Dust in the Wind
39 Uma nova ideia
Notas iniciais

Washington — DC
Apesar de insistir bastante para ir onde Hotch, Wendy não baixou a guarda. Então Reid logo se conformou e deitou-se na cama com a barriga para cima. A garota deitou-se do lado dele encostando a cabeça no peito do rapaz. Um silêncio se formou por alguns minutos, até que ela resolveu quebrar o silêncio.
— Spencer — disse Wendy ainda com a cabeça encostada no peito do rapaz — sabe no que estava pensando?
— Fale.
— É tão bom está assim com você — Wendy falou como se arrastasse a voz em seguida levantou a cabeça e encarou o rapaz — seria bom... não sei. Se a gente morasse junto.
Reid quase engasgou com a proposta da garota. Mas lembrou-se que um dos Phillips estava solto e ainda por cima entrou no seu apartamento.
— Morar juntos?
— É. Seu apartamento fica mais próximo da universidade e a gente teria mais tempo para ficarmos juntos.
— Não acho que seja uma boa ideia — retrucou Reid bem sério.
Wendy ficou sem saber o que responder diante da negativa do rapaz.
— Certo — ela respondeu ficando triste.
A garota somente virou-se para o outro lado da cama, ficando de costas para Reid, este percebeu que havia algo errado, talvez a sua negativa de morarem juntos não tenha sido digerido bem por ela.
— Algum problema? — ele perguntou sentando-se na cama.
— Não, só me desculpe pela proposta que fiz... eu não deveria ter falado.
— Wendy, eu passo muito tempo fora — ele respondeu estando um pouco nervoso — não é seguro você ficar sozinha naquele apartamento.
— Spencer, está tudo bem. Eu já entendi — ela falou ainda demonstrando está magoada — não precisa ficar se explicando.
— Okay — Reid respondeu voltando a se deitar na cama como se nada tivesse acontecido.
Wendy virou-se olhando para o rapaz e percebeu que ele havia fechado os olhos para dormir. Ela havia dito que estava tudo bem, mas as coisas não estavam bem. Como ele poderia somente se virar para dormir como se nada tivesse acontecido. Ele deu uma resposta rude sem dar grandes detalhes.
Então a garota levantou-se e colocou um robe por cima do babydool que vestia, um short rosa com uma camiseta branca com detalhes rosas. Wendy fez tudo de forma brusca para que ele percebesse que ela estava irritada. Em seguida saiu do quarto indo em direção a cozinha.
Quando passou pela sala, Sean estava sentado no sofá lendo um livro, mas se atentou que havia algo errado com a sobrinha quando ela passou. Ele então a acompanhou.
Assim que chegou na cozinha, Wendy abriu a geladeira ainda bastante irritada. Pegando a caixa de leite de forma bem brusca. Então a garota sentou-se à mesa servindo-se. Sean que estava na porta da cozinha observando resolveu se aproximar.
— Brigaram? — ele perguntou calmamente sentando-se do lado dela.
— Antes fosse — ela falou bebendo um gole de leite e encostando-se na cadeira de modo que ficou totalmente relaxada.
— O que fosse dessa vez então?
— É que eu quero uma mansão, uma Ferrari e 1 milhão de dólares na minha conta e Reid não quer me dar.
Sean olhou para a sobrinha estreitando o olhar.
— É disso que as garotas espertas gostam, não é? — ela indagou apertando os lábios como se quisesse explodir — as garotas idiotas só querem morar com o namorado. E eu não sou uma garota idiota.
— Você pediu para morar com ele e ele não quis morar com você?
Nesse momento Reid chegou na cozinha. Ele estava com o “ar” de despreocupado. Vestia um calção um pouco folgado na cor cinza e uma camisa manga curta de algodão. Um cabelo estava um pouco bagunçado.
— Veio comer e não me chamou? — ele perguntou para Wendy.
— Ah, eu mereço — ela disse bufando de raiva e saindo da cozinha e voltando para o quarto.
Reid olhou para Sean sem entender nada.
— Eu disse alguma coisa errada? — ele indagou-se.
— Disse e não foi agora — respondeu Sean — foi mais cedo quando ela te perguntou se podiam morar juntos e você respondeu que não.
Reid fraziu a testa e sentou-se do lado de Sean.
— A gente conversou sobre isso e ela me disse que estava tudo bem.
— Pelo visto não estava.
— Então por que ela disse que estava?
— Ah, bem-vindo ao mundo das mulheres. Onde você não sabe o que fez de errado, mas tem que pedir desculpas e dar razão a ela.
Reid coçou a cabeça confuso.
— Vai lá pedir desculpas — falou Sean — eu vou dormir agora. Mas qualquer problema me chame.
— Certo — o rapaz concordou.
Reid fez um pequeno lanche enquanto se perguntava o que havia acontecido. O que de errado ele havia feito. Ele havia dito para ela que não era uma boa ideia, mas não por que não quisesse ficar com ela sob o mesmo teto, mas sim por que o Phillip havia invadido o apartamento dele e ele temia por ela.
Mas logo voltou ao quarto. E Wendy estava deitada novamente virada de costas para o lado de Reid. O rapaz então deitou-se do lado da garota. E levemente ergueu o pescoço vendo se Wendy estava acordada. Ela, captando os movimentos do rapaz, virou-se para ele.
— Tudo bem, eu aceito — ele disse.
— Aceita o que?
— Morar junto com você.
— Não, você só está dizendo isso agora só para me agradar.
— Na verdade, eu só disse que não por que eu achei que seu pai não aceitaria.
— Eu sou maior de idade, meu pai não pode se opor — ela disse já cedendo.
— Na verdade, você ainda não é plenamente maior de idade. Isso você só vai adquirir plenamente com 21 anos.
— Eu sei, mas já posso sair de casa, me casar...
— Tudo bem. Mas a gente só tem que encontrar um apartamento melhor.
— Outro apartamento? Eu gostei tanto do seu.
— Só que eu quero um lugar que seja a nossa cara, que cada um tenha seu espaço...
A garota estava mais calma, todavia ainda bastante desconfiada.
— Tem certeza de que não está fazendo isso só para me agradar?
— Tenho sim — ele respondeu firme.
Ela logo o beijou calorosamente estando muito feliz e depois se amaram.
***
Quantico — Virginia
No dia seguinte, Reid e Hotch foram juntos para Quantico. No caminho Reid queria falar sobre sua teoria sobre a existência de dois Phillips, porém deixou para falar quando chegaram ao escritório e estivessem a sós. E assim que chegaram, foi o que ele fez quando ficaram a sós na sala do chefe.
— Para mim, faz muito sentido — disse Hotch sério — mas é só uma teoria, não podemos abrir uma investigação somente com uma teoria, temos que ter algo mais concreto, alguma prova ou indicio.
— Mas eu só posso te dar algo concreto se investigarmos minuciosamente.
Hotch ficou alguns segundos em silêncio olhando para Reid bem sério, ele via a aflição do rapaz em ter uma resposta. E Hotch também ansiava por essa resposta, pois sua esposa e filha corriam risco caso Reid estivesse certo.
— Vamos fazer seguinte: eu vou pedir a Garcia para fazer uma varredura daquelas que só ela sabe fazer sobre a origem do Phillip. E também vou pedir para um contato lá da Califórnia interrogar Henry Froster...
— O pai de Phillip — completou Reid.
— Ele, assim como Phillip, continua preso pela morte de Monica Bello, mãe de Ramona Bello... se tem uma pessoa que pode nos dar uma resposta, essa pessoa é ele.
— Certo... — falou Reid timidamente e até gaguejando um pouco — eu queria ir falar com ele.
— Reid...
— Eu vou por me conta e risco, só preciso que me dê a autorização para ir.
— Eu não posso te mandar como agente pelos motivos que já disse.
— Não faz diferença, contanto que eu vá...
— Okay. Você venceu, só tome cuidado. Vou pedir para esse meu contato lá de Los Angeles te dar apoio.
— Obrigado.
Nesse momento Evilyn entrou na sala entrou de supetão. Reid, dando-se por convencido, saiu. Ficando Evilyn e Hotch a sós.
— Na próxima vez, bata na porta antes de entrar — disse Hotch bem sério e ao mesmo tempo irritado.
— Desculpe-me — ela falou envergonhada — eu não queria ser inconveniente, mas é que o agente Ryan Collins está ai fora querendo falar com o senhor. Ele veio acompanhado do irmão Stan Collins. Posso pedir para entrarem?
— Sim, pode.
Ryan Collins já foi chefe de Seção da BAU antes de Erin Strauss, era um velho amigo de Hotch, mas também era o pai de Rachael Baxter Collins, por isso a visita dele era uma incógnita.
Evilyn saiu e minutos depois voltou acompanhada de Ryan e Stan. Ryan era mais velho, deveria ter uns 50 anos. Tinha os cabelos grisalhos, à mesma altura de Hotch, mas bem mais magro, vestia terno e gravata preto. Stan era mais jovem, tinha quase 1,90 m de altura, corpo bem atlético, no máximo uns 35 anos de idade. Cabelos pretos e lisos. Ele usava uma camisa branca que torneava seu corpo. No braço esquerdo uma tatuagem dos fuzileiros navais.
Hotch levantou-se para cumprimentar o ex-chefe, mas recebeu um gelo de feedback. Tudo indicava que a conversa não seria das melhores. Evilyn não saiu, permaneceu ao lado do chefe, apesar deste ter lhe dado o sinal para sair.
— Agente Hotchner — disse Ryan — durante um mês eu fiquei me perguntando qual o real sentido de ter me mandado aquela carta de condolências lamentando o que havia acontecido a minha filha. E cheguei a conclusão de que só fez isso para zombar de mim.
Hotch franziu a testa o encarando.
— Eu nunca faria algo do tipo...
— Depois de tudo que sua filha fez a minha sobrinha — disse Stan interrompendo Hotch — foi algo desrespeitoso isso.
— Deveria ter educado sua filha direito — falou Ryan — assim minha filha não tinha tido tantos problemas e ainda estaria viva hoje. Você criou um monstro que destruiu meu anjo.
— Não mencione a minha filha. Eu proíbo — falou Hotch se irritando.
Hotch tinha uma resposta para dar, no entanto ele tinha muito respeito à dor do amigo que perdeu a filha de forma trágica, por isso resolveu ficar na defensiva, no entanto não sabia por quanto tempo aguentaria aqueles homens ofendendo a sua filha.
— Me desculpe, mas eu vou falar — disse Evilyn bastante alterada depois que viu a pressão a qual o chefe era submetido — a filha do Hotch pode ter errado muito, mas não foi a única.
— Cala a boca, pirralha — falou Stan com total desprezo a ela.
— Os pais também tem de estarem atentos ao comportamento dos filhos. E com todo respeito, agente Collins, foi uma coisa que você não fez, por isso sua esposa te deixou e levou a filha.
— Mas que garota petulante! — disse Stan se exaltando.
— Com certeza a sua filha deve ter dado todos os sinais de que precisava de ajuda — Evilyn falou ignorando as provações de Stan — mas você era incapaz de ver o que estava acontecendo ou via e fingia que não era com você e por isso acha mais fácil culpar os outros por algo que você também tem culpa.
— O que está dizendo? — indagou Ryan ficando furioso — Rachael sempre foi uma boa menina, sempre foi tímida...
— E por vezes um pouco arredia e mal-humorada, mas era uma boa filha — falou Evilyn fazendo pausas na fala.
— Eu sei onde quer chegar — falou Hotch como se cochichasse no ouvido da secretária — mas ele não precisa saber disso.
— Do que vocês estão falando? — retrucou Stan como se temesse algo.
— Por que Rachael sendo jovem e muito bonita, se vestia daquela forma, não arrumava os cabelos, as sobrancelhas... — disse Evilyn ignorando os conselhos de Hotch.
— Minha filha só não gostava de futilidades.
— Não é isso — Evilyn dizia tudo de forma segura que fazia com que Ryan e Stan prestasse atenção nela, até o próprio Hotch fazia o mesmo — meninas na idade que Rachael tinha na época que faleceu que não apresentam nenhum tipo de vaidade pode significar três coisas. Primeira: não tem condições financeiras, o que não era o caso da Rachael. Segundo: uma questão de estilo de não querer seguir regras e padrões, só que geralmente essas pessoas são bem seguras de si, o que também não é o caso da Rachael. E terceiro: quando são vítimas de abuso.
— O que você diz não tem cabimento — retrucou Ryan.
— Tem sim. Crianças tendem a se sentir culpadas pelo abuso sofrido, e se vestir mal de forma que não seja “atraente” é uma forma que ela encontra de se expressar dizendo que não quer que aquilo continue...
— Você é uma louca — gritou Stan totalmente possuído como se fosse partir para cima da garota.
— Eu falo a verdade e vocês dois sabem disso.
Ryan colocou o braço na frente de Stan como se dissesse para ele se controlar. Conseguinte olhou para Hotch.
— Isso não vai ficar assim. Eu vou arrumar um jeito de incriminar sua filha pelo que aconteceu a Rachael.
Logo os dois saíram, ficando novamente Hotch e Evilyn a sós.
— Não se preocupe — disse a garota — eles não tem base legal para incriminar Wendy pelo que aconteceu a Rachael, ainda mais que o suposto crime não aconteceu no nosso país.
— Eu sei disso e não estou preocupado — respondeu Hotch sério sentando-se na sua cadeira — eu só não entendi por que falou isso a eles.
— Era a verdade — retrucou Evilyn sentando-se na cadeira em frente Hotch — Ryan precisava saber. E eu sei que você também suspeitava disso.
— Sim, já suspeitava e acredito que por isso que a Senhora Mary se separou e foi embora do país, foi a única forma de proteger filha, já que Ryan não acreditava no que está debaixo do seu nariz.
— Mary fez o máximo que pôde pela filha, mas os estragos feitos eram difíceis de serem desfeitos. Enquanto o pai não aceitava que o irmão era um pedófilo.
— Ele não é pedófilo, é molestador... pedófilos geralmente tem preferências. Molestadores não tem preferência, eles só veem a oportunidade e aproveitam independente do sexo e idade da vítima. Não duvido nada que Stan já tenha estuprado alguém.
— Engraçado é que ele trouxe o irmão para te intimidar — falou Evilyn — mas acabou entregando quem era o abusador da filha. Não sei como ele pode conviver com isso?
— Ele simplesmente não acredita que o irmão fez o que fez com a filha, para ele é surreal. Por isso é mais fácil culpar minha filha, que também tem muita culpa no cartório, mas que está pagando um alto preço por tudo.
— Eu não aprovo esse comportamento que Wendy teve com a Rachael — Evilyn falou encarando Hotch — e luto para combater esse tipo de comportamento. Mas o que Wendy fez foi uma gotinha perto do oceano que essa garota viveu. Muita coisa poderia ter sido feito para história dela ter tido um desfecho diferente. É triste a história dessa garota, muito triste.
— Você é muito boa. Tem um temperamento que precisa ser moldado, pois é bastante ansiosa e faz muita coisa por impulso, mas é muito boa — disse Hotch — só que você enfrentou um dos membros da diretoria do FBI e isso pode trazer consequências graves para mim, mas principalmente para você. Ele pode te demitir.
— Não — ela respondeu convicta — quem me colocou aqui tem mais poder do que ele.
Hotch olhou para a garota bastante intrigado. Evilyn percebeu novamente a mancada que deu.
— Agente Hotchner — ela disse estando se tremendo todinha e tentando se explicar — eu não deveria ter falado isso...
— Se não estiver fazendo nada de ilegal, isso não é da minha conta — respondeu Hotch um pouco alterado — desde que você faça seu trabalho de forma correta e honesta... e honesta até agora você não foi comigo.
— Eu não fui? Quando?
— Quando te perguntei de onde você conhecia minha esposa, você omitiu o fato de que sua família já trabalhou na casa da família da minha esposa. E não era um fato irrelevante, dado ao tempo de trabalho.
— Eu sinto muito, eu só fiquei com vergonha de dizer. Não fiz por mal.
Hotch novamente a encarou bem sério.
— O que quer que esteja aprontando, não envolva minha família ou qualquer outro membro da minha equipe — retrucou Hotch ajeitando o terno — agora se me der licença, eu tenho muito trabalho a fazer.
— Claro — ela respondeu ainda bem nervosa — eu vou atualizar alguns relatórios. Mas qualquer coisa, estou à disposição.
Hotch concordou com a cabeça, então ela saiu e mais uma vez se culpando pela mancada que dera novamente.
***
Garcia investigou tudo a respeito de Phillip. E descobriu que por ele ter nascido em casa, ele só registrado aos 5 anos. O mesmo viveu até essa idade numa fazenda isolada até seu pai casar com Monica Bello, mãe de Ramona Bello. Então descobrir se havia um irmão gêmeo virou uma tarefa muito difícil, já que ele não foi registrado, pelo menos não como irmão de Phillip.
A única saída era que Henry Froster falasse, mas durante a conversa com Reid, ele falou que só falaria caso tivesse um acordo de redução de pena. E sem uma causa provável ou algum indício da existência desse irmão, Reid não conseguiu convencer o promotor a fazer um acordo.
O rapaz desanimou, pois teria que esperar Phillip agir para ter uma resposta e não sabia quanto tempo isso poderia demorar ou até mesmo quantos morreriam para assim ter um indício de sua existência.
As outras pessoas que poderiam lhe dar uma resposta era Ramona Bello e Jason Cutt, mas ambos estavam mortos. Talvez se ele conseguisse achar a mãe de Phillip, mas ela poderia já morrido, tendo em vista que ela não aparece no sistema há 35 anos. Tudo cooperava para que Reid não tivesse a resposta de que precisava.
Foi quando teve uma ideia. Outra pessoa poderia ter essa resposta e ela era mais fácil de convencer do que Henry Froster, era a escolhida para ser a nova Ramona Bello, Jessyca. Sim, ela tinha a resposta.
O rapaz aproveitou a oportunidade de que estava em Los Angeles e foi visitar a garota que continuava preso. Como ele estava informalmente, ele foi como visitante e não como agente.
Logo que Jessyca chegou na sala de visitas, ficou surpresa em vê-lo. Por alguns segundos não acreditou. O rapaz também não esperava a ver tão cedo. Ela sentou-se em frente a Reid com um ar altivo.
— Então, doutor... o que quer comigo?
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