Dylan Taylor ficara bastante intrigado com aquela pena. Não era todos os dias que corujas passeavam abertamente pela civilização.

Mas com toda esta confusão, esqueci-me completamente de descrever o nosso protagonista. Embora a imaginação do leitor deva fluir, nada como uma pequena ajuda original.

Por incrível que pareça, quando Dylan nasceu, tinha os olhos cinza e um cabelo curto azulado. Algo bastante incomum. Mas com o passar do tempo o seu cabelo foi mudando de cor, tal como os seus grandes olhos.

Com onze anos, Dylan era agora um rapaz de estatura normal, cabelo louro escuro e algumas madeixas mais claras, e os seus olhos eram agora de um azul profundo e brilhante, que emanavam um olhar penetrante.

O jovem rapaz estudava a pena havia algumas semanas: descobrira que era realmente de uma coruja-dos-banhados, tal como palpitara quando a encontrara.

Durante algum tempo esperou por algum vestígio anormal no seu quarto, mas não encontrou nada, tal como não voltou a ocorrer nada de peculiar.

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— Dylan, preciso que me faças um favor — chamou a mãe, da cozinha.

— Vou já.

O rapaz dirigiu-se então à cozinha, depois de uma sessão de duas horas a olhar para a pena.

— O que foi, mãe? — perguntou o rapaz.

— Preciso que vás lá abaixo buscar algumas coisas à mercearia — pediu Emily, com carinho.

Então Dylan vestiu um casaco leve e saiu de casa, com a lista das compras.

A mercearia localizava-se num pequeno centro de comércio perto do prédio onde ele e Emily moravam, por isso não demoraria muito a fazer aquilo que a mãe lhe pedira.

— Pelas barbas de Merlin! — ouviu alguém dizer, dentro da taberna que jazia ao lado da mercearia.

Tal expressão deixou o jovem Taylor intrigado. Por que razão uma pessoa utilizaria tal expressão? Dirigiu-se então para fazer as compras, ainda a pensar naquilo que tinha ouvido.

— Bom dia, Dylan — desejou a dona da mercearia.

— Bom dia, Mrs. Davies.

Dylan olhou então para a rapariga que se encontrava atrás do balcão, que não deveria ter mais que a sua idade. Era a neta de Mrs. Davies, Alice.

— Bom dia, Alice. Tudo bem contigo? — perguntou o jovem, amavelmente.

A rapariga ficou nervosa e desapareceu. Ficava sempre assim quando via Dylan. O rapaz só nunca se apercebera qual era a razão.

Alguns tomates, maçãs, cereais... Finalmente tinha tudo o que precisava. Pagou a Mrs. Davies e seguiu para casa.

Quando saiu da mercearia embateu contra algo. Ou melhor, alguém.

— Pelas barbas de Merlin! — exclamou o senhor, que aparentava encontrar-se na meia idade.

— Peço imensa desculpa — disse Dylan, desamparado.

— Não peças desculpa, rapaz. Eu é que ia distraído. Vejo que te foste aviar à mercearia. Aquela rapariga, Alice, está sempre a olhar para ti. Bem jovem, eu vou andando para casa — disse o senhor, alegremente.

Dylan dirigiu-se para casa atordoado. Então era aquele senhor que utilizara aquela expressão na taberna. Já o tinha visto algumas vezes. Era excêntrico mas simpático, concluiu. Mas o que o jovem Taylor achou mais estranho foi a atenção do senhor a Alice. Sabia que a rapariga ficava nervosa na sua presença, mas pensava que só ele reparava nisso. Era realmente estranho.

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— Cheguei, mãe — avisou Dylan, antes de se dirigir ao seu quarto.

Ele queria lembrar-se do nome do senhor que tinha encontrado na rua. Já o tinha ouvido algures. Talvez, até na taberna, onde ele (o senhor) conversava animadamente e bebia o seu licor de mel.

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"Mr. Green", lembrou-se Dylan, subitamente, após acordar sobressaltado de um sonho. Era isso mesmo: Alexander Green.

Eram cinco da manhã. O jovem Taylor gostava de se levantar cedo, mas não tão cedo. No entanto, após acordar, não conseguiu mais adormecer. A pena, e agora Mr. Green, um homem excêntrico que usa expressões peculiares. Não que fosse propriamente estranha, mas Dylan sabia a alusão que aquela pequena exclamação fazia ao mundo oculto da magia, que ele conhecia muito bem através dos livros que lia. "O que viria a seguir?" — perguntou-se, mentalmente. Ele gostava de mistérios, mas este estava a intrigá-lo particularmente.

Quando o relógio de parede do seu quarto bateu com o ponteiro das horas no número oito, Dylan ouviu a mãe tossir do seu quarto. Levantou-se e foi averiguar.

— Sentes-te bem, mãe? — perguntou o filho, cautelosamente.

— Acho que estou a ficar engripada. Sinto a cabeça a latejar. Vais ter que ir comer ao café, porque não temos comida em casa para fazer o pequeno-almoço — avisou Emily, com uma voz adoentada.

Então o jovem Taylor perguntou, antes de se vestir e sair de casa:

— Não vais trabalhar?

Mrs. Taylor trabalhava a limpar algumas casas de pessoas abastadas que viviam no lado mais sofisticado e moderno da cidade.

— Eu avisarei que hoje não vou trabalhar — declarou, por fim.

Dylan dirigiu-se ao seu quarto para se vestir. Mas antes, decidiu tomar um banho.

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Olhou-se ao espelho. Crescera nos últimos tempos. Estava com um aspeto mais maduro. Por fim, tomou então um breve banho de água morna.

Vestiu uns calções e uma camisola, colocou os seus óculos de sol e desceu para ir tomar o pequeno-almoço.

O café encontrava-se exatamente em frente à taberna. O rapaz sentou-se numa mesa, num dos cantos do humilde estabelecimento.

— Bom dia, jovem Dylan! O que vais querer? — perguntou Miss Parker, com um tom afável. Miss Parker devia ter aproximadamente a idade da sua mãe, apesar de não ter nenhum filho e nunca se ter casado. A sua mãe já se tinha casado, mas não era assunto que Dylan falasse com ela.

— Bom dia! — respondeu Dylan, docemente — Quero um pão pequeno torrado com manteiga e um galão, se faz favor.

— Com certeza. É para já.

O rapaz observava as pessoas na rua, enquanto esperava pela sua comida. A velhota que saía apressadamente da sua residência. O jovem Adam, que andava desesperadamente à procura de um emprego...

Quando se encontrava distraído a olhar para o nada, Dylan ouviu uma voz familiar.

— Bom dia, meu jovem. Que bela manhã! — desejou. Era Mr. Green.

— Bom dia — disse o rapaz, atordoado.

Então, sem delongas, Mr. Green sentou-se à sua mesa, sem qualquer indício perceptível de que tivesse pedido licença para tal.

— Jovem, como te chamas?

— O meu nome é Dylan, senhor — respondeu.

— Educado, já percebi. Os teus pais devem ter-te dado uma excelente educação — afirmou Alexander Green.

Subitamente entristecido, Dylan respondeu:

— Não conheço o meu pai. A minha mãe criou-me sozinho.

— Lamento sabê-lo, rapaz — disse Mr. Alexander — Escuta, gostas de ler?

Então, como que por magia, o jovem Taylor levantou a cabeça e os seus olhos azuis brilharam.

— Gosto muito — respondeu, mais alegre.

— Então, amanhã passa por minha casa, e eu mostrar-te-ei a minha imensa biblioteca, com livros dos mais diversos assuntos — pediu o excêntrico homem.

Dylan entusiasmou-se com a ideia. Tomou o seu delicioso pequeno-almoço e pediu algumas folhas de chá no balcão, para ajudar na gripe da sua mãe. E então, dirigiu-se para casa.