Ecos de Sangue e Estrelas

12 Separação no Caos


O prédio tremia com uma força quase ensurdecedora, cada estalo de metal a ameaçar engolir Leaf e Garrus num instante. A corrida pelos corredores instáveis era uma dança mortal com a destruição iminente. Cada passo precisava de ser calculado, cada movimento medido, mas a adrenalina mantinha ambos em alerta total.

Garrus olhou rapidamente para Leaf, os olhos analisar a situação.

— Leaf, por aqui! — gritou, apontando para uma saída lateral que parecia mais estável.

Leaf assentiu, a respiração acelerada, os músculos tensos. Mas antes que pudessem avançar, ouviu o estrondo de mais uma explosão. Um pedaço enorme de escombro desabou do teto, bloqueando parcialmente a passagem e obrigando-os a desviar rapidamente. A poeira levantou-se, dificultando a visão, e o cheiro intenso de metal queimado e concreto quebrado invadiu os sentidos.

Instintivamente, Garrus agarrou o braço de Leaf, puxando-a para a segurança relativa de um corredor mais estreito.

— Temos de sair daqui! — gritou ele, enquanto pequenos fragmentos de metal ricocheteavam à volta deles.

Leaf sentiu o impulso de Garrus como um gesto protetor, quase instintivo. A proximidade do seu corpo dava-lhe confiança e força para continuar, mesmo com o medo a apertar-lhe o peito. O prédio parecia vivo, a tremer, a tentar engoli-los sob toneladas de destroços.

— Rápido! — respondeu Leaf, tentando guiar Garrus para a saída de emergência que tinham identificado mais cedo. Mas, quando estavam quase lá, uma explosão violenta bloqueou a passagem principal. Um muro de destroços caiu com força, empurrando Garrus para o lado e deixando Leaf exposta ao impacto de fragmentos voadores.

O impacto atingiu a cabeça de Leaf com força, fazendo-lhe ver tudo turvo. O mundo girava à sua volta, os sons de metal a colidir e os gritos distantes misturavam-se num turbilhão confuso. Ela caiu de joelhos, os sentidos parcialmente nublados, mas consciente o suficiente para perceber o perigo.

Leaf tentou reagir, levantando-se, mas mais escombros começaram a cair, e a passagem para a saída estava bloqueada. O prédio continuava a tremer violentamente, cada segundo tornando-se uma corrida contra a morte. Leaf sentiu o seu corpo atordoado, mas a mente ainda alerta, pronta para qualquer oportunidade de fuga.

De repente, um vulto surgiu à frente dela. Leaf ergueu a pistola instintivamente, tentando reagir, mas antes que pudesse disparar, foi rapidamente desarmada e segura nos braços do vulto. A força e o movimento eram precisos, rápidos demais para que conseguisse reagir.

Leaf piscou os olhos, tentando focar, e percebeu algo surpreendente: não era um Batarian que a segurava. A figura misteriosa movia-se com precisão e calma, protegendo-a dos destroços que continuavam a cair. O coração de Leaf disparou, uma mistura de alívio e confusão percorrendo-lhe o corpo.

Enquanto o prédio desmoronava parcialmente, Leaf sentiu a certeza de que, por mais caos à volta, alguém a tinha salvado. Mas quem? E porquê? A resposta estava prestes a revelar-se, mas a tensão e o perigo ainda não tinham terminado. Leaf respirou fundo, o corpo pesado pelo impacto, os olhos ainda turvos, mas consciente de que a sua sobrevivência dependia daquele instante.