Ecos de Sangue e Estrelas

1 Emboscada Inesperada


Leaf Shepard ajustava o visor da sua rifle de precisão, observando a paisagem árida do planeta que haviam sido designados para reconhecer. Garrus Vakarian marchava ao seu lado, sempre atento, cada passo seu calculado e firme. A missão era simples: reconhecer uma antiga base Batarian abandonada e garantir que não havia sinais de actividade hostil. Nada que uma dupla experiente como eles não pudesse manejar.

— Leaf, estás pronta? — perguntou Garrus, com a sua voz rouca e controlada, mas com um leve tom de alerta.

— Sempre, Garrus. Só espero que esta seja mesmo uma missão de rotina. — respondeu ela, com um sorriso meio nervoso.

O sol lançava sombras longas sobre os destroços metálicos da base. Leaf notava cada detalhe, cada canto que poderia servir de esconderijo para inimigos. Garrus fazia o mesmo, os seus olhos vigilantes captando qualquer movimento suspeito.

De repente, uma explosão ressoou à distância, fazendo a dupla instintivamente recuar para trás de um muro quebrado. Fragmentos de metal voaram pelo ar, cortando o silêncio do planeta como lâminas afiadas.

— Batarian! — exclamou Garrus, puxando Leaf para um abrigo mais seguro.

A emboscada era evidente. Um grupo de Batarian avançava rapidamente, armados com rifles pesados e granadas. Leaf reagiu de imediato, disparando com precisão, derrubando um dos inimigos antes que pudesse lançar um projétil. Garrus, por sua vez, rolou para o lado e abriu fogo, cobrindo a aproximação de Leaf. O barulho era ensurdecedor, mas necessário.

— Temos que recuar! — gritou Garrus, percebendo que estavam cercados. Leaf assentiu, correndo ao lado dele enquanto esquivavam-se de tiros e explosões. Cada passo era calculado, cada decisão poderia significar vida ou morte. Leaf sentiu o coração disparar, adrenalina a percorrer-lhe as veias, mas ao lado de Garrus sentia-se invencível, de certa forma protegida.

Num instante, algo chamou a atenção de Leaf: uma sombra movia-se rapidamente atrás deles. Um frio percorreu-lhe a espinha, distraindo-a por apenas um segundo tempo suficiente para uma granada ser lançada por um dos Batarian.

Garrus reparou imediatamente no perigo. Num movimento rápido e instintivo, empurrou Leaf para o lado, tomando ele próprio o impacto. O som metálico da armadura a receber o golpe ecoou, seguido pelo silêncio do momento antes da consciência de Garrus vacilar. Leaf caiu de joelhos, olhando com horror para o corpo do seu aliado inconsciente, enquanto a poeira da explosão ainda pairava no ar.

Os Batarian, aparentemente, recuaram, talvez acreditando que a missão estava cumprida. Leaf olhou ao redor e viu algo que a deixou sem fôlego: um vulto, um drell, observava a cena de longe, os olhos fixos em Garrus. A aura mortal que emanava parecia paralizar tudo à sua volta.

Por instinto, Leaf correu para Garrus, usando o seu próprio corpo como escudo. O assassino permanecia imóvel, frio e calculista, observando cada movimento com atenção quase hipnótica. Leaf sentiu a tensão no ar, a quietude antes da tempestade, enquanto a presença do drell parecia suspender o tempo ao redor.

— Não te mexas! — sussurrou para si mesma, tentando manter a calma enquanto segurava Garrus nos braços, sem tirar os olhos do assassino que, por momentos, parecia pensativo.

Leaf a proteger Garrus, os olhos do assassino fixos neles, deixando no ar a sensação de que esta missão simples seria apenas o início de uma cadeia de acontecimentos mortais e inesperados.