Notas iniciais
Boa leitura

Era Moody. Tinha uma expressão de espanto e confusão.

— Harry, você precisa vir comigo — disse Moody, dando dois tapinhas no ombro de Harry e subindo alguns degraus da escada.

— Tá bom. Vamos, Cedrico — disse Harry.

— NÃO, SÓ O POTTER! — a voz de Moody deu tanto medo em Cedrico quanto em Harry.

Então, Moody e Harry deixaram Cedrico e rumaram para a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. Harry se apoiava nas paredes e móveis para não cair, por causa da dor na perna.

— Harry, já que você ganhou o torneio... eu tenho um presente para você — disse Moody, tirando uma miniatura da taça que brilhava no labirinto.

— Mas por que você não chamou o Cedrico? Nós dois ganhamos o torneio juntos.

— Porque você é especial, Potter. Agora pegue a taça... AGORA!

Harry esticou a mão para pegar a taça, com medo de Moody. No mesmo instante em que tocou na miniatura, alguém segurou seu braço. Logo percebeu que tocara em uma chave de portal — e quem o agarrara era Cedrico.

Os dois novamente voaram pelo ar, um ao lado do outro. Caíram de cara em um gramado, ainda se segurando. Olharam ao redor: o lugar era escuro, estranho e vazio, com aparência de cemitério — havia estátuas e túmulos por todos os lados.

— Cedrico, onde estamos? — perguntou Harry, se levantando.

— Não sei. Eu segui você e Moody, e quando vi a taça percebi que era uma chave de portal, então segurei o seu braço — respondeu Cedrico, também se levantando.

Logo depois, examinaram o lugar e Harry viu, em um túmulo, um nome que nunca esperava encontrar ali:

TOM RIDDLE

— Temos que voltar para a taça, Cedrico. AGORA! — disse Harry, e os dois correram.

Mas Moody apareceu na frente deles. Só que não estava sozinho — havia uma das pessoas que Harry mais odiava no mundo: Rabicho, que segurava algo em seus braços, parecido com um bebê.

— Boa noite, campeões — disse Moody. — Acho que devemos conversar um pouco. — Os garotos deram alguns passos para trás. — Hoje eu irei revelar algo para você, Harry. Fui eu quem colocou seu nome no Cálice de Fogo. Fui eu quem lhe deu a dica do ovo, dos dragões... Fingi ser o Olho-Tonto. Tudo isso para que o Lorde das Trevas me recompensasse! — a voz de Moody era estridente. — Agora, Rabicho... faça!

Rabicho estalou os dedos e acendeu o fogo de um caldeirão — o maior que Harry já vira. Sua cicatriz começou a doer com mais intensidade do que nunca.

— Prenda-o, Crouch — disse Rabicho.

— Avada Kedavra! — gritou Moody, lançando a maldição em Cedrico. Mas o garoto desviou, e o feitiço atingiu o chão, fazendo Harry cair.

Ao cair, Rabicho agarrou Harry e o jogou no colo de uma estátua, que fechou os braços e o prendeu. Cedrico se escondeu atrás da mesma estátua.

— Agora, Rabicho — disse Moody.

— Osso do pai, tirado sem consentimento — murmurou Rabicho, tirando um osso enorme de suas vestes e jogando-o no caldeirão.

Harry e Cedrico observavam apavorados.

— Carne do servo, dada de bom grado — disse Rabicho, tirando uma faca e cortando a própria mão. A mão caiu no caldeirão, e ele choramingou de dor.

Depois, aproximou-se de Harry com a faca — agora limpa — e fez um corte mais profundo em sua perna. Harry gritou de dor.

— Sangue do inimigo, tirado à força — disse Rabicho, pingando o sangue de Harry no caldeirão.

Em seguida, jogou dentro dele a criatura que segurava.

— O Lorde das Trevas surgirá novamente! — disseram Rabicho e Moody ao mesmo tempo.

Pouco tempo depois, do caldeirão emergiu um homem — parecido com a criatura que Rabicho segurava, mas maior, alto e com pele lisa e pegajosa. Passou as mãos no rosto, na cabeça e nos braços, e então falou:

— Minha varinha, Rabicho.

Rabicho entregou a varinha, e Harry viu, horrorizado, que era Voldemort.

— O seu braço, Rabicho.

— O-obrigado, mestre — disse Rabicho, estendendo o braço sem a mão.

— O outro braço, Rabicho — disse Voldemort, puxando-o.

Ele levou a varinha até a tatuagem da Marca Negra — a mesma que fora conjurada na Copa Mundial de Quadribol. Logo, vários Comensais da Morte apareceram ao redor (certamente aparataram).

— Boa noite, meus caros amigos. Esta noite eu me reergui, graças à ajuda de Crouch e Rabicho. Foram realmente fiéis a mim, e me procuraram para me ajudar — disse Voldemort. Nesse momento, “Moody” se transformou em um homem branco, baixo, de cabelos pretos, nariz pontudo e olhar assassino.

— Nenhum de vocês viu os meus sinais... nem mesmo o meu Comensal mais inteligente... Lúcio! — Voldemort lançou um feitiço, e todos os Comensais, exceto Crouch e Rabicho, caíram de joelhos, contorcendo-se de dor.

— Enfim, treze anos se passaram. E Harry Potter, o Menino que Sobreviveu, destruiu um dos maiores bruxos das Trevas que já existiu.

Voldemort ergueu a cabeça e sorriu friamente.

— Acredito que aprendeu a duelar, não é, Potter? Que tal um último duelo... pela sua vida?

— A varinha dele, Rabicho.

Rabicho entregou a varinha a Harry, e a estátua que o prendia abriu os braços, libertando-o. Ele caiu no chão, mas logo se levantou.

— Avada Kedavra! — gritou Voldemort.

— Expelliarmus! — gritou Harry.

Os feitiços se encontraram, criando uma conexão entre as varinhas. No ponto de encontro, formou-se um globo de energia dourada.

Harry segurava sua varinha com firmeza. Um momento depois, Cedrico saiu de trás da estátua e se juntou ao duelo.

— Expelliarmus! — gritou Cedrico, mirando o globo.

Mesmo sendo dois contra um, Voldemort ainda era mais forte. O globo cresceu, transformando-se em uma esfera de luz e energia. Entre os feitiços surgiu uma barreira mágica.

Do globo saíram três pontos azuis que voaram em direção a Harry — e se transformaram em pessoas: Lílian e Tiago Potter, e um velhinho.

— Harry, você precisa desconectar os feitiços e correr até a taça — disse sua mãe.

— Nós podemos distraí-lo por alguns instantes, mas só por alguns — disse Tiago.

— Fuja, garoto! Nós não conseguimos, mas você pode! — disse o senhor.

— Harry, vamos soltar juntos! — gritou Cedrico, o mais alto possível.

— SOLTE! — gritaram as três figuras.

Harry e Cedrico soltaram as varinhas ao mesmo tempo e correram como nunca antes.

Harry agarrou o punho de Cedrico, apontou a varinha para a taça e gritou:

— Accio!

A taça voou até sua mão.

Novamente, os dois foram lançados pelos ares — voltando para Hogwarts.

Notas finais
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