E Ainda Assim, Amor
19 Capítulo 19 – Primavera em Glenshire
Lucy e Harry foram chamados ao gabinete de Minerva McGonagall numa tarde de final de março. O antigo gabinete de Dumbledore, com suas paredes altas, estantes carregadas de livros antigos e retratos de diretores observando silenciosamente, parecia guardar ainda a magia de tempos passados. A luz do sol atravessava os vitrais, espalhando reflexos coloridos sobre o chão polido de madeira. O ar, carregado de cheiro de pergaminho antigo e cera de velas, parecia envolver os dois jovens num silêncio solene.
— Entrem, por favor — disse Minerva, gesticulando com delicadeza. — Tenho uma proposta que normalmente não faço a alunos, mas considerando que ambos já têm idade suficiente e que tecnicamente deveriam ter terminado o sétimo ano no ano passado, achei que poderia ser adequado.
Lucy e Harry trocaram olhares curiosos, os corações acelerados.
— Vocês passariam as férias de Páscoa em minha casa, próxima a Hogsmeade, no vilarejo de Glenshire — continuou Minerva. — Seria uma oportunidade para descansar, explorar e passar algum tempo a sós.
Lucy piscou, surpresa e tímida.
— Sozinhos, nós dois?
— Exatamente — disse Minerva, com um leve sorriso. — A rede de Floo do meu gabinete está à disposição de vocês. Basta indicar o destino, e serão transportados diretamente para minha casa.
Harry sorriu, misturando surpresa e encanto.
— Seria… maravilhoso, professora.
— Fico satisfeita em ouvir isso — respondeu Minerva. — Aproveitem para descansar, explorar, e passar bons momentos juntos.
Minerva os observou com um olhar gentil, mas firme.
— E lembrem-se, nada de aventuras perigosas. A minha casa deve ser um refúgio, não um campo de provas.
Os dois jovens assentiram, cheios de excitação contida. E dias depois no primeiro dia de férias atravessaram a rede de Floo e foram imediatamente transportados para a ampla sala de estar da casa de Minerva. As paredes de pedra clara refletiam a luz suave do sol poente, e janelas amplas ofereciam uma vista do quintal florido, que se estendia até o lago tranquilo. Lucy inspirou profundamente, absorvendo a paz do lugar.
— É ainda mais bonito do que me lembrava — disse ela, apertando a mão de Harry. — Parece que aqui o mundo inteiro desapareceu.
— Exatamente — respondeu Harry, sorrindo. — Aqui podemos ser apenas nós.
Nos dias que se seguiram, exploraram o vilarejo de Glenshire que Lucy tão bem conhecia. Ruas estreitas de paralelepípedos, pequenas lojas de artesanato, confeitarias com aromas irresistíveis de biscoitos e bolos recém-assados. Lucy ria, apontava detalhes das fachadas coloridas, segurando a mão de Harry a cada curva. Cada conversa longa, cada riso compartilhado aproximava-os mais.
Uma tarde, caminharam até o lago próximo à casa. Lucy sentou-se na beira da água, deixando os dedos tocarem a superfície gelada, vendo os reflexos do céu e das árvores dançarem sobre as ondas suaves. Harry sentou-se ao lado dela, observando cada gesto, cada pequeno movimento, absorvendo a serenidade do momento.
— É tão calmo aqui — murmurou Lucy. — Sinto que poderia ficar aqui para sempre.
— Desde que estejamos juntos, qualquer lugar se torna perfeito — disse Harry, apertando suavemente a sua mão.
Mais tarde, visitaram o cemitério de Glenshire, onde descansavam os pais de Lucy o sono eterno. Ela parou diante da lápide, tocando a pedra fria, coberta de musgo e flores silvestres. O coração apertou, mas a presença de Harry trouxe conforto.
— Eles ficariam felizes em nos ver assim — disse, a voz embargada.
Mais tarde ao caminhar pelo vilarejo passaram em frente a casa de Lucy.
Harry olhou para a casa parcialmente destruída onde Lucy crescera.
— Um dia, se você quiseres, reconstruiremos tudo — disse, apertando a mão dela. — E poderemos viver aqui.
Lucy sentiu lágrimas quentes subirem.
— Prometes?
— Prometo — respondeu Harry, com convicção. — Tudo o que desejares, faremos juntos.
Quando a noite chegou, a casa foi transformada num refúgio de romance. A sala de jantar estava iluminada apenas por velas altas, espalhadas sobre a mesa de madeira polida. O ar cheirava a velas de baunilha e rosas, misturando-se com o aroma da comida fumegante: carne assada suculenta, legumes dourados, purê cremoso e uma torta de maçã recém-saída do forno. Lucy sentou-se em frente a Harry, os dedos dele entrelaçando-se nos dela sobre a mesa.
— Nunca pensei que pudesse ter uma noite assim — murmurou Lucy, olhando para os olhos dele. — Tão perfeita e tranquila.
— É só o começo — disse Harry, sorrindo. — Estarmos juntos é tudo o que importa.
Após o jantar, Harry colocou uma música suave. O ritmo lento e delicado preencheu o ambiente. Ele estendeu a mão, convidando Lucy a dançar.
— Posso? — perguntou ele, com uma expressão tão sincera que ela não conseguiu recusar.
— Claro — respondeu, corando levemente.
Eles dançaram, passos lentos e cuidadosos, abraçados como se o mundo ao redor não existisse. Cada toque enviava ondas de calor pelo corpo, cada olhar prolongado carregava promessas silenciosas. Lucy sentiu o coração bater acelerado, a respiração curta, mas cada sensação era deliciosa e segura. Eles riam baixinho quando algum passo saía errado, apoiando-se um no outro, absorvendo o calor humano e a intimidade.
Depois da dança, sentaram-se junto à lareira. Harry acariciou o rosto de Lucy, o polegar deslizando suavemente pelas suas bochechas, e ela inclinou-se para o beijo que se seguiu. Foi lento, ternurento, cada gesto carregado de sentimento, cada toque confirmando o vínculo que haviam construído. Eles perderam-se um no outro, caminharam abraçados em direção ao quarto deixando que o tempo e a noite fluíssem ao redor, embalados pelo cheiro das velas e do suor dos seus corpos.
Mais tarde, sentaram-se próximos à lareira do quarto ainda nus, mãos entrelaçadas, sussurrando palavras e sonhos. Lucy apoiou a cabeça no ombro de Harry, sentindo-se completamente segura, amada e em paz. Ele repousava a cabeça junto à dela, acariciando-lhe os cabelos, e o mundo inteiro parecia suspenso. Cada batida do coração deles ecoava com a sensação de estar exatamente onde deveriam estar.
Nos dias seguintes, continuaram os passeios tranquilos, explorando o vilarejo, caminhando ao longo do lago, rindo e conversando sobre tudo e nada. Cada momento juntos reforçava o vínculo recém-descoberto, tornando a relação mais sólida, profunda e cheia de cumplicidade.
Eles visitaram novamente o lago, lembrando os passeios de verão antes de Lucy regressar à escola. A água refletia o céu azul e o brilho do sol, e o som distante das aves cantando parecia acompanhar cada risada e sussurro. Harry segurava a mão dela, puxando-a para pequenas corridas e brincadeiras junto à margem. Lucy ria, sentindo-se mais viva do que nunca, deixando que cada instante a preenchesse de alegria e ternura.
Antes do fim das férias, caminharam novamente até a casa parcialmente destruída de Lucy. Ela observou a estrutura, sentindo uma mistura de nostalgia e esperança. Harry segurou sua mão, olhando nos olhos dela.
— Esta casa carrega o peso da morte dos teus pais – diz Harry – mas um dia carregara nas suas paredes a força do nosso amor, um dia seremos felizes aqui e criaremos aqui os nosso filhos. Lucy corou com as palavras do moreno e sorriu com expectativa sobre o futuro.
Nos últimos dias antes de regressarem a Hogwarts, passaram longas horas conversando, lendo juntos, caminhando por Glenshire e sentando-se no quintal florido da professora Minerva, admirando o lago e o brilho do sol. Cada pôr do sol era um espetáculo que eles contemplavam juntos, trocando sorrisos cúmplices e pequenas carícias, reforçando a cumplicidade que só crescia.
Finalmente, no dia 14 de abril, foi hora de regressar. Minerva permitiu que usassem a rede de Floo mais uma vez, transportando-os diretamente para Hogwarts. Lucy olhou uma última vez para o lago e o quintal florido, sentindo gratidão e alegria. As semanas em Glenshire haviam sido um refúgio de amor, descobertas e cumplicidade, e ambos retornaram para a escola mais conectados e confiantes, prontos para enfrentar o que viesse pela frente.
— Vamos tentar guardar cada memória — disse Lucy, encostando a cabeça ao ombro de Harry durante o transporte.
— Sempre — respondeu ele, apertando a mão dela com firmeza. — Cada momento, cada sorriso, cada passo… será nosso segredo.
E assim, encerraram as férias de Páscoa, mas cada momento em Glenshire ficaria guardado para sempre em seus corações, alimentando a esperança, o amor e a certeza de que juntos poderiam enfrentar qualquer desafio que Hogwarts, ou a vida, lhes reservasse.
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