Ecos

1 Capítulo 1 - Sonhos de Criança


Notas iniciais
Primeiro capítulo da série, sem muitas cenas mais, digamos, "interessantes", mas que em breve, irão tirar o folego de muitos fãs (eu espero >__

Ecos

Capítulo 01 – Sonhos de Criança

“Eu vou morrer”, pensava, quando os pedaços de seus amigos caíam diante dele. Aqueles Hollows não deveriam estar ali, era impossível. Porque não os avisaram? Porque deixaram aquelas criaturas chegarem tão perto deles? Eram tão insignificantes assim a ponto de serem esquecidos tão facilmente pela Soul Society?

Ela deveria os proteger. Não importava quem fosse, nem da onde veio. Eram da parte mais pobre da cidade, a escória da escória. Mas isso não significava que não tinham sentimentos. Eles também sentem dor... Eles também sofrem... Mais ainda do que são capazes de suportar.

O dia tinha se seguido como muitos outros. No campo onde costumavam brincar, as nuvens se fecharam, até resolverem voltar para casa. Foi então que o ataque começou.

Um rápido grito surgiu do meio da floresta. Quando desviaram sua atenção para ela, notaram a falta de um os amigos. O ser medonho apareceu no meio das árvores carregando na mandíbula metade do corpo do desaparecido. Suas órbitas ainda pareciam mover-se conforme ele andava na direção dos outros. O caos estava instalado.

A criança estava de joelhos. Diante dos seus olhos de inocência assustados, a máscara branca sujava-se de sangue ao devorar as entranhas de um dos seus companheiros. Ao seu lado, tão assustados quanto ele, os poucos sobreviventes do ataque arranhavam os dedos no chão de areia, arrancando as unhas deles.

“Eu vou morrer...”

A enorme face voltou-se para ele. Dos dentes tortos escorriam o viscoso líquido avermelhado. Sua língua limpou os cantos da boca enquanto as garras pisavam fundo no terreno, demarcando seu território.

Num segundo, a velocidade da criatura superara qualquer coisa existente, voando na sua direção.

“Carne...” Balbuciava o mostro conforme se aproximava dele. Os olhos amedrontados fecharam-se prontos para aceitar seu inevitável fim.

Um grito esganiçado de dor chegou aos seus ouvidos. Receoso, forçou-se a observar aquela cena.

Reluzente, a lâmina da espada atravessava como o vento a pele dura do hollow. Seu interior espalhou-se pelo chão tingindo a grama de sangue. Ainda vivo, tentava se afastar da imponente figura andando até ele, estrebuchando, mas já era tarde; A zampaktou cortou-lhe enfim a cabeça, dando um fim a sua agonia.

A espada voltara a sua forma normal. O estranho shinigami guardou-a. O casaco branco por cima das vestes pretas estava intacto, assim como suas luvas, seja lá quem ele fosse, era muito bom no que fazia. O cabelo prateado combinava perfeitamente com o resto de seu corpo, forte, definido pelos árduos anos de treinamento. Sua estatura era maior do que o normal, mas aquilo apenas dava-lhe um ar de imponência;

– Você está bem, moleque? – perguntou, voltando-se para a criança assustada.

– S.S.Sim... – gaguejou, limpando as lágrimas do rosto.

– Pare de chorar, você está vivo, o perigo já acabou, sorria!

Ele continuou em silêncio chorando ainda mais, esfregando o máximo possível seus olhos, avermelhados.

– Qual é o seu nome, garoto?

– Hi... Hisagi Shuuhei.

– Esse é um nome forte, garoto. Já chega de chorar.

Por um rápido instante, seus olhares se encontraram, e o menino calou-se, como se aquele momento durasse anos. Os outros shinigamis chegaram afastando-o da criança. Os olhos surpresos e admirados fitavam seu salvador. Abaixo de seu peito, a única imagem que o destacava dos demais: uma tatuagem, um número, que agora para ele se tornara um símbolo de bravura.

Não importava quem ele era, mas sim que ele se importava. Ele salvara sua insignificante vida. Ele era alguém especial.

110 anos depois

Despertou eufórico de sua cama. A coberta caíra no chão junto com o travesseiro, suando e respirando ofegante. Já havia se esquecido daquele sonho, perdido há muito em suas memórias. Os tempos eram difíceis para se prender a fantasias de criança, para se ligar tanto á emoções.

Shuuhei caminhou até o pequeno espelho pendurado na parede. Tocou seu rosto lembrando-se daquela imagem: 69, a única lembrança viva dele em si.

Aquele homem não mais existia. Muguruma Kensei, ex-capitão do 9º esquadrão agora era apenas um vulto no passado da Soul Society.

O dia havia amanhecido, estava na hora de aprontar-se para o trabalho, afinal, era o único agora responsável por toda a sua unidade.

A traição de Tousen ainda era recente, e as marcas deixadas por ela, eram sentidas por todos. Mas ele deveria ser forte, para agüentar tudo aquilo. Ele não podia mais chorar: era agora um homem.

Ainda sim a noite o perturbara. Entenderia se ainda fosse o garoto perdido no meio de um mundo incerto, mas diante dos problemas enfrentados, como pode deixar-se levar por coisas tão fúteis?

Recordara-se dos dias onde passava as horas vagas na biblioteca procurando por seu nome em todos os registros, quando ainda era um estudante da academia. Assim como muitos outros shinigamis da época ele havia desaparecido misteriosamente, dados então como “mortos em combate”, não oficialmente, é claro.

E num piscar, tudo aquilo parecia ser uma grande mentira que contara a si mesmo. Das frustrações de nunca poder tê-lo reencontrado, há dias, tinha-o visto no campo de batalha, quando Aizen finalmente perecera nas mãos do ex-substituto de shinigami, Kurozaki Ichigo.

Ele, e todos os outros dados como mortos estavam presentes na batalha final. Dessa vez não era uma ilusão de sua cabeça, Kensei, seu tão estimado salvador estava á sua frente, lutando ao seu lado, porém não mais era um shinigami, mas algo conhecido pelo nome de vaizard.

Talvez fosse isso a causa dos sonhos recentes, das noites mal dormidas: reencontrá-lo de forma tão sutil e ao mesmo tempo tão devastadora tinha, de certa maneira, mexido com ele.

De nada adiantaram as inúmeras perguntas na volta á Soul Society, ninguém o responderia sobre tal assunto sigiloso. Tudo o que pudera coletar, foram as pequenas informações retiradas do laboratório de pesquisas: algo tinha ocorrido no dia de seu resgate, quando o conhecera, um tipo de experiência orquestrada, mais uma vez por Aizen.

Mas nãos eram esses termos técnicos que procurava. Porque Kensei havia sido banido? Se a culpa não fora realmente dele, qual o motivo de ser afastado? Ele lhe parecia bem o bastante para prosseguir com suas operações, então qual o motivo de terem o descartado dessa forma? Qual o motivo... Dele não poder mais vê-lo? Não adiantava para onde suas procuras o levavam sempre se via perdido em um beco sem saída.

A declaração mais próxima de uma verdade dada por Yamamoto era a instabilidade da transformação shinigami — hollow. Apesar da comprovação do controle sobre suas formas bestiais durante a luta, eles ainda eram “foragidos”, e assim, nunca mais poderiam retornar a Soul Society.

Caminhando pelas ruas adjacentes aos esquadrões, chegou a se encontrar com Kira e Hinamori. Os dois o convidaram para um pequeno encontro entre os velhos amigos, onde Renji também estaria, mas seu ânimo não condizia com estas festividades, resolvendo apenas deixar para “uma próxima vez”.

Ambos consistiram com o amigo, voltando aos seus afazeres. Parecia que Hinamori estava finalmente esquecendo-se da presença e do poder que Aizen exercia-se sobre ela, assim como Kira afastava a de Ichimaru Gin.

Shuuhei voltou para seu quarto, jogando-se na cama, e afundado a cara no travesseiro. Frustrado, logo caiu no sono, onde mais uma vez sonhara com ele. Mas agora não era com o sonho de sua infância, era algo novo, criado por sua mente.

O ambiente estava distorcido e não sabia bem distinguir onde estava, mas isso era irrelevante, comparado com a visão diante dele.

Kensei estava apenas com a parte de baixo de sua roupa de shinigami, exibindo o tórax e o abdômen definido, onde pode ver a mesma tatuagem que estava em seu rosto.

Ele se aproximava, e conforme o vazia apenas enxergava seus lábios movendo-se ao encontro de outra pessoa, que logo, percebeu ser ele.

– Shuuhei... – dizia, quase sussurrando. A boca movia-se lentamente, como uma espécie de convite, repetindo seu nome inúmeras vezes. O olhar penetrante enxergava além de sua alma. Sua mão encontrou seu rosto, aproximando-o do dele. “Shuuhei” repetia, quando seus lábios quase se tocaram.

O vento uivava no quarto escuro. A janela aberta derrubara as poucas folhas da escrivaninha. O travesseiro estava no chão mais uma vez, junto ao cobertor.

– O que... Foi isso?...-perguntava-se absorto, apertando o lençol da cama com força.

Pousou a mão sobre a testa escondendo o rosto corado e enxugando as pequenas gotas de suor. Puxando o travesseiro do chão, arremessou-o contra a parede, quebrando um dos vasos ao bater na mesa.

Aquilo era diferente, nada parecido com as imagens anteriores. Seu significado era um mistério, apesar de ser bem óbvio qual era seu desejo, de fato, o que mais o incomodava era a estranha sensação de necessidade de estar perto dele.

Da admiração juvenil sua figura havia se tornado um objeto de desejo, que jamais poderia ser alcançado por ele; a pior parte que insistia em martelar sua cabeça.

Tornou a deitar-se com a barriga virada para o colchão quando sentiu um volume em suas roupas. Surpreso, desceu a mão até ele enquanto pensava na imagem de Kensei. Aquilo o instigou mais ainda. É, realmente, não havia mais como negar a que ponto seu afeto tinha chegado. Focando-se no sonho, Shuuhei passou a movimentar-se na cama, contorcendo-se ao lembrar-se de sua voz chamando por seu nome. Sua boca entre abriu-se como se tentasse dizer alguma coisa. A respiração acelerada avermelhava mais ainda as maçãs de seu rosto. Conforme o tempo passava, e os olhos de Kensei penetravam sua mente, ele movia-se mais depressa, alimentando suas fantasias. A mão tocava seu membro ainda por cima da calça, até que seus dedos escorregaram para dentro dela, aumentando a sensação de prazer. O murmúrio da voz dele preenchia seu interior estrondosamente, aumentando a velocidade com a qual movia sua mão, para cima e para baixo. “Shuuhei...” Os grunhidos que saíam de sua garganta aumentaram, suas pernas estremeceram, e um gemido de prazer e alívio foi emitido de sua boca.

Arfando e envergonhado, virou-se tampando os olhos com o braço, sem ainda poder esquecer o que havia feito. Já era quase dia, e precisaria se refazer para o trabalho. E por mais que fosse seu esforço para tal, a nostalgia de sua presença não puderam esvanecer-se nem por um segundo. Levantou-se ainda soberbo até o banheiro para limpar-se e trocar de roupa.

Já durante o dia de expediente, distraído em sua sala, assinava alguns papéis de menor importância para não correr o risco de cometer erros. Visivelmente perturbado, não percebera um de seus subordinados chamando-lhe há pouco mais de cinco minutos ao seu lado.

– Oh, perdão, estava um pouco... – balançando a cabeça quando o vira e continuou — O que deseja?

— Nada de mais, só vim entregar por ordens do Yamamoto-taichou a lista dos revezamentos para a vigília da cidade de Karakura.

- Certo, obrigado, pode voltar ao seu posto.

Reverenciando-o, o jovem saiu da sala enquanto Shuuhei analisava o pedaço de papel. Seria o primeiro do revezamento a visitar o plano mortal para a patrulha. Uma viagem com escala de duas semanas estava prevista.

Espreguiçou-se um tanto quanto exausto. Se aprontaria para a missão assim que terminasse de preencher a última parte dos documentos, ainda sem animo algum.

No inicio da tarde já estava presente ao portão de saída, levando nada mais do que o necessário, que julgava ser seu comunicador e sua zampaktou.

Atravessou o portal sem mais delongas chegando a pouco tempo na cidade de Karakura. Desde o recente ataque ela não havia sofrido muitos danos, mas ainda era possível encontrar um ou dois hollows perdidos caminhando por ela.

Como Kurozaki Ichigo não era mais um shinigami, eles precisavam se revezar por um tempo até encontrarem um melhor substituto para vigiar a área.

Saltando por entre os prédios, as reiatsus comuns chegavam até ele. As pessoas andavam pelas ruas como se nada tivesse ocorrido, afinal, para elas, tudo estava, sempre, da maneira como deveria estar: a ignorância ás vezes pode ser uma benção.

Os estragos na cidade tinham sido revertidos, na sua maior parte com a ajuda de Kidou, apenas alguns detalhes pequenos foram deixados de lado, assim como muitas coisas que acontecem inexplicavelmente em uma cidade grande.

Começou a caminhar pelo meio da multidão como se fosse mais um estranho qualquer, se pudesse ser visto por eles, é claro. As vitrines de lojas eram repetitivas e maçantes. Viu seu reflexo quando parou em uma delas. Como no espelho de seu quarto, tocou a tatuagem de seu rosto revivendo as intensas lembranças da noite passada.

Um rápido vulto pareceu-lhe familiar nas siluetas refletidas. O cabelo prateado chamara-lhe a atenção, o mesmo porte, o mesmo jeito de andar: era ele.

Voltou-se rápido para o local e deparou-se com um enorme vazio de expressões repetidas, pessoas apressadas, e cores desbotadas, mas o pior de tudo: sem a sua presença.

Seus olhos se entristeceram, fitando a calçada cinza. O céu relampejou receoso, e a chuva logo começaria a cair. Girou a perna na direção contrária, tornando a fazer seus passos pela cidade, em silêncio.

Não tardou até o manto da noite se apossar da cidade. A calmaria que a escuridão proporcionava era interessante. O ambiente úmido pela chuva levantava de alguns lugares o doce aroma da terra molhada. Seu corpo, porém permanecia seco, debaixo de uma pequena ponte no parque.

Bocejou algumas vezes pelo tédio daquela patrulha monótona, quando notou uma estrondosa reiatsu formando-se não muito distante dali. Puxando sua zampaktou, dirigiu-se ao local.

Ao seu redor encontrou os corpos de algumas crianças, recentes, com apenas as entranhas devoradas. A fúria brotou-lhe no olhar como um incêndio. Ouviu os passos gigantes no pequeno bosque. Correndo pelas árvores, logo se deparou com a criatura: um hollow de porte médio carregava em uma das garras o corpo de mais uma vítima.

Imediatamente desferiu-lhe um golpe rápido e certeiro. Desavisado, o hollow perdera o braço onde carregava a menina, espirrando num jato seu sangue á sua volta.

Ele emitiu um grito longo e esganiçado enquanto protegia a feria com o outro braço. Ao colocar a menina no chão, Shuuhei o encarou. Para sua surpresa, encontrou-se com uma máscara quase idêntica a daquele hollow que quase lhe havia tirado a vida, anos atrás.

Furioso, rangeu seus dentes partindo para um novo ataque. Pensou tê-lo atravessado novamente, até sentir uma forte pressão em seu estômago, arremessando-o para trás.

O braço decepado estava de volta no lugar. Uma regeneração quase que instantânea tinha sido realizada por ele. Não era normal um hollow inferior fazer esse tipo de coisa: seu nível deveria ser maior do que o calculado.

Prosseguindo com a luta, Shuuhei já estava esgotado, depois de tanto tempo sem ter resultado nenhum, até finalmente ceder. Puxando sua espada, liberou seu poder destrutivo em cima do mostro. Brandiu sua shinkai precisamente sobre seus pontos mais vulneráveis, causando-lhe profundos ferimentos. Mas ao invés de ouvir gritos de dor, ele escutou risos.

- Um shinigami tão fraco como você nunca poderá me derrotar!

– As feridas no seu corpo dizem outra coisa...

- Elas não são nada a não ser uma brincadeira, mas já me cansei de você...

Num segundo, o hollow começara a liberar uma quantidade imensa de reiatsu. Protegendo seu rosto, Shuuhei vira-o diminuir de tamanho, até tornar-se algo parecido com um ser humano, revestido por uma camada grossa de ossos.

– Você... Você é um... Arrancar?! – indagou, surpreso.

- Demorou tanto assim para perceber?

– Impossível! Todos os Arrancars foram eliminados durante a batalha contra Aizen!

- Nem todos são tolos de seguir aquele babaca para a morte certa. Eu fugi com alguns companheiros, antes de tudo explodir. Ficamos escondidos até então, mas eu não tenho muita paciência, sabe? Gosto de sair para me divertir de vez em quando... Pena ter encontrado um shinigami intrometido, mas pelo menos, vou ter carne fresca pro jantar.

– Pensei que vocês não precisassem se alimentar.

- Ah, mas isso é no Hueco Mundo... Aqui na Terra nós precisamos manter nossos corpos nutridos depois de algum tempo. Sabe, eu não sou totalmente desenvolvido como a maioria dos Arrancars... Almas humanas são boas, mas a de um shinigami deve me manter por mais tempo.

Seu braço estendeu-se até Shuuhei, que esquivou utilizando-se do shuunpo.

Soltando um grito, Shuuhei tornou a atacar o então Arrancar, mas suas investidas agora eram inúteis. A sua carapaça impedia a passagem de qualquer ataque. Parecia ser esta sua habilidade, e mesmo tendo aumentado suas energias ao máximo, a zampaktou nada mais fazia, a não ser rebater na pele do Arrancar.

A raiva por sua incapacidade, num rompante de emoções, começou a transportá-lo novamente para sua infância. Os amigos perdidos naquele dia, as famílias destruídas, e sua impotência, sua fraqueza, enchendo sua face de medo. E aquela maldita máscara apenas aflorava tudo aquilo. Dessa vez não poderia contar com a ajuda de ninguém para salvar-se, deveria fazê-lo por si mesmo.

Num novo salto, preparou-se para uma nova investida lançando sua zampaktou diretamente na cabeça dele.

Gotas de sangue surgiram á sua frente. Não eram do hollow, pois ele não havia sentido sua pele ser cortada. Olhou para o lado, a menina ainda estava no chão, intacta. De quem era aquele sangue?

Abaixou um pouco a cabeça onde viu um profundo corte estendendo-se da altura de seu ombro até o final de seu abdômen. O hollow ria freneticamente, enquanto Shuuhei deixava-se cair de joelhos. A corrente de sua zampaktou escorregou por entre seus dedos caindo ao seu lado. Ele não havia nem tido tempo de sentir dor.

O hollow aproximava-se pé ante pé erguendo o braço.

- Carne... – dizia com o sorriso estampado.

“Eu vou morrer”... Pensava, vendo o sangue escorrer de sua ferida.

Fechando os olhos, ouviu um grito alto e estridente. Pensou por um segundo ter sido ele, mas não fora. Erguendo a cabeça deparou-se, então, com um cabelo prateado diante dele. Suas costas, agora, sem o casaco branco, eram mais visíveis, mas ainda sim, mantinham a imponência de um capitão.

O hollow afastou-se segurando o braço perdido com a outra mão praguejando aquele homem.

As suas pupilas tremiam, quando forçou a olhar mais para cima, para seu rosto. A boca semi-aberta chacoalhava tentando dizer algo.

– Você só me dá trabalho. – disse Kensei quando seus olhos se encontraram.

“É ele... É realmente ele...” pensou Shuuhei quando a chuva caiu mais forte.

Continua

Notas finais
Espero que tenha sido do agrado de todos ou pelo menos da maioria =X)Em breve postarei o segundo capítulo da série, não deixem de aconpanhar!