Duplo Prelúdio...

Dia 17 de janeiro, final de tarde...

Duplo Prelúdio...

Eu pulava cada divisória das madeiras no chão. Percebi queeram todas do mesmo jeito...

Elas estavam laranja naquela tarde... Era normal que estivesse marrons, essa é a cor da madeira, mas como ou porquê estão laranja?

Eu olhei para o horizonte e olhei para o sol... Foi apenas por um segundo, depois fechei os olhos, vendo uma mancha verde em meio ao escuro que foi desaparecendo...

Por que o Sol estava laranja? Ele não era amarelo?

...

Olhei para meu avô do outro lado da varanda, em uma cadeira de balanço, lendo o jornal. Ele tossiu e eu consegui ouvir, baixinho, mas consegui...

Eu então corri para perto dele equando cheguei lá, o chamei.

_ Vovô!

Ele olhou para mim, com aqueles olhos pequenos e seu rosto já assumiu uma feição de alegria ao me ver.

_Oi Ramon! Esta se divertindo?

Eu segurei na cadeira de balanço dele, e disse:

_Claro vovô!

Olhei para o crepúsculo e perguntei:

_Vovô, por que tudo ta laranja?

_Ora... Por que está acabando o dia Ramon...

Ele tossiu duas vezes, eu olhei para baixo e via as sombras da varanda pela madeira no chão.

_Mas a madeira era marrom e o Sol era amarelo, vovô!

Eu disse, ele apenas olhou para as montanhas que cobriam cada vez mais o sol e disse:

_Não acha que se todas elas continuassem da mesma cor não seria chato?

Eu olhei para ele, não havia entendido bem, então ele terminou dizendo:

_Nem tudo é a mesma coisa o tempo todo... Mudamos com o passar do tempo, mas talvez voltemos ao que éramos antes se acharmos que é o certo...

_Vovô, eu não entendi...

Depois de uma longa tosse, ele deu duas risadas e quando o sol se pôs nas montanhas totalmente, ele disse:

_Algum dia você vai entender... Algum dia Ramon...

Então voltei a brincar após ele dar um impulso para trás e olhei para trás sua cadeira balançando...

...

Dia 25 de dezembro, sete anos depois...

Duplo Prelúdio...

Estava em meu quarto, já era quase meia noite, não tinha nada para fazer... Apenas sentei encostada à parede de meu quarto, e me pus a esperar... Eu apaguei a luz do quarto, mas ainda havia outra luz que invadia ele, mesmo sem pedir permissão... E logo saía...

Mas tornava a entrar de novo...

Era uma luz vermelha, que piscava... Cada vez que ela acendia, eu olhava para todo o quarto, dessa vez iluminado com todo o vermelho... Mas logo ficava tudo escuro novamente...

Eu estava com o fone de ouvido, por isso não escutava nada além da musica que estava tocando nele... Quando a luz acendeu novamente, eu sussurrei um verso da musica.

_There's a sign on the wall…But… She wants to be sure…

Quando a luz apagou, eu terminei de recitar:

_Cause you know sometimes words have…

E a luz acendeu novamente…

_Twomeanings…*

Então eu tirei o fone por entre meus longos cabelos. Alguns fios vieram juntos, mas voltaram logo após... Quando a luz acendeu novamente depois de ter apagado. Meus olhos cansados olharam para o relógio. Em um relance, vi que eram 11h55min e dei uma risada baixa e disse para mim mesma:

_Bom... Feliz natal para todos...

E minha mente terminou por dizer:"Como sempre, não acontece nada..."

É sempre a mesma coisa... Sempre...

Sempre...

Notas finais
Referências: * - Música "Stairway to Heaven" de Led Zeppelin