E aí, cê topa?
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Ele não pregou os olhos naquela noite. Talvez um cochilo rápido de dez minutos em algum momento da madrugada. Mas, fora isso... Nada.
Então quando o relógio passou a marcar exatas 5h, Mac levantou, saiu do apartamento e começou a correr, sem um rumo certo como de costume. Na verdade, tudo naquela manhã estava diferente, além, é claro, da roupa um tanto atípica para a ocasião.
Diferente também das outras manhãs, era o motivo pelo qual estava correndo. Geralmente sua corrida matinal girava em torno de manter seu condicionamento físico, boa forma e, as vezes, espairecer. Mas naquela manhã, a única coisa que Mac buscava era afastar todos aqueles pensamentos que inundavam sua mente de forma incontrolada, e tentar convencer a si mesmo de que tudo aquilo não passava de uma confusão sua. Que aquele sentimento novo ao olhar para a sua amiga de quase duas décadas, com um desejo enorme de selar seus lábios aos dela e senti-la tão próxima a si, em seus braços, era coisa de sua cabeça.
Depois de percorrer pelos menos 2km, Mac parou e passou a controlar sua respiração, e através de um suspiro profundo, uma lembrança distante surgiu...
***
Ele já estava encarando aquele memorando em suas mãos por aproximadamente 10 minutos. As pequenas palavras misturavam-se entre si conforme Mac relia, devido as suas vistas embaçadas por causa do cansaço.
Suas mãos largaram o papel em cima de sua mesa e correram até seu rosto, esfregando seus olhos numa tentativa quase falha de desembaça-los. E então ele respirou fundo 1, 2, 3 vezes, e quando reabriu os olhos ela estava lá, escorada na porta de seu escritório como de costume.
— Horatio me enviou um memorando com a nova data da palestra que eu daria em dois meses em Miami. Ele adiantou para daqui a duas semanas, no dia da audiência do Preston.. — respirou fundo.
— Eu sei. — respondeu firme. — Eu pedi a ele que mudasse, assim você não estaria aqui no dia da audiência.
Uma completa confusão formou-se nos olhos de Mac quando ele enfim decidiu encara-la.
— Por que você faria isso?
Stella suspirou e entrou de vez na sala, fechando a porta atrás de si. Seus passos guiaram-na até a mesa, e seus olhos fixaram-se nos dele.
— Porque essa sua fixação por esse caso está te deixando cego, Mac. Você tem tomado atitudes sem dar a mínima para as consequências, assim como fez no caso Clay Dobson. Lembra como terminou, certo? Você sendo acusado de assassinato.
— Você está exagerando. — respondeu calmo.
— Exagerando? Eu não sei se você se deu conta, mas nós dois estamos em pé de guerra a semana inteira.
— Se você não tivesse mentido pra mim, isso não estaria acontecendo. — disse enquanto se levantava, já perdendo a paciência.
— Você não vai jogar a culpa em cima de mim. Tudo o que eu fiz foi pro seu bem, Mac.
— Assim como está fazendo agora? — perguntou com deboche.
Stella respirou fundo e desviou seu olhar, quebrando o contato com ele.
— Eu não vim aqui pra brigar.
— Tarde demais. — respondeu secamente.
Mac deu a volta na mesa e passou por Stella na intenção de sair da sala, mas ela o impediu segurando seu braço.
— Mac, me deixa te ajudar. — pediu com carinho.
Mac olhou pela primeira vez naquela semana nos olhos de Stella sem estar com raiva, e aquilo o fez perceber a preocupação que ela estava sentindo.
— Eu não preciso de ajuda. Está tudo bem. — respondeu com calma.
Stella suspirou e soltou o braço de Mac, fazendo seu caminho até a porta.
— Se quiser continuar me afastando como tem feito até agora, tudo bem. A escolha é sua. Mas eu não vou ficar sentada vendo meu parceiro se afundar dessa forma. — afirmou com convicção.
Mac a observou sair da sala, e só ali ele se deu conta de como estava agindo, finalmente abrindo seus olhos.
— Me afastar de você não é a resposta. — sussurrou após a lembrança se dispersar. Então seus pés voltaram a se movimentar rapidamente, dessa vez para o lado oposto, voltando para o apartamento de Stella.
***
Já eram quase 7h quando ele chegou no apartamento. Para a sua surpresa, Stella já estava acordada tomando seu café no sofá.
— Ei, acordou cedo. — disse fechando a porta.
— Eu perdi o sono. — explicou com um leve sorriso. — Deixei uma caneca com chocolate quente pra você em cima da mesa.
— Alguém aqui está tentando me superar? — perguntou com um tom divertido.
— Talvez.. — respondeu rindo.
Após pegar sua caneca, Mac sentou-se ao lado de Stella no sofá. Novamente o silêncio adentrou o local, assim como na noite anterior.
— Você conseguiu dormir? — Stella perguntou baixinho após alguns segundos em silêncio.
— Não muito. Quase nada, na verdade..
— Eu também não.. — sussurrou em resposta.
Mac desviou seu olhar para Stella e a viu distraída enquanto mexia o resto do líquido quente na caneca. Seu semblante sereno poderia até esconder das outras pessoas o que estava sentindo, mas Mac a conhecia muito bem para se deixar levar por uma expressão facial.
— Parece preocupada. — afirmou enquanto a olhava.
— Você também.
— Por que acha isso? — perguntou com uma sobrancelha arqueada e um leve sorriso nos lábios.
Stella deixou sua caneca em cima da pequena mesinha do centro e se ajeitou no sofá somente para olhá-lo.
— Você correu de calça jeans e sapato social.
Mac riu.
— É, não posso me defender contra isso. — quando seus olhos encontraram o sorriso de Stella, aquele sentimento que havia dentro dele reacendeu, mesmo ele não fazendo idéia do que era. E então Mac soube que aquela lembrança que tivera antes não foi em vão. Ele pôs sua caneca em cima da mesa e apoiou os braços sobre os joelhos, desviando seu olhar brevemente antes de voltá-los para ela. — Durante a corrida eu me lembrei de uma briga que tivemos há alguns anos.. — sussurrou. — Nós havíamos tido uma discussão no final de semana por um motivo que eu nem me lembro. Daí a semana começou com um caso difícil e eu me joguei com tudo nele. Como já não estávamos bem eu acabei descontando em você todas as frustrações daquele caso. Você só estava querendo me proteger, e ainda assim eu te afastei.
Stella respirou fundo, relembrando da semana que marcou uma das fases mais difíceis de sua amizade com Mac.
— Não foi uma semana muito fácil.. — sorriu de canto. — Mas por que lembrou disso agora?
— O meu maior erro naquela semana foi ter te afastado de mim achando que eu poderia resolver tudo sozinho, e eu não quero cometer esse erro de novo. Eu realmente não sei como vamos lidar com isso. Só não quero que me afastar de você seja uma opção.
— E não precisa ser. — respondeu com sua voz suave. — Talvez a única solução seja esquecer tudo e seguir em frente.
Mac franziu o cenho de forma espontânea. Dizer que ele não havia pensado naquela possibilidade seria mentira. Mas o impacto que aquela simples idéia saindo da boca de Stella trouxe, foi maior do que ele imaginava.
— É isso que você quer?
— Sim.. — respondeu com a voz falha, enquanto seus olhos caíam sobre seu colo.
Mac se ajeitou no sofá e aproximou-se mais dela, fazendo com que ela o olhasse nos olhos.
— Certo. Agora diz olhando nos meus olhos. — pediu carinhosamente.
— Mac.. — repreendeu-o.
— Só quero ter certeza que estamos indo pelo caminho certo, e que esquecer isso vai ser o melhor. — explicou calmamente. — E você não consegue mentir quando olha nos meus olhos. — sorriu convencido.
— Não me pede isso, por favor. — suplicou.
— Por que não? — indagou confuso.
— Porque parece que eu não consigo tomar decisões completamente racionais quando olho nos seus olhos. — sorriu sem graça.
— Então está admitindo que esquecer a noite passada não é o que seu coração quer?!
— Sim.. — respondeu finalmente o olhando nos olhos. — Eu não quero fingir que as últimas doze horas não significaram nada pra mim. Mas eu não posso levar em conta o que meu coração quer agora.
Mac tentou pela última vez buscar nos olhos de Stella algo que dissesse o contrário. No fundo ele sabia que aquela era a melhor decisão, mas a forma como tudo estava acontecendo o deixou, no mínimo, chateado.
— Fingir que nada aconteceu é sempre o caminho mais fácil. — esboçou um leve sorriso, visivelmente decepcionado.
— Mac..
— Você tem razão. Tudo aquilo não foi nada demais, de qualquer forma. Vai ser melhor assim. — disse enquanto se afastava.
— "Não foi nada demais", sério? — perguntou como seriedade.
Mac suspirou.
— Isso não importa muito agora.
— Se não significou nada pra você, por que está tão chateado?
— Por que está tornando as coisas mais difíceis?
— Mac, eu só estou tentando pensar no que é melhor pra nós dois.
— Claro, porque você sempre sabe o que é melhor. — ironizou.
— O que está insinuando? — indagou com os olhos semicerrados.
Mac viu no olhar de Stella o mesmo que havia visto naquele dia, uma mistura de decepção e raiva. Quando ele percebeu que tudo estava se repetindo, respirou profundamente, afundando novamente seu rosto em suas mãos.
— Me desculpe. Eu não queria começar uma discussão de novo com você. — suspirou. — Eu não quis dizer que a noite passada não significou nada. Na verdade ela significou mais do que eu possa admitir pra mim mesmo. — sorriu sem graça. — Quando eu contei ao Don sobre sua proposta, ele me perguntou se isso não me confundiria de alguma forma, por causa da nossa amizade. Eu disse que não, que era só encenação e nada mais. Eu queria que fosse verdade, tornaria as coisas mais fáceis.
Stella permaneceu em silêncio por um tempo, ignorando o choro preso em sua garganta.
— Me desculpe..
—Vamos esquecer isso! — exclamou olhando-na com um sorriso reconfortante. — Agora vou deixar você ir trabalhar. Não quero te atrasar.
Stella simplesmente sorriu, tentando parecer o mais convincente possível.
— Nos vemos mais tarde. — sussurrou.
Mac suspirou e se levantou, seguindo para o quarto de hóspedes. Enquanto isso, Stella permaneceu ali por mais alguns breves minutos, que para ela mais pareceram horas.
A verdade é que para outras pessoas o que aconteceu, ou quase aconteceu, na noite passada poderia não ter significado nada. Mas para os dois, que traziam consigo uma bagagem de quase duas décadas, significava o rompimento de uma barreira que havia entre eles. A questão é que rompê-la não fazia parte do acordo.
Menos de uma hora depois, ambos saíram de casa seguindo rumos diferentes. Mac foi buscar seu carro com o reboque, levando-o para o concerto. Já Stella juntou toda a força que tinha para enfrentar mais um dia de trabalho, deixando de lado tudo que pudesse distraí-la. Preparados ou não, uma longa noite os esperava.
***
Algumas horas depois...
— Por favor, me diga que esse é o nosso cara. — pediu Stella em tom de súplica ao entrar em uma das salas de DNA.
— Ele não só é o nosso cara como também é o responsável pela morte de Joanna Blake. Lembra? Um caso arquivado há uns dois meses.
— Esse é o tal namorado da Joanna que ninguém sabia da existência? — indagou.
— Esse mesmo. Roy Cooper, um namorado de aluguel. — respondeu Adam entregando o tablet nas mãos de Stella. — Joanna o contratou na época porque precisava de companhia em um jantar de família. Sua família é uma daquelas que pegam no pé com essa coisa de namorado. Enfim, ele também foi contratado por Amber Johnson.
— Nossa vítima de hoje. — completou lendo as informações.
— Ela mesma. O DNA debaixo da unha da vítima é o mesmo encontrada em Joanna, só que na época não tínhamos Roy no banco de dados.
— E o que ele faz pra entrar?
— Assaltou uma joalheria na semana passada. — Stella riu incrédula.
— Não acredito. — suspirou. — Dois casos de uma só vez.. Bom trabalho, Adam. — disse devolvendo o aparelho e se retirando da sala em seguida.
Já eram quase 13h quando ela checou o horário em seu relógio de pulso. O barulho de seu salto alto seguia em direção ao elevador, levando-na provavelmente a um restaurante qualquer na esquina para almoçar.
O elevador estava logo a frente, e junto à ele alguém que ela não imaginava ver.
— Aubrey?!
Ao ouvir seu nome, Aubrey se virou e sorriu levemente.
— Stella! Oi..
— Oi.. — Stella se aproximou com um sorriso acolhedor no rosto. — Mac está de folga hoje.
— Oh, eu sei.. Quer dizer, um dos técnicos me avisou. — disse com uma risada nervosa. — Stella, me desculpe. Eu realmente não sabia.. É que há algumas semanas nós combinamos de nos encontrar e, bom, no dia ambos estávamos ocupados e não conseguimos. Daí eu vim convidá-lo para almoçar e.. — Stella ouvia tudo atentamente, porém sua sobrancelha levemente arqueada mostrava a Aubrey sua aparente confusão sobre o assunto.
— Aubrey! — interrompeu-a gentilmente. — Por que está nervosa? — perguntou com um sorriso. — Não precisa me explicar o que veio fazer aqui, eu só..
— Como não? Vocês estão namorando agora.. — disse envergonhada. — Eu já vou indo. De qualquer forma, parabéns pelo namoro.
— Espera! — Stella pôs a mão em seu ombro, impedindo-a de entrar no elevador. — Preciso te contar uma coisa antes. Pode vir até minha sala um minuto?
Mesmo com certo receio em permanecer ali, Aubrey concordou e seguiu com Stella para a sua sala. Ao chegarem, ambas sentaram-se lado a lado no pequeno sofá.
— Mac e eu não estamos namorando. — afirmou.
— Oh.. — sussurrou. — É que eu ouvi alguns técnicos conversando e..
— Eu pedi ao Mac que fingisse ser meu namorado essa semana, só pra um cara sair do meu pé. — Aubrey a olhou indignada, fazendo-a rir. — Eu sei, é loucura. A questão é que, eu não sabia que vocês estavam saindo. Se eu soubesse não teria feito essa proposta pra ele.. Sinto muito, Aubrey.
— Não precisa se desculpar. Pra falar a verdade nem estamos saindo. É complicado também.. — sorriu de canto.
— Bom, complicado ou não, eu vi a forma como vocês se olharam naquele dia em que eu fiz meu showzinho na piscina, quase me afogando.. — Aubrey riu.
— Você realmente o assustou nesse dia.
— E acredite, não foi a última vez. — sorriu. — Olha, se quiser conversar ou.. Eu não sei, talvez sair pra beber..
— Obrigada, Stella. Não só pela parte da bebida, mas também por ter esclarecido. Eu realmente andei confusa essas últimas semanas e, você sabe, Mac é fechado.. Enfim, obrigada. — agradeceu com um sorriso enquanto se levantava. Stella simplesmente acenou, vendo-a ir até a porta. — Ah, quando você vê-lo...
— Vou dizer que esteve aqui. — completou com um pequeno sorriso, vendo-a sair.
Stella pôs seus cotovelos sobre os joelhos e afundou o rosto em suas mãos, respirando profundamente.
— Não posso empacar sua vida dessa forma.. — sussurrou. Uma de suas mãos buscou rapidamente o celular em seu bolso, discando o número da única pessoa que poderia ajudá-la naquele momento. — Adam! Preciso de um favor.
***
— Eu quase acreditei que você ficaria longe de trabalho hoje. — zombou Don ao ver Mac se aproximando de sua mesa.
— É mais forte que eu. — brincou com um pequeno sorriso.
— O que te traz aqui? Algum caso não resolvido de dez anos atrás?
— Não dessa vez. — ele sentou-se na cadeira e suspirou.
— Sinto cheiro de problemas no paraíso. Deixa eu advinhar: Stella?
Mac desviou seu olhar para o resto da delegacia.
— Você tinha razão. — disse com um tom baixo. — Eu fui ingênuo em achar que não confundiria as coisas. Eu não devia ter concordado com isso, mas..
— Você sempre fará qualquer coisa para ajudá-la. — completou Don com um sorriso de canto.
— Até concordar em ser seu namorado. — suspirou, voltando sua atenção à Don.
— Vocês brigaram?
— Quase.. Mas não estamos no nosso melhor dia, com certeza.
— Talvez o jantar seja uma boa pra vocês se distraírem.
— Essa idéia foi sua? — perguntou com os olhos semicerrados.
— Não, foi da Jamie. — sorriu. — De qualquer forma, achei que seria uma boa. O que acha?
— Depois de hoje cedo, não sei se Stella acha esse jantar uma boa. — murmurou.
— Bom, pode perguntar a ela. — disse acenando para a entrada. Mac se virou e observou Stella vindo com um leve sorriso em sua direção.
— Parece que alguém não consegue ficar longe de trabalho. — implicou.
— É mais forte que ele. — provocou Don.
— Está tudo bem?
— Podemos conversar? — pediu com seriedade.
— Claro! — Mac se levantou e acenou para Don antes de pôr sua mão nas costas de Stella, guiando-a gentilmente para fora da delegacia. — Como soube que eu estava aqui? Adam? — Stella sorriu.
— Não posso revelar meus contatos, detetive. — provocou-o.
— Usando minha própria equipe contra mim? — brincou parando do lado de fora da delegacia.
— Talvez.. — Stella destrancou seu carro e ambos entraram.
— Você parece chateada.. — comentou a olhando. — Seja lá o que for não parece ter a ver com a nossa conversa de hoje mais cedo. Aconteceu alguma coisa?
Stella se virou para olhá-lo, controlando-se ao máximo para não sorrir. A forma como ele a conhecia a admirava completamente.
— Por que não me contou que você e Aubrey estavam saindo?
— Porque não estamos. — respondeu com seriedade. — Não mais..
— Eu a encontrei no laboratório antes de vir pra cá. Ela ia te convidar pra almoçar.. — explicou com calma.
— Stella..
— Eu nunca devia ter pedido sua ajuda. Eu te coloquei numa situação complicada, como sempre.
— Ei.. — Mac colocou sua mão sobre a de Stella, apertando carinhosamente. — Eu aceitei porque eu quis!
— Eu não te dei escolha, Mac. Eu joguei isso sobre você achando que não seria nada demais. Se eu soubesse que você e a Aubrey..
— Stella, não há "eu e a Aubrey". Precisa acreditar em mim. — apesar do semblante calmo no rosto de Mac, Stella observou o desespero em seus olhos. Ele precisava saber que ela confiava nele.
— Você não me deve satisfação. Eu só quero ver a sua felicidade. — sorriu levemente. — Eu já vi a forma como você olha pra ela. Eu te conheço muito bem, lembra? Seja lá o que você sentir por ela, não posso estar no seu caminho quando descobrir.
— O que quer dizer com isso? — perguntou confuso, sem soltar sua mão da dela.
— Quero dizer que estou te liberando mais cedo do nosso acordo.
— O que??!
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