E essas Faíscas?

3 Um quase primeiro encontro


Dia vai, dia vem, a aula acabou.

Na saída, me despedi de meus amigos, das meninas, e estava indo pra casa, quando ouvi aquela linda voz de novo gritando de uma forma estranhamente suave: “Sheldon, me espere!”. Por um segundo fiquei bravo. Ela havia me chamado do que? Sheldon? É isso? Afê! Nem meus pais me chamavam mais de Sheldon. Ninguém me chamava assim. Mas ela me chamou.

Eu parei, dei meia volta e esperei. Ela chegou ofegante. Riu de novo. Quatro vezes. Ela perguntou onde eu morava e expliquei basicamente como chegar a minha rua. Seguia reto na avenida e quando chegasse à panificadora, era só entrar naquela rua. Ela perguntou se poderia me acompanhar, e eu falei da forma mais tonta possível: “Uma acompanhante assim, quem recusa?!”. Sim eu era fã de responder perguntas com perguntas. Ela deu um riso meio torto. De novo. Cinco vezes em um dia. Meu estava louco por ela. Contava até as vezes que ela ria pra mim ou de mim.

Os primeiros cinco minutos de caminhada foram quietos. Mas não podia ser assim todo caminho. Então perguntei pra ela:

“Hey Mel, posso te chamar assim?” Ela riu de novo, seis vezes.

“Pode sim. Você acredita que ninguém me chama de Mel? É sempre Mê, Li, Lina, tudo, menos o mais óbvio. Mel!”.

“Ou o mais diferenciado.” Eu retruquei. Ela riu e eu ri. Enfim disse:

“Então Mel, você prefere Humanas ou Exatas?”

“Exatas. Sem sombra de dúvidas Exatas. Humanas me tiram do serio. Elas são tão...

E falamos em uníssono: “Não exatas!”.

Foi automático. Instantâneo. Foi engra, como diria meu amigo Robert. As risadas também foram automáticas, e o melhor, não foram forçadas! E cada vez mais eu me via nela, e ela em mim. Estranho isso.

Eu só tinha namorado/ me apaixonado uma vez, e nem durou tanto. Porque será que com ela as coisas pareciam que podiam ser diferentes? Bem, disso eu não sabia como e porque, mas... Enfim, aquele caminho que demorava, ao lado dela foi tão rápido. Chegamos à minha rua. Bem eu não iria ser um idiota, então como todo bom príncipe e cavaleiro, disse a Melina “Ei, fazemos assim, eu levo você ate a porta de sua casa. Não custa nada pra mim, pode ser?”. Ela pareceu duvidosa. Eu a olhei nos olhos, e com um gesto fofo, peguei em sua mão. Ela pareceu surpresa com a situação, mas apertou minha mão e fez que sim com a cabeça. Estranho isso, pra duas pessoas que haviam acabado de se conhecer. Eu ainda me pergunto o porquê desse ato, e acho extremamente tosco, mas okay. Soltei sua mão e segui-a até a rua da sua casa, que não se distanciava muito da minha, apenas dois quarteirões depois da minha. Chegando à esquina da sua rua, ela parou e falou que seu pai e seu irmão não gostavam de vê-la andando com outro rapaz, e então pediu pra que eu a entendesse, e que iria pra casa sozinha. Eu fiquei, bem, meio que chateado, mas tive que aceitar, até porque era a primeira vez que tinha visto essa menina. Mas sim, gostava dela. E tinha plena certeza de uma única coisa na minha cabeça: se nós não namorássemos, seriamos melhores amigos, sem sombra de dúvidas.