E Se?

2 O começo


Acordei com o barulho do despertador marcando nove e meia, me lamentando por ainda não estar no ensino fundamental e ter mais alguns anos para recuperar meus sonos a tarde. Eu era então, como denominava minha mãe, uma mulher e uma pessoa adulta, afinal, tinha acabado de entrar na faculdade e tinha a chance de seguir meu caminho. Apesar de ainda não conseguir compreender o por quê de eu, uma menina de uma cidade do interior, tinha que começar a lidar com a vida agitada de uma cidade grande. Ah, sim, futuro. Tudo se resume e gira em torno dessa palavra que de tão pequena contém um significado simples, mas expectativas longas. Virei para olhar através da janela do meu novo quarto enquanto raios de sol atravessavam a cortina cor de caramelo que havia ganhado como presente para minha nova casa. O loft recém reformado e decorado por minha mãe consistia apenas em uma grande cama de casal branca perto de uma das janelas e um banheiro integrado que era separado da minha cozinha-sala por uma parede de vidro, a cozinha era simples apenas com uma sacada grande de mármore, um fogão e uma geladeira, com armários brancos em uma das paredes, de frente para o balcão se encontrava minha by Text-Enhance\">mini sala com uma grande prateleira de livros juntamente com uma poltrona creme de frente para outra janela, sorri ao pensar que minha mãe havia a colocado ali para que eu não força-se demais minha visão. Conseguia ainda sentir a emoção da resposta de ter passado e dos quatro meses de preparação e visitas a diversos lugares que tinha como intenção ser meu novo lar, visitamos de kitinetes a lofts que fossem próximos a faculdade, optamos então por um que ficava apenas a dez minutos de distância. Colocando uma calça jeans qualquer que peguei as pressas no guarda-roupa e uma blusa longa transparente nas costas azulada, peguei minha bolsa e uma buchinha para amarrar meu cabelo no caminho do então meu primeiro dia de aula.

Já havia visitado a faculdade antes, mas quando cheguei ao portão da frente tinha certeza que qualquer que fosse o motivo que me levasse ali, valia a pena. Toda a extensão do local tinha uma aparência rustica, as construções eram antigas, o local pelo que ouvi dizer tinha sido um castelo de uma condessa a muitos séculos e que fora transformado em uma faculdade e que assim permaneceu desde então. A grande escada que levava a porta da frente estava apinhada por pessoas passando de um lado para o outro, peguei dentro da bolsa meu horário e salas seguindo para a multidão de pessoas que batiam portas de suas respectivas salas. Parei em frente a uma porta de madeira respirando profundamente a cada segundo até que aproximei minhas mãos da maçaneta, mas antes que pudesse toca-la um homem já havia a empurrado, espantada me virei para ele e olhos azuis cristalinos me encaravam pensativos " Não vai entrar? " notei que deveria ter ficado paralisada pelos próximos segundos, ou minutos, não sei dizer, mas sorri timidamente '' Desculpe, sim irei– ele abriu mais a porta para que eu pudesse passar primeiro - obrigada '' passando pela porta pude sentir todos os olhares se virarem pra mim até que me dirigi a um lugar ao fundo, sorri ao perceber que não era pra mim que todos olhavam. Ele era lindo, não, lindo não é definição, nunca tinha visto alguém desse jeito nem em revistas, programas ou qualquer coisa, olhando ao redor pude notar que não era a unica que pensava isso. Então uma loira alta, com um corpo esbelto levantou-se acenando em direção a ele " Tem um lugar aqui '' ele virou-se para ela sorrindo dirigindo-se ao lugar " Obrigado " a loira sorriu maliciosamente " Disponha ".

O que se seguiu foi as apresentações, tínhamos que falar nossos nomes, idades e se tínhamos algum relacionamento, logo descobri que a loira se chamava Caroline e ao falar o seu status civil notei que sorriu novamente para o homem que se encontrava ao seu lado. Na minha vez pude sentir que corava " Me chamo Lize, Lize Massion, venho de uma cidade do interior, tenho 19 anos, e não tenho nenhum relacionamento" Todos sorriram para mim e dizendo " prazer " então me sentei. O último com certeza era a curiosidade do restante da turma, quando o homem alto de olhos azuis se levantou a sala ficou em silêncio " Me chamo George Mustere, nasci e cresci em uma cidade localizada em uma ilha, e tenho namorado. " Todos da sala riram em conjunto, mas permaneci quieta, namorado? Ele disse namorado? Caroline foi a primeira a se pronunciar " Você não quis dizer namorada? " ele sorriu para a sala e repetiu " Não, quis dizer namorado, eu sou gay. " Não sei dizer por quanto tempo a sala permaneceu em silêncio, mas com certeza foi muito tempo, George ainda se encontrava de frente para a sala sério esperando até que senti que ninguém iria falar nada, nem a professora que se encontrava na sala disse alguma coisa, escondi toda a minha vergonha, levantando dizendo " Muito prazer George, espero que possamos nós dar bem " sorri para ele que retribuiu, logo depois pude ouvir vários '' muito prazer '' sair da boca de cada pessoa da sala, conclui que o choque havia passado, mas Caroline não escondia sua decepção. George então agradeceu e voltou para o seu lugar ao lado de Caroline.