E Se?
3 Seguindo Viagem
Já havia se passado muito tempo desde que conversei com George, após o primeiro dia eu me sentava sempre no fundo da sala que agora tinha a companhia de Cléo. Cléo era uma mulher que mais parecia uma criança, pois era pequena e me lembrava uma boneca de porcelana, sua pele clara junto com seus olhos verdes a faziam ela parecer intocável, pena que sua boca não fazia o mesmo, era extremamente sincera e na maioria das vezes falava coisas que não havia sentido ou citações de livros que nunca tinha ouvido falar, mas uma coisa concluí quando a conheci: ela era especial.
" Não sei o que fazer, quero dizer, por que estou nervosa? Ele é.. ah, você sabe! " conclui jogando as mãos para o alto até que ouvi o som da risada de Cléo deitada na cama " Não tem motivo para ficar preocupada nesse sentido, mas venhamos e convenhamos que gay ou não ele é lindo, então deve ser apenas isso que te deixa nervosa. Vocês vão passar muito tempo juntos a partir de amanhã e isso vai se tornar comum, vai ver" apareci na porta do banheiro com a escova de dentes na boca fazendo o melhor olhar de isso-não-está-me-ajudando e então voltei para acabar de escovar os dentes enquanto ela repetia seu mantra " Se torna comum mesmo Liz, você vai ver, já sabe o que vai vestir? " sai do banheiro com uma toalha na mão " O de sempre, o que tem de errado com minhas roupas? " Cléo olhou para meu guarda-roupa e depois para mim concluindo " Não é que tenha algo de errado, só é tudo muito comum, olha ele vai notar, e no momento que você aceitou isso sabia que ia conhecer várias pessoas, quer parecer ainda mais inferior perto dele? " estreitei os olhos " Obrigada por dizer que já sou inferior, mas que posso melhorar" sorri sarcasticamente para ela ouvindo-a dizer " Por favor Liz, não é que você não seja boa o suficiente, acho que ninguém é exatamente boa o suficiente, o que facilita por ele ser gay" encostei na primeira parede que encontrei " Você tem razão, afinal, vai ser divertido" ela alisou o outro lado da cama me convidando a sentar " Venha cá, apenas não consigo entender o por quê de ele querer te levar para conhecer sua cidade Natal, ele mal fala com alguém em sala, só vejo ele dizendo o básico do bom dia a o até amanhã" sentei ao seu lado sorrindo " Ele apenas que ter alguém para apresentar a família, para eles não falarem muito na cabeça dele, nada demais" torci naquele momento que Cléo não nota-se minha mentira, apesar de não ser tudo mentira "Entendo um pouco ele, de qualquer forma eu tenho que ir, nós vemos depois das férias? Se precisar me liga, tudo bem?”dei um abraço apertado nela “Claro, nós veremos em breve” e então alguns instantes depois estava só no meu quarto sabendo que dali a 10 horas estaria em uma viagem para Marisabel. Suspirei profundamente antes de ir para as duas últimas gavetas do meu guarda-roupa agradecendo de certa forma minha mãe ser tão detalhista, olhei os vários vestidos de coloridos a clássicos rendados, suspirando novamente pensando em como preferia minhas calças jeans.
Acordei uma hora antes do que tínhamos marcado, mesmo que acordar não seja o termo a ser usado já que não dormi. Peguei as duas malas pretas grandes no canto do quarto e as levei para o lado da porta da frente, depois coloquei a roupa que iria usar que consistia em um vestido floral uns três dedos acima do joelho e uma sapatilha creme do tom de fundo do vestido em cima do sofá e fui tomar banho. Após colocar a roupa e fazer uma trança lateral no cabelo liguei para um taxi. Quinze minutos depois estava em frente a lanchonete com duas malas enormes esperando George. Quando um conversível parou ao meu lado e um alto homem de cabelos castanhos claros com olhos azuis saiu usando uma calça surrada e uma camiseta branca que mostrava seu corpo definido quis correr, não, eu iria correr se ele já não estivesse me olhado dizendo “ Nossa “ pude sentir que corava e estava furiosa com Cléo e ainda mais comigo mesmo, e que nossa é essa? Nossa? Quem diz nossa assim? O que estou fazendo aqui? Quem ele acha que é? Vou voltar pra casa agora, quando finalmente respirei fundo para dizer que desistia ele interrompeu meus pensamentos “ Você está linda Lize, isso tudo é pra mim? “ ele sorriu “ Não seja sarcástico comigo, você pode ter o dobro do meu tamanho, mas ainda tenho leis que me defendem, e acho.. “ fui interrompida novamente por seu riso rouco em minha frente “ Não é sarcasmo Lize, e pensei que fosse mais meiga, apesar de ter certeza de ter te visto corar alguns segundos atrás” estreitei os olhos e andei em sua direção ficando frente a frente com ele “ Não sei se você se lembra, mas estou aqui fazendo um favor para você, deveria ser mais simpático comigo, namorado!?” ele olhou dentro dos meus olhos e pude me sentir corar novamente, mas ignorei sustentando o seu olhar que logo se transformou em um largo sorriso “ Você tem razão, não estava querendo ser rude com você, apenas estava te provocando um pouco, então vamos namorada?” retribui o sorriso enquanto ele me guiava ao carro e abria a porta para que eu pudesse entrar, quando a fechou se apoio nela olhando para mim dizendo “ Mas não estava brincando quando disse que estava linda Lize” então virou-se e saiu, pude ver pelo retrovisor que tinha ido pegar minhas malas e me repreendi por ter esquecido que tinha malas. Gay? Isso que é gay hoje em dia? Meu Deus se existir vida após a morte que eu venha homem, amém.
Fale com o autor