Ecos de Sangue e Estrelas

14 O Resgate Silencioso


Do lado de fora da instalação, Garrus Vakarian observava freneticamente os destroços ainda a tremer e as colunas de fumo a subir. O som das explosões e das vigas a ceder misturava-se com os gritos e tiros distantes dos Batarian, e cada segundo parecia prolongar-se, pesando sobre os seus ombros como uma ameaça iminente. Leaf Shepard ainda não tinha aparecido, e cada instante sem contacto aumentava a ansiedade que lhe queimava no peito.

— Leaf! Onde estás?! — gritou Garrus, a voz carregada de tensão, mas nenhuma resposta chegou. Apenas o som do caos em redor preenchia o espaço.

Garrus agarrou-se ao seu comunicador, a transmitir ordens para as tropas próximas, tentando estabelecer perímetro e manter os sobreviventes fora do alcance do inimigo. Mas, no meio de toda a confusão, algo chamou a sua atenção: uma figura movendo-se com precisão silenciosa entre os escombros. Um vulto que não correspondia a nenhum dos Batarian.

Leaf, completamente atordoada pelos escombros e pelo impacto da explosão, mal podia manter-se de pé. Cada movimento era doloroso, e a visão turva tornava impossível avaliar o ambiente de forma adequada. Mas antes que pudesse perder o equilíbrio, o vulto aproximou-se com velocidade controlada, envolvendo-a num abraço firme e seguro. Leaf sentiu a diferença imediata: não era um inimigo, mas alguém a protegendo do caos que continuava à sua volta.

Quando finalmente conseguiu focar melhor, reconheceu-o: Thane Krios. O drell assassino que tantas vezes os tinha perseguido estava agora à sua frente, segurando-a com firmeza, mas sem agressividade. Leaf sentiu uma mistura confusa de surpresa, alívio e tensão.

— Vamos sair daqui. — murmurou Thane, com a voz baixa, calma e firme, sem perder tempo. Leaf, ainda atordoada, apenas assentiu, apoiando-se nele enquanto ele a ergueu com agilidade. Cada movimento era preciso, cada passo pensado para evitar destroços e perigos adicionais.

Do lado de fora, Garrus observava a cena com os olhos fixos. O coração dele disparou, ao ver Thane Krios a carregar Leaf, onde fechou o punho com força.

— Thane! — gritou Garrus, a mistura de alívio e incredulidade na voz — o que estás a fazer?!

Thane não respondeu. Limitou-se a continuar, avançando com segurança entre os destroços e levando Leaf para um ponto mais seguro. Garrus percebeu que, naquele momento, qualquer tentativa de interferência seria arriscada, Thane sabia exatamente o que estava a fazer.

Chegados a uma zona relativamente segura, Thane pousou Leaf numa maca que já se preparava para transporte médico. Ela respirava com dificuldade, mas estava viva e protegida. Garrus correu para junto dela, enquanto Thane permanecia a alguns passos, vigilante e silencioso, mantendo-se no perímetro até que os paramédicos assumissem o cuidado de Leaf.

Garrus lançou-lhe um olhar carregado de perguntas, mas Thane permaneceu impassível, paciente. Cada gesto dele transmitia controle absoluto, enquanto Leaf era retirada para o hospital. A tensão não terminara; pelo contrário, o mistério em torno de Thane Krios apenas aumentara, deixando claro que as intenções do assassino continuavam imprevisíveis e profundamente complexas.

O silêncio temporário que se seguiu permitiu a Garrus respirar fundo, mas o olhar firme de Thane permanecia gravado na sua mente: uma promessa silenciosa de que ainda haveria confrontos, decisões e segredos a desvendar. Leaf, segura, o olhou para ele uma última vez antes de ser levada, consciente de que aquele encontro mudara a dinâmica de tudo.