Ecos de Sangue e Estrelas
2 Fuga e Confronto
Leaf Shepard sentiu o peso do corpo de Garrus nos braços enquanto corria em direção a um abrigo próximo. A poeira ainda pairava no ar, misturada com o cheiro acre de explosões e metal queimado. O coração dela disparava, a adrenalina a percorrer cada músculo, mas a mente manteve-se fria: precisavam de sobreviver.
— Garrus, aguenta! — murmurou, apertando-o contra o peito, sentindo o movimento pesado da armadura do turiano. — Só mais alguns metros!
Os Batarian não recuaram por muito tempo. A emboscada tinha sido calculada: atiradores posicionados nos edifícios destruídos e granadeiros escondidos atrás de destroços. Leaf conseguiu derrubar mais um inimigo com disparos precisos da sua pistola, mas o avanço dos Batarian continuava implacável.
— Leaf! Pela esquerda! — gritou Garrus, ainda meio consciente, apontando com o visor para uma abertura entre dois edifícios em ruínas. Leaf desviou, correndo em zig-zag, evitando os disparos inimigos que ricocheteavam nos escombros.
O cenário parecia um campo de batalha improvisado: prédios parcialmente destruídos, restos de torres de comunicação e veículos militares queimados espalhados pelo chão. Cada passo era perigoso. A dupla não podia vacilar.
Leaf disparava com precisão, cada tiro derrubando um inimigo ou obrigando-o a recuar. Garrus, mesmo ferido e atordoado, ajudava cobrindo-a sempre que possível, os seus tiros certeiros afastando os Batarian mais ousados. A tensão entre eles era palpável, a confiança mútua permitindo-lhes coordenar movimentos quase telepaticamente.
— Estamos a ficar sem cobertura! — Leaf gritou, percebendo que os francos inimigos se aproximavam rapidamente. — Não conseguimos aguentar muito mais tempo!
— Recuo estratégico! — respondeu Garrus, empurrando Leaf para uma pequena alcova que oferecia sombra e proteção parcial. Ambos se agacharam, recuperando o fôlego, enquanto observavam os Batarian avançarem com cautela, verificando se havia sobreviventes.
Foi nesse instante que Leaf percebeu novamente a sombra que vira antes. Um arrepio percorreu-lhe a espinha. Algo ou alguém os observava de longe. O drell assassino permanecia escondido entre os escombros, imóvel, os olhos fixos em Garrus, como se estudasse cada movimento. Leaf sentiu a estranha sensação de ser vigiada, mas a prioridade era a sobrevivência.
— Garrus… olha! — alertou ela, apontando discretamente para a sombra.
Mas o turiano, focado nos flancos que se aproximavam, apenas murmurou.
— Ignora. Primeiro, temos de saímos daqui.
A decisão foi rápida: recuar ainda mais para encontrar uma saída segura. Leaf correu com Garrus, desviando de explosões e granadas, sentindo o calor de uma queimada passar ao seu lado. Cada passo parecia colocar-lhes a vida em risco.
Finalmente, conseguiram alcançar uma pequena passagem entre destroços que os levou a um terreno mais aberto. Leaf conseguiu derrubar mais um Batarian, mas os inimigos começaram a recuar inesperadamente. O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Leaf ergueu o olhar, procurando o que causara o recuo, e avistou o mesmo drell, o assassino, observando de longe, imóvel, pensativo e perigoso.
Leaf respirou fundo. O inimigo ainda estava lá, silencioso, calculista. O coração dela batia acelerado, mas a determinação era maior. Sabia que esta missão “simples” estava longe de terminar, e algo dentro dela dizia que aquele drell seria apenas o primeiro de muitos desafios que viriam.
Fale com o autor