E Seu Eu Sentasse Na Cadeira Ao Teu Lado?
10 X — Eu Acho… Eu Acho Que Quero Casar Contigo!
It's a beautiful night
We're looking for something dumb to do
Hey, baby
I think I wanna marry you
Is it the look in your eyes
Or is it this dancing juice?
Who cares, baby?
I think I wanna marry you
− Bruno Mars in Marry You
Sete Anos e Meio Depois
Kimberly não podia ter desejado mais do que Adam para pai dos seus filhos. Parecia ter nascido para ser pai. O seu carinho e paciência eram incrivelmente admirável.
Kimberly poderia ficar horas a relembrar momentos em que deu com Adam e Claire em momentos de pai e filha, verdadeiros momentos, verdadeiros momentos em que ele se demonstrou ser a pessoa com que ela queria envelhecer.
“Kimberly gritou pelo nome de Adam, o que detestava fazer pelo simples facto de Claire ter apenas cinco meses e puder acordar com o mínimo sonido, então se fosse a voz da mãe ou do pai, o caso era bem pior, acordaria até com os passos deles.
A garota não obteve qualquer resposta, gritou de volta, passos a andarem sobre o chão de madeira,… nada! O que se estava a passar? O que tinha acontecido para Claire não acordar a gritar ou ouvir Adam a correr feito louco?
Avançou pelo apartamento em direção ao quarto de ambos. Provavelmente, Adam estaria a trabalhar abstraidamente em algum projeto da faculdade, que ultimamente estava a exigir muito de cada um dos alunos.
Abriu e entrou de rompante no quarto, ela nem queria saber da imagem que esperava por ela. Kimberly começou a falar sem parar e pegou na sua bolsa pequena que tinha na cadeira da secretária de Adam. Ela notou que Adam não estava lá sentado a matutar sobre algum trabalho de pesquisa sobre uma doença rara, nojenta e altamente contagiosa.
O seu olhar já preocupado, enquanto a sua mente imaginava uma cena digna de CSI: Las Vegas ou Criminal Minds, já tinha ido além do possível e já nem conseguia gritar, se fosse preciso.
Os seus calcanhares giraram sobre a madeira e pôde ver Adam dormir com Claire entre o espaço que os braços de Adam formavam. As pequenas mãos tentavam segurar o dedo indicador de Adam. Muito provavelmente, Adam teria insistido para que Claire dormisse, porque há duas horas atrás o choro de Claire percorria os corredores de lés-a-lés.
Kimberly puxou a parte baixa do longo vestido que usava para irem jantar a casa dos pais de Adam, logo se sentou próxima a Adam e acariciou os seus cabelos. Adam despertou, mas não abriu os seus olhos, apenas sorriu sem mostrar os dentes.”
Ou até mesmo um outro caso que fez o seu coração palpitar e pensar seriamente que Adam tinha sido a melhor loucura adolescente que ela tinha feito.
“ Kimberly sabia que, com certeza, Adam estava em casa, devido à sua folga, ou talvez não, não seria a primeira vez que chamariam Adam por haver uma emergência no hospital e que precisassem dele.
A casa inteira ecoou o nome de Adam. Sem sinal ou grito de retorno para Kimberly. Ela odiava quando aquilo acontecia. Ela tinha que segurar a mão da fé e ver como Claire, agora com cinco anos, estava.
Adentrou pelo quarto e recuou devagar. Adam brincava, sentado no chão, com Claire. Esta tinha-lhe posto um grampo rosa e fazia o “Chá das Cinco”, incluindo-o a ele e às suas Barbies.
“Eu não quero imaginar quando fores avô…” Kimberly pensou para consigo, sem poder imaginar ao que a sua loucura tinha levado, que tinha valido a pena Adam a ter abandonado temporariamente, ela achava que tudo tinha o seu propósito.
Deus dava um mal e um bem juntos.”
Mas sempre foi assim, sempre que pensava no nome de Adam Martín Kinney Walter. Amava a sua maneira de a amar, de detestar o que lhe incomodava, mas o seu amor só crescia de dia para dia. Só queria ficar acompanhada dele para além do infinito. Queria apreciar cada gargalhada, cada cicatriz das suas missões enquanto médico e queria fazer troça da sua tatuagem do pequeno pássaro na sua costela esquerda, que só ela podia ver sempre, sempre que tirava a camisa.
Era por isso que se sentia tão leve ao seu lado, não tinha medo de errar como Humana, ela possuía a fé que qualquer um possuía quando está completo e feliz consigo e com os outros. Kimberly não era uma mulher mal resolvida.
Adam fora, em tempos, obrigado a crescer com a possibilidade para um filho que nem existia. Fechando-se, fechando o seu lado paternal numa caixa, que com o tempo se poderia vir a arrepender.
Ele só agradece a Kimberly por lhe ter dado um anjo, por Claire ter parte do seu sangue, por ter herdado parte dos seus genes e características. Tal como agradecia o facto de Kimberly ser a mãe dos seus filhos e em breve a sua esposa…
Adam dava com ele mesmo a olhar de soslaio para Kimberly através do espelho da casa de banho do quarto deles, aí ele conseguia ver com nitidez quem possuía ao seu lado. Kimberly já não era uma garota com curvas de mulher, era uma mulher com curvas dignas de mulher.
Ele conseguia ver cada curva do seu corpo com desejo quando ela acordava, com cabelos caóticos e um pouco enrolados, enquanto posicionava o seu soutien; Kimberly nunca gostou nem nunca se afeiçoou a usá-lo durante o seu sono. Sempre dormia abraçada a Adam com uma camisa larga que pertencia a Adam.
Tudo tinha o seu perfume, era como se uma maldição o perseguisse.
Adam e Kimberly preocupavam-se em dar tudo o que Claire precisasse, sobretudo amor e carinho. Eles tinham-se habituado tão facilmente ao respirar sereno de Claire. Adam aquietava sempre Kimberly, após dois meses do seu nascimento, preocupava-se em que algo se passasse com a pequena menina durante a sua ausência.
…
− Papá! Papá! – Claire correu com os braços a balançar delicadamente na direção de Adam, abraçando as pernas do mesmo. Adam não demorou a pegar na pequena no colo e parar de preparar os pequenos-almoços.
− Claire! O que estás a fazer aqui tão cedo? Podes ir dormir mais um pouco até começarem os teus desenhos animados. – Adam beijou o topo da testa da filha e sorriu.
− A mamã não parecia estar muito bem-disposta. Eu fui para lá para dormir com ela. Mas ela não estava lá, estava a queixar-se na casa de banho. – Adam desfez o sorriso e cismou no que Claire tinha acabado de dizer. Não era a primeira vez que Kimberly passava por situações de mal-estar e, para não falar, de há muito pouco tempo atrás.
− Ah sim? – Adam colocou-a no chão. – Vamos ver a mamã?
…
Claire foi à frente do seu pai, sempre em pequenos saltos e risos. Adam dava passos grandes e frios. Não gostava quando Kimberly passava mal e não falava sobre isso, era normal a sua reação, era uma reação de médico preocupado com a sua esposa.
− Kim?! – Adam ficou parado na porta ao ver Kimberly sentada com as pernas flexionadas. A mulher de cabelos, agora, com luzes claras, olhou para Adam surpreendida.
− Não devias estar no trabalho?! – Kimberly pronunciou-se atrapalhada, tanto como se tivesse um peso no corpo. A visão sobre Adam era desfocada e incerta.
− Não! Ainda é um pouco cedo para ir já para o hospital, não achas? – Kimberly olhou para o relógio e viu que de facto era cedo, dado que Adam tinha avisado que naquele dia entraria um pouco mais tarde.
Adam tirou o seu longo curso de seis anos há quatro anos e meio. Um dos tios pode empregá-lo quase como imediato, a ele e um outro colega. Foi um longo trabalho e árduo. Estudar, trabalho num part-time e cuidar de Kimberly e Claire foi um momento de glória, para poder perceber que possuía capacidade para formar uma família e árduo pelo simples facto de adormecer nas primeiras aulas do dia.
Kimberly começou o seu curso em Desenho Industrial, mais especificamente para designer de jóias, o que foi uma surpresa para Adam, quando Claire completou quatro anos de vida, deixando-a assim em casa da sua tia ou com Mia e Millena.
Mia e Millena tinham-se casado há pouco mais de dois anos. Millena ganhou coragem e assumiu-se bissexual para os seus pais, que ficaram surpreendidos, mas rapidamente soltaram um “Se tu és, nós não te podemos odiar por isso.”, O que amenizou o peso do seu coração. Mia tinha conseguido amenizar as coisas lá por casa, melhor, com os seus pais super retrógrados. Agora, depois de se assumirem e serem aceites e casarem, crescia a forte vontade de serem mães.
…
Tinham-se passado três dias depois daquele episódio que colocou a pulga atrás da orelha de Adam. Conforme os dias iam passando, Kimberly demonstrava uma certa dificuldade em ficar ativa durante todo o dia, mesmo só faltando seis meses para acabar o seu curso.
Kimberly chegou a casa depois de mais um dia extenuante, às dezoito e vinte e cinco minutos. Assim que adentrou em casa, havia um silêncio que nunca tinha ouvido. Era estranho sentir o movimento de algo, as luzes apagadas e algos baralhos de fundo.
O seu corpo avançou no sentido do interruptor e as luzes ligaram-se, moveu-se pelo corredor e viu movimento de algumas pessoas no jardim das traseiras e bastante iluminação. Kimberly pousou a mala numa mesinha de decoração.
− Adam, ela chegou! – Millena gritou para Adam que se encontrava ao seu lado. Rapidamente, o homem ao seu lado estremeceu, olhando-a sem expressão certa.
Adam pediu a atenção das pessoas presentes ao seu redor, alguns familiares e amigos que apressadamente reconheceu, tais como Mia e Millena, já referida, Kelly e Richard com o filho de ambos, Lucas. Adam estava com roupa casual e com o perfume preferido de Kimberly, fazia-a lembrar dos seus tempos de liceu, de quando o conheceu. As pessoas presentes viraram o olhar e deram toda a sua atenção para aquele momento.
Kimberly pôde notar o nervosismo nas suas mãos e sentir o seu coração a palpitar loucamente, a mesma reação quando pegou em Claire pela primeira vez. Adam colocou a bebida numa mesa montada de improviso.
− Kimberly Ricci… − As palavras pareciam faltar tal como a sua respiração. – Hoje é um dia muito especial, o dia em que decidi que era o dia certo… – Kimberly franziu o sobrolho já adivinhando o que viria por aí. – Acho que nunca tive a consciência de que tinha sido abençoado com uma mulher maravilhosa, que me basta olhar a sorrir como só ela faz para me sentir especial. – Adam segurou nas mãos de Kimberly que se recusava a olhar para ele, porque sabia que desabaria ali mesmo. − Posso ficar horas a olhá-la que vou sempre encontrar algo que nunca reparei, uma paisagem que queremos admirar para sempre. – Adam limpou a lágrima que escorria face abaixo de maneira subtil. − Desde que a vi pela primeira vez, tive a certeza que ela faria parte da minha vida, que faria parte dela para toda a vida. – Adam tentava acelerar o seu discurso. – Apesar de algum sofrimento, eu só posso pedir desculpas, mas isso faz parte, certo? Não há maneira de contornar as peripécias da vida. Tenho a certeza que fui abençoado por anjo. − Kimberly desabou ali e olhou o céu estrelado, que parecia ter-se unido para ajudar Adam, este soltou as mãos de Kimberly e procurou alguma coisa no bolso esquerdo e tirou. Era uma caixa de veludo borgonha que foi aberta com pouco esforço, mas que mesmo assim continuou virada para ele.
− Não há dúvidas pendentes comigo mesmo, apenas uma dúvida entre mim e ti. Aceitas casar comigo?— Adam ajoelhou-se segurando a pequena caixa nas mãos, Kimberly colocou as mãos no rosto e olhou para as pessoas ao redor que esperavam um sim.
− Claro que sim! – Kimberly bateu o pé, apressadamente Adam ergueu-se e colocou o anel no seu dedo esquerdo e beijou-a na frente de todos. Kimberly sentiu o seu vestido ser puxado, era Claire que segurava um coelho de peluche que o pai lhe tinha dado há pouco mais de três meses. Adam segurou a menina nos seus braços, o barulho do entusiasmo das pessoas assustava-a, deitou a sua cabeça na curva do pescoço de Adam.
A pequena convivência entre familiares e amigos passou a ser uma pequena festa, com todos excentricamente a parabenizar os mais recentes noivos. Tendo acabado a festa às duas horas e tal da manhã.
…
Adam esperava sentado na cama por Kimberly que tomava um banho, embora já fossem três horas da manhã, o sono não vinha, mesmo depois de toda a festa e trabalho.
Kimberly despertou Adam dos seus pensamentos sem nexo com o cheiro que vinha dela e do duche. Ele levantou-se e abraçou-a por trás, cheirando o seu pescoço, ela elevou uma mão ao seu rosto e sorriu.
− Preciso que saias. – Kimberly tirou a sua mão e Adam seguiu a sua ordem.
− Eu disse o porquê de andar estranho nas últimas semanas, e quanto a ti…? – Adam questionou a mulher de cabelos compridos que usava um vestido pijama debaixo de um robe de seda, que continuou sem se prenunciar.
− Bem, eu tenho uma coisa para ti. – Kimberly continuou sem responder, girou sobre os próprios calcanhares com algo em mãos.
− O que é isto? – Adam questionou-se. Rasgou o papel de embrulho e deu de caras com uma caixinha de tamanho pequeno-médio. O espanto e a surpresa formaram-se na sua expressão facial.
A caixa continha uns sapatinhos brancos de bebé e uma ecografia. Lágrimas formaram-se nos olhos de Adam, virou o rosto e beijou a mulher que possuía a seu lado e acariciou a sua barriga.
Claire subiu à cama do casal e deitou-se sempre entre gargalhadas. Adam continuou a acariciar a barriga pequena de Kimberly, descobrindo que este era o motivo da sua má indisposição e mistério, concluindo ao olhar para Claire que também esta sabia.
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