Duquesa
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Há alguns quilômetros de distância da cidade principal, Iliana, passando por uma expessa floresta e algumas outras terras das quais no momento não lhe importante saber, está o ducado de Valhill. Em comparação aos outros ducados e reinados, Valhill não era assim tão importante, e nem possuía uma cidade muito grande. Era apenas uma cidadela que expandia o máximo que conseguia estando cercada por mares e florestas, o castelo ficava numa ponta da floresta, erguendo-se com exuberância e, de certa forma, separado de sua cidadezinha. E, por causa dessa leve e significante distância entre o castelo e a cidade, muito dos que vivam ali não conheciam o Duque.
O povo ali tinha uma vida segura e calma, sobrevivendo o dia a dia pescando, plantando e vendendo artesanato mensalmente para os outros reinados através de uma caravela que viajava por todas as terras.
Embora a Rainha Vivian não conhecesse muito o Duque Marshal Masters, precisava do seu ducado, sua terra emprestada. Por isso, mandara Yato para completar uma missão muito importante. Foi um pedido um quanto inusitado, ele se lembrava. Apenas ficou sabendo quando Yato chegou até seu castelo, numa carruagem real com uma carta da Rainha direcionada especificamente a ele.
—Certo. — Marshal disse, um tanto encabulado. Se ao menos tivesse recebido a notícia mais cedo para preparar melhor a sua filha. — Bom, então, acho que você ficará aqui por um tempo.
Yato sorriu enigmaticamente para Marshal. Aqueles olhos extremamente azuis o desconcertava.
—Se não se importa, que tipo de missão é essa da qual eu fiquei sabendo somente agora?
—Desculpe-me. — Yato disse, inclinando seu corpo levemente, em tom de reverência. — Não posso falar sobre isso. É confidencial.
Então, por um tempo, e apenas por um tempo, Marshal tinha deixado Yato ocupar um dos quartos, a pedido da Rainha Vivian. A Rainha da qual tinha acabado de recuperar seu reino, a Rainha da qual todos tinham medo. Quem as desrespeitasse, sofreria as consequências.
Por isso Marshal não teve coragem de dizer não quando a Rainha pediu para que deixasse Yato passar algum tempo em seu castelo.
"Ele tem alguns deveres a fazer naquela área e para não sofrer com hotéis e coisas do tipo, eu gostaria que você o abrigasse por um tempo. Ou até pelo menos ele cumprir o tem de fazer." A Rainha mencionava na carta.
Sua missão foi feita em sigilo o tempo todo. Nenhum detalhe foi exibido, mencionado, comentado. Yato era um homem misterioso de cabelos intensamente negros e olhos azuis.
Era apenas uma questão de tempo para que Daisy se apaixonasse por ele.
Durante o jantar, ele contava histórias mirabolantes e intrigantes, chamava a atenção de todos. Principalmente de Daisy, que não conseguia deixar de observá-lo contando sobre as aventuras que tivera no mundo de fora.
—Me parece que você está demasiada interessada nas conversas dele, minha filha. — Marshal comentou, tentando não parecer temeroso.
—Ah, estou. Eu acho fascinante. Aventuras em um mundo novo, visitando lugares desconhecidos. Parece que ele é um dos protagonistas de um dos meus livros favoritos! — Daisy disse num sorriso muito animado. Marshal não gostava disso.
—Talvez eu te leve a próxima ver que eu for sair. — Yato sugeriu. Um calafrio passou pelo corpo de Marshal.
—Isso seria incrível! — Os olhos verdes de Daisy brilharam.
—Temo, minha filha, que essa sua viagem terá de ser adiada. Não se esqueça de amanhã você tem aulas muito importantes com o Jeff. — Marshal disse, procurando acalmar os nervos de sua filha, infelizmente, apagando o brilho de seus olhos. Mas seu sorriso não se desfez. Como uma dama, fora educada para nunca deixar de sorrir. E ela sempre tentava.
Yato olhou para Daisy e deu uma piscadela. Marshal não viu. Daisy sorriu mais ainda e retribuiu a piscadela. Marshal olhou para ela e então para Yato, fazendo-os sorrir. Logo no primeiro dia de sua estadia, ele e Daisy já estavam planejando ir juntos para uma aventura.
Era uma pena que esse seu desejo de sair para uma aventura fosse ser uma péssima ideia. Ela se arrependeria ao primeiro passo para fora do castelo de seu pai.
No segundo dia, enquanto Daisy passeava pelo jardim procurando evitar encontrar seu tutor, ela viu Yato parado no jardim, observando as rosas. O jardim que havia no castelo era imenso e havia flores em tudo que era canto. Ao lado de bancos, em arbustos, cobrindo as paredes do castelo. Era lindo, se ela não tivesse que ver aquilo o tempo todo. Ali era o máximo que ela podia ir.
Nunca lhe foi possível sair além do portão do castelo.
Ela se sentia um pouco trancada, e ter flores como grades não fazia do castelo uma prisão mais confortável.
Sorrateiramente, procurando não fazer muito barulho, Daisy caminhou lentamente por trás dele e então, disse subitamente.
—Observando as flores?
Yato virou-se para ela, seus olhos intensamente azuis encarando os dela. Então, um breve sorriso passou pelo rosto dele.
—Achei que você tinha aulas hoje.
Daisy deu de ombros.
—Não é tão difícil de despistar Jeff. — Ela disse, colocando seus braços finos atrás de seu corpo, segurando suas mãos em suas costas.
Yato sorriu, preferindo não dizer nada. Ele mesmo não tinha estudado o tanto que deveria, por mais que agora tivesse a opção e oportunidade, preferia deixar daquela forma. Seu modo de vida nunca tinha sido um fardo.
—Gosta de flores? — Ela disse, pegando uma flor branca de um arbusto e trazendo mais para perto para sentir seu cheiro. Uma flor pequena, de cinco pétalas e caule túrgido. Dama-da-noite. As flor mais perfumada que já sentira.
Yato não conseguiu responder à pergunta de imediato. Ficou por um segundo observando Daisy, de olhos fechados e mão delicada perto daquela flor. Um leve brisa de primavera balançou seus cabelos castanhos encaracolados. Sua pele branca brilhava no sol.
Ele se viu hipnotizado por aquela visão.
Até que Daisy abriu os olhos e fitou-o, procurando seus olhos azuis, fazendo-o virar o rosto, um tanto encabulado. Não deveria ter encarado.
Ele deu de ombros.
—As flores me acalmam. São agradáveis de se ver.
—Minha favorita é a rosa amarela. — Ela disse, abandonando as damas da noite para observar as rosas que estavam noutro canto. Yato deu uma risadinha.
—Sabe o que rosas amarelas significam?
—Não. O quê? — Ela perguntou, curiosa.
—Ciúmes, infidelidade, desconfiança. São a rosa dos amantes.
Daisy se afastou levemente das rosas amarelas, largando-as, como se tivesse mudado sua visão por aquela flor. Era bonita, mas temia que, quando mencionado o seu gosto, poderia interpretar seu gosto por ser uma mulher ciumenta. Não que ela se importasse, mas precisava manter as aparências de duquesa.
—Bom, e quanto aos lírios? — Perguntou, andando até os lírios, parando ao lado daquelas flores de pétalas rosas.
—Depende. — Ele disse, chegando até as flores para tocá-las, sentir as pétalas macias em seus dedos. Os olhos dele exibiam uma calmaria, uma leveza. Estavam tão perto e ao mesmo tempo tão distante. Quase como se ele estivesse se recordando de uma memória gostosa e dolorida — Os lírios brancos representam majestade e pureza, lírio de água, persuasão e eloquência, lírio do vale, pureza e humildade.
—E o lírio laranja? — Disse, curiosa. Aquela era sua segunda flor preferida. Yato não conseguiu deixar de dar um sorrisinho.
—Ódio e orgulho.
—Oh. — Ela disse, um tanto espantada.
—E quanto à margaridas? — Yato perguntou, curioso para saber a reação dela. Daisy sorriu e olhou para seus pés.
Ela sabia que ele estava perguntando por causa de seu nome.
—Não gosto muito de margaridas.
—Porque? — Os cantos dos lábios dele se ergueram em um sorriso. O mais lindo que ela já tinha visto. — É por causa do seu nome?
—Quando eu era criança, tiravam sarro de mim por causa do meu nome. Me chamavam de Flor o tempo todo.
—Eu não vejo motivo para odiar uma flor só por causa de seu nome. — Yato disse, pegando uma margarida, admirando-a. Tocando de leve. — Você sabe o significado de uma margarida?
—Não.
—Significa inocência. — Ele levou a flor até Daisy, parando um pouco para tocar-lhe a pele macia de sua bochecha rosada. Então, amarrou a flor à seu cabelo, atrás de sua orelha. E, quando ele ia retirando a mão com cuidado, retirou uma mecha de cabelo que caíra em seus olhos, observando-os profundamente enquanto levantava levemente o queixo de Daisy. Ela estava corada. — Pureza.
Então, a voz grossa de seu pai a chamara. Marshal andava rapidamente, nervoso pelo fato de que ela tinha enganado seu tutor.
—Eu tenho que ir. — Ela disse, entre um dos gritos de seu pai. — Se ele me pega com você, ele me mata.
—Então, vá.
Yato ficara parado, observando de longe, Daisy correndo para o encontro de seu pai, contornando-o, fazendo-o acreditar que tinha vindo do outro lado. Marshal comentara algo, Daisy respondera passando a mão em sua orelha ao lado da margarida em seu cabelo.
—Não fica bonito? — Ela disse, seus olhos brilhando e seu sorriso maior do que o normal. Marshal olhou profundamente nos olhos verdes que Daisy herdara de sua mãe. Ele suspirou e mandou-a entrar, enquanto dava uma última espiada em todo o jardim, especificamente, ao lado das margaridas. Não havia ninguém lá.
Mesmo assim ele não ficava aliviado.
Especialmente porque sua filha parecia estar mais feliz, e pulava enquanto se dirigia à biblioteca.
Aquele foi o dia em que Daisy passou a gostar de Margaridas.
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