Duas faces da mesma moeda

36 CAP02 DFMM: Redemption


Notas iniciais
Uma boa leitura ;)

Why are you my clarity ?

Duas semana depois.

– Sério ? Eu nunca pensei que sua irmã fosse tão louca assim! — falei em meio as gargalhadas.
– Imagina a reação da família quando ela chegou com ele lá em casa no Natal dizendo que estava casada com Asiático que ela tinha conhecido a 4 dias ? — Izzy falou rindo também. — Mas eu queria ter a coragem dela, sabe ?
Nós andamos mais um pouco. O rio Tâmisa ao lado fazia com que um vento frio soprasse até nós. Izzy apertou o casaco em si e institivamente, pus meu braço em seus ombros. Ela me olhou sorrindo.
– Por que diz isso ? — perguntei.
– Eu nunca fui uma pessoa corajosa, Thony. — ela balançou a cabeça negativamente — quando eu fiquei sabendo que tinha câncer, não queria fazer nada para mudar o meu estado porque achava que ...não valia a pena, eu não tinha coragem para enfrentar os tratamentos e tudo. — suspirou. Puxei seu corpo para mais perto do meu.


Quando Izzy me contou que tinha tido câncer, eu não acreditei. Ela riu por um momento e depois me contou por tudo o que passou durante todos esses anos. Descobriu com 18 anos, quando estava de férias nas Bahamas. Me lembro de Edward me dizendo que esbarrou com ela por lá, e ela estava chorando. Como as coisas são estranhas, não é ? Eu não poderia imaginar que naquele momento, ela tinha acabado de descobrir que estava doente.


– Mas você lutou e venceu — disse — foi corajosa, Izzy.


Ela suspirou e me olhou.


– E você ?
– Eu o que ?
– Quando vai ser corajoso e admitir seus erros ? — falou diretamente.
Desviei meu olhar de seus olhos verdes. Eu não sei porque tinha contado tudo para ela, tudo mesmo. O mais estranho é que não vi em seus olhos nojo, pena, horror...Eu vi compreensão. Claro, ela não tinha apoiado tudo o que fiz, mas também não me julgou.


– Eu já admiti, Izzy. — falei — mas voltar atrás, não.
– Eu ainda não entendo o porque você fez tudo isso, Thony. — ela disse e me puxou para um banco, para sentarmos. — você já chegou no fundo da sua mente para ver o porque de tudo isso ? Não é possível que você odeie tanto seu próprio irmão.


Tirei meu braço de seu ombro e apoiei os cotovelos nas pernas, olhando para frente, com as mãos cruzadas e o queixo apoiado nelas.


– Meus pais sempre quiseram que eu fosse exatamente como ele, sabe ? E eu não sei porque! Edward nunca quis assumir a empresa e eu sempre quis isso, não deveria contar para o meu pai ? Eu fiz administração em Harvad, eu ia para a empresa todos os dias enquanto Edward ia escondido para sua aula de piano e mesmo assim, — olhei para ela — mesmo assim todos preferiam ele.
– Não acho que todos preferiam ele, Anthony. — disse — Não era eles que queriam que você fosse como ele, era você mesmo que queria ser como seu irmão. Porque você não enxerga isso ?


Engoli e seco e não falei mais nada...


(...)


– Então, para onde nós vamos hoje ? — Izzy perguntou enquanto passava um pano úmido pelo balcão.


Continuei rodando o copo de whiskey na mão, pensando. As coisas definitivamente não estavam bem. O dinheiro que eu tinha na conta privada estava se esgotando, daria apenas para pagar mais uma diária no hotel e talvez comprar algumas coisas ...
Eu sentia vergonha. Como um homem que já foi CEO de uma das maiores empresas de investimentos do país, estava pensando em como iria viver no mês seguinte ?


– Izzy, eu...- comecei. Não sabia como dizer para ela que eu estava ...falido.
– O que foi, Thony ? — ela colocou o pano no ombro e me olhou.
– Problemas — disse.
– Quais problemas ? — perguntou.


Abri a boca para falar, mas estava envergonhado ainda e fiquei em silêncio.


– Diga, querido — senti sua mão sobre a minha no copo e a olhei.
– Meu dinheiro esta acabando. — disse e abaixei a cabeça.
– E você está com vergonha ? — perguntou com um tom de humor na voz, que me fez olha-la.
– Claro. Porque você está sorrindo ? — franzi o cenho.
– Thony, todo mundo passa por problemas desse tipo. Você tem que lembrar que não é mais um riquinho, sem querer ofender. Eu passei por isso quando meu pai nos faliu e também depois do meu caro tratamento — suspirou — e sabe como eu consegui superar isso ?
– Como ? — perguntei.
– Trabalhando — sorriu.


(...)


Estacionei o carro em frente ao prédio de Isabelle e subi. Ela abriu a porta sorridente.


– Então ? — perguntou assim que entrei.
– Nada. Parece que o Senhor Carlisle deu um jeito de me tirar de vez do ramo da Administração. — sentei-me em seu sofá. Ela caminhou em minha direção. Reparei que estava pronta para dormir. — Desculpe se te acordei.
– Não tem problema — ela se sentou ao meu lado — mas você acha mesmo que ele fez isso ? Ele seria capaz ?
– Com certeza — ri — você não o conhece como eu. Quando ganham seu desprezo,é para sempre.Tirando o Edward, claro.


Izzy fitava o vazio e mordia a ponta da unha do dedo indicador. Ela era tão bonita que eu poderia ficar olhando para ela o tempo todo. Eu não sei o que diabos está acontecendo comigo desde que a reencontrei, só sei que tudo começou a melhorar e eu não me sentia mais sujo, porque ela, com seu sorriso, limpava qualquer vestígio de pensamento negativo da minha mente.


– Já sei! — gritou e eu ergui a sobrancelha com seu subito surto.
– O que foi ? — ri
– Já sei onde você pode trabalhar — sorriu, virando-se para mim.
– E a onde seria, princesa ?
– Na Pub! — seu sorriso se alargou — claro que não é uma empresa enorme com não sei quantos mil andares, você não vai ter uma secretária e nem em quem mandar, não vai ser um CEO todo poderoso, mas...- piscou — é um trabalho digno. Estamos precisando de alguém que administre as contas do Pub porque o Senhor Ramos está voltando para o méxico. O dono queria alguém de confiança mas estava difícil de achar. Então, o que me diz ?


Trabalhar como administrador de uma Pub em Londres ? Eu nunca pensei que iria parar aqui, mas não me parecia ruim. Ruim era ficar sem dinheiro. Como sempre, Izzy salvando o dia.


– O que seria da minha vida sem você ? — perguntei me aproximando.
– Acho que do mesmo jeito que foi durante esses 20 anos — ela sorriu docemente.
– Eu não sei como eu vivi durante todo esse tempo — toquei seu rosto com a mão — sem você.


Não perdi mais tempo e a puxei para mim, beijando-a. Ela correspondeu com ímpeto e eu a puxei para meu colo. Izzy colocou uma perna de cada lado e as mãos em meus cabelos enquanto eu acariciava suas costas. Ambos queríamos isso a muito tempo, na verdade, desde que eu a revi pela primeira vez.


– Onde é o quarto ? — perguntei, me levantando com ela do sofá.
– Primeira porta a direita — ela disse ofegante.


E aquela foi a primeira noite que passamos juntos.


(...)


1 ano depois.


– Faturamos muito bem esse mês, Phil — falei da minha cadeira. Phil fumava seu charuto de frente para mim.
– Anthony, eu não sei o que seria desse Pub sem você, garoto! A melhor coisa que fiz foi ter te contrado
– Que isso — sorri — só estou fazendo o meu trabalho.
– Por isso pode sair mais cedo com sua garota — ele piscou — tome conte dela, Anthony. Ela é como se fosse uma filha para mim.
– Eu cuido, Phil. — sorri me levantando e pegando meu casaco. — Tchau, obrigado.
– Tchau meu rapaz. — ele levantou a mão e acenou.


Sai da minha sala pequena e corri até o vestiário. Bati duas vezes na porta e ouvi sua voz.


– Quem é ? — perguntou.
– O homem mais charmoso desse mundo. — falei sorridente.
– Ai meu Deus, Johnny Depp é você ? — ela abriu a boca e gargalhou — ah droga!
– Johnny Depp é ? — a puxei para mim, — sou muito mais charmoso que esse ai.
– Hmmmm eu acho que não..- gargalhou.
– Ah é ? — levantei a sobrancelha — é isso mesmo, moça ? — a empurrei na parede e colei seu corpo no meu. — ainda acha isso ?
– Acho...- suspirou.
Mordi o lobulo de sua orelha e distribuir beijos por seu pescoço.
– Ainda acha ? — puxei seu lábio inferior com os dentes e ela apertou meus ombros.
– Não. — riu e me beijou.


Eu tenho que confessar. Eu estava tão apaixonado por ela que chegava a doer.

Nunca pensei que isso poderia acontecer, sempre achei que não merecia amor nenhum, que nunca iria tirar aquele psicopata de mim mesmo. Ai Izzy chegou na minha vida e a virou de ponta a cabeça. Eu não poderia ser mais grato por isso.
Saímos do Pub e passeamos por toda Londres, gargalhando e trocando beijos. Eu estava tão feliz que parecia que uma hora tudo ia acabar. Ela me proporcionada uma felicidade que nem Tanya proporcionou. Eu achava que amava a Tanya, mas eu nunca tinha mesmo o feito. Eu guardei o amor que eu nunca soube dar, para Izzy.


Parei no meio do caminho e coloquei seu rosto entre minhas mãos, fazendo com que ela sorrise.
– Eu amo você — falei.


Ela abriu um enorme sorriso, mas ele foi se desfazendo aos poucos e Izzy foi ficando mole em meus braços. Quando percebi, ela já estava inconsciente e eu segurava sua cabeça, surpreso.


Izzy!– chamei — Izzy!

Notas finais
Nada a declarar. último capítulo dia 286 Beijos.