos Moraes, na parte entre o Campus Federal e a área habitada do bairro Senador José Esteves.
Na hora em que os dois iriam virar para a esquerda na Estrada dos Moraes, logo notam as fumaças dos sinalizadores na área habitada do bairro, percebendo que estão se aproximando da linha de chegada. Os sinalizadores estão na terceira rua principal do bairro.
Eddie está no lado esquerdo, enquanto Victor está no lado direito. Na hora em que viram para direita ao entrar na terceira rua principal do bairro, Victor toma a liderança e em seguida, cruza a linha de chegada, seguido pelo Eddie. O piloto do Celta ganha a segunda corrida, portanto, teremos a terceira e decisiva corrida, chamada de “morte súbita”.
Já a reação lá no restaurante Yaakysooba Mawé...
— Porra, mano! Era para acelerar mais essa carroça! – reclama Joanna, logo quando viu a vitória do Victor na segunda corrida.
— Mana, não reclama do meu carro! – contesta Freddy – Mesmo velho, ainda tem potência do que os modernos como o carro do Victor e o seu, Joanna.
— O meu carro é um Escort, mano! – replica a irmã caçula das Ferruccio.
— Gente, per amore di Dio, parem de se brigar por causa do carro – interrompe Jeycianne – o Eddie só perdeu, ok? A terceira corrida é o bicho de sete cabeças deste torneio e ele já se acostumou com pressão do tamanho do cume do Monte Everest, entenderam, maninhos?
— Entendi, mana – responde Freddy e Joanna, simultaneamente.
Já Geovanni apenas observa a discussão dos três, porém, tira do seu bolso o seu celular e faz uma ligação.
— Alô, pessoal da oficina? É o Geovanni. O carro já está pronto? Certo, vocês sabem que tenho um grande desafio para amanhã e também, se confirmar, para um megaduelo tanto nas ruas quanto fora delas. Decore os três nomes: Frederico, Joanna e Jeycianne.
— Por que você quer que a equipe da oficina decore esses três nomes? Eles são apenas supporters do Eddie, um é o irmão dele, e as duas são amigas dele!
— Porque você estará na minha torcida e precisa aturar as provocações deles como eles estavam fazendo recentemente.
— Geovanni, você está mais preocupado em quê? Para que você perca a sua coroa para o Eddie? Nos últimos dias você se preocupou com o meu carro, agora você está se preocupando com o seu sucesso! O que está dando na sua cabeça? – questiona Nendra, que deixa o Geovanni bastante confuso pela sua preocupação apontada por ela.
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Rua Boa Vista, Ramalho Júnior
Terceira corrida, intitulada pelo torneio como uma “morte súbita” como tinha acontecido nas fases anteriores, uma decisão de desempatar e consagrar o primeiro finalista. Victor ganhou a segunda corrida e forçou a tal da “morte súbita” para decidir a vaga para a grande final do torneio.
De volta ao mesmo ponto de largada das duas corridas anteriores, estão novamente perfilados os dois carros que brigarão pela vaga da final. Ao seu redor, está a multidão presente para testemunhar a largada, incluindo os seus torcedores pessoais. No espaço entre o meio dos dois carros, está a Bebe Stevens, mais uma vez irá sinalizar o início da terceira corrida.
— Lembre-se, mana. “Morte súbita” é o bicho de sete cabeças deste torneio – disse Jeycianne em direção à sua irmã, Joanna. Ambas estão entre a multidão presente nos arredores do ponto de largada.
— Eu sei, mana – responde a caçula das irmãs Ferruccio – não precisa repetir isso.
— Atenção – disse a loira cacheada aos dois pilotos – agora vocês dois não podem mais errar, porque esta corrida vai garantir ao vencedor a vaga para a final deste torneio – os pilotos acenam, concordando com as palavras da loira.
Em seguida, a loira cacheada estende os braços para cima para começar a contagem regressiva para o início da terceira e decisiva corrida, tendo os três dedos – indicador, médio e anelar – estendidos.
— Atenção, três, dois, um... já – abaixa Bebe seguido de palma ao mesmo tempo em que os carros começam a largar e deixa a loira “comendo poeira”.
Começa a decisiva corrida. Victor toma a vantagem mínima mais uma vez, enquanto Eddie apenas prestava a atenção tanto na visão frontal quando no painel do Opala e começava a acelerar mais, atingindo mais de duzentos quilômetros por hora diante dessa longa reta da Rua Boa Vista mais a Rua João Verçosa. No final, os dois prestam a atenção na bola do cruzamento entre Rua João Verçosa, Rua Getúlio Vargas e Largo Marechal Deodoro, por onde apenas seguem direto até a Rua Getúlio Vargas, seguindo o trajeto determinado pela organização.
Enquanto isso, no Yaakysooba Mawé...
— Porra, de novo o Eddie larga muito mal – reclama Joanna, bastante preocupada com o desempenho do amigo depois de perder a segunda corrida – vamos, Eddinho! Mostra o teu sangue da família Peugeot, a família de corredores que o povo de Maués respeita, inclusive nós da família Ferruccio!
— Forza, Eddie! – dispara Jeycianne, mostrando também a sua torcida pelo amigo – mostra il tuo sangue adottato da Ferrari, cognato! – Freddy e Joanna viram para a irmã primogênita das Ferruccio, impressionado com a frase dita em italiano pela moça. Traduzindo: “mostra o teu sangue adotado pela Ferrari, cunhado!” – o que foi, não viram uma ítalo-brasileira falando em italiano fluentemente? – duvida Jeycianne logo quando observa os dois lhe olhando. Justamente a família Ferruccio tem a origem italiana, assim como a família Peugeot que tem origem francesa, porém, Freddy e Eddie nasceram em Portugal, assim como o pai também nascido em Portugal.
De volta para a corrida, Eddie começa a pegar o vácuo por trás do Celta do Victor que lhe garantirá uma boa velocidade para a ultrapassagem, porém, como a rua está estreita pela ultrapassagem, Eddie tentará quando alcançar a esquina da Rua Getúlio Vargas com a Rua Valdemar Pedrosa. Mas não era dessa vez que ele consegue na virada para a esquerda, entrando nessa referida rua. O piloto do Opala tenta mais uma vez ultrapassar o piloto do Celta na virada para direita na Rua Guaranópolis, mas também não consegue.
Em seguida, os dois pilotos viram para a direita e entram na Avenida Antártica. Victor continua segurando a liderança enquanto Eddie tenta aproveitar o espaço da dimensão da avenida para ultrapassá-lo, porém, já sabia de que a rua a seguir do trajeto, a Avenida Dr. Pereira Barreto, tem espaço para ultrapassagem.
Justamente no principal conglomerado de Maués quando Eddie mais uma vez tenta ultrapassar o Victor, porém, a pressa que o piloto do Opala carregava acabou acionando a marcha errada e consequentemente viu o Celta se distanciar ainda mais.
“Merda, perdi a concentração na hora em que queria ultrapassá-lo!”— pensa Eddie, dando um soco no volante com raiva. Com isso, Eddie perde bastante tempo ao retomar para a primeira marcha.
Victor do Celta, que não tem nada a ver com o que aconteceu com o Eddie, só lidera com folga e vira para a direita no entorno da Praça da Matriz e começa a ter mais vantagem de distância enquanto o seu concorrente começa a tentar diminuir o prejuízo causado pelo erro dele.
Enquanto isso, na residência da família Ferruccio...
— Meu Deus do céu! O que aconteceu com o Eddie Peugeot? Pane total no Opala do Eddie e ele vê a desvantagem aumentar demais em relação ao Victor Battaglia do Celta! – disse o narrador, completamente incrédulo com o que aconteceu com o Eddie. Enquanto isso, Lindinnez também fica incrédula com o que vê: sua maior paixão está sofrendo na corrida.
— Meu Deus! – disse a irmã do meio das Ferruccio, completamente incrédula ao observar no monitor do seu computador, praticamente se encostando demais o seu rosto na tela (sujeita à problemas na visão, epilepsia, etc.) e se lagrimejando – Eddie, pelo amor de Deus, acelera, meu amor! – se desespera.
Já em Yaakysooba Mawé...
— Ah, mano! – se desespera o irmão caçula.
— A porra da marcha! – se desespera também a amiga Jeycianne.
— Fodeu, parece que a corrida do Eddie já acabou daí – disse Joanna, “jogando a toalha” – ele não vai conseguir se recuperar a tempo. Estamos fodidos.
Freddy se mostra preocupado com a situação do irmão, mas ao mesmo tempo, começa a segurar a mão direita da amiga, que também se mostra preocupada.
— Eu acredito que ele vai conseguir – disse o loiro.
— Não vai não, ele está muito longe do Victor.
Bem longe daí, na Estrada dos Moraes, Victor apenas pisa fundo com o seu Celta em rumo a sua vitória e classificação para a grande final do torneio. Logo quando avista de longe as fumaças dos sinalizadores, localizados na parte em frente da estação de rádio, sabendo-se que está chegando à linha de chegada, Victor observa o retrovisor esquerdo, percebendo que ainda não há sinal do próprio Eddie.
Enquanto isso, Eddie tenta de qualquer forma alcançar o Celta do Victor, pisando mais fundo no acelerador, porém, diminuindo por conta das curvas sujeitas a muitos acidentes de alta velocidade dos carros.
De volta para Yaakysooba Mawé, o trio Freddy-Jeycianne-Joanna continuam de olho no televisor do restaurante, quando aparece a esposa do Victor. Ela, sabendo que o seu marido vai ganhar a corrida, aproveita o momento para sentar numa cadeira desocupada para também assistir os instantes finais do duelo na televisão.
De volta ao foco do Victor, logo quando percebe que pode alcançar a vaga da final se cruzar a linha de chegada, bateu uma lembrança repentina em seu ponto de vista. Logo quando arregala os olhos, Victor solta o pé do acelerador e pisa no pé do freio, parando o carro logo quando encosta na linha de chegada.
O fiscal de prova não acredita o que vê: Victor Battaglia, que praticamente venceria a corrida e faturasse a primeira vaga da final do torneio, parou bem próximo a linha de chegada. Já a repercussão no restaurante era notável: Freddy, Joanna e Jeycianne também não acreditam na atitude que o Victor fez. Já a esposa...
— Victor! – surta – tá entregando a vitória para o seu amigo de novo? Esquematizou a porra da corrida de novo, como foi nos tempos de kart no quintal da casa dele?
O surto da esposa do Victor chama bastante a atenção de todos no restaurante, principalmente o trio.
De volta ao foco do Eddie, o piloto do Opala praticamente parecia batido logo quando estava acelerando na Estrada dos Moraes quando de repente, logo que vê o Celta estacionado de longe perto da linha de chegada, Eddie fica incrédulo com o que vê: Victor Battaglia, que está fora da do carro só observando a chegada do seu concorrente, “entregou” a vitória ao Eddie. O piloto do Opala cruza a linha de chegada tranquilamente, vencendo a terceira e decisiva corrida.
Festa para o trio Freddy-Joanna-Jeycianne, tristeza para esposa do Victor, porém, felicidade do próprio Victor, que sorri maliciosamente a atitude que ele fez para dar a vitória ao Eddie.
— Incrível! Victor Hugo Battaglia abriu a mão da vitória e deixou o Eddie para faturar a primeira vaga da final do Maués Rumble Rally! Eddie Peugeot, do Chevrolet Opala SS amarelo, é o primeiro finalista do Maués Rumble Rally e espera amanhã pelo seu concorrente, entre Geovanni Dortmund e Kenneth McCormick! É impressionante, como ele entregou a própria vitória para que o seu concorrente pudesse disputar a grande final! Seria um digno de prêmio de fair play porque o Eddie vinha de recuperação e de estado de coma depois de um grave acidente? – disse o narrador da transmissão.
Em casa, Lindinnez comemora a vitória “milagrosa” do Eddie.
— Obrigada, meu Senhor! – comemora, bastante emocionada. Em seguida, a mesma beija a tela do seu monitor – Eddie, meu amor... ainda não é hora da gente se reencontrar, mas estamos na final. Estou torcendo por ti, meu amor – beija a tela do seu monitor mais uma vez.
Já o Eddie...
“Como é que ele fez isso? Cara, isso realmente me lembrou daquela disputa de kart nos fundos da minha casa quando ele iria ganhar, ele parou o carro e me deixou ganhar aquela corrida!”— pensa Eddie, relembrando justamente desse fato do passado ao comparar com o que acabou de acontecer.
Eddie Peugeot alcançou a final do Maués Rumble Rally. Agora, precisa acompanhar no domingo a segunda semifinal que irá definir o seu oponente da grande final. Todas as apostas, além do próprio Eddie, estão focadas no Geovanni Dortmund. E para finalizar, precisa-se parabenizar ao seu oponente Victor Battaglia pela “ajudinha”.
“Agora é o último passo”.
CONTINUA
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