E... de Novo
7 Sonolência
Notas iniciais
Quando Raito acordou, Ryuzaki ainda estava dormindo profundamente.
Levantou da poltrona bocejando e saiu do quarto para tomar um pouco de café.
Já haviam algumas pessoas na cafeteria, e assim que se sentou em uma das mesas circulares cor de creme, com uma xícara de café em mãos, uma garota se aproximou dele.
— Com licença? – ela tentou chamar a atenção de Raito – Eu posso me sentar com você?
Raito não respondeu, mas a garota pareceu interpretar aquilo como um sim, porque logo em seguida se sentou na cadeira defronte a ele.
— Quem você está visitando? – ela perguntou – Eu estou aqui por causa do meu irmão mais novo.
A garota devia ter por volta de 16 ou 17 anos, e Raito não podia negar que era bonita, com seus longos cabelos castanhos presos em uma trança frouxa e seus escuros olhos verdes. Mas ele não lhe deu a mínima atenção.
Continuou tomando seu café em silêncio.
Normalmente responderia educadamente, mas agora não tinha absolutamente vontade alguma de ser educado.
Aquela garota tinha que “dar em cima” de alguém justo em um hospital às 7 horas da manhã?! Não tinha um senso comum contra isso não?!
— Ah, meu irmão está me chamando – ela falou de repente olhando para o outro lado da cafeteria, onde um homem acenava para ela – Posso te encontrar depois, né? – piscou para ele e saiu andando, mas antes de se afastar o suficiente, virou de volta para Raito e acrescentou sorrindo — A propósito, eu me chamo Emma. Da próxima vez que nos encontrarmos você me diz o seu nome, está bem? — e se foi.
É, pelo jeito ela não tinha dado a menor importância para a falta de interesse dele.
Raito tomou o que restava em sua xícara e voltou para o quarto. O líquido ainda estava quente, fumegante, mas não queria se demorar ali.
Quando alcançou o quarto no terceiro andar, o médico, que ele descobriu se chamar Tristan Waren, parecia estar tentando acordar Ryuzaki. O médico era relativamente jovem, na casa dos 30, e possuía incomuns olhos arroxeados e cabelos escuros como os de Ryuzaki. Mas o mais importante era que, mesmo sendo jovem, ele inspirava confiança.
Durante a noite Ryuzaki teve que ser acordado umas duas vezes, porque segundo a explicação do Dr.Waren, pessoas que sofrem uma concussão precisam ficar em observação nas horas seguintes à batida para verificar se não há nenhuma alteração significativa.
Nas duas vezes que acordaram Ryuzaki, ele estava estranhamente sonolento e pareceu não reconhecer Raito. E por mais que o médico disesse que aquele estado de confusão fosse perfeitamente esperado, Raito não conseguia não se preocupar com isso.
— Como se sente? – Dr.Waren perguntou à Ryuzaki quando ele lentamente abriu os olhos.
Ele não respondeu.
— Ryuzaki? – Raito chamou nervoso.
Os escuros olhos vaguearam devagar pelo recinto, até encontrar os do outro –... Raito?... – sua voz estava estranha; baixa, um pouco rouca e engrolada.
Dr.Waren pegou uma lanterna e examinou as pupilas do detetive.
— Rapaz, posso falar com você um instante?
Raito seguiu hesitante o médico para fora do quarto, olhando para o detetive por cima do ombro antes de sair.
— O que ele tem?
— Não é como se isso não fosse esperado. Confusão, sonolência, perda de memória, náusea, dor de cabeça, tudo isso é muito comum quando se tem uma concussão. É muito provável que esses sintomas permaneçam por semanas até. – seu semblante ficou mais sério – Mas se ele vir a ter convulsões, perda de consciência ou sangramentos, será motivo de preocupação. O mais importante nesse ponto é observar constantemente o estado do paciente.
— O que podemos fazer? – Watari apareceu de repente ao lado de Raito. Provavelmente havia acabado de chegar ao hospital, porque carregava o casaco dobrado nos braços e retirava o chapéu ao se aproximar.
— O tratamento ideal é repouso. Muito repouso. Mas... Ele pode ir para casa, se vocês assim desejarem.
— Não podemos continuar aqui? – Raito perguntou e deixou um sorriso cansado aparecer – Sabe, ele é do tipo que não descansa a menos que seja obrigado.
— Mas é claro – Dr.Waren sorriu de volta, tranquilizador.
Raito agradeceu e voltou para dentro do quarto, deixando Watari conversando algo a mais com o médico.
Realmente, ele sabia que não conseguiriam fazer Ryuzaki descansar se voltassem para o hotel. Estando no hospital ele não teria muita escolha.
Se surpreendeu um pouco ao entrar e ver novamente o mais velho com os olhos fechados.
— Ryuzaki? – chamou baixo, ao lado da cama – Você está sentindo algo?
Seus olhos se abriram minimamente, apenas para fecharem-se logo em seguida – Eu... Eu estou cansado – falou baixo, e pareceu dormir quase que imediatamente.
— Sonolência, é?... – Raito falou baixo consigo mesmo, lembrando-se das palavras do médico. Isso era tão estranho... por quanto tempo Ryuzaki ficaria assim?...
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