Dust in the Wind
49 O Desentendimento e o Confronto
Notas iniciais

Washington — DC
— Pode falar, filha — pediu Emily olhando para a filha.
Wendy ficou de boca aberta querendo dizer algo, mas pareceu está sem coragem.
— Não fala nada para o papai — ela disse sem muita certeza engolindo seco.
— Por que não, Wendy? — indagou Emily.
— Mãe, a Rachael me disse que o meu pai e o pai dela eram amigos — Wendy parecia estar confusa —. Eu não quero que os dois entrem em conflito por minha causa. Eu fiz muito mal a Rachael e eles têm todo o direito de me odiarem por isso.
— Pare de se culpar — pediu Evilyn —, você já pagou um alto preço por tudo que fez.
— Será se paguei realmente?
— Vamos para casa — disse Emily olhando para Wendy —, lá a gente a conversa.
Wendy assentiu com a cabeça e eles foram caminhando para sair. Emily segurava o pequeno Jack nos braços. Entretanto, Evilyn parou.
— Vocês vão indo na frente — disse ela —, eu tenho que ir em casa pegar algumas roupas.
— Eu queria ir com você, mas... — falou Emily e nem precisou completar, já que ela entendeu que a mãe se referia a preocupação com Wendy.
— Não tem problema, eu vou sozinha.
— Eu posso ir com ela, se quiser — disse Sean.
— Eu ficaria mais tranquila — respondeu Emily — tudo bem para você Evilyn?
— Tudo — ela respondeu sem jeito encarando Sean —. Então vamos logo.
Sean a acompanhou. E Emily foi com os filhos para casa.
***
Emily dirigia o carro com o Wendy do seu lado e Jack na cadeirinha atrás. A garota ia calada. Emily sabia que havia algo errado, além do encontro com Stan Collins. Wendy ficava com o cotovelo apoiado na parte de dentro da janela do carro e com o queixo apoiada na mão.
— Filha.
— Oi, mãe.
— Por que não negou quando seu tio Sean perguntou se estava grávida?
— Que história é essa? Eu tinha que negar?
— Sempre fugindo da pergunta. Você não responde — retrucou Emily séria.
— Mãe... eu.
— Wendy, por que você sempre foge? Me responde.
— Eu não tenho certeza, eu só acho. Quer dizer, eu fiz o teste de farmácia há uns cinco dias e deu positivo, mas pode ser que esteja errado. Esses exames não são confiáveis, não é verdade?
— Wendy... é praticamente impossível um positivo ser negativo, é mais fácil ser um inverso.
— Então, eu estou grávida — ela falou assustada.
Emily se tremeu quando ouviu aquelas palavras de Wendy. Ela nunca imaginaria que ela poderia estar grávida. Wendy mesmo em seus dias de “bad girl” demonstrava ser bastante responsável. E Reid, ah o Reid... ele era o Reid. A inocência em pessoa. Nunca poderia imaginar que isso acontecesse com os dois.
E Wendy tinha exatamente a mesma idade que ela tinha quando engravidou da Evilyn e Emily com certeza não agiria com a filha da forma como a mãe agiu com ela.
— A primeira coisa que vamos fazer é ir ao médico para tirar qualquer dúvida — disse Emily —, depois você vai conversar com o Reid.
— Eu não quero falar com ele sobre isso.
— Filha, ele tem que saber.
— Eu tentei falar com ele há dois dias quando fomos em Quantico e ontem depois do ocorrido. Só que ele não suporta a ideia de falar em filhos — Wendy respirou fundo ficando desanimada —, e nós combinamos de falarmos de filhos por enquanto.
— Ele é tão responsável por essa criança quanto você. E filha, sei que não estava nos planos de vocês ter filhos agora, mas aconteceu. Tenho certeza de que essa criança só vao unir mais vocês.
— Será, mãe?
— O Reid pode ter esse jeito excêntrico, mas ele tem um bom coração e te adora. Tenho certeza que ele vai te apoiar e vai amar essa criança como um pai de verdade. Eu confio no caráter dele.
— Assim espero.
Após desabafar com a mãe, Wendy se sentiu mais tranquila.
***
Sean levou Evilyn no seu apartamento. Ela pegou somente algumas peças de roupas, alguns objetos e cosméticos que ela achou necessário e voltaram para casa de Hotch. Durante todo o percurso, os dois permaneciam calados. Ele dirigindo e ela tentando de alguma forma chamar a atenção dele, até que Evilyn resolveu puxar assunto.
— Então, você vai voltar para Nova Iorque? — ela perguntou de forma atrevida —, já esqueceu o amor que partiu seu coração lá?
— Do que está falando? — perguntou Sean sério e se sentindo desconfortável.
— Ah, você está passando uma temporada na casa do seu irmão, pois sofreu uma decepção amorosa muito forte e está fugindo — ela falou enquanto Sean a encarava com os olhos arregalados —. Aposto que ela trabalhava no mesmo ambiente que você e o cara com quem ela te traiu também.
— Olha... — Sean disse ficando irritado e quase perdendo o controle da direção —, eu não aceito nem que Hotch e Emily, que são minha família, façam meu perfil. E eu não vou permitir que uma estranha o faça.
— Desculpe, eu não queria...
— Vocês analistas de perfis são assim, não é? Se acham donos de verdade e se sentem “o todo poderoso”. Conseguem ler e decifrar o comportamento humano, por isso tem o ego lá em cima, sentindo-se verdadeiros deuses, como se tivessem controle sobre tudo que acontece a sua volta. Ficam nesse joguinho ridículo para mostrar sua superioridade.
— Sean, eu sinto muito.
— Chegamos — ele disse assim que entrou na garagem da casa de Emily e Hotch.
— SEAN!
Ela gritou quando viu ele dar às costas sem falar com ela.
***
Mais tarde naquele dia. Evilyn tentava dormir, mas não conseguia, a insônia era um problema que sempre aparecia quando tinha qualquer tipo de conflieto. E com o Sean não foi diferente. Ela se revirava na cama, mas não adiantava. Seu cérebro estava agitado com todas as palavras que ele lhe disse e tudo ficava martelando na sua cabeça que ouvia a voz dele dizer tudo aquilo novamente.
— Arggggg — ela gritou acendendo a luz e em seguida arremessando o travesseiro na parede —. Eu desisto, preciso fazer algo a respeito disso.
Então ela levantou-se e cuidadosamente saiu do quarto. Estava tudo escuro e no mais completo silêncio, quando chegou na porta de um dos quartos, totalmente decidida e sem hesitar, ela bate levemente duas vezes naquela porta.
Em segundos, alguém abriu a porta do lado. Ela ficou de boca aberta quando viu somente Sean de short preto e uma camiseta que dava para ver o quanto o corpo dele era escultural e definido.
— Oh meu Deus! — ela falou sem esconder o quanto estava surpresa e um pouco envergonhada de vê-lo daquela forma.
— Não me olhe surpresa — Sean disse ainda sério —, eu que tenho que estar surpreso, afinal é madrugada e você está na porta do meu quarto.
— Eu preciso falar com você — ela foi direta.
Ele sorriu de canto fazendo sinal negativo com a cabeça.
— Não podia esperar até amanhã? — ele indagou.
— Não — ela foi enfática —. E você também não, pois pelo visto também está com dificuldades de dormir.
— Vai começar a fazer meu perfil — Sean falou com um “ar” entediado e já fechando a porta.
— Por favor, não — ela pediu segurando a porta para que ele não fechasse —. Eu não consigo evitar de fazer perfis, é mais forte do que eu.
— Era isso que queria dizer? Se for, pode ir.
— Não, eu queria dizer que sinto muito, eu não quis ser invasiva demais.
Ele a olhava estreitando os olhos parecendo está desconfiado. Ela se sentia completamente impotente pela forma frígida que ele a estava tratando. Não era assim que ela imaginou que seria aquela conversa.
— Sean — ela disse ofegante se aproximando dele de maneira que ficaram rentes.
— Você parece está assustada — ele falou abrandando a voz ao sentir a respiração dela próxima.
— Eu estou aterrorizada — ela respondeu ainda bastante ofegante.
— Com o que?
— Com o que estou com vontade de fazer agora.
Os olhares deles estavam preso um no outro. Mas logo os olhar dele se desviou e começou a olhar os lábios dela. Evilyn começou a sentir o ar da respiração dele tocar sua pele. Gentilmente, ele a segurou pela cintura e foi aproximando seus lábios dos dela.
O beijo foi suave e calmo. E os lábios deles se encaixavam no mesmo ritmo.
— Evilyn — ele disse quase sem ar —, eu não posso fazer isso. É melhor pararmos por aqui.
— Não pode o quê? — ela indagou enquanto ele a soltou.
— Por favor, Evilyn. Volte para o seu quarto.
— Está com medo de se envolver?
— E se for? — ele falou convicto indo para dentro do quarto e deixando-a do lado de fora —, a gente se conheceu há pouco. O que você quer de mim?
Evilyn o olhou e ficou de boca aberta sem saber o que responder.
— Foi o que imaginei — ele disse fechando a porta.
Evilyn saiu totalmente sem rumo. Ela se trancou no quarto, afundou o rosto no travesseiro e chorou. Ela havia ido no quarto dele buscar conforto e encontrou justamente o oposto. E seus pensamentos que antes estavam inquietos, ficaram mais agitados ainda. E ela não sabia se sentia raiva ou desejo. A lembrança dele lhe beijando tumultuava com a lembrança dele a expulsando do quarto.
Seria mais difícil de dormir do que antes.
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