Duquesa

3 Capítulo 2


Naquela noite, Marshal, já temendo o pior, pediu para que sua filha sentasse ao seu lado na mes de jantar. Ela fizera, mas ficara o tempo todo observando-o. Até que Yato comentou a distância de que estava de Daisy.

—É melhor assim. — Marshal respondeu. — Eu não quero que você coloque ideias erradas na cabeça de minha filha.

Yato deu de ombros e sorriu de lado para Daisy. Tarde demais.

Um pouco mais tarde, naquela mesma noite, Daisy não se segurou e foi até o quarto de Yato. Batera à sua porta e ele rapidamente a abriu, como se já estivesse esperando por ela.

—Daisy. — Ele disse, um tanto surpreso. De todas as pessoas que podiam estar batendo à sua porta, ele não esperava que fosse ela. Ela sorriu pra ele, ele sorriu de volta. — Entra.

—Eu realmente gostei da história que você contou hoje no jantar. — Sua voz doce invadiu o quarto. De repente, Yato percebeu o silêncio em que estava. — Não pude falar nada na hora por causa de meu pai. Ele não quer que eu fale com você.

Yato olhou pra ela, parada ali, no meio de seu quarto, as mãos juntas atrás de seu vestido, como sempre.

—Então o que está fazendo aqui? — Yato perguntou, um sorriso zombeteiro. O sorriso que mais combinava com ele.

—Você não espera sinceramente que eu vá obedecer algo tão insensato quanto isso, não é? — Ela disse doce e calmamente, enquanto sentava-se na cama dele, como se pertencesse ao lugar. — Eu não deixar de falar com certas pessoas porque meu pai quer, eu não sou um bebezinho.

Yato sorriu ao comentário dela, encostando-se na porta e cruzando os braços como se esperasse que ela revelasse o motivo pelo qual ela estaria ali. Não tinha motivos, ela estava ali porque queria. Talvez estivesse ali justamente porque seu pai pedira para ela não conversar com ele. Como uma perfeita adolescente rebelde.

—Seu pai realmente não gosta de mim, não é? — Yato perguntou, já sabendo da resposta.

—Ele não gosta de ninguém que não vá de acordo com as regras dele. Ele tem todo um mundo idealizado na cabeça dele, e quando aparece alguém como você para mostrá-lo o quão tudo que ele imagina é mentira, bom... Ele fica bem irritado. — Ela disse. Daisy apertou um pouco o lençol da cama dele, imaginando as próximas palavras.

—Ele tem medo de que eu vá roubar você dele. — Yato disse, retirando as palavras da cabeça dela.

—Eu sou a princesinha dele. A pequena duquesa.

Yato foi até ela e sentou-se ao lado dela na cama. O perfume dele era maravilhoso e naquele momento ela pôde sentí-lo mais perto ainda.

—Se você não quer ser a duquesa, não seja. Eu não obrigaria você a fazer nada que não queira. — Ele disse sedutor, a voz baixinha, chegando mais perto dela. Ela aproximou seus lábios. A voz grossa de seu pai pelo corredor chamando seu nome. Daisy desviou-se dele, levantando-se rapidamente.

—Eu tenho que ir.

Ela saiu pela porta, olhando-a nos olhos, um sorriso em seus lábios. Ele sorriu de volta. Foi naquele momento em que descobrira que se apaixonara por ele. Foi até seu pai e quando ele perguntou onde ela estava, dissera que estava na biblioteca, lendo. Ele não desconfiou.

Na terceira vez em que ela visitara o quarto dele, se beijaram. Na sexta vez, foram um pouco mais longe. E na sétima vez, seu pai a pegou no flagra.

—Eu não acredito nisso. — Marshal estava perplexo, não conseguindo acreditar em seus próprios olhos. Os dois. Juntos. Seus lábios colados. Se ele soubesse que isso aconteceria, nunca teria deixado-o ficar em seu castelo. Ou ao menos, teria mantido sua filha trancada em seu quarto à sete chaves. — Eu deixo você ficar em minha casa, te trato com a maior hospitalidade do mundo, não pergunto sobre essa tal missão que você nunca fala. Eu estava desconfiando de que você talvez não tivesse missão nenhuma… Me negou todas as vezes quando perguntei se tinha alguma coisa acontecendo com você e minha filha… Parece que eu estava certo.

—Papai, deixe-me explicar… — As lágrimas de Daisy já tinham escorrido por suas bochechas, seu nariz já estava levemente avermelhado.

—Não tem nada para explicar, Daisy! Você traiu minha confiança, você me disse que não havia nada entre vocês dois. Eu deveria ter desconfiado. Você tem agido estranho desde que esse... Don Juan entrou em minha casa! — Disse olhando para Yato que apenas abaixou a cabeça, levemente, tentando não falar nada, ficar quieto.

—Pai...

—Não quero uma palavra! Você, — ele apontou para Yato — saia antes que eu acabe matando-o. Que encontre outro lugar para passar a noite e terminar seu trabalho. Eu explico para a Rainha depois. E você, — ele apontou para Daisy, dando um passo para frente — você me desapontou, desonrou o nome da família! Você tem alguma ideia do que fez, Daisy?

Ela não sabia. Não sabia o que a Rainha contara para ele. Não sabia o porquê que a Rainha tinha o escolhido entre tantos outros castelos por perto.

—Papai, por favor... — ambos choravam.

—Fora. — ele disse, quase sem coragem. — Fora de minha casa! Não quero mais ver você, Daisy, nunca mais! Já que você ama tanto esse canalha a ponto de trocar pelo seu próprio pai, siga-o! E nunca mais, NUNCA MAIS, volte para essa casa enquanto eu viver.

E assim ela fez.

Pois aquela foi a última vez que seu pai a vira.

Notas finais
O que acharam? Sejam sinceros, honestos. Aceito críticas, contanto que me apontem onde que pode melhorar. Vejo vocês em quatro dias.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.