Ecos de Sangue e Estrelas

13 Nos Braços do Mistério


O mundo de Leaf Shepard estava turvo. O impacto da explosão ainda ecoava na sua mente, o peso da poeira e dos escombros a cegar parcialmente a sua visão. Cada músculo do seu corpo doía, e o coração batia descompassado, lembrando-lhe que, por pouco, não tinha sido soterrada sob toneladas de metal e concreto. Mas, quando tentou reagir, sentiu algo que a deixou momentaneamente imóvel: estava nos braços de alguém.

Leaf ergueu lentamente a cabeça novamente, piscando os olhos para focar. A figura à sua frente movia-se com calma e precisão, evitando cada destroço que caía ao seu redor. Não era um Batarian, a presença era diferente, estranhamente controlada, quase silenciosa. Um frio percorreu-lhe a espinha, conhecia aquela aura, aquela calma mortal.

— Quem…? — conseguiu sussurrar, com a voz quase engasgada pelo medo e pela adrenalina.

O vulto permaneceu silencioso, mas o movimento do corpo, firme e seguro, transmitia-lhe proteção. Leaf sentiu um misto de confusão e alívio. Apesar de estar desarmada, a presença daquele ser dava-lhe a sensação estranha de que não corria perigo imediato. Mas o nervoso miudinho percorria-lhe o corpo, ela sabia que qualquer distração poderia ser fatal.

Os escombros continuavam a cair ao redor deles, pequenas explosões a ricochetear pelas paredes da instalação que ainda resistia, e o som do metal a dobrar-se misturava-se com o crepitar do fogo e os gritos distantes. Leaf respirou fundo, apoiando-se levemente no peito firme do vulto, tentando recuperar algum controlo da respiração.

Foi apenas quando a figura se moveu para um ponto mais seguro, colocando-a atrás de uma barreira metálica intacta, que Leaf conseguiu ver o rosto dele. O coração dela quase parou. Era Thane Krios. O drell assassino que tanto medo e confusão tinha causado estava ali, à sua frente, segurando-a com cuidado, com os olhos fixos nela.

Leaf sentiu uma mistura impossível de emoções: surpresa, tensão, medo e, de algum modo, uma estranha sensação de confiança momentânea.

— Tu… — começou, mas não encontrou palavras para expressar o que sentia.

Thane permaneceu em silêncio, apenas queria mantê-la em segurança. Leaf percebeu que o seu toque, embora firme, era controlado e cuidadoso. Não havia intenção de ferir, apenas de proteger. A forma como ele a segurava, cada movimento calculado, mostrava-lhe uma versão inesperada daquele assassino letal.

Leaf respirou fundo, tentando focar-se. Os sons de destruição à volta lembravam-lhe que ainda não estavam fora de perigo. Mas naquele momento, Thane tinha-se tornado mais do que uma ameaça: era a diferença entre sobreviver e ser soterrada. Leaf sentiu o peso da situação, a tensão do momento, e compreendeu que aquele encontro mudava tudo.

— Obrigada. — murmurou finalmente, com a voz baixa, misturando alívio e nervoso. O drell não respondeu, apenas manteve-a segura, atento a cada som e vibração do prédio instável.

Leaf sabia, naquele instante, que a presença de Thane Krios não era apenas uma sombra que perseguia-os: ele tinha-se tornado, de forma estranha e inesperada, a sua salvação. Mas o mistério da sua lealdade e intenções continuava intacto, deixando claro que a tensão entre eles estava apenas a começar.