Dust in the Wind
40 O perdão e o acordo
Notas iniciais

Washington — DC
Apesar de não sentir mais culpa pela morte de Rachael Baxter. Wendy ainda sentia que deveria fazer alguma coisa para compensar o tempo que for má com a colega de escola. Por esse motivo, ela estava parado na frente de um prédio e olhava para ele como se o encarasse. O prédio, apesar de bastante velho, era bonito, o que era bem controverso.
Ela sabia o que precisava fazer e faria. No começo pensou em desistir, mas a vontade de, pelo menos, tentar corrigir uma injustiça a encorajou.
Ela foi entrando vagarosamente, analisando cada centímetro do corredor e as pessoas que entravam e saiam. O porteiro já a conhecia, por essa razão a deixou entrar sem ser anunciada. E ela preferiu assim, não queria ganhar uma negativa.
Assim que chegou na porta do apartamento que queria, ela tocou a campainha. Em minutos a porta se abriu: uma mulher com cabelo bagunçado, num vestido de algodão branco que estava sujo e os pés descalços apareceu. Era Mary Baxter, totalmente desnorteada e deprimida.
Logo que viu Wendy, ela ficou séria demonstrando uma certa irritação.
— Eu posso entrar? — ela perguntou um pouco sem graça pela forma como foi recebida.
— O que deseja? — ela perguntou sem olhar para a garota? — estou muito ocupada agora.
— Eu prometo que não vou tomar muito o seu tempo — ela retrucou mantendo-se firme. Depois de ver a situação daquela mulher, ela decidiu que deveria fazer algo.
***
Los Angeles — Califórnia.
Reid mantinha-se firme olhando para Jessyca, que o encarava em tom de deboche.
— Então — insistia Jessyca — veio me agradecer pelos toques que te dei a respeito da cobra da Wendy?
— Não, eu não vim te agradecer e Wendy não é nenhuma cobra...
— Pelo visto está mesmo iludido com ela.
— Eu não vim falar de Wendy — falou Reid seguro — a propósito, nós estamos muito bem, obrigado.
A ruiva somente deu um sorrisinho de lado ainda em tom de deboche.
— Eu quero saber sobre Phillip Froster.
— Ele também está preso pelo que sei — ela retrucou fechando a cara e desviando o olhar.
— Não é desse que estou falando. Eu quero saber do que está solto.
Jessyca voltou a encarar Reid espantada com o que ele dissera.
— Sabe, doutor — ela falou querendo mudar de assunto — eu nunca tinha observado a cor dos seus olhos. Até que são bonitos. Na verdade, você é bem gatinho. Até que não foi um mal negócio, Wendy ter trocado o Daniel por você.
— Você não respondeu a minha pergunta.
— O que eu ganho se eu falar? — ela retrucou prontamente, se encostando na cadeira e cruzando os braços — só falo com um acordo.
Reid sabia que não podia prometer nada sem falar com o promotor. No entanto, também sabia que convencer um promotor a fazer um acordo com Jessyca era mais fácil do que com Henry Froster, ainda mais que ela ainda não tinha sido julgada. E por mais coisa errada que ela tivesse feito, ele conseguia sentir empatia por ela. O problema dela era mais de ordem psicológica do que de má índole.
Nesse momento um guarda chegou com uma jarra e um copo d’água e colocou sobre a mesa. Jessyca se serviu, Reid não. Ele era bastante germofóbico para pegar naquele copo e ainda mais para encostar sua boca nele.
— Isso vai depender do que você tem a me dizer — respondeu o rapaz.
— Depois que eu dizer você vai sair por aquela porta e vai me esquecer — ela já respondeu estando triste.
— Olha novamente nos meus olhos e veja se minto — Reid novamente falava seguro.
— Eu quero não quero ficar presa, ainda mais num país que não é o meu.
— O máximo que posso tentar é internação num hospital psiquiátrico, mas no momento não acredito que tenha condições de viver em sociedade.
— Obrigada pela sinceridade, doutor.
— Mas com o tratamento adequado, você pode voltar a conviver em sociedade. É o que posso te prometer tentar arrumar junto ao promotor. E tenho certeza que para você é melhor do que a prisão. Você está aqui por causa do Phillip, não deixe que ele termine de acabar com sua vida a troco da ambição e das loucuras dele. Aproveite a chance que está tendo, outra chance como essa, talvez nunca apareça.
Jessyca colocou os cotovelos sobre a mesa e baixou a cabeça, ela pensou e decidiu.
— Tudo bem, eu vou dizer o que sei.
***
Washington — DC
Mary deixou Wendy entrar e as duas foram até o sofá e sentaram-se. A casa estava uma bagunça. Parecia que aquela mulher havia mergulhado num mar de depressão e tudo a sua volta havia perdido sentido.
— Senhora Baxter — disse Wendy estando nervosa — eu sei que não fui honesta com a senhora quando nos conhecemos, mas eu não conseguia contar a verdade para a senhora, pois eu me envergonhava do que havia feito a Rachael, ela era uma menina tão boa e não merecia...
—Mas você não matou a minha filha, eu já sei — Mary interrompeu Wendy, mas ainda estava fria — então não tem por que está falando isso?
— Eu posso não tê-la matado, só que fiz muitas coisas com ela, coisas que nem gosto de me lembrar — a garota segurou a mão da Senhora Baxter que puxou — mas eu só fazia isso por que tinha inveja dela.
— Inveja da minha Rachael? — Mary olhou para Wendy ficando bem confusa.
— Sim, porque mesmo com todos os problemas e todas as adversidades que ela passava, Rachael se mantinha firme. Era legal com todo mundo, mesmo com quem não era com ela — Wendy voltou a segurar a mão dela e dessa vez ela deixou — sua filha tinha uma luz, um brilho que nada apagava e ela fazia isso sendo ela mesma, e não fazia para agradar ninguém.
— Onde quer chegar? — perguntou Mary já não segurando as lágrimas.
— Eu queria que a senhora me perdoasse. Me perdoasse por tudo que fiz a Rachael — Wendy disse também já deixando as lágrimas caírem — eu sei que nada do que eu faça pode trazê-la de volta, mas eu queria te dizer que eu sinto muito por ter sido uma pessoa má, egoísta e invejosa com sua filha. Ela não merecia...
— Você quer meu perdão?
— Sim, porque eu não consigo me perdoar. Todos os dias eu penso no que aconteceu e me pergunto como eu cheguei a esse ponto. Eu queria apagar isso da minha vida, mas não deu. Não dar para ignorar. Não consigo ter paz sabendo que a senhora está nesse estado e que em parte é culpa minha.
Mary olhou para Wendy enquanto ela chorava compulsivamente.
— Wendy, eu fiquei muito magoada quando soube... — Mary parou de falar, pois sabia que falaria algo desagradável — bem, você sabe o que fez a minha filha. E eu fiquei com muito ódio, muito ódio mesmo — ela novamente fez uma pausa para engolir o choro — mas vendo você aqui e conhecendo a minha Rachael, eu te perdoo sim. Perdoo por que sei que essa seria a vontade da minha filha.
Wendy mal pode acreditar ao ouvir aquelas palavras. Uma alegria tomou conta do coração dela que mal conseguia se conter de tanta emoção. Ela abraçou Mary que também ficou emocionada. As duas ficaram bastante tempo abraçadas chorando de emoção.
— Obrigada — Wendy agradeceu desfazendo o abraço e beijando as mãos de Mary — eu prometo que vou cuidar da senhora, como a Rachael cuidaria.
***
Los Angeles — Califórnia.
— Sim, eles são dois — respondeu Jessyca olhando para Reid — o que está preso é Nikolai Pavel, irmão gêmeo de Phillip Froster.
— E como eles conseguiram esconder isso?
— Nikolai Pavel assim que nasceu foi vendido para um casal russo U$ 200.000,00, o que na época era uma fortuna inestimada. Henry Froster na época usou o dinheiro para pagar a hipoteca do antiquário e também reformá-lo. Então passou a usar o antiquário para lavar dinheiro do tráfico de drogas, armas e até de pessoas da máfia russa.
Reid finalmente respirou aliviado, ela estava confirmando suas suspeitas. Mas ao mesmo tempo assustou-se por saber que havia “outro Phillip” solto.
— Phillip e Nikolai nunca tiveram contato até a prisão de Henry Froster, quando ambos tinham 20 anos. Os dois se encontraram e perceberam a semelhança e resolveram ficar se revezando um num papel do outro. Até que a CIA, através do agente Ethan George chegou muito perto da família Muserskiy e quase chegou a Nikolai que era quem liderava tudo.
— Está me dizendo que Phillip, quer dizer, Nikolai é o chefe da máfia russa?
— Sim e na época, temendo ser descoberto, eles resolveram “matar” Nikolai Pavel, e ambos assumiram a identidade de Phillip Froster.
— Nikolai Pavel que se passa por Phillip Froster é o líder da máfia Rússia — disse Reid raciocinando alto ainda não acreditando — logo você está querendo me dizer que esse homem preso está fazendo um acordo com a CIA para entregar ele próprio.
— Mais ou menos isso — respondeu Jessyca — eles já têm um bode expiatório que vão usar para se passar como o líder da máfia para enganar agente Murphy, mas na verdade ele é uma peça totalmente descartável.
— Eu estou perplexo com isso tudo — disse Reid.
— Doutor, tem mais uma coisa que você deveria saber...
A ruiva ficou calada olhando para o rapaz segurando no peito.
— O que? — perguntou o rapaz.
Jessyca ficou calada e começou a sentir uma forte dor no peito e uma falta de ar. Spencer olhou para ela num primeiro momento achando muito estranho. Seria sério? A dúvida pairou sua cabeça.
Mas depois ele viu que era sério, pois a garota caiu da garota e começou a se debater no chão e a espumar pela boca.
— Um médico — gritou Reid enquanto tentava prestar os primeiros socorros — chamem um médico.
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