E Seu Eu Sentasse Na Cadeira Ao Teu Lado?
8 VIII — Deixa-me!
Ever worry that it might be ruined
Does it make you wanna cry
When you're out there doin' what you're doin'
Are you just getting by
Tell me are you just getting by, by, by
− P!nk in Try
Ele deslizou as mãos pela bacada arredondada e virou-se, olhando Kimberly.
− Tu o quê?! – Ele não demonstrou qualquer sentimento de alegria ou euforia. Pareceu frio e que não queria acreditar no que ouvira. O coração de Kimberly iria-se partir se isso fosse verdade, se fosse verdade que ele não queria ser pai.
− Eu… estou grávida. Vamos ser pais! – Kimberly tentou demonstrar alegria. O seu corpo aproximou-se de Adam. O seu corpo tremia um pouco, um pouco receoso, talvez. Adam “empurrou” o seu corpo de leve. As suas mãos foram à cara.
− Não! Isto não pode ser verdade! – Adam tentou enganar a sua mente. – Isto é uma brincadeira, certo? – Adam segurou as mãos de Kimberly. Os seus olhos estavam inundados de medo. – Kim?!
− O quê?! Como te atreves a dizer isso? Achas que eu brincaria com isto? Adam?! – Kimberly olhou-o nos olhos. – Tu não queres ser pai?
− Não! Eu não quero ser pai, não agora! – Adam soltou as suas mãos. O seu corpo voltou-se.
− Como assim não? Não queres ser pai? – Kimberly gritou. – Tu levas-me para a cama e depois é assim?
− O quê? Tu só foste porque quiseste, eu obriguei-te? Não, então! – Adam gritou com Kimberly também. Os gritos deles já se deviam fazer ouvir do lado de fora. – Tu vais tirar essa coisa!
− Essa coisa? Essa coisa é o teu filho! Tu fazes parte disto, eu não o fiz sozinha. Mas acho que ele ficará muito melhor assim, sem um pai medroso. Obrigada!— Os olhos de Kimberly ameaçaram chorar pelo mesmo motivo: Adam. Era sempre assim, todos a queriam, mas ninguém tocava o seu coração.
Kimberly saiu do apartamento de Adam a chorar, nem ela mesma sabia se valia a pena. A sua raiva começava a nascer, ela estava farta que as coisas dessem errado, quando antes estavam certas, fazia tempo que não sabia o que era esse sentimento.
Kimberly começou a arrepender-se de ter vindo a pé até casa de Adam. A chuva ameaçava ficar mais forte, não que ela não gostasse da chuva, ela amava, mas agora só lhe lembrava mais as palavras de Adam: “Você vai tirar essa coisa!” Elas ecoaram na sua cabeça como uma assombração.
Kimberly correu para a porta principal da casa, a chuva parecia desaparecer, era confuso ter uma confirmação. As suas mãos húmidas tentaram encontrar a chave de casa.
− Kelly? Kelly?! – Kimberly chamou pela sua tia, mas ela não lhe respondeu. Com certeza estaria a cuidar das jarras de flores ou tinha adormecido ao lado de Richard.
Kimberly “descansou” o corpo ao pensar que Kelly estivesse a dormir ao lado de Richard, ela fazia-o sempre, sempre!
− Kimberly! Chega aqui, imediatamente! – Kimberly rapidamente saltou do seu lugar. Não tinha deitado ao lixo o maldito teste, mas que raio de pessoas deixa uma coisa daquelas em cima do móvel da casa de banho?!
− Sim? – Perguntou hesitante, enquanto os seus olhos fechavam lentamente num pedido de ajuda. Kelly nunca tinha gritado pelo seu nome daquela maneira.
− O que é isto? Kimberly responde! – Kelly segurava o teste na mão esquerda, dando, assim, a mostrar a Kimberly. Ela podia jurar que Kelly a comeria viva só com o olhar, os seus olhos arregalados formaram o nó na garganta de Kimberly.
− Isso é… Bem isso… − Não sabia como dizer, não tinha explicação mais clara. A sua mão suada, devido ao nervosismo, esfregava o seu braço direito.
− Tu estás grávida? Grávida? Sabes que idade tens? Tu tens apenas dezassete anos! – Kelly gritou com Kimberly. A sua voz suava a desespero, a dor e a medo. Já não a tratava por Kim, mas por Kimberly.
− Não foi a minha intensão! – Kimberly perdeu-se no seu choro. Richard desceu as escadas apressado, era impossível não ouvir os gritos das duas e não querer saber o porquê. – Eu juro que não…
− Para! Simplesmente, para! Vocês são uns irresponsáveis! O Adam é o pai da criança? – Kelly questionou Kimberly como se fosse o fim do mundo, as suas perguntas nasciam do nada e eram totalmente aleatórias, sem mais nem menos.
− Sim, ele é o pai. – Kimberly hesitou em responder, talvez pela desilusão que lhe lembrava sempre que falava ou ouvia o nome de Adam Walter. Richard abraçou Kimberly de lado e beijou a sua testa. Kelly deitou o teste fora com frieza.
Richard acompanhou a saída de Kelly com o olhar, ele não sabia o porquê de ambas estarem a discutir e a gritarem com tanta força. O seu corpo abraçou automaticamente Kimberly.
− Grávida? – Richard falou baixo. Kimberly assentiu com vergonha e falta de ânimo para mais um sermão. Só que não, Richard apenas colocou a mão sobre a cabeça dela e fê-la deitar sobre o seu peito. O choro de Kimberly ficou mais forte, ela começou a hiperventilar. – Calma, tudo vai dar certo! Okay?
− E se não der? – Kimberly falou baixo e rouco. – O que farei?
− Ouve, Kimberly. A tua tia, ela está apenas assustada e com medo daquilo que esta mudança possa trazer. A tua vida é mais importante do que qualquer outra coisa. Fica a saber que quando nos conhecemos, ela assumia-te como filha dela, filha de sangue e não adotiva. Ela tem medo de te perder da mesma maneira com que ela quase se perdeu.
− Como assim? Como assim de me perder da mesma maneira com que ela quase se perdeu? – O choro de Kimberly tinha cessado um pouco mais. – Richard, já que começou, acabe!
− Okay, tu estás certa. A tua tia teve um namoro que durou sete anos, bem antes de ficar contigo, ela ficou grávida e os pais não gostaram tanto da notícia quanto ela. Eles forçaram-na a fazer um aborto ilegalmente, o que originou uma infeção. A partir daí, ela ficou com dificuldades em engravidar. – Um grande “o” formou-se na cara de Kimberly.
− A sério? Ela nunca me falou nisso. Acho que ela continua magoada com o passado.− Richard acariciou o seu cabelo. – Agora, acho que tenho de ir. – Richard olhou-a de modo a interrogá-la. – Vou para casa da Millena, acho que os ânimos estão muito quentes. – Mentira.
− Claro! Eu aviso a tua tia disso, já agora – Richard parou Kimberly – Este rímel sai da minha camisa, certo?
− Isso aí eu não tenho certeza! – Kimberly riu e Richard acompanhou as gargalhadas.
Kimberly fechou a porta das traseiras e caminhou receosa, muito receosa. Ela apenas queria chorar, mais do que aquilo que já tinha chorado. As suas pernas tremiam pela fraqueza e os seus olhos não enxergavam mais o caminho.
Ela parou na praia mais próxima que ficava a poucos metros da sua casa. A areia fina e gelada fazia-a arrepiar-se e a brisa fazia-a ficar tonta, o som das batidas do mar era como uma canção de embalar.
O som crescente do telemóvel no bolso de atrás chegava aos ouvidos de Kimberly, mas que devido à visão cansada não conseguia ver o nome da pessoa que fazia a chamada.
− Sim? – Atendeu com dúvida. – Quem fala?
− Quem fala? Como assim? Apagaste o meu número, vadia? – Millena riu do outro lado da linha. – Kim? Estás bem? – Millena conseguiu ouvir o choro baixo de Kimberly. – Kim?!
− Sim, Mill. Não está nada tudo bem, eu não sei mais o que se está a passar. Por favor, vem só ter comigo, eu estou na praia mais próxima da minha casa, sim? – Mill sentiu-se inútil naquele momento, a sua melhor amiga estava mal e ela estava a leste das coisas
Wednesday, 12:01 p.m. Beach, California
− Kim? Kim! – Millena gritou pelo seu nome na esperança que Kimberly respondesse. − Garota! O que estas a fazer aqui, já é meia-noite! – Millena chamou a atenção da garota que abraçava os joelhos e não pronunciava nem sequer uma palavra.
− Eu estou grávida, Millena. – Kimberly encarou o mar pouco, muito pouco nítido. Os seus braços gelados abraçavam as suas pernas molhadas pelas suas lágrimas.
− Sim, isso é muito bom… − Millena procurou algo na sua bolsa tão atentamente, que as palavras de Kimberly não tinham sido filtradas. – O quê? Como assim? – Millena largou a sua bolsa na areia fina e sentou-se perto de Kimberly.
− Por favor, mais um sermão, não! – Kimberly pediu com a pouca força que lhe restava.
− Já contaste ao Adam? Kimberly fala comigo. – Millena ignorou o pedido de Kimberly, uma vez mais, dobrou os joelhos e sentou-se ao lado de Kimberly.
− Já! – Millena pediu que contasse mais alguma coisa. – Ele não quer ser pai, Mill! Ele enxotou-me como um cão. – Kimberly utilizava, agora, palavras baratas.
− Eu já sabia.− Millena coçou a sua nunca, Kimberly não entendia o que ela pretendia dizer. – Kim, tu precisas de saber uma coisa…
− O quê? Que afinal sou uma vadia? Porque com certeza ele tem alguém, que se chama Alicia? – Millena arregalou os olhos. Como podia Kimberly saber disso?
− Como sabes sobre ela?
− Eu li uma mensagem tua, foi há uns meses. – Millena coçou novamente a cabeça. Ela tinha que contar, porque sabia que Adam não o faria tão cedo.
− Não, Kim! Para um pouco e ouve, sim? Talvez as respostas que procuras estejam à tua frente, sim? – Millena agarrou nos pulsos de Kimberly. – Como tu sabes, o Adam, ele era um bom aluno, bom namorado, bom garoto… No fundo, as garotas queriam a sua atenção, sempre e de qualquer maneira! Ele teve uma namorada por cinco longos anos, até que nos últimos dois anos a relação começou a ficar monótona e repleta de ciúmes, da parte dela. – Kimberly olhou séria Millena. – Alicia, era o nome dela. Adam não podia falar ou olhar para uma garota, que ela começava a imaginar coisas perversas, ele queria terminar com ela. Um dia ela chegou em casa dele e contou-lhe que estava grávida dele. Adam abdicou de muitas coisas e ficou com ela, só que nada daquilo era verdade. A Alicia era uma aldrabona, simples!
− Como é que ele descobriu isso? – Kimberly pousou a cabeça nas pernas de Millena, enquanto esta fazia carinhos no cabelo de Kimberly, embora ela odiasse isso.
− O Adam perguntava-lhe o porquê da gravidez dela ser tão calma e a barriga estar um pouco pequena para cinco meses. Ela não aguentou a pressão e admitiu.
− É por isso que ele não quer compromissos tão cedo? – Millena assentiu.
Friday, 15:13 p.m. Kelly’s House, California
Fazia algumas semanas desde que Kimberly soube que carregava um pequeno “anjinho”. Tudo tinha voltado ao normal, Kelly desculpou-se e cuidava mais que nunca de Kimberly, Richard bancava de “avô babado”, Millena e Mia ocupavam agora um lugar mais especial.
O passar do tempo fazia a barriga de Kimberly ganhar tamanho. Com isso vinham os quilos a mais, que bem, a faziam perder a cabeça.
Ela falava sempre para Mia e Millena que estava gorda e feia, que nunca conseguiria ficar com alguém assim, nunca mais. Felizmente, elas estavam lá, para lhe levantar o ânimo e a entreter.
− Ah, não! Estas calças estão tão justas! – Kimberly experimentava a roupa do seu armário, mais um par de jeans pouco usados voaram. Mia e Millena bateram na testa pela milésima vez.
− Kimberly, tu estás grávida, meu amor! É normal. Além, tu estás muito mais gata assim. – Mia abraçou Kimberly por trás. Millena fingiu um tipo estranho de tosse. – Meu amor, eu sempre te amarei! – Millena deu um selinho a Mia.
− Mia, acho que temos que ir. – Millena olhou para o relógio.
− Ir para onde?
− Consulta de rotina da Mia, e para fechar com chave de ouro, ela tem o carro na oficina. – Mia encolheu os ombros e riu. – Vamos? – Millena e Mia despediram-se da garota e saíram porta fora.
Ultimamente, Kimberly começou a perceber o porquê de Millena amar tanto Mia. Ela era especial, alguém que devia manter por perto.
Kimberly dobrava algumas roupas, aquelas que lhe serviam, num gavetão qualquer, até que sentiu uma dor no fundo da sua barriga, que lhe lembrara as dores menstruais.
Fale com o autor