Echoed
6 Onde existe Luz e Escuridão - Parte 1
Notas iniciais
Se eu conseguisse medir a rapidez que aqueles dias pareceram trocar de lugar, uns com os outros, então talvez eu os comparasse ao estalar de uma tempestade de verão... porque sem nenhum aviso, o tempo ali dentro parecia facilmente se encarregar de trocar minha infância e adolescência, pelo tão aguardado momento de meus 21 anos, quando eu finalmente não tinha mais nem um ano sequer que me distanciasse do meu objetivo de voltar para casa...
Mas antes daquele momento final, poucas foram as coisas que realmente vieram a tomar alguma importância em meu futuro, e aqueles poucos que tomaram, se tornaram os maiores percussores da minha vida...
O tempo todo que eu gastei no instituto, nunca me fez sentir realmente algum envolvimento pessoal com meus estudos, ou com as teorias... Eu aprendia por aprender, porque era o que queriam que eu soubesse, e eu jamais soube ser uma criança que se recusou a obedecer. Se eles quisesse que eu decorasse os 5 livros do prelúdio, eu decoraria... Se eles quisessem que eu soubesse de cor todos os versos das principais passagens, eu saberia... Se ele quisessem que eu aprendesse os rituais de purificação, eu aprenderia...
É como pensar hoje em dia, que meu cérebro ocupou todos aqueles momentos que meu coração queria se abster de participar... Por mais que eu estudasse tudo aquilo sem dificuldade alguma, nunca realmente soube me envolver com metade das coisas ensinadas no instituto... Eu pensava que poderia passar por tudo isso intacto se apenas permitisse que a maré me levasse... e então, me trouxesse de volta a salvo, sem lutar, para casa.
Minha falta de envolvimento sincero igualmente nunca me rendeu amizades muito pessoais, envolvimentos íntimos tolos ou qualquer outra relação que eu poderia carregar para fora dali. Tudo aquilo que poderia acabar me desviando do meu objetivo, sempre foi dispensável e nunca chegou a me fazer falta se eu realmente for tomar algum tempo para pensar nisso...
E apenas para não dizer que eu era uma pessoa sem a mera necessidade de ter um amigo, sempre quando o dia já estava chegando ao fim, e nada mais estivesse forçando os outros estudantes a estarem por perto, apenas me bastava saber que eu tinha aquele pequeno espírito de coelho me fazendo sempre companhia.
Ele não precisava falar, ele não precisava ser do meu tamanho, ele não precisava ser uma pessoa... Ele apenas precisava estar ali, e nunca me abandonar... Para me deixar satisfeito.
Agora se eu tivesse que citar ao menos um arrependimento sequer, então sem pensar muito, poderia ter sido o fato de nunca ter conseguido virar amigo de Ezra enquanto tive chance... Mesmo que para isso eu tivesse que trair minha mente, e voltar a usar meu coração ali.
– "Ah! Lá estão eles!!"
Eu podia ouvir os cochichos, que logo viravam conversa, roubando a atenção de todos ao meu redor de seus cadernos e olhando para as janelas que davam para o corredor, do lado de fora da nossa sala.
– "Uau! Eles são incríveis...!"
– "Que inveja... Queria ter as aulas deles...!"
– "Ei Frey, olha lá quem está ali no meio!"
Meus colegas falavam uns entre os outros, até um deles me cutucar do meu lado para que eu também participasse daquela anarquia em meio a aula, e olhasse junto dos outros para a turma dos Exorcistas que passavam em frente a nossa sala... Eles eram como o grupo dos mais populares entre nós, roubando completamente a atenção e o foco de todas as outras turmas da nossa idade, pelas quais eles passavam.
Com o tempo, o nosso lado de criança sumiu. Nossa visão infantil deu lugar a nossa noção de status. E com a mesma rapidez que os dias ali passaram, também passou o tempo em que nosso bom-senso nos conseguia fazer acreditar que todos nós tínhamos o direito de sermos iguais.
Como uma força a ser respeitada, os Exorcistas ganharam seu destaque, aonde antes só havia o ego deles...
Eles estavam mais responsáveis, maduros e imponentes. E mesmo que o tempo e a idade não nos diferenciasse em forma, eles pareciam mentalmente agora habitar um andar muito mais alto nos degraus da nossa tão particular vida social ali no instituto...
Aonde antes havia um buraco entre nós... Se abriu um precipício... E cada vez menos, eles pareciam existir no mesmo mundo que os outros Padres e Freiras... Eles tinham seu próprio mundo para habitar, suas próprias dificuldades para superar, e sua própria realidade para se agarrar...
E para eles, nós que um dia fomos todos colegas e dividimos o mesmo começo, havíamos agora nos tornado meramente parte de um rebanho que eles chefiariam... Nada melhor do que isso.
Foi quando eu finalmente consegui vê-la no meio daquele tumulto, passando em meio aquele grupo composto a maioria por caras... quem a visse, sentia algo muito mais responsável e imponente do que nos outros que pareciam apenas brincar e rir ao seu redor... Ao que seu olhar fixo e atento não se distraia daquilo que estava à sua frente e em meio a aquele tumulto. Não foi por questão de anos que eu deixei de gostar de Ezra, nem um pouco. Com o tempo, sua personalidade gentil e afastada se construiu na de uma mulher completamente séria e dedicada, que parecia enxergar a vida de um modo muito mais amplo do que todos nós que nos limitávamos até aqueles muros nos separando da vida lá fora. Diziam por aí que suas habilidades eram umas das melhores, e que sua maturidade era de longe o arquétipo perfeito de um Exorcista. Muitos professores poriam sua mão no fogo para defender a capacidade de Ezra... Mesmo não nascendo com um dom para aquilo, ela simplesmente construiu suas próprias capacidades através da sua dedicação no estudo, e isso que desde cedo trazia toda as atenções para sua capacidade.
Aquela fama que ela ganhou de aluna perfeita, parecia estar mais e mais adequada a sua bela aparência... Depois de tantos anos, a ação de seu dever exigiu que ela acabasse cortando seu cabelo, usando ele agora mais curto até seu ombro. E mesmo assim, com ele daquele tamanho, ela ainda mantinha ao menos uma trança que contornava a parte de trás dele, até o outro lado, dando junto com as mechas que caiam sobre seu rosto, um destaque diferente do das outras garotas...
Fosse por seu cabelo, fosse por seu porte, fosse por seu uniforme diferenciado dos Exorcistas, Ezra se destacava, e a atenção que ela ganhou com sua boa aparência, fama e personalidade, renderam a ela uma atenção enorme que aos poucos virou a minha barreira ali dentro para conseguir me aproximar dela...
Ela podia ser uma garota completamente acessivel para se conversar. Mas tente chegar até ela com aquele batalhão de outros exorcistas agitados e metidos no seu redor...
Eu fiquei observando enquanto ela passava em meio ao seu grupo, permitindo que o tempo parasse, e eu pudesse admirar aos poucos guardando sua imagem na minha cabeça... Estava tão perto de tudo aquilo acabar, e eu possivelmente nunca mais a veria na minha vida... Aquela certeza fazia meu peito doer um pouco, mas logo que ela apenas saia da minha visão, eu conseguia voltar a não sentir mais nenhuma angústia por tanto querer também voltar a ver meu Pai e tudo que ficou para trás em minha infância.
Agora como um futuro Padre, eu ia voltar para aquela Capela podendo ajudá-lo, ele não estaria mais sozinho em seus deveres, e eu poderia mais do que nunca ser útil para ele e ter uma razão de estar ali... voltando a poder viver a vida do melhor modo que um dia eu já senti poder viver...!
– "Haha! Olha a cara do Frey!"
– "Ele fica bobo sempre que a Ezra passa na frente dele, haha!"
Meus pensamentos foram quebrados pela voz dos meus colegas que riam de mim, sem que eu mesmo me desse conta da cena que eu estava fazendo bem ali do lado deles, sonhando acordado enquanto os Exorcistas sumiam da vista da nossa janela... Eu os encarei não conseguindo conter um sorriso e começamos a rir de nós mesmos por isso!
– "Por favor, por favor, voltem a prestar atenção aqui!"
O professor suplicava, ao que a turma inteira se dividia em cochichos e conversas mais agitadas. Todos tinham perdido sua atenção na aula, e nem mesmo os professores se viam em posição de nos culpar. Acredito que até mesmo para eles, em suas juventudes, os Exorcistas de suas épocas também foram aqueles que roubavam toda a cena por onde passavam... Como heróis andando casualmente em pequenas cidades. Todos queriam parar o que estavam fazendo para observá-los e sonhar com as possíveis aventuras que cruzava seus caminhos.
Quão melhor e mais fantástica será que era a realidade deles, comparada a nossa?
Assim eram aqueles dias, tudo era normal e de completa rotina para nós... Algumas vezes eu e minha turma esbarrávamos nos Exorcistas, e as coisas se tornavam um pouco mais "interessantes", especialmente quando esbarrávamos naqueles que ainda eram muito legais com seus velhos colegas de turma! E todos acabávamos gastando um tempo juntos, conversando sobre nossas aulas, professores, matérias, ou boatos... Brincávamos e caçoávamos uns dos outros como qualquer homem jovem e entediado faria com seus amigos, e era assim que conseguiamos ainda manter o elo que tínhamos com eles. Mas quando mais de um deles se juntava em um mesmo espaço, tudo de certo modo mudava, e nossas amizades pareciam enfraquecer e se esconder novamente embaixo de um pesado tapete de indiferença.
Queria eu que Ezra andasse também sozinha pelos corredores daquela escola, para que eu pudesse ter talvez a chance de conversar com ela... Mas ela era uma das pessoas ali que nunca se estava sozinha, fosse pelos professores que a acompanhavam enquanto discutiam sobre algo importante após as aulas, ou pelos seus próprios amigos que pareciam abelhas voando ao seu redor como se a ignorassem, mas não a deixassem se separar do enxame... Em especial, uma dessas "abelhas" eu jamais teria como conseguir esquecer... Lud.
Lud era o típico Exorcista que acreditava ser melhor que os outros, e por isso deveria ser tratado diferente de qualquer outra pessoa... Sua personalidade forte e esquentada era bem equivalente ao seu próprio ego. E ajudava muito que ele tivesse um porte para acomodar tanta auto-estima... Alto, com um corpo bem firme, cabelos loiros curtos jogados para trás, que balançavam facilmente ao vento por serem macios como os de Ezra, e olhos azuis-claros... Que sempre nos olhavam com um ar de superioridade...
Lud assim como Ezra tinha uma grande popularidade, mas especialmente entre as garotas das outras turmas, por culpa da sua aparência, e acho que pela falta de convívio diário com ele também... Será que alguma garota da turma dele realmente dava bola para aquele gênio todo?... Já nas aulas, ele não tinha um destaque tão notável assim, especialmente por culpa de seu temperamento esquentado, que não funcionava direito com o perfil necessário que um Exorcista deveria preencher...
Perto de Ezra, Lud sempre agiu como um cão de guarda, não deixando ninguém se aproximar dela e praticamente rosnando e e avançando em quem quisesse tentar sua sorte... Não se sabia se ele e Ezra tinham realmente algo ou não entre si, mas muitos dos exorcistas que ainda falavam com a gente diziam que os dois eram apenas amigos mesmo... O que não diminuía o problema, já que eles eram amigos de INFÂNCIA, desde que começaram a estudar juntos para serem Exorcistas... Algumas vezes pareciam até serem inseparáveis por culpa disso...
Bom, talvez não tão inseparável, pois não era incomum ver Ezra com outras pessoas... Mas Lud? Aquele sim era difícil ver longe de Ezra...
E se para os outros, Lud podia ser um problema... Para mim então, ele era um problema ainda maior, já que naquele dia em que eu intervi pela primeira vez com um Exorcista e acabei de castigo, eu não tinha ainda como adivinhar, mas aquela criança com quem arrumei confusão, viria a ser o Lud! E assim como eu, mesmo depois de muito tempo ter se passado, ele também nunca mais esqueceu de mim...
Por isso eu entendo que por mais eu seja uma pessoa que não chame a menor atenção, seja dos professores, seja daquele grupo de Elite do Instituto, ainda sim, sempre tive efeito contrário com Lud... Era como se eu tivesse arruinado sua honra própria e pisado em seu calo... desde então, eu me tornei sua maior razão para hostilizar os outros ali dentro.
Lud não era um encrenqueiro toda hora, mas qualquer confusão que ele acabasse arrumando junto com seus amigos, era porque bem provável eu estava por perto, acompanhado ou não... E por isso cada vez mais eu tentava não cruzar seu caminho...
Meu grupo de amigos até já tinha se acostumado a não abaixar a guarda quando ele passava... Porque mesmo que ele escondesse um pouco aquela rivalidade que tinha por mim, ele descontava em qualquer outro que estivesse comigo também.
E eu não precisava mais do que seus rápidos olhares cheios de intimidação, para saber que eu era toda motivação que ele precisava para perder a linha ali dentro...
Chega a ser engraçado me lembrar de como ele mudava quando Ezra estava junta... Desde que eramos pré-adolescentes, que começou aquela mentalidade de animosidade casual entre nossas turmas, e foi naquela época em que Ezra se metia para proteger as crianças mais ingênuas ou indefesas de seus próprios colegas, que se bem me lembro, pareciam mais cães famintos procurando por vítimas, quando não tinham nada melhor para fazer... Agora que já somos mais responsáveis, e só um pouco menos inconsequentes, ela simplesmente parou de proteger a minha turma das possíveis humilhações, como se o tempo tivesse esculpido nela uma personalidade focada demais em outros assuntos, para ainda ter tempo de provar o poder de seu grande coração. Por essa razão, perto dela, Lud jamais passou dos limites, ou exagerou com a gente... Porque ao menos ela, ele respeitava demais...
E enquanto que entre aqueles momentos, todos ali dentro forjavam seu próprio caminho pelo estudo e por suas capacidades próprias, lá estava eu... Um jovem aspirante a Padre e sem ambição qualquer... De estatura apenas um pouco mais alta, assim como todos os outros caras da minha idade, e que não estava nem aí para o que fazia... mas que ironicamente, era aplicado em todas as matérias mantendo sempre sem querer boas notas em todas as avaliações... Com seu curto e desarrumado cabelo castanho, e olhos castanhos claros distantes... vagando como mais um na multidão quase como uma pessoa qualquer de fundo de cenário, em meio aqueles corredores completamente vazios aonde a luz quente que batia e o vento gelado brigavam para tentar prevalecer. Era cedo, e a maioria dos alunos estava ainda nas suas aulas. Eu em particular tinha acabado minha cota de tarefas manuais que fora o que me absteve de todas aquelas aulas da manhã, mesmo que fossem elas, apenas para carregar vários objetos andar acima, limpar algumas salas, ou apenas levar mensagens entre pontos extremos do Instituto para os professores que ainda estavam em suas aulas... A verdade é que a medida em que nos aproximávamos do fim do curso, menores e menos importantes as aulas se tornavam... E assim, com nossa formação física agora mais adequada para trabalhos mais pesados, eramos facilmente pegos para ajudar ali dentro dentre todas as outras turmas, aquele modo de gastarmos o tempo era bem mais apreciado pelos professores, do que apenas ficarmos sentados por horas ouvindo, lendo e aprendendo...
Assim que aquelas tarefas terminaram, eu comecei a vagar pelos corredores me perguntando o que fazer em seguida... O almoço não seria servido enquanto as aulas não chegassem ao fim, e eu havia terminado minhas tarefas bem antes do tempo que eu tinha disponível para elas... Voltar para a aula não era uma opção, pois se eu surgisse lá, receberia uma bronca pela indisciplina, no lugar de uma recepção de boas vindas... (Afinal se eu havia sido escalado para trabalhar naquele dia, eu tinha que gastar o tempo inteiro no trabalho, nem que fosse procurando o que fazer...!) E então eu apenas resolvi andar por aí...
Foi quando sem esperar, eu dei um salto para trás ao vê-lo cruzando meu caminho! Aquele Coelho atravessando-a, saltou de uma das paredes do instituto bem na minha frente!
Como ele era um espírito, era de se esperar que objeto algum pudesse ficar em seu caminho, assim como mesmo eu se tentasse, também iria atravessá-lo ao tocá-lo... O que as vezes se tornava confuso para mim, já que ele conseguia me tocar se quisesse, mas jamais o contrário...
Realmente eu nunca fiz questão de entender isso, já que não houve também quem pudesse me explicar isso até hoje...
– "Ei! O que você está fazendo aqui! Eu já disse que é perigoso você ficar andando pelo instituto!!"
Eu corri até o coelho, tentando chegar até ele e desviá-lo para longe das salas! Ele me entendia se eu pedisse para se afastar dali, o meu problema era a teimosia daquela pequena criatura, que apenas escolhia não me dar ouvidos, e fazer o que bem entendia...! Por sorte aqueles corredores faziam parte de uma área não utilizada mais pelos alunos, e eu podia me sentir mais aliviado em encontrá-lo em um local desativado... o que ainda não mudava em nada o fato de que aquele definitivamente não era o lugar para aquele Coelho ficar vagando! Assim como eu estava passando por ali, qualquer outra pessoa poderia passar também! Eu não sabia se alguém conseguiria vê-lo, mas eu sabia que os exorcistas eram capazes de fazer algo contra aquela criatura, e eu não iria arriscar minhas chances!
– "Vamos! Saia logo daqui! É perigo-"
Eu andei em sua direção, mas assim que eu cheguei perto, ele correu por uma das portas próximas que estavam fechadas! Eu não tinha como dizer se ele sabia o que tinha ali dentro, mas mesmo assim naquele dia ele estava completamente sem noção do perigo!
– "Ei!!"
Eu sussurrei alto, tentando chamar sua atenção, evitando também fazer algum barulho alto demais e atrair qualquer atenção suspeita de outra pessoa que pudesse passar...! E como esperado, ele me ignorou completamente... Eu esperei por alguns minutos, rezando para vê-lo sair daquela sala, mas ele não saia... E isso só me deixou com poucas opções em mãos...!
Eu sei que qualquer um com bom-senso pensaria em deixar aquele coelho fazer o que bem entendesse, e não ser louco de segui-lo em salas desativadas que poderiam ter sabe-se lá oque... Mas eu não podia deixar aquele pequeno sem-noção sozinho, logo agora que ele se tornou para mim a maior companhia que eu tinha dentro daqueles muros...
Eu rosnei frustrado, sabendo que não ia conseguir deixar de segui-lo, e abri lentamente a porta, rezando para não ter ninguém ali dentro... A sala parecia uma sala de espera, um pouco mais limpa e organizada do que eu imaginava que seria, com vários lugares para sentar e um enorme quadro com coisas borradas e escritas... Não dava para dizer se realmente estava abandonada, pois aquele quadro parecia ter sido recentemente usado... E isso criou ainda mais o receio em mim de estar entrando em lugares que eu não tinha ideia do que se tratavam... Quanto mais, conseguir dizer o que eram, apenas por observá-los!
Eu olhei freneticamente ao redor para tentar achar aquela criatura, e finalmente o percebi acenando para mim com sua pata querendo minha atenção... Frustrado com aquela brincadeira, eu corri até ele novamente! E mais uma vez ele voltou a atravessar a parede as pressas, sumindo próximo a mais uma outra porta... Eu não tinha a menor vontade de descobrir o que tinha ali dentro, com medo de que pudesse acabar indo parar em uma sala de aula ativa e passar por qualquer situação constrangedora que fosse graças a aquela invasão...!
Suspirando fundo para tomar coragem, ou apenas parar de pensar no pior, eu abri bem lentamente a outra porta... Um frio passou pela minha espinha, ao que eu não vi ninguém naquela sala, mais parecendo uma enorme quadra aberta que se dividia entre paredes de madeira e pedra, e com estranhas marcas riscadas pelo seu chão que dançavam para direções totalmente diferentes... E a luz que entrava pelas enormes janelas, me fazendo sentir em um espaço ao ar livre, mais do que em uma sala fechada... Algo possivelmente era praticado naquele lugar, ou ao menos já tinha sido... E uma certa curiosidade misturada com nostalgia me embalou enquanto eu atentamente analisava cada detalhe ali de dentro...
Finalmente quebrando o silêncio, eu ouvi um barulho perto da parede, e notei o safado daquele coelhinho batendo com sua pata no chão para novamente me chamar a atenção! Eu corri até ele, dessa vez muito mais furioso, e finalmente senti como se tivesse conseguido encurralá-lo... Quem me dera apenas poder pegá-lo agora... Acho que eu teria tentado esganá-lo...
– "Você...! Você tem noção do problema que posso ter por te seguir até aqui?!"
Eu sussurrei irritado, enquanto aquela pequena criatura me encarava com o que parecia um sorriso, balançando sua cabeça e concordando comigo... Aquilo apenas serviu para me irritar um pouco mais naquela hora!
– "Grr, vamos embora antes que alguém nos encontre aqui...!"
Eu me virei em direção a porta para voltar, e foi quando eu ouvi bem baixinho, um som que parecia vir das paredes... Era tão baixo que eu mal podia dizer o que era, mas mesmo assim eu congelei no lugar, voltando para a direção do Coelho, e olhando para a parede atrás dele, com uma expressão assustada...
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