Duas faces da mesma moeda

37 CAP03 DFMM: Redemption - final


Notas iniciais
Peguem os lencinhos!

Andava de um lado para o outro na sala de espera.

Izzy tinha desmaiado nos meus braços e cheguei a pensar que estava morta, tamanha palidez de seu rosto. Já estava esperando a mais de uma hora o médico e não aguentava mais. Quando resolvi me sentar, ele apareceu.

– Como ela está, doutor ? Por que ela desmaiou? O câncer, ele...vol..- não cheguei a terminar a frase porque Dr Lecki me interrompeu.

– Ela está bem, senhor Cullen. Não, felizmente o câncer não voltou. — ele abriu um pequeno sorriso.

– Então porque ...- balancei a cabeça, confuso.

– O senhor pode ir vê-la. Me acompanhe.

Andei com o médico até o quarto onde ela estava. Ele abriu a porta e nos deixou a sós. Assim que entrei, ela se virou para mim.

– Você não imagina o susto que me deu. — disse.

– Vem cá, amor. — ergueu a mão em minha direção.

Sem pensar duas vezes, me aproximei e a segurei.

– O que aconteceu, Izzy? — perguntei acariciando seu rosto.

– É que...- ela suspirou e abriu um sorriso — Nós vamos ser pais.

(...)

– Izzy, olha! — balancei a roupa na minha mão. Era uma miniatura da roupa do Capitão América para bebes.

– Você não já comprou uma dessas ? — ela arqueou a sobrancelha. — Nosso filho vai ser todos Os Vingadores, não é ? — riu enquanto olhava outras roupas.

– Posso comprar ? — perguntei.

– Pode, amor, pode! — ela riu quando fiz um yes e me aproximei dela rindo. Pus a mão em sua barrigona de 7 meses e sorri.

– Eu quero ser o melhor pai do mundo e o melhor marido — disse olhando em seus olhos.

– Você já é, Anthony. — sorriu — você mudou para melhor, você conquistou tudo isso porque você merece. Eu não escolheria outra pessoa para formar uma família comigo. Eu amo você.

– Eu amo você, Isabelle.

Beijei seus lábios delicadamente e encostei nossas testas.

(...)

– Finalmente ele me deixou colocar a fralda — disse e me sentei no sofá.

– Cadê ele ? — ela perguntou enquanto colocava a mesa. — filho! — gritou.

Ouvimos uns brinquedos caindo no chão e logo depois os passos dele pelo corredor. Meu filho veio correndo com a fralda pendurada pelo pé. Izzy olhou para mim e caímos na gargalhada juntos.

– Vem aqui no papai, filho! — eu ainda ria quando ele colocou a mãozinha no chupeta sem entender nada e veio até mim. Ele estava com 3 aninhos já.

– Eu não consigo ...- ela gargalhava ainda — parar...preciso..de..ar

– Engraçadinha! — ri tentando colocar a fralda — tá vendo ? Esse negócio não funciona comigo!

– Desde sempre, né Thony? — ela tirou o avental e veio colocar a fralda no nosso pequeno enquanto eu terminava de arrumar a mesa.

– Família, a comida está pronta! — anunciei.

– Vamos lá, filhãoooo! — Izzy brincou enquanto pegava ele no colo e seguia para a mesa de jantar.

Éramos uma típica família feliz, num sábado a noite. Eu não poderia ser mais grato por esse pequeno pedaço de felicidade que esses dois ocuparam na minha vida. Nada substituiria o amor que eles me deram. Eles eram minha redenção.

(...) (...) (...) Muito, muito tempo depois (...) (...) (...)

Estacionei o carro em frente a grande casa branca e a encarei, nervoso. Sai do carro e respirei fundo. Andei até a porta da frente e bati duas vezes. Não demorou muito, logo uma moça com longos cachos loiros abriu a porta.

– Ola. — disse.

– Oi — eu respondi e engoli em seco.

– O que deseja ? — perguntou, me olhando com seus enormes olhos verdes.

– Eu quero falar com Edward Cullen, ele está ?

– O papai ? Sim. Eu vou chama-lo, um minuto! — ela saiu depois que eu assenti.

Desci um degrau da escada e virei de costas para a porta. Eu não podia me arrepender agora, não podia! Era para o bem o que eu estava fazendo.

– Quem deseja falar comigo ? — ouvi a voz.

Tão familiar, na verdade, igual! Me virei lentamente e o olhei. Seus cabelos grisalhos estavam penteados para trás, suas mãos no bolso da frente da calça e um sorriso brotando no canto do rosto. Ele franziu o cenho quando me viu.

– E..eu..- respondi, um tanto abobalhado com sua aparência.

– E você, meu jovem, é quem ? — ele riu brevemente de mim.

– Meu nome é Edward Tristan Cullen, e eu sou filho do seu irmão, Anthony. — disse.

Ele pareceu ficar em choque. Seus olhos não piscavam e ele parecia nem respirar. Estava começando a me arrepender, meu tio ia acabar tendo um ataque do coração por minha culpa.

– Entre..- foi o que ele disse.

Assenti. Ele me deu espaço para entrar na casa e fechou a porta. Antes que eu pudesse dizer outra coisa, ele me abraçou. Fiquei surpreso, mas abracei de volta. Depois desse momento um tanto constrangedor, seguimos para a sala, onde uma mulher de cabelos castanhos retirou os olhos do livro que lia e nos encarou. A loira que me atendeu estava do lado de outra que era exatamente igual a ela.

– Quem é esse belo rapaz, querido ? — ela perguntou.

– Bella, esse é Edward...filho do Anthony. — ele disse.

Fiquei envergonhado porque ela me olhou tão profundamente. As garotas — que deveriam ter quase a mesma idade que eu, 19 — também me olhavam, mas estavam curiosas.

– Sente-se, Edward...- ela vacilou no meu nome e olhou para meu tio.

Me sentei no sofá e ele se sentou ao lado dela, os dois me olhando. Decidi acabar com aquela agonia no peito, pois eu também não queria me demorar na América.

– Sei que devem querer fazer milhares de perguntas, devem estar pensando o que ele está fazendo aqui, se sou um filho bastardo, onde está meu pai e essas coisas..

– Querido, nós não..- a Bella falou, mas levantei a mão, pedindo licença.

– Eu não tenho muito tempo. Eu sou filho legítimo do seu irmão e ele está em Londres. Vim porque meu pai está muito doente, muito doente mesmo e ...não sei se ele...- senti as lágrimas brotarem nos meus olhos e suspirei — não sei se ele tem muito tempo. Eu sei de toda a história de vocês, sei do ódio que você sente dele, mas...eu te imploro, por favor, vá visitar o meu pai — solucei — eu quero que ele descanse e que tenha o seu perdão porque é disso que ele sempre fala, que precisa do seu perdão, mas você sabe como Anthony Cullen é orgulhoso...minha mãe tentou dar um jeito nisso e ela até conseguiu, mas a velhice veio e aumentou isso — ri e limpei meu rosto — então, é por isso que sim até o senhor, tio. Para te implorar que vá comigo a Londres e veja seu irmão.

Edward tinha o rosto vermelho como o meu e uma lágrima escorreu de seus olhos. Ele olhou para Isabella, que assentiu e se levantou. Ela veio até mim e me abraçou, saindo da sala em seguida. As minhas primas também saíram.

– Ele te disse o porque te deu esse nome ? — ele perguntou, se sentando ao meu lado.

– Ele disse que era o nome de uma pessoa especial — meu tio riu — e depois eu descobri. Sei que acha que ele te odeia, mas não. Ele não odeia e eu acho que a coisa que ele mais quer agora é ter o senhor ao lado dele.

– Filho — sua mão foi para o meu ombro — eu também não o odeio. Anthony é meu irmão gêmeo, nós temos uma ligação tão profunda que você nem pode imaginar. Eu vou com você, sei que meu irmão deve ter ficado mais ranzinza com a velhice — ele riu — e só não o procurei esses anos todo porque não sabia se ele iria querer. Partiremos hoje mesmo, okay ? Agora vamos até a cozinha, você deve está com fome né ?

Eu ri e me levantei com ele.

– Um pouco.

– Você se parece com ele. — disse.

– Ele diz isso, mas deixa claro que ele continua sendo mais bonito — ri.

Chegamos a cozinha e meu tio se virou para mim.

– Edward, como é o nome da sua mãe ?

– Isabelle — sorri — Isabelle Fontaine .

Ele balançou a cabeça positivamente e com um sorriso.

(...) (...)

Londres, 20:05

Abri a porta de casa e dei passagem para meu tio. Ele sorriu quando fechei a porta e olhei para ele.

– Vou colocar sua mala no quarto de hóspedes. Fique a vontade, eu já volto. — peguei a mala dele e sai.

Edward Pov.

Olhei em volta da aconchegante casa e não poderia imaginar Anthony vivendo ali. Acho que ele mudou mesmo. Caminhei pela sala e dei uma olhada nos porta retratos, que tinha fotos de um Anthony novo e uma mulher loira a seu lado, ambos sorrindo, outra eles seguravam um bebe e na outra, Isabelle estava vestida de noiva e atrás o Rio Tâmisa, tinha também uma de Anthony segurando o filho e uma fralda estava em sua cabeça e ele ria...verdadeira feliz.

– É...tio — chamou ele, já de volta — vamos ?

Eu assenti um tanto nervoso. Como ele estaria? Tão doente assim ? A ponto de...

Segui com meu sobrinho até a segunda porta em um corredor. Ele bateu e a abriu. Uma enfermeira se levantou e veio até a porta.

– Já está de volta, senhor Cullen. — disse.

– Como ele está, Juliette ? — perguntou.

– Mesma coisa, resmungando como sempre e dormindo na maior parte do tempo.- disse.

– Eu ouvi isso, Julieta! — ouvi a voz dele e meu coração acelerou.

– É Juliette, senhor Cullen. — riu.

– Pai, posso entrar ? — perguntou.

– Venha cá, filhão. — ele falou novamente — ainda não estou morto.

Ed fez um sinal para mim de espera e eu assenti. A enfermeira saiu e ele entrou, sem fechar a porta.

– Pai, trouxe alguém para te visitar...- ele disse.

– Onde você estava, Eddie ? — perguntou meu irmão — porque sumiu?

– Eu fui buscar essa visita, pai. Eu vou deixa-lo entrar para que vocês possam conversar, ok?

– Ok. — ele respondeu.

Vi meu sobrinho abraçar o pai e ser correspondido,vi também Anthony beijando a testa do filho e sussurrando algo.

– Também te amo, pai. — sorriu.

Ele se levantou e veio em minha direção. Eu apenas assenti e ele também. Entrei no quarto e fechei a porta. Estava tão nervoso, mas iria continuar. Eu também precisava disso.

Cheguei perto da cama e o olhei depois desses longos anos. Exatamente como eu, cabelos grisalhos penteados para trás, o rosto enrugado, mas um tanto pálido por estar doente, e os olhos verdes rápidos como águia. Ele estava olhando para o lado, mas deve ter sentido a presença de alguém e por isso virou o rosto. Quando seus olhos se encontraram com os meus e se arregalaram.

– E...eu estou alucinando já ? — disse.

– Não, irmão, você não está alucinando — ri — sou eu, Edward.

Ele riu e tossiu ao mesmo tempo. Peguei a cadeira em que a enfermeira estava sentada e me sentei do lado de sua cama.

– Acho que aquele moleque — balançou a mão para a porta, se revirando ao filho — que quer eu morra do coração, na verdade. Não...precisava vim aqui por pena e...

Ri.

– Não vim aqui porque ele me pediu, Anthony. Eu vim porque quis. Você é meu irmão.

– Sou ?! Ainda ?! — disse.

– Nunca deixou de ser. — pisquei

– E ainda sou o mais bonito, mesmo com esses cabelos grisalhos — ele fez graça. Eu sorri.

– Convencido como sempre, não é ? Isso não mudou. — disse.

– É, irmão. Mas muitas coisas mudaram. — disse.

– Vai me contar ? — perguntei.

– Encontrei a mulher da minha vida, Edward. E ela foi minha redenção, ela me deu...- tossiu um pouco e eu franzi o cenho, preocupado. — me deu uma chance para ser melhor, me deu meu filho, esperança, amor, uma vida pela qual viver. Eu a encontrei um tempo depois que vim para cá e, Deus, não soltei mais aquela mulher até o maldito câncer tirar ela de mim quando Eddie tinha 10 anos. Uma parte de mim morreu com ela, mas eu tinha uma criança para cuidar e ele ainda era uma das razões pelas quais eu vivia. — suspirou e fechou os olhos brevemente, mas os abriu em seguida.

– Eu queria ter participado da sua vida durante todo esse tempo. — balancei a cabeça -, Anthony, nós tivemos diferenças enormes, mas na verdade nunca nos odiamos verdadeiramente porque não podíamos. Irmão, eu queria que você tivesse voltado para nós, para papai e mamãe, para mim...mas você foi orgulhoso demais, não é ? Até nesse momento, se não fosse pelo meu sobrinho e pelo amor que ele sente por você, você seria orgulho né. — ri.

– É, isso eu não consegui mudar totalmente — ele riu fraco. — Eu tinha medo, no fundo...o papai..

– Ele morreu arrependido — desviei o olhar do dele. — me disse que se um dia eu te encontrasse, se um dia você ...voltasse, para te dizer que ele te amava e tinha sim orgulho de você. — assenti — mesmo você tendo tropeçado tanto, ele tinha. E a mamãe...a mamãe foi logo atrás dele...eles eram almas gêmeas, se você acreditar nisso. Papai também mudou e vocês iriam se surpreender um com o outro .

– Imagino. — ele sorriu — sua criança ? Bella ?

– Estão bem. Tivemos gêmeas lindas — sorriu — e ela pediu para eu te bater e dizer que você deveria ter voltado para nós. Ela é uma mulher de bom coração, não guarda nada do passado, Thony...

– Eu senti vergonha, muita vergonha...

– Não sinta mais. — segurou sua mão.- Anthony, você não precisa do meu perdão, você precisa perdoar a si mesmo. Deixa essa magoa sair de você, esqueça o que passou, eu esqueci, irmão!

Ele chorava e eu acabei sentindo lágrimas rolando pelos meus olhos também.

– Você é meu irmão e eu tenho orgulho da pessoa que você se tornou, da família que você criou.Se eu tivesse que escolher, eu escolheria ser seu irmão de novo. Está sentindo o peso ir embora ? É você se perdoando, Anthony, é sua redenção, é paz...Por favor, irmão, esqueça.

Ele assentiu e senti ele apertar minha irmão.

– Obrigado, irmão. — sorriu — eu...amo você.

Seus olhos se fecharam lentamente e eu senti um aperto no peito, uma dor tão grande, uma parte de mim sendo arrancada. Eu sabia que isso iria acontecer, mas não queria. Sei que ele está em um lugar melhor, mas eu estou sendo egoísta e queria mais tempo com ele, logo agora. Deus, se estiver me ouvindo, guarde meu irmão com você, ele merece a paz.

Me levantei com as lágrimas caindo mais rápidas no rosto e encontrei meus lábios em sua testa, sussurrando..

– Eu amo você também, irmão.

Notas finais
Finalmente finalizando essa incrivel história. Espero que vocês tenham gostado desse desfecho.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!