Durante A Lua

5 You don't have to pretend with me.


Sai do escritório e convoquei o resto dos quinze, o dia estava amanhecendo e estávamos todos reunidos, estranhos e conhecidos, herdeiros de Clãs e sua Rainha. A minha única decisão era nos unir, lutar pelas nossas famílias e honrar nossos antepassados.

– Voltem para casa e lutem pelo seu lar, protegem todos mesmo que isso custe sua vida, e se algo sair do controle convoquem os quinze. – Eu tentava parecer o mais autoritária o possível.

Todos já tinham ido embora, mas Vimmy continuava sentada ali com aquela expressão de medo, ela retira da bolsa um papel e apoia sobre a mesa, ela era uma guerreira, nos éramos guerreiras.

– Eu preciso que você tome conta das minhas irmãs, assuma a guarda delas. – Ela assina o papel e empurra para mim. – Por favor, Holly, do mesmo jeito que eu cuidei de você, cuide delas.

– Eu faria qual quer cosia por você. – Assino o papel e abraço com força. – Vamos vencer essa batalha.

Estava escuro quando Vimmy foi embora, a casa estava vazia, só tinha eu e Sophie, nossos maridos tinham ido para suas cidades, eu estava deitada no colo de Sophie e rindo, estávamos felizes e juntas.
Levantei do sofá e comecei a me lembrar de Nicholas, do olhar dele e como ele tinha me salvado e nas palavras da minha mãe sobre estaríamos ligados para sempre.

– Terra chamando Holly. – Ela joga uma almofada contra mim. – Esta tudo bem?

– Sim, só estava pensando em umas coisas. – Abro um pequeno sorriso.

Ela se levanta e me abraça, fazia muito tempo que eu não sentia uma duvida no coração, eu sentia que havia algo errado mais não sabia o que.

Deixo Sophie dormindo no sofá da sala e vou ao escritório ler velhos livros sobre a floresta, passo a madrugada toda lendo e algo me chamou atenção, um livro dizia sobre uma maldição caída, híbridos, o pecado dos dois lados, a raça proibida, mas Nicholas não era um hibrido, eu sentiria aquele cheiro asqueroso se ele fosse, mas não conseguia entender o porquê ele era diferente, por que era tão fascinante.

Quando sai de casa estava nevando, o tempo estava ótimo para caçar, ótimo para matar, mas então percebi que eu estava mudando, eu não era mais a menina que queria ser normal, agora eu era uma rainha e eu honraria minha coroa.
Transformei-me e sai correndo, minhas pegadas estavam marcadas na neve fofa, mas eu era mais rápida que qual quer um ali, eu era forte e estava faminta, parei perto de uma arvore e avistei um cervo caminhando pela neve, há alguns dias eu teria pena dele, mas meu extinto animal falava mais forte e dessa vez eu não teria pena.

Quando cheguei perto de casa já estava como humana novamente, limpei um vestígio de sangue perto da boca e parei ao avistar quatro meninas sentadas na porta, uma de cabelos negros e roupa rasgada, outra duas morenas e de roupas iguais e uma pequenina.
Cheguei perto delas e abri um sorriso e então me lembrei de que deviam ser as irmãs de Vimmy.

– Oi, sou Holly prazer. – Abro um sorriso.

A de cabelos negros levantou-se e ficou me encarando e as outras continuavam em silencio.

– Sou Annabel, essa é Ellie e Emma e a pequena se chama Olivia. – Ela apontou pra cada uma.

Abri a porta e as levei pra dentro, Annabel não parecia estar muito feliz, mas Ellie e Emma foram muito gentis e a pequena Olivia ainda não falava.

Passei o dia brincando com Ellie, Emma e Olivia, mas Annabel ficou sentada perto da janela, era como se procurasse algo, ela mal falava comigo e quando falava era grosseira, eu sentia que algo estava errado, eu precisava ver Vimmy.

Saio da sala deixando as meninas para trás e fui ate Sophie, ela também andava de mau humor e não tinha visto as meninas ainda, expliquei a situação a ela e sai do quarto, fui direto a floresta e me transformei, havia um cheiro de sangue, sangue de um de nos.

No meio da neve branca surgiram algumas gotas de sangue, essas gotas faziam um caminho e algo me dizia que não seria bom, senti a presença de Nicholas e então ele apareceu ao meu lado, seus pensamentos me diziam para seguir enfrente e ver o que estava acontecendo, seus pensamentos me diziam que alguém havia morrido.

Voltei a forma humana e segui a trilha de sangue a pé, Nicholas sumiu novamente e então as pequenas gotas ficaram maiores e se transformaram em uma poça e então lá estava um lobo cinzento de costas caído, e com o sangue havia o nome de Vimmy na neve, era ela.
Cai na neve e comecei a chorar, minha amiga, minha confidente estava morta, eu tinha que ter ido com ela, ter cuidado dela, eu queria dizer tanta coisa há ela, mas agora era tarde de mais.

– Vimmy...Vimmy – Eu estava debruçada sobre seu pelo cinzento. – Não, por favor. – Deixei um grito escapar.

Senti as mãos frias de Nicholas me abraçar, ele me puxou para trás, mas o que eu mais queria era ficar ali com ela, eu não podia acreditar que ela tinha morrido.

– Diz que isso é mentira, ela estava bem, estava viva. – Eu mal conseguia falar, meu corpo doía e as lagrimas não paravam. – Eu queria ser igual a ela, amante das artes, inteligente, bonita, normal. – Deixo um pequeno sorriso escapar entre lagrimas. – Eu queria ser normal como ela.

– Não deixe isso lhe abalar, não deixe sua coroa cair, lute e a vingue, mostre o que você é capaz e honre a sua amizade e a lealdade dela há você. – Ele limpa algumas das minhas lagrimas e me da um beijo na testa.

– Quando você chegou à cidade foi você quem invadiu minhas terras ao norte, você é o mais rápido e o mais forte, proteja minhas terras, proteja minha família e eu lhe prometo que a vingarei e a partir de agora você não é mais um banido. Bem Vindo ao Clã. – O Abraço com força e me afasto.

Transformo-me novamente e corro ate uma pedra, solto um uivo que podia ser escutado a milhas dali, estava na hora de reunir todos e então o silencio foi quebrado por uivos que viam de vários lugares, estavam respondendo ao meu chamado.

Depois de alguns minutos Sophie estava lá, Ellie e Emma e a pequena Olivia, mas Annabel não veio, e depois o resto do Clã foi surgindo e todos esperavam uma palavra minha, uma ordem, mas eu não sabia o que falar.

– Hoje perdemos Vimmy Whiteley, uma grande guerreira, irmã, chefe de família e de um Clã. – Limpo uma pequena lagrima. – Não vamos ficar parados, vamos achar o culpado e julga-lo, eu quero pegar quem fez isso.

Já estava noite e Sophie estava fazendo as meninas dormirem, mas Annabel continuava parada olhando pela janela, uma menina que era misteriosa e parecia ser um pouco triste, as Ellie e Emma me deixaram um pouco feliz quando perguntaram se podia me chamar de “mãe”, mas eu estava preocupada com Annabel.

– Esta na hora da senhorita ir para o seu quarto. – Abro um pequeno sorriso e sento ao seu lado.

– Você não é minha mãe, não é minha irmã, não se ache no direito de mandar em mim. – Sua voz somente demonstrava ódio. – Eu não sou Vimmy, não gosto de você e quanto menos você dirigir a palavra a mim melhor.

Ela sumiu na escuridão do corredor, não passava de uma menina petulante e mimada e que não queria demonstrar o que estava sentindo, mas eu a colocaria na linha, ela nunca mais iria se dirigir a mim daquele jeito.

Sai de manha e fui ao Mausoléu da família, sentei perto da porta e fiquei pensando no meu pai, era uma dor que não iria passar tão cedo, mas eu preferia escondê-la, eu era uma rainha e não deixaria minha coroa cair, não deixaria meus súditos na mão.
Todo o caminho de volta não consegui parar de pensar nas gotas de sangue, em Nicholas e em Oscar, eu estava confusa, perdida e sozinha.
Passei o dia com minha nova família enquanto Sophie comia tudo que tinha na geladeira, mas a única que ainda relutava era Annabel, ela não comia, não falava, ficava em um silencio destruidor, um silencio que poderia significar um milhão de coisas.

– Holly eu acho que você precisa ficar um pouco sozinha e não adianta mentir para mim dizendo que esta bem. – Sophie me abraçou por trás.

– Eu preciso ver Conde, o deixei na casa do Oscar e... – Tento me lembrar de tudo, mas era impossível.

– Va descansar que eu tomo conta delas, mas aproveite e leve a pequena Olivia para dormir.

Pego Olivia no chão e a levo para o quarto comigo, deito na cama e a coloco ao meu lado, ela era tão pequena, tão frágil, não sabia nem falar ainda e já tinha passado por tanta coisa, era uma guerreira.

– Desde de quando temos quatro filhas? – A voz dela era de medo.

– Fale baixo, a Olivia acabou de dormir. – Levanto da cama e o abraço com força. – Havia gotas de sangue na neve, eu as segui e o corpo dela estava lá caído e com o sangue havia seu nome formado. – Voltei a chorar.

– Eu já fiquei sabendo meu amor, tudo vai se ajeitar, vamos achar quem fez isso. – Ele me da um beijo na testa. – Agora há um certo cachorro lá na sala que esta sendo muito paparicado.

– Eu não quero descer, quero ficar aqui na cama. – Volto a deitar na cama e fico olhando Olivia dormir.

– Qual quer coisa estarei lá embaixo meu amor. – Ele me da um beijo na testa e vai embora.

Já estava de madrugada quando Olivia acordou chorando, a levei para a sala e fique lhe contando historias e tentando acalma-la, comecei a me lembrar das palavras do meu pai, de como nasci frágil, do jeito que eles não saberiam se eu iria sobreviver, e das palavras da minha mãe, o coração dele batia pelo meu e agora o meu batia pelo dessas meninas.

Já fazia duas semanas desde da morte de Vimmy, Nicholas rondava as terras, mas não trocava uma palavra comigo, Ellie e Emma viviam me chamando de “mãe” e Olivia parecia menos assustada e mais calma, mas Annabel continua relutante. Eu estava sentada na grama úmida vendo Emma e Ellie pularem corda e Olivia estava sentada no meu colo, estávamos nos divertindo, estava tudo calmo.

Saímos à tarde de volta para a cidade de Oscar, o carro tinha ficado apertado para tanta gente e malas, mas meu coração pesou ao deixar Sophie para trás, mas pelo menos Nicholas estava lá para protege-la. Quando o carro parou, aquela avalanche de gente amontoadas saiu correndo, mas eu fiquei ali parada olhando a casa, era como voltar para um lugar estranho, ali não era minha casa.

Estava noite e as meninas já estavam dormindo, Conde dormia no quarto das Gêmeas e Olivia dormira num berço no meu quarto, e Annabel tinha seu próprio quarto, a casa estava cheia e completa, mas assim mesmo parecia que algo me faltava, eu ainda queria vingança, ainda queria a minha amiga de volta.
A noite estava fria e uma pequena brisa de ar tomava conta do quarto, Oscar dormia calmamente e Olivia não tinha chorado essa noite ainda, eu simplesmente não conseguia pregar os olhos, eu levantei da cama e comecei a andar pela casa, eu me sentia sufocada e vazia e então senti uma presença atrás de mim e lá estava Annabel usando uma blusa maior que ela, uma blusa que era de Vimmy.

– Eu deia essa blusa a sua irmã no dia que ela me deixou. – Deixo uma lagrima cair entre um pequeno sorriso.

– Vimmy me trocou por você, ela me abandou para ficar com você. – Ela começou a chorar histericamente. – Ela esta morta e é por sua causa.

– Ela morreu para salvar você e suas irmãs. – Limpo minha lagrima. – Sua irmã era tudo para mim, era minha segunda mãe, era tudo para mim.

– Eu nunca aceitei ter sido trocada, fazia messes que não falava direito com ela e tudo por que eu sentia raiva de ter sido abandonada pela única pessoa que disse que nunca me abandonaria. – Ela chega mais perto de mim e percebo que estava com muita raiva. – Ela me abandonou, ela me abandonou. – Ela chorava sem parar.

– Eu não vou lhe abandoar, não vou lhe deixar. – A abraço com força e lhe dou um beijo na testa. – Eu juro.

– Eu só queria dizer que a amo muito, queria brigar com ela, queria ter ela novamente.

– A saudade não dói só aqui, dói para eles lá. – Limpei algumas de suas lagrimas e a abracei com mais força. – Acredite em mim, não vou lhe abandonar, pode confiar.

– Só não minta para mim, por favor. – Ela se afasta e percebo que ela não passava de uma menina assustada, assim como eu fui um dia.

A puxo para o sofá e ela deita no meu colo, passamos o resto da noite vendo um filme ate que....