Dylan Taylor: No Meio das Trevas
2 O ínicio de uma história
Dylan era um rapaz estranho e até certo ponto, anormal. Não gostava muito de estar com as outras crianças da sua idade, mas ele desconhecia a razão. Ele tinha apenas um amigo: a sua mãe. A sua mãe querida que lhe fazia uns cozinhados maravilhosos e ouvia com atenção todas as suas histórias mirabolantes.
Nunca conhecera o seu pai, vivendo com a mãe desde que nasceu. Os Taylor viviam num pequeno subúrbio em Manchester, numa pequena casa acolhedora.
A mãe de Dylan, Emily, uma mulher de 40 anos com um aspeto jovem mas cansado, adorava contar-lhe histórias fantásticas sobre seres mitológicos e sobrenaturais e ele sempre se maravilhara com tal coisa, pois sentia como se pretencesse a esse mundo, cheio de mistérios e paisagens de cortar a respiração.
Quando era muito pequeno ainda, Dylan recebera no Natal, vindo de uma província longínqua e desconhecida, um embrulho muito peculiar. Continha lá dentro um livro. Um livro de histórias infantis muito diferente de qualquer outro. Nos anos seguintes, o jovem rapaz procurou cópias do livro à venda, mas sempre sem sucesso. O seu nome era "Contos de Beedle, o Bardo". O conto mais interessante, na sua opinião, era o "Conto dos Três Irmãos", apesar de também gostar muito da coelha Babbity. Nestas histórias, o pequeno Dylan Taylor vagueava por mundos diferentes e fantásticos. Ele sempre sentira uma grande atração para viver aquelas vidas contadas no papel, que muito pouca gente apreciava. Um dia viria a perceber claramente o seu interesse.
Numa tarde de verão, protagonizada por um sol radiante e esplendoroso, e sem uma única nuvem a vaguear no céu azul, Dylan chegou a casa do seu último dia de escola.
— Olá mãe! — saudou o rapaz — Finalmente acabou a escola! Já estava a ficar farto de tanta matéria chata e sem interesse. Ainda por cima, metade daqueles miúdos não percebe nada daquilo.
— Aproveita esta verão para descansares e fazeres aquilo que realmente gostas, porque o próximo ano vai ser ainda mais cansativo — advertiu a mãe.
Ainda o rapaz não sabia nada daquilo que iria acontecer com ele dali em diante. Dylan era um rapaz extremamente inteligente, e por essa razão, as disciplinas da escola não o interessavam de maneira nenhuma. Mas havia uma que lhe despertava a atenção: na sua escola era lecionada uma cadeira alternativa, que tratava sobretudo de seres mitológicos. Ele adorava ouvir as histórias sobre os lobisomens que massacravam aldeias inteiras, ou dos duendes que se infiltravam em qualquer lugar.
Instalado em casa, e depois de ter arrumado as coisas da escola, Dylan sentou-se na sua cama a pensar. Como ele gostava de ter amigos, amigos verdadeiros que o apoiassem e com quem pudesse partilhar os seus segredos, os seus medos e anseios. Era verdade que tinha a sua mãe, mas não era a mesma coisa. Emily encontrava-se muitas vezes ocupada e, de qualquer das maneiras, não tinha a sua idade e por isso havia coisas que não compreendia.
Perto à hora de jantar, Dylan levantou-se e foi buscar um dos livros que estava a ler no momento: falava sobre Merlin, que era um mago e profeta do rei Arthur, nas lendas e histórias do Ciclo Arturiano.
Alguns momentos depois, Emily chamou o filho para jantar:
— Dylan, anda comer. Preparei-te um guisado maravilhoso!
— Vou já, mãe — disse Dylan, ansioso para ir comer o saboroso guisado que a mãe preparara com tanta ternura e amor.
Dylan sentou-se numa das cadeiras da velha mesa de madeira que havia na cozinha e disfrutou da refeição juntamente com a sua mãe. Os Taylor tinham também um gato preto, que se rossava carinhosamente nas suas pernas em todas as suas refeições.
— O jantar estava ótimo — referiu o rapaz, satisfeito.
— Ainda bem que gostaste. Antes de ires para o teu quarto não te esqueças de dar comida ao Apolo — avisou Mrs. Taylor, apontando para o gato preto.
Depois de ter realizado a sua tarefa, Dylan seguiu para o seu quarto, na esperança de continuar a ler o seu livro. Mas o que viu foi de tal modo chocante, que esqueceu o livro em três tempos.
O seu quarto encontrava-se bastante desarrumado e as roupas da sua cama estava fora do sítio. Parecia que alguém tinha andado a remexer nas suas coisas.
Arrumava as coisas no seu devido lugar e ajeitava o seu quarto, não querendo alertar para já a mãe nem tirar conclusões precipitadas. Até podia ter sido o vento... mas a janela estava fechada. Dylan abriu a sua janela e olhou calmamente para a rua. Respirou o ar puro vindo da floresta e olhou para as pessoas que passavam na rua apressadas, que se assemelhavam bastante com formigas.
Quando fechou a janela e se virou novamente para o seu quarto encontrou em cima dos seus lencóis uma pena grande e com um padrão castanho e branco. O rapaz agarrou-a cuidadosamente e examinou-a. Parecia-lhe bastante com uma pena de uma coruja-dos-banhados...
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