Duplo Prelúdio
2 Uma palavra de poder...
Uma palavra de poder...
Des...
...
Um começo de várias terminações...
Um final de vários começos...
Duplo Prelúdio...
Dia 05 de fevereiro, primeiro dia de aula...
Estava eu andando por entre as flores onde o horizonte era vazio, havia apenas flores... Fechei os olhos e quando os abri, vi várias árvores em volta...
Fiquei maravilhado pela beleza de tudo aquilo. Eu quase podia sentir o perfume daquela floresta colorida em minha volta e quase podia ouvir o som dos vários pássaros gritando melodicamente em minha volta...
Então, de repente, apareceu uma menininha na minha frente, com um capuz vermelho.
Eu sorri e perguntei:
_Quem é você, menininha?
Ela deu outro sorriso e disse:
_Eu sou a chapeuzinho vermelho!*
Eu abri um grande sorriso no meu rosto, e perguntei, quase que rindo comigo mesmo:
_E o que tem nessa cesta?
Ela abriu o mesmo sorriso de antes e disse:
_É uma torta deliciosa para minha avó!
Eu então ri por dentro quase que maniacamente e disse:
_Aaah... Isso é um sonho!
Então eu parei, levei meu dedo indicador para minha cabeça e me perguntei.
_Bom... Mas isso não tá completo, está faltando alguma coisa...
A cara da chapeuzinho permanecia a mesma, sorrindo, aquilo por um lado interrompia meus pensamentos... Além do mais, aquele sorriso estava inocente demais, mas ela parecia menos inocente, coisa estranha de se pensar em um momento como esse... Então eu tirei meu sorriso da cara e disse.
_Tá bom chapeuzinho, já pode tirar esse sorriso... Está me deixando sem graça...
Ela disse:
_Atrás...
_Que?
_Atrás!
_Fale direito, não consigo te escutar!
_Olhe atrás de você, idiota!
Disse isso com o mesmo sorriso, que naquele momento já estava me deixando com raiva... Virei-me com uma cara sonolenta e vi o que faltava naquela história... O lobo mal... Mas, caramba, ele tinha três metros!
_Mas é claro! Faltava apenas você! Haha!
Mas espere... Eu ignorei o fato de ter um lobo de três metros em minha frente... Pensar isso me fez cair apavorado para trás, após soltar um grito.
Ele então ficou em cima de mim, e aquela respiração dele estava na minha cara. Então eu disse, com um dos olhos fechados.
_Sai de cima de mim, lobo baforento!
Então o lobo falou:
_Ramon! Acorde idiota!
_Ta bom... Eu sei que sou idiota, mas vocês não precisam falar...
Então a voz do lobo afinou e continuou:
_Ramon! Acorde! Ramon, Ramon!
Eu então de repente, abri os olhos. Aquilo havia sido um sonho... Doce sonho... Estranho sonho... Encima de mim estava a minha irmãzinha.
Percebi que estava no chão... Tinha caído da cama e ela estava em cima de mim, falando:
_Ramon! Acorda, acorda, acorda!
Eu olhei para ela, ela sorriu por conseguir me acordar, eu joguei ela de lado com força, levantei meu peito apoiado com meu braço. Olhei para ela e reclamei:
_Quem foi mandou você me acordar, ein?
Ela tinha dez anos de idade, seu corpo já era bem formado, mesmo com aquela idade...
Ela estava com uma roupa, digamos... Um pouco provocante, mas eu não estava dando a mínima para ela. Ela ajoelhou, levou seu indicador à boca e disse, com um olhar de coitada:
_Mas a mamãe disse para te acordar... Não fica bravo comigo!
A única coisa que eu pensava naquele momento era: “Quanto irritante uma pessoa pode ser?”
_Aah, eu não sei, não sei!
_Não sabe o que, irmão?
Pensamentos altos, pensamentos altos!
Levantei-me e disse:
_Nada não, nada! Não acha que está na hora de trocar de roupa?
Ela levantou e seus cabelos subiram e desceram rapidamente...
_Mas eu não quero! Tá quente e essas roupas são refrescantes!
_Menina, você está quase sem roupa!
_Como assim?
Ela esticou a pequena bermuda e disse:
_Eu uso isso daqui para dormir...
_Tá bom, tá bom... Não ficarei discutindo aqui com você!
Ela forçou fazer uma cara de raiva... Tentativa falha, seu rosto era bonito, o que não a permitia fazer tal expressão... Eu então olhei para o relógio e vi que eram 10h30min... Pensei em me arrumar e ir imediatamente para a escola... Hoje era o primeiro dia e eu precisava já ver a minha escola nova e minha sala nova...
Minha mãe havia encontrado um novo trabalho por aqui e foi forçada a mudar de cidade, eu fui com ela e minha irmã também... Faz um tempinho, mas as aulas apenas começam hoje... Era verão e estava bem quente, até me senti pouco motivado para vestir o uniforme da escola, por mais escuro, formal e brega que ele pudesse ser...
_Ana, poderia me dar licença? Vou trocar de roupa...
_Aaah irmão, por que não posso ficar aqui?
Bom... Acho que pela cara que eu fiz, ela não hesitou em saber minha opinião sobre aquela situação...
_Tá bom, tá bom... Estou saindo! Tchau irmãozinho!
Quanto mais ela fechava a porta, mais aumentava meu desgosto por tal pessoa... Mas nada demais, ela era assim e sempre foi... Nada anormal.
Quando eu terminei de trocar de roupa, me olhei no espelho e vi características minhas que sempre notei, mas nunca parei para averiguar...
Eu tinha cabelos negros cortados à altura do pescoço e na franja era cortado à altura das sobrancelhas... Mas minha franja não tinha muito cabelo, apenas algumas pequenas mechas de cabelo caíam sobre os meus olhos...
Eu apenas as ignorava por preguiça de pentear, mas meu cabelo não estava bagunçado naquela manhã, estava todo para baixo... O meu olho era verde escuro, mas de longe todo mundo via ele como negro, então podemos dizer que é negro...
Eu tinha dezesseis anos de idade e 1 metro e 76 de altura... Pesava apenas 60 quilos, meu corpo era bastante magro, mas nada perto da desnutrição, é claro...
Quando eu terminei de me ver no espelho, coloquei os meus óculos, e no mesmo instante, apareceu a minha mãe na porta:
_Ramon, você vai almoçar?
Eu meio que me espantei pelo fato dela aparecer de repente na porta do meu quarto, e mais pelo fato dela estar com uma roupa muito vulgar... Tudo muito pequeno que caía em um belo conjunto com o corpo bem formado dela... Mas mesmo assim era vulgar!
_Não mãe, vou almoçar na escola... Por que está vestindo isso?
Modo educado de dizer: “Não quero participar de um almoço em família... E, aliás, seu corpo está aparecendo demais... Poderia me livrar dessa visão horrenda?” ou algo parecido.
_Ah, é que está muito calor hoje... E eu já estou ficando um pouco suada...
Ela puxou um pouco do decote de sua blusa bem na minha frente, eu rapidamente saí pela porta, sem querer olhar para aquilo...
_Eu já estou indo para a escola mãe...
_Ah sim, vá com deus, Ramon!
Então eu abri a porta da frente e me deparei com uma cortina brilhante batendo em meu corpo... Era o calor do Verão... Só de sentir aquilo, eu já ficava deprimido de passar o dia... Mas ainda havia um fato que me animava o bastante... Eu conheceria novas pessoas, novas experiências...
Meu nome é Ramon Salles, não tinha dito isso antes... Meu sobrenome nunca foi estranho, mas quando fui ver o que ele significava, até me impressionei quando vi a seguinte citação: “Significado de Salles – Aquele que deixa sua marca no mundo” Coincidência... Exatamente o que eu almejava fazer...
Eu faria diferença nesse mundo e não seria qualquer cara que existe por aí... Desde minha infância, eu decidi tomar o caminho mais certo que eu conseguisse encontrar, e é isso que estou fazendo! Estudo bastante para ser o melhor em todo lugar que passo... Já fui o melhor em minha antiga escola, e essa presumo que não será diferente! Tenho belas expectativas! Tais pensamentos matinais me deixaram com o espírito forte, mas meu corpo continuava quente... Quente!
Mas estou pensando isso sendo que até agora não saí da porta de minha casa...
_Droga!
Saí correndo para não chegar atrasado à escola.
...
...ti...
...
A metade de uma vida...
A ponte de uma melodia...
Duplo Prelúdio...
Dia 05 de fevereiro... Primeiro dia de aula...
Acordei naquela escuridão de sempre... Nada tinha cor... Nada era visível... Parei para pensar que dia era hoje... 05 de fevereiro... Droga, eu tinha que ir para a escola hoje... Que horas será que são? Que horas...
Ah, o que importa? Vou ficar deitada aqui mesmo...
Então a porta se abriu e apareceu uma figura que eu conhecia muito... Minha mãe, com uma cara bem cansada, mas ainda com bom humor...
_Acorda Emanuella... Hoje você tem escola...
A luz que entrou pela porta chegou rapidamente a meus olhos eu os tampei com meus braços... Minha mãe andou pelo meu quarto e abriu a janela do lado da minha cama para me acordar de uma vez...
Na cama estava eu... Vestida com um short pequeno e com uma blusa preta... Meus longos e negros cabelos estavam muito desarrumados e espalhados pela cama...
_Vai se arrumar, já é 11h30min...
Então me levantei e disse para ela:
_Bom dia mãe... Eu vou me arrumar, só espera eu terminar de acordar...
_Ok filha... Se apresse, não pode faltar o primeiro dia...
_Sem problema...
Eu não era de falar muito... Não tinha nada que reclamar com minha mãe, afinal era ela que me criava todos os dias... Cuidava de mim, mesmo com todas as dificuldades dela... Eu admiro até...
Levantei-me e fui até o guarda-roupa pegar o uniforme... Enquanto isso, minha mãe escutava uma rádio de humor, era estranho a ouvir escutando tal coisa...
_ “Senhores, hoje eu não estou com saco de nem sair para a balada... Muitos de meus amigos conseguem coisas melhores que eu em pouco tempo minha gente... Tipo assim, tem um amigo meu, muito pegador sabe? Todo mundo o chama de Ferrero Rocher... Um dia perguntaram o porquê desse apelido... Disseram pra ele o seguinte... “Uai... Ferrero Rocher por que nem precisa ser gostoso e bonito pra agradar a todo mundo, não é?” (risos) Brincadeira...”
Não gostava muito dessas rádios... Sempre tinham piadas ruins demais... Então decidi nem prestar mais atenção e me arrumar mais rápido...
Olhei-me no espelho e relance e vi algo que nunca tinha notado... Meu corpo...
Meus anos de pré-adolescência foram os piores da minha vida por causa do meu corpo... Eu tenho um corpo bem dotado desde criança, e não sei o porquê disso...
Se eu fosse tábua como muitas que eu conheço, não seria vitima de olhares tão vulgares... Mas tudo bem... Eu já sabia como me defender dessas coisas... Nunca mais me deixei levar por essas idéias de tarados e etc.
Então me arrumei antes de olhara para meu corpo novamente, quando percebi novamente, olhei o meu cabelo... Ele era volumoso dos lados e ia até a altura de meu tórax... Ele era grande e minha franja era grande também, então eu a prendia de lado no cabelo, para não cair em meus olhos, coisa que eu odiava...
Eu não ligava para aparência, fazia o que era bom para mim, não para os outros...
Coloquei os meus óculos por frente a meus olhos negros que sempre se mostraram vazios e saí do meu quarto...
Na sala, estava minha mãe assistindo reportagens na tevê e almoçando...
_Ora... Não vai almoçar Emanuella?
Eu olhei para o chão em direção a porta e disse:
_Não mãe, eu almoço na escola mesmo...
_Ok, tenha cuidado, minha filha...
_Terei...
Saí então de casa e senti aquele calor da tarde vindo direto para a minha porta... Pressentia que aquele dia seria um pouco duro demais...
Eu vivia naquela cidade fazia tempo, conhecia muita gente daquela escola, não gostava nem um pouco de coisas iguais, mas todo ano era a mesma coisa, todo o ano... Aquilo enchia o saco... Mas tudo bem... Sinto que hoje conhecerei novas pessoas e poderei ficar mais tranqüila com mudanças...
Meu nome é Emanuella Oliveira, tenho dezesseis anos, 1 metro e 65 e 58 quilogramas...
Aquele era meu primeiro dia de aula no segundo ano do ensino médio, mas nada diferente... Afinal, todos os anos foram fáceis para mim, eu nunca tive dificuldade em aprender coisas, então me dava bem em todas as matérias...
Sempre fui considerada a melhor... Quem sabe não serei nesse ano também? Eu quero ajudar a minha mãe e ficar em bem estar comigo mesmo, então acho que tentarei novamente ser a melhor...
...no.
Final de uma vida...
De todas as alegrias vividas...
Ao passo que formam uma palavra de extremo poder:
Destino
O que será que lhes reserva o destino?
...
Bom... apenas o tempo dirá.
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Entre pesadelos obscuros e sonhos perdidos...
O sonho doce do oásis é seu único refúgio,
O mundo reserva dores, e dores revelam um novo caminho...
Caminho que terá introdução em um...
... Duplo Prelúdio.
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Próximo Capítulo: O Destino mostra seu castelo...
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