E Ainda Assim, Amor

20 Capítulo 20 – Regresso e Novos Caminhos


Quando Lucy e Harry atravessaram a rede de Floo e chegaram ao gabinete de Minerva McGonagall, o antigo gabinete de Dumbledore parecia respirar ainda a magia dos dias passados. A professora sorriu-lhes com aquela expressão firme e afetuosa ao mesmo tempo.

— Espero que tenham aproveitado bem os dias — disse, apoiando-se levemente na borda da secretária. — Foi uma oportunidade rara, mas merecida.

— Obrigada, professora — respondeu Harry, apertando a mão dela. — Foram dias… inesquecíveis.

— Muito obrigada — acrescentou Lucy, corando ligeiramente. — Foi… perfeito.

Minerva assentiu, satisfeita.

— Aproveitem para descansar e retomar a rotina com tranquilidade. E lembrem-se, qualquer problema, não hesitem em procurar-me.

Saíram do gabinete de mãos dadas, sorrindo baixinho e trocando recordações das férias. Hogwarts parecia mais viva do que nunca; cada corredor, cada raio de sol através das janelas trazia o conforto familiar.

Ao chegarem ao salão comum da Grifinória, depararam-se com Hermione e Ron sentados no sofá, completamente abraçados e aos beijos, alheios a tudo à sua volta. Neville estava numa das mesas, concentrado a jogar xadrez com Ginny, que se inclinava sobre o tabuleiro, franzindo o sobrolho, mas incapaz de esconder a frustração.

— Parece que todos aproveitaram bem as férias — comentou Harry, encostando a cabeça ao ombro de Lucy.

Lucy sorriu com suavidade, apreciando a cena, enquanto Harry soltava um suspiro de contentamento.

Ginny, por sua vez, mantinha a postura séria, mas cada gesto de carinho entre Hermione e Ron lembrava-lhe a própria frustração. Ainda assim, decidiu concentrar-se no xadrez, movendo as peças com cuidado, evitando olhar para eles. Neville, atento ao movimento das peças, comentou baixinho:

— Ginny, não te preocupes, vais ganhar esta partida, só não percas a paciência com o meu cavalo.

Ginny esboçou um pequeno sorriso, sem olhar para ele, murmurando:

— Não prometo nada, Neville.

Lucy e Harry sentaram-se juntos numa cadeira baixa, retomando a conversa sobre os dias passados. Recordaram os passeios em Glenshire, os momentos de cumplicidade junto ao lago, e os planos futuros. Harry falou com naturalidade, a voz carregada de emoção:

— Senti-me como se já estivéssemos casados, Lucy. Cada detalhe… parecia feito para nós.

Lucy sorriu, corando levemente, e pousou a mão sobre a dele.

— Senti o mesmo. Foi perfeito… — disse, antes de lhe dar um beijo suave, silencioso, quase sussurrado.

Os amigos observavam a cena em silêncio, sorrindo, mas do outro lado da sala Ginny não conseguiu conter a raiva e a tristeza. O jogo de xadrez terminou rapidamente e ela levantou-se, empurrando a cadeira com força:

— Preciso de ar — murmurou, saindo do salão, deixando Lucy suspirar baixinho:

— Ela nunca vai aceitar a nossa relação.

Nos dias que se seguiram, a vida em Hogwarts retomou o seu ritmo normal. Entre aulas e tarefas, Lucy e Harry mantinham a cumplicidade adquirida nas férias, trocando sorrisos e pequenos toques discretos nos corredores, dormiam mais vezes na sala precisa entregues ao amor que os unia do que nos seus próprios dormitórios. Cada olhar transmitia mais do que palavras poderiam.

Uma das primeiras visitas foi a Hagrid, que os recebeu com o seu sorriso largo habitual:

— Olá, olá! Vocês de volta! — exclamou, abrindo os braços. — Contem-me tudo!

Harry e Lucy sorriram, mas resumiram as férias, sem revelar detalhes íntimos, apenas a felicidade de terem passado tempo juntos. Hagrid abanou a cabeça, divertido:

— Parece que aproveitaram mesmo! Mas não se esqueçam, há trabalho a fazer com os animais!

Alguns dias depois, os alunos do sétimo ano da Grifinória receberam uma missão especial do professor Slughorn: deveriam ir à Floresta Proibida com Hagrid para recolher ingredientes raros para uma poção avançada. Lucy sentiu o coração acelerar com a perspectiva da aventura, mas também com o receio do perigo.

— Vamos ser cuidadosos — disse Harry, segurando a mão dela por um instante antes de se juntarem ao grupo. — Não quero que nada te aconteça.

— Eu sei, Harry — respondeu Lucy, sorrindo. — Mas vamos aproveitar.

A floresta parecia mais imponente do que nunca, com a luz do sol filtrando-se entre as copas das árvores e o chão coberto por folhas húmidas. Hagrid conduzia o grupo com segurança, explicando cada planta, raiz e flor, enquanto os alunos recolhiam os ingredientes indicados por Slughorn.

— Vejam esta raiz — disse Hagrid, mostrando um pedaço retorcido. — É essencial para a poção de vigor. Só uma pitada chega.

— Obrigada, Hagrid — disse Lucy, maravilhada. — É incrível poder aprender assim na prática.

Harry estava sempre ao lado dela, atento, rindo baixinho quando ela tropeçava nas raízes ou fazia comentários engraçados sobre os nomes das plantas. A proximidade deles tornava cada gesto mais intenso, cada olhar mais carregado de cumplicidade. Adorava ver como ela estava concentrada enquanto procuravam os ingredientes para a poção, aquele era o mundo dela – o mundo das poções.

Durante a caminhada, Neville tropeçou numa raiz e quase caiu.

— Cuidado, Neville! — exclamou Lucy, segurando-o pelo braço.

— Obrigado, Lucy — respondeu ele, sorrindo envergonhado. — Estas raízes… não me respeitam.

Harry riu discretamente, apertando a mão dela enquanto observava a cena. Pequenos momentos como aquele tornavam a vida em Hogwarts leve, mesmo entre as responsabilidades.

No regresso da Floresta Proibida, conversavam sobre os ingredientes recolhidos e a poção que preparariam na aula seguinte. Havia uma excitação discreta, uma mistura de trabalho e diversão, de descoberta e cumplicidade. Harry segurava a mão dela, murmurando pequenas instruções e sugestões sobre as plantas, como se fossem um só corpo e uma só mente, cada gesto reforçando o elo que tinham construído.

Nos dias seguintes, entre aulas de feitiços avançados, Herbologia, História da magia e poções, Lucy e Harry continuavam a trocar gestos discretos, sorrisos cúmplices e pequenas carícias. Às vezes, durante uma explicação do professor Slughorn, Harry passava-lhe um pergaminho com um desenho engraçado ou uma nota com uma piada interna, fazendo Lucy engasgar-se com a risada e desviar o olhar dos colegas, corada.

— Potter, deves mesmo parar com estas brincadeiras — dizia ela, rindo e tentando manter a postura séria.

— Só estou a animar a aula — respondia ele, com um sorriso maroto.

Lucy aproveitava estes momentos para relembrar os passeios em Glenshire, imaginando como seria maravilhoso ter Harry sempre ao seu lado, mesmo nas rotinas diárias da escola. Cada toque, cada troca de olhar fazia o coração bater mais rápido, e os dias tornavam-se leves, mesmo com o peso das responsabilidades do sétimo ano.


Entre passeios pelos jardins de Hogwarts, visitas a Hagrid, aulas e pequenos momentos roubados no corredor, o mês de abril passou rápido. Lucy e Harry partilhavam confidências, sorrisos, e a segurança de saberem que estavam juntos. Cada pôr do sol era contemplado com olhares cúmplices, cada noite terminava com palavras suaves e mãos entrelaçadas, fortalecendo ainda mais o vínculo.

Finalmente, os últimos dias do mês foram preenchidos com longas conversas, pequenos passeios pelo castelo e visitas aos amigos. Cada pôr do sol era contemplado com um sorriso cúmplice, cada noite terminava com palavras suaves e carícias discretas. Hogwarts tornou-se o cenário perfeito para o florescer do amor deles, reforçando a certeza de que, juntos, poderiam enfrentar qualquer desafio.

No último dia de abril, sentaram-se no salão comunal, observando o céu de fim de tarde, mãos entrelaçadas. Lucy encostou a cabeça ao ombro de Harry, suspirando.

— Guardaremos cada memória, cada momento — disse ela.

— Sempre — respondeu ele, apertando a mão dela com firmeza. — Nada do que vivemos será esquecido.

E assim, abril terminou com Hogwarts tranquila, mas o coração de Lucy e Harry preenchido de memórias, amor e cumplicidade, prontos para enfrentar o último período do ano letivo com confiança, coragem e uma ligação ainda mais forte entre eles.