E Seu Eu Sentasse Na Cadeira Ao Teu Lado?
7 VII — Vais Ser Papá!
Hard not to spoil you, rotten
Looking like lil me
The most beautifulest this thing in this world
Daddy's little girl, yeah
− Jay-Z in Glory
Wednesday, 09:12 a.m. Adam’s House, California
Faziam três meses desde que tudo tinha acontecido, desde que tudo tinha mudado e desde que tudo tinha ido, excentricamente, ao normal. Apenas Adam e Kimberly sabiam o que se tinha passado naquela noite, somente eles.
Kelly e Millena bombardearam Kimberly com perguntas sobre o porquê de só voltar no dia seguinte, enquanto Adam e Richard falavam sobre a Universidade de Medicina.
Kimberly tinha a sensação de culpa por não contar a Kelly ou Millena, mas elas julgá-la-iam, com muita pouca razão…
Adam e Richard pareciam amigos de longa data, falavam e riam fluentemente. Adam, talvez, não lhe lembrava a ideia de “Ele poderá ser o teu futuro sogro.” Uma das vantagens dele seria que, Richard era um adolescente num corpo dum homem trintão.
…
− Já acabou o filme? – Kimberly tinha a cabeça pousada no colo de Adam. Para variar, eles estavam em casa dele, a maior parte dos seus dias eram passados na casa dele. Ultimamente, Kimberly sentia-se cansada ao extremo e maldisposta com qualquer coisa. Um dos casos que fez todos pensarem que estaria doente tinha se passou na sexta-feira passada
“ − Tu tens razão! Devíamos lá voltar! – Kelly falava sobre visitar a casa onde tinha passado a adolescência. Richard tinha um leve trauma relacionado com aquela casa. Os pais de Kelly não admitiam que Richard, um rapaz da classe média-alta visitasse a filha deles, mesmo depois de ter abandonado a casa dos pais.
Sim, Kelly tinha saído de casa aos quinze anos. Porquê? Kelly não teve a infância que todos nós desejamos. Um pai alcoólatra e uma mãe dependente de drogas que se prostituía para conseguir pagar a heroína. Mal viu a oportunidade de sair de casa, ela agarrou-a. Hoje em dia, não sabe nem se os pais estão vivos ou não.
− Claro! Foi naquela casa que finalmente te pode visitar, mesmo achando que os teus pais iriam aparecer de caçadeira em punho. – Richard acariciou a mão direita de Kelly. – Kim? Vais querer café?
− Não! Nem pensar! Esse cheiro – Fez uma pausa curta entre as palavras. – Tão enjoativo, céus!
− Como?! Tu adoras tomar café após o jantar. – Adam ficou um pouco chocado depois de ouvir a recusa por parte dela. – Sentes-te bem?”
− Sim. Tu adormeceste a meio. – Kimberly levantou-se num pulo e acelerou os passos na direção da casa de banho. Adam olhou-a tentado perceber o porquê. A sua mão segurava a boca. Ele levantou-se no mesmo instante no qual percebera a lógica.
A porta estava apenas encostada. Ele chegou segundos depois dela. Ela estava sentada no tampo da sanita/privada, a segurar a cabeça entre as mãos.
− Estás bem? – Adam tinha ficado ajoelhado à sua frente e colocou atrás da sua orelha um pedaço de cabelo. A sua resposta parecia tentar formular-se na sua cabeça.
− Eu não sei… − A sua voz parecia assustada e confusa.
− Tu precisas de ir ao hospital. Imagina que é algo grave? – Ele segurava as suas mãos com força. Kimberly continuou sem responder de imediato.
− Não. Não precisa de tanta preocupação. – Kimberly levantou-se com certa dificuldade. Adam continuou na mesma posição.
Wednesday, 12:02 a.m. Kelly’s House, California
Adam tinha deixado Kimberly em casa. Ele pressentia que ela estava doente, talvez. Mas ela tinha herdado a teimosia da sua mãe, segundo Kelly.
Kimberly não queria ir ao hospital pela suspeita de saber do que se tratava, não queria que Adam soubesse assim daquela maneira direta e dura. A sua cabeça ia a mil, coisas que nunca lhe tinham passado pela cabeça, como?
Ela fazia figas com mais força do que o habitual, pelo desespero, as suas preces não faziam o mínimo sentido, não havia senso para tal. O seu coração parecia querer saltar pela boca.
As suas mãos, no chão gelado do quarto, a sua cara a escaldar pelas lágrimas que formaram minúsculas poças no chão… Era tempo de erguer o corpo e saber a verdade, a verdadeira razão de todo o seu mau-humor, os seus enjoos sobre tudo e a falta de entusiasmo.
Os seus passos que iam sendo alternados entre lentos e rápidos. A sua coragem era tão pouca. Que vergonha! Ela não se conhecia mais, não mais! Ela nunca foi de demonstrar medo, mesmo que a sua alma estivesse a morrer aos poucos.
Ela pousou a caixinha e tirou o teste, leu tudo com calma e atenção para não errar nada, devido à falta de coragem e anseio, teve de reler umas cinco vezes, quase sem efeito. Impossível, as suas mãos tremiam a cada segundo sem a mínima certeza sobre nada.
…
Os minutos não passavam, não passavam os minutos assinalados naquela caixa. Okay, um exagero certo, porque afinal faltava menos de trinta segundos. Não! Ela não queria saber tudo ao mesmo tempo.
Enquanto o seu pensamento estava longe, o tempo tinha passado. Pegou na sua pequena bolsa e foi com pressa a casa de Adam, ela não se podia conter, mas teria de ser agora ou nunca.
O tempo não ajudava, era chuvoso e com vento forte, o pior para Kimberly. O tempo parecia aliviar, apesar de tudo. O táxi andava devagar devido aos pneus carecas, muito trabalho, certo?
− Menina, chegamos! – O taxista interrompeu os pensamentos sobre nada de Kimberly, um nó ia crescendo na garganta dela. Kimberly pegou numa nota e pagou o que devia.
− Obrigada, Sr…. – Kimberly parou a frase, porque, bem, ela não sabia o seu nome.
− Ryan e, por favor, nada de Sr. Eu só tenho quarenta e um anos. – Ele sorriu e entregou um cartão muito criativo a Kimberly, com nome, número de telefone e um slogan que arrancou uma gargalhada a Kimberly.
− Okay, Ryan! Obrigada, mais uma vez. – Kimberly acenou-lhe e o carro foi-se afastando como uma leve neblina. Kimberly olhou o prédio que tinha inúmeros apartamentos.
Kimberly encarou-o bem e avançou com passos fracos que se alteraram para passos mais pesados. Como ela queria isto fosse diferente.
Kimberly encarava, agora, a porta de entrada do apartamento de Adam. Tocou uma vez só e pôde sentir a presença de Adam a abrir a porta quase que de imediato.
− Ah! Kim! Pensei que tivesses ficado por casa, hoje. – Adam falou surpreendido. – Eu estava a cozinhar algo para comer, antes de ir à biblioteca municipal. Queres entrar? – Adam deu espaço para Kimberly entrar.
Kimberly entrou sem pronunciar nada apesar do olhar pesado e sério. Adam fechou a porta de seguida, aproximou-se dela na tentativa de lhe roubar um beijo, tentativa, Kimberly simplesmente se afastou.
− Nós precisamos falar, a sério. – Kimberly olhou-o nos olhos por poucos segundos. – Podes continuar a fazer o que estavas a fazer. A cozinhar, claro. – Adam virou-se e seguiu para a cozinha.
− Okay, podes falar. – Adam falou e pegou na faca. Ele cortava alguma coisa, algo que Kimberly não tinha dado conta do que era.
− Adam… − Kimberly fez uma pausa para tomar coragem, para tomar vinte segundos de coragem.— Adam… Eu estou grávida… − Kimberly deitou a mão à boca após concluir a sua frase. Pode ver os músculos das costas de Adam a descontrair.
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