E Se Cedrico Tivesse Sobrevivido?
2 A Segunda Taça Tribruxo
Notas iniciais
Era Moody. Tinha uma expressão de espanto e confusão.
— Harry, você precisa vir comigo — disse Moody, dando dois tapinhas no ombro de Harry e subindo alguns degraus da escada.
— Tá bom. Vamos, Cedrico — disse Harry.
— NÃO, SÓ O POTTER! — a voz de Moody deu tanto medo em Cedrico quanto em Harry.
Então, Moody e Harry deixaram Cedrico e rumaram para a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. Harry se apoiava nas paredes e móveis para não cair, por causa da dor na perna.
— Harry, já que você ganhou o torneio... eu tenho um presente para você — disse Moody, tirando uma miniatura da taça que brilhava no labirinto.
— Mas por que você não chamou o Cedrico? Nós dois ganhamos o torneio juntos.
— Porque você é especial, Potter. Agora pegue a taça... AGORA!
Harry esticou a mão para pegar a taça, com medo de Moody. No mesmo instante em que tocou na miniatura, alguém segurou seu braço. Logo percebeu que tocara em uma chave de portal — e quem o agarrara era Cedrico.
Os dois novamente voaram pelo ar, um ao lado do outro. Caíram de cara em um gramado, ainda se segurando. Olharam ao redor: o lugar era escuro, estranho e vazio, com aparência de cemitério — havia estátuas e túmulos por todos os lados.
— Cedrico, onde estamos? — perguntou Harry, se levantando.
— Não sei. Eu segui você e Moody, e quando vi a taça percebi que era uma chave de portal, então segurei o seu braço — respondeu Cedrico, também se levantando.
Logo depois, examinaram o lugar e Harry viu, em um túmulo, um nome que nunca esperava encontrar ali:
TOM RIDDLE
— Temos que voltar para a taça, Cedrico. AGORA! — disse Harry, e os dois correram.
Mas Moody apareceu na frente deles. Só que não estava sozinho — havia uma das pessoas que Harry mais odiava no mundo: Rabicho, que segurava algo em seus braços, parecido com um bebê.
— Boa noite, campeões — disse Moody. — Acho que devemos conversar um pouco. — Os garotos deram alguns passos para trás. — Hoje eu irei revelar algo para você, Harry. Fui eu quem colocou seu nome no Cálice de Fogo. Fui eu quem lhe deu a dica do ovo, dos dragões... Fingi ser o Olho-Tonto. Tudo isso para que o Lorde das Trevas me recompensasse! — a voz de Moody era estridente. — Agora, Rabicho... faça!
Rabicho estalou os dedos e acendeu o fogo de um caldeirão — o maior que Harry já vira. Sua cicatriz começou a doer com mais intensidade do que nunca.
— Prenda-o, Crouch — disse Rabicho.
— Avada Kedavra! — gritou Moody, lançando a maldição em Cedrico. Mas o garoto desviou, e o feitiço atingiu o chão, fazendo Harry cair.
Ao cair, Rabicho agarrou Harry e o jogou no colo de uma estátua, que fechou os braços e o prendeu. Cedrico se escondeu atrás da mesma estátua.
— Agora, Rabicho — disse Moody.
— Osso do pai, tirado sem consentimento — murmurou Rabicho, tirando um osso enorme de suas vestes e jogando-o no caldeirão.
Harry e Cedrico observavam apavorados.
— Carne do servo, dada de bom grado — disse Rabicho, tirando uma faca e cortando a própria mão. A mão caiu no caldeirão, e ele choramingou de dor.
Depois, aproximou-se de Harry com a faca — agora limpa — e fez um corte mais profundo em sua perna. Harry gritou de dor.
— Sangue do inimigo, tirado à força — disse Rabicho, pingando o sangue de Harry no caldeirão.
Em seguida, jogou dentro dele a criatura que segurava.
— O Lorde das Trevas surgirá novamente! — disseram Rabicho e Moody ao mesmo tempo.
Pouco tempo depois, do caldeirão emergiu um homem — parecido com a criatura que Rabicho segurava, mas maior, alto e com pele lisa e pegajosa. Passou as mãos no rosto, na cabeça e nos braços, e então falou:
— Minha varinha, Rabicho.
Rabicho entregou a varinha, e Harry viu, horrorizado, que era Voldemort.
— O seu braço, Rabicho.
— O-obrigado, mestre — disse Rabicho, estendendo o braço sem a mão.
— O outro braço, Rabicho — disse Voldemort, puxando-o.
Ele levou a varinha até a tatuagem da Marca Negra — a mesma que fora conjurada na Copa Mundial de Quadribol. Logo, vários Comensais da Morte apareceram ao redor (certamente aparataram).
— Boa noite, meus caros amigos. Esta noite eu me reergui, graças à ajuda de Crouch e Rabicho. Foram realmente fiéis a mim, e me procuraram para me ajudar — disse Voldemort. Nesse momento, “Moody” se transformou em um homem branco, baixo, de cabelos pretos, nariz pontudo e olhar assassino.
— Nenhum de vocês viu os meus sinais... nem mesmo o meu Comensal mais inteligente... Lúcio! — Voldemort lançou um feitiço, e todos os Comensais, exceto Crouch e Rabicho, caíram de joelhos, contorcendo-se de dor.
— Enfim, treze anos se passaram. E Harry Potter, o Menino que Sobreviveu, destruiu um dos maiores bruxos das Trevas que já existiu.
Voldemort ergueu a cabeça e sorriu friamente.
— Acredito que aprendeu a duelar, não é, Potter? Que tal um último duelo... pela sua vida?
— A varinha dele, Rabicho.
Rabicho entregou a varinha a Harry, e a estátua que o prendia abriu os braços, libertando-o. Ele caiu no chão, mas logo se levantou.
— Avada Kedavra! — gritou Voldemort.
— Expelliarmus! — gritou Harry.
Os feitiços se encontraram, criando uma conexão entre as varinhas. No ponto de encontro, formou-se um globo de energia dourada.
Harry segurava sua varinha com firmeza. Um momento depois, Cedrico saiu de trás da estátua e se juntou ao duelo.
— Expelliarmus! — gritou Cedrico, mirando o globo.
Mesmo sendo dois contra um, Voldemort ainda era mais forte. O globo cresceu, transformando-se em uma esfera de luz e energia. Entre os feitiços surgiu uma barreira mágica.
Do globo saíram três pontos azuis que voaram em direção a Harry — e se transformaram em pessoas: Lílian e Tiago Potter, e um velhinho.
— Harry, você precisa desconectar os feitiços e correr até a taça — disse sua mãe.
— Nós podemos distraí-lo por alguns instantes, mas só por alguns — disse Tiago.
— Fuja, garoto! Nós não conseguimos, mas você pode! — disse o senhor.
— Harry, vamos soltar juntos! — gritou Cedrico, o mais alto possível.
— SOLTE! — gritaram as três figuras.
Harry e Cedrico soltaram as varinhas ao mesmo tempo e correram como nunca antes.
Harry agarrou o punho de Cedrico, apontou a varinha para a taça e gritou:
— Accio!
A taça voou até sua mão.
Novamente, os dois foram lançados pelos ares — voltando para Hogwarts.
Fale com o autor