E Ainda Assim, Amor
3 Capitulo 3 o início de tudo
Notas iniciais
Harry finalmente entrou no castelo. À medida que avançava em direção ao Salão Principal, sentiu um misto de emoções: o peso de tudo o que acontecera naquele lugar, mas também uma estranha leveza por saber que, pela primeira vez em muito tempo, estava seguro.
Olhou à sua volta e tudo lhe pareceu familiar. O salão continuava como sempre fora — majestoso, imponente, carregado de história.
Ao percorrer com o olhar as mesas das quatro casas, reparou que faltavam alguns rostos familiares. Alguns eram amigos. Outros, nem tanto.
A seleção começou, e Harry viu a apreensão no rosto dos novos alunos. Lembrou-se da sua própria seleção, do momento em que pedira ao Chapéu Selecionador que o colocasse na Grifinória, e não em Sonserina. Sabia exatamente o que eles estavam a sentir.
À medida que a seleção decorria, Harry reparou que os alunos escolhidos para Sonserina caminhavam até à mesa de cabeça baixa — apreensivos, alguns até com medo. No entanto, o moreno sabia que já não havia razão para isso. Aquela casa, tal como qualquer outra, tinha sempre tido dois lados: o bem e o mal. E, desta vez, o bem vencera.
A Professora McGonagall levantou-se da mesa dos professores e o Salão Principal ficou imediatamente em silêncio. Observou os alunos com atenção, como se quisesse gravar cada rosto na memória.
— Este não é um início de ano como os outros — começou, com a voz firme. — Hogwarts sofreu, tal como o mundo mágico. Muitos dos que amávamos não estão hoje aqui conosco.
Harry sentiu um aperto no peito ao ouvir aquelas palavras.
— Hoje lembramos todos os que deram a vida para proteger este castelo. Lembramos Albus Dumbledore, que acreditou sempre no bem, mesmo nos momentos mais sombrios. Lembramos Severus Snape, cuja coragem foi silenciosa, mas essencial para a derrota de Voldemort.
A professora fez uma breve pausa. Pequenas velas acenderam-se sobre as mesas, iluminando o salão com uma luz suave. O teto encantado escureceu lentamente, mostrando um céu cheio de estrelas.
— Lembramos também cada aluno, cada professor e cada bruxa e feiticeiro que perdeu a vida nesta guerra — continuou. — Eles fazem parte da história de Hogwarts e nunca serão esquecidos.
O silêncio manteve-se pesado, mas respeitoso.
— Que este ano seja um ano de reconstrução. Não para esquecer o passado, mas para aprender com ele. Hogwarts continua a ser um lugar de aprendizagem, de segurança e de esperança. Sejam bem-vindos de volta a casa.
De repente as mesas foram preenchidas por todos os tipos de comida possíveis e imaginarias e deu-se início ao banquete de início de ano.
Em seguida os alunos dirigiram-se para as suas respetivas casas. Ao chegarem até ao quatro da Dama Gorda, Harry ouviu alguém a dizer a senha — Felix felicis- o quadro abriu passagem para o tão familiar salão comunal da Grifinória.
No dia seguinte Harry foi dos primeiros a acordar, desceu as escadas.
Foi então que a viu.
Sentada sozinha junto à janela, com um livro pousado no colo e o olhar perdido nas montanhas, Lucy Lane parecia alheia ao mundo. O cabelo caía-lhe suavemente sobre os ombros e havia nela uma tristeza serena que Harry reconheceu de imediato.
A dor que sobrevive depois da guerra.
Quando os olhos dela encontraram os dele, Harry sentiu algo inexplicável. Como se, pela primeira vez desde a batalha final, conseguisse respirar.
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