E Seu Eu Sentasse Na Cadeira Ao Teu Lado?
9 IX — Este é o Nosso Pequeno Anjo.
When you were born
The angels sighed in delight
They never thought they'd see such a beautiful sight
− Beyoncé in God Made You Beautiful
Era impossível ser a sua menstruação. Ela estava grávida e não tinha gostado nada daquela sensação, ela não tinha gostado de nenhuma sensação que não fosse vulgar na sua gestação.
As suas pernas pesavam, parecia que estava a arrastar pesos de cinquenta quilos em cada uma delas. Sentou-se o mais depressa possível, o seu corpo parecia estar a rebentar de dores, também.
Ela não se sentia muito confortável ali parada. Ninguém estava em casa para a ajudar. Kelly tinha ido fazer a manutenção das luzes no cabelo e Richard tinha ido à pesca com amigos de longa data.
Kimberly deixou-se escorregar pelo sofá, de modo a sentir o chão branco e frio, o que desencadeou um efeito calmante. A sua cabeça virou para pegar o seu telemóvel que estava preso no sofá, entre o assento e a mãozeira. A sua atenção foi para o rasto contínuo de sangue no assento do sofá, nada bom!
A sua mão deslizou entre as suas pernas e o que ela esperava confirmou-se. A sua mão ensanguentada confirmou o seu alerta de aborto. A sua mente pedia para gritar ou espernear, mas a sua boca manteve-se fechada.
Rapidamente, pegou no seu telemóvel e abriu a lista de últimos contactos. O nome de Adam prevalecia no topo da lista, ela tinha esquecido que durante estas semanas tinha-se desligado do mundo das redes sociais. Os seus dedos clicaram, aflitos, no nome de Adam. Os sinais de “Tu…Tu…” começavam até uma voz masculina atender.
− Kim? – Adam atendeu com uma nota de curiosidade, Kimberly teve apenas segundos para matar saudades até perceber que ele repetiu o seu nome de novo.
− Adam – Kimberly chamou pelo seu nome e gemeu de dor, em seguida. – Eu preciso que me leves até ao hospital pa… − Kimberly simplesmente parou de falar e a linha ficou muda, totalmente.
− Kimberly! Kim fala comigo! – Adam gritou sem êxito. Desligou a chamada e procurou no seu bolso a chave da casa de Kelly, aquela que ele nunca teve coragem de devolver.
Friday, 15:20 p.m. Kelly’s House, California
Adam tinha demorado pouco tempo a chegar a Kimberly. As suas mãos tremiam pelo motivo de não saber o que poderia encontrar em casa de Kimberly. Girou a chave, bateu a porta e correu para a sala
A imagem de Kimberly desmaiada no chão com sangue no seu vestido e à sua volta, destruiu o seu coração, fê-lo pensar se queria viver longe de Kimberly.
Adam deu pequenas batidas na cara de Kimberly, sem êxito, o que fez o seu sangue ferver e pesar a sua consciência. Os seus braços pegaram delicadamente no corpo de Kimberly, mais pesado agora.
O hospital mais perto dali ficava bem perto, só que o pequeno trânsito que se formava da casa de Kelly até lá era suficiente para enlouquecer qualquer um.
Friday, 15:28 p.m. Hospital Of Santa Barbara, California
Adam nunca foi uma pessoa impaciente ou mal-humorada, a imagem de Kimberly desmaiada à sua frente é que teve efeitos secundários na sua mente. A cada seis perguntas que a recepcionista fazia, Adam maltratava-a de duas em duas perguntas, consequentemente, desculpava-se e era respondido com um sorriso sábio da recepcionista que rondava os seus cinquenta anos. Kimberly começou a segurar a mão de Adam, tentando levantar as pálpebras.
Kimberly foi levada com pressa por alguns médicos que falavam palavras difíceis, enquanto dois outros médicos tentavam acalmar Adam, que se esclareceu como namorado e pai da criança que Kimberly carregava, a sua visão seguiu em câmara lenta o afastamento de Kimberly na maca branca e ensanguentada.
Faziam vinte e cinco minutos desde a entrada de Kimberly, vinte e cinco minutos. Adam começava a não conseguir controlar as lágrimas, era tempo demais para chegar alguém e dizer-lhe “Não é nada.” Havia passado um homem com os seus trinta e oito/quarenta anos para visitar o seu filho mais novo, ele conversava animadamente sobre isso com o filho mais velho. Que raiva, ele tinha dele mesmo!
Adam reconheceu um dos médicos que tinha levado Kimberly para dentro, caminhar na sua direção. Ele mexia em alguns papéis, ora para a frente ora para trás. Ele sorriu para Adam.
− Será que me pode acompanhar? – Dr. Fitzgerald, o que se podia ler no crachá que tinha ao peito, colocou a prancheta com os papéis que tinha mexido segundos atrás, debaixo do braço.
Adam e Dr. Fitzgerald avançavam rápido, melhor dizendo, Dr. Fitzgerald tentava acompanhar os passos largos de Adam. O quarto de Kimberly tinha passado para o terceiro andar, a secção de Maternidade, gravidez no geral.
− Bom, Sr. Walter, o que a Kimberly teve, digamos – Dr. Fitzgerald mexeu nas duas primeiras folhas. Novamente as palavras difíceis sobre diagnósticos tinham começado. Alguns nomes sobre doenças simples ficavam e permaneciam no ar. Mesmo que ele estudasse para aquilo, havia muitas coisas que pareciam uma língua estrangeira para ele. – Ela teve algum tipo de esforço ou stress? – Aquilo pareceu uma flecha que tinha transpassado o seu corpo.
− Talvez… − Adam coçou a nuca e encarou o chão azul pálido.
− Já duvidava disso. O stress e o esforço foi a causa do início do aborto espontâneo. Uns minutos a mais e poderia ter abortado, de vez. — Dr. Fitzgerald olhou-o por cima dos óculos e sorriu amavelmente. – Kimberly irá receber alta dentro de uma hora, porém, se quiser, pode ficar com a Kimberly até ela ir embora. Ah, só mais uma coisa, a Kimberly tomou alguns calmantes, ela deverá acordar daqui a pouco. – Adam olhou pela pequena abertura das precianas da janela do quarto, Kimberly mexia-se levemente, talvez estivesse a despertar.
− Claro… − Adam assentiu. A sua vontade de entrar no quarto de Kimberly era imensa, mas ao mesmo tempo que não queria enfrentar o olhar, provavelmente, frio de Kimberly, cheio de razão. Dr. Fitzgerald afastou-se a passos largos, para ouvir mais pacientes e pessoas na sala de espera.
Adam mal percebia uma vida de médico, mesmo estando tão perto de o ser. O nervosismo deixava-o sem perceber o que as longas e complicadas palavras dos diagnósticos queriam dizer.
Girou os calcanhares e abriu a porta transparente do quarto de Kimberly. Esta possuía algumas “agulhas” espetadas em si entre outros, o que causou certa uma agonia nele. Porém, ele recordava-se que tinha provocado tal efeito.
− Adam… Obrigada por me teres trazido até cá. Agora, podes ir. – A sua voz era arrastada, os seus olhos permaneciam fechados. Adam tinha-se sentado na poltrona no lado esquerdo de Kimberly, para onde o seu rosto estava virado. Após terminar a sua frase, virou o rosto para o outro lado, sinal de tristeza.
Adam levantou-se e andou para o outro lado. Com as mãos nos bolsos, ajoelhou-se e viu a pequena lágrima que tinha escorrido face abaixo de Kimberly, provavelmente, por ter ouvido o caminhar de Adam.
− Eu não conquistei o teu coração para te perder. – Adam limpou a sua lágrima e deslizou a sua mão direita até à sua barriga. Kimberly teve um pequeno arrepio, colocou a sua mão sobre a de Adam. – Eu não te consigo esquecer ou deixar de amar. Acho que tu roubaste o meu coração egoísta e autodestrutivo.
− Eu não te devia perdoar… − Kimberly sorriu entre lágrimas.
Wednesday, 5:03 a.m. Adam’s House, California
Adam e Kimberly tinham-se perdoado, ambos não se conseguiam odiar por muito mais tempo, por mais que se quisessem odiar. É impossível odiar quem tu desejas.
Kelly quis matar Adam com o olhar, na verdade, ela até lhe tentou acertar com alguma coisa. Era sempre assim, se alguém fizesse algo com ela ou com alguém importante, cuidado com as cabeças! Porém, o seu coração frágil e sempre compreensivo fazia ver o que a mente não entedia.
Kimberly vivia praticamente em casa de Adam, era a sua segunda primeira casa. Adam vivia entre aqui e ali pela faculdade, e muitas das vezes dormia nas aulas. Adorava a forma de como era ser amada de novo, sem ser pelo interesse ou algo tão idiota e horrível quanto a pessoa.
Adam tinha o hábito de acarinhar a barriga de Kimberly, todas as noites. Ele adorava a forma pouco convencional que a sua vida tinha tomado. Tinha encontrado um amor, um amor que queria levar para a sua vida. Era honroso saber amar de verdade uma mulher, a mulher certa.
Tinham-se passado cinco meses e meio, eram apenas cinco horas com poucos minutos da manhã, Adam sentiu Kimberly remexer algumas vezes, parecia que não estava bem, ela já tinha bufado de descontentamento. Ela acabou por se levantar e caminhar para a casa de banho.
Kimberly ficou alguns minutos por lá, o que para Adam pareceram horas. Ele pôde sentir o movimento rápido de Kimberly, a sua preocupação era notável.
− Adam? Adam acorda, por favor! – Kimberly abanou-o, literalmente, os ombros de Adam para que este acordasse. Ele bufou e fez uma cara feia.
− Ah, não! Por favor não me digas que tenho de ir comprar alguma coisa para ti em plenas cinco da manhã, oh poupa-me! – Adam cobriu a cabeça com a almofada.
− Não, porra! – Kimberly estava nervosa. – Levanta-te e olha para o teu lado esquerdo. – Kimberly pediu, tentando acalmar-se.
− Porque… − Adam fez o que lhe foi pedido em meio de bufos, viu a poça de água e sangue ao seu lado, aquela imagem fê-lo saltar de imediato. – Kimberly, o nosso filho vai nascer! – Adam estava agora mais nervoso, com o sangue a pulsar mais forte, que a própria que ia dar à luz.
Adam estava com o coração nas mãos, de verdade. Kimberly começou a ficar fraca, com a respiração descompassada e as suas pálpebras teimavam em fechar, agora Adam começou a passar todos os semáforos vermelhos, a sua paciência era mínima, se era que ela alguma vez existiu.
No hospital, a mesma recepcionista atendeu-o de imediato. O que Adam pensava que demoraria séculos, na verdade, a recepcionista preencheu em questão de três minutos. Vamos de novo às semelhanças do passado? Dr. Fitzgerald atendeu de novo Kimberly, o homem que aparentava estar bastante preocupado e falava com algumas enfermeiras, que rápido se dispersaram pelos corredores.
Kimberly murmurou algumas coisas, coisas indecifráveis para os ouvidos de qualquer ao seu redor. A sua mão direita apertava a de Adam, que continuou a acarinhar a sua cara, agora, deitada sob a maca. Kimberly parecia que estava completamente drogada, com uma aparência frágil e debilitada.
Rapidamente, Adam foi impedido de seguir com Kimberly. Aquilo não era nada bom! A maca onde Kimberly seguiu foi direta à sala de cirurgias. Ele odiava-se por ter rejeitado Kimberly, porque estava prestes a perde-la.
Wednesday, 05:48 a.m. Hospital, California
Adam odiava sair de casa sem relógio, sentia a necessidade de se aperceber do tempo. Pelas suas contas, deveriam ter passado mais de quarenta minutos. É deveras torturante.
Tinham passado mais dez minutos, no máximo, e Dr. Fitzgerald folheou algumas coisas e sorriu ao mesmo tempo. Ele achava piada à forma de como Dr. Fitzgerald folheava as folhas, lia-as rapidamente sem ir contra em alguém.
− Sr. Walter? – Dr. Fitzgerald sorriu. – A sua filha nasceu há pouco mais de seis minutos, com quarenta e oito centímetros e 3,408 kg. Parabéns, é um homem de sorte! – Dr. Fitzgerald deu uma palmada no ombro de Adam. – Quer visitar a Kimberly?
Dr. Fitzgerald guiou Adam no meio da pouca agitação às cinco/seis horas da manhã, o que era realmente raro e “incrível”. Embora o seu coração batesse mais do que em qualquer outra ocasião, Adam continuou nervosamente calmo. O seu quarto não era assim tão longe, o andar era o mesmo e o quarto mais perto que da última vez. Parecia que o corredor tinha aumentado de tamanho.
Após chegarem ao quarto, número trezentos e quatro, Dr. Fitzgerald bateu na porta suavemente, pronunciou algumas palavras, talvez a uma segunda pessoa presente no quarto, devido ao tom diferente de voz.
— Pode entrar! – Deixou a porta aberta para que Adam pudesse entrar e foi embora, provavelmente ouvir mais paciente a queixarem-se de dores com queixumes da vida juntamente.
− Olá. – Adam fechou a porta sem provocar grande barulho. Havia uma enfermeira com uma farda rosa bebé, a farda do andar de maternidade, ela estava a orientar Kimberly, para que soubesse como se pegava e amamentava corretamente o bebé.
Adam sentou-se na cama de Kimberly e selou os seus lábios com os dela, o ser que estava a ser amamentado por Kimberly sugava rapidamente o leite, enquanto transmitia toda a paz e angelicalidade mesmo tendo poucos minutos de vida. Uma lágrima rolou pela face de Adam, a sua filha agarrava com a sua mão pequena o indicador de Adam
A enfermeira tinha ido embora havia escassos minutos, Kimberly queixava-se de algumas dores, mas aquelas dores não tinham remédio imediato, passariam conforme as horas. Adam parecia ter nascido para ser pai, o seu jeito paternal e a sua delicadeza para lhe pegar.
− Que nome lhe vamos dar? – Kimberly perguntou enquanto se mexia, roupas de hospital eram desconfortáveis demais.
− Claire? – Havia uma nota de incerteza na sua voz. Adam falou sem tirar os olhos da sua filha. Kimberly parecia ter mudado a sua expressão, parecia olhar em todos os cantos do quarto branco com tons de rosa. – Algum problema?
− Era o nome da minha mãe. – A sua voz não continha qualquer tipo de entusiasmo e desânimo, estava baça e apagada. Adam tentou-se desculpar apenas com o olhar, porque ela não o deixou falar. – Sem problema, acho que é uma excelente ideia! – Claire sorriu nos braços de Adam, como se apercebe-se daquilo que se passava ao seu redor.
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