Duas faces
2 Palestra
Notas iniciais
Há um tempo atrás...
– Ah não... – sussurrou Stephanie virando a chave para dar partida no carro. – não quer ligar. Carter, já falei pra você, esse seu carro aqui não dá mais...
– Você que não sabe como ligar. – falei. Peguei a chave a girei com cuidado. – tá vendo? É jeito. – ela revirou os olhos e deu ré.
– Blá blá blá..., na boa, um dia ele vai parar de pegar e você vai se ferrar. – disse dando risada.
Paramos no semáforo. O dia estava meio nublado, mas estava gostoso.
– Decorou tudo o que você vai falar na palestra? – perguntou Ste – se você errar algo, saiba que eu vou dar muita risada.
– Ah, obrigado por me tranquilizar. – falei fuzilando-a. – nunca dei uma palestra antes, você já deu né? E ainda bem que o assunto é segurança.
– Já dei. Eu falo umas coisas básicas lá, vou te ajudar parceiro. – ela olhou para mim sorrindo. – bom, a hora é agora Querido, estamos chegando.
Merda.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~– Ei, senta ai! – gritei para umas meninas que estavam em pé conversando. Subi no palco, a Ste na minha cola.
– Quer começar? – perguntei.
– Não, fique a vontade.
– Ér... – peguei o microfone e comecei a falar. – Bom dia, eu sou o investigador Carter Miller, essa é a minha parceira Stephanie Thompson, e vamos passar para vocês conhecimentos gerais sobre auto segurança. Bem, investigadores geralmente não participam de brigas, mas sabemos nos defender. – passei o microfone pra Ste, que o pegou com firmeza e começou a falar o básico.
– Bom dia pessoal, eu sou a Stephanie, como o Carter já disse. Vou mostrar para vocês alguns movimentos e algumas simulações de roubo.
Ela começou a andar pelo palco, fez uns três movimentos de esquiva. Depois que a Ste terminou as simulações de roubo, passou o microfone para mim.
– Então pessoal, espero que tenham gostado, esses movimentos foram o básico o básico, quem estiver interessado, tem uns cartões aqui em cima da mesa, de um colega nosso, ele está dando um curso de auto defesa. Obrigado pela atenção e ate mais. – desliguei o microfone e o coloquei em cima do balcão. Virei pra trás e não vi a Ste. Desci do palco e liguei pra ela.
– Alô? – perguntou.
– Aonde você se meteu? – perguntei.
– Eu to aqui na lanchonete da faculdade aonde nós estamos. – e desligou. Ela tem uma mania de desligar na cara... que raiva.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~– Sua gorda! – falei pra ela. Tinha uma garota sentada na mesa ao lado, que estranhou meu modo de falar. – você me deixou sozinho no final da palestra com aquele bando de demônios?
– /mas eu estava com fome ué. Quer um? – perguntou na maior inocência.
– Já que estamos aqui... – eu estava com fome, e não tinha nada feito lá em casa, sem contar a preguiça que estou de fazer algo... – vou pegar um.
Fui até o caixa e pedi um hambúrguer e uma batata frita.
– Espere aqui ao lado por favor. – disse a atendente.
A garota que estava sentada ao lado da mesa da Ste foi pra fila e pediu uma salada. Nossos olhares se encontraram, fiquei um pouco intimidado.
–Bando de demônios, Senhor Carter? – perguntou.
– Em partes. – forcei uma risadinha. – como a Senhora sabe o meu nome?
– Eu estava presente na palestra. – disse cutucando os temperos. –Mas por um acaso eu não sou casada.
Os olhos dela são cinza, marcantes. Lindos olhos mas...
– Olha, eu não estou querendo namorar, e seria melhor se você...
– Como? – perguntou em um certo tom de deboche.
– Não está casada, eu sei, está solteira.
– Exato, por isso é Senhorita e não Senhora. – tinha um sorriso maroto em seus lábios.
Merda. Ela não estava flertando... ela estava me corrigindo.
– Ér... desculpe. – sai todo vermelho de lá. Merda, merda, merda!
Quase tropecei na mesa ainda.
– O que houve?!- perguntou Ste. – cadê o seu almoço?
O lanche, merda, esqueci de pegar... essa deveser minha palavra do dia, “merda”.
– Nada.
– Não deu certo com a menina na fila é...
– Você viu, infeliz?
– Vi – disse rindo da minha cara. – foi tão ruim assim?
– Eu perdi a pratica. E a minha dignidade também.
– Oh dó. Mas fala sério, ela era bonitona né?
– Sim, mas nova também.
– Nhé, detalhe.
Fazia um tempo que eu não levava um fora.
– Senhor! Seu lanche – gritou a atendente.
– Querido amigo, pode deixar que eu pego.
– Nada disso, eu pego, também vou indo. Até mais, doida.
– A doida da sua vida – falou piscando.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~Ótimo, além do motor, a porta dessa lataria também emperra.
– Problemas?
Virei para trás, era a garota da lanchonete.
– Só falta de jeito. Não sei o seu nome. – falei por mera curiosidade.
– Mackenzie, senhorita Mackenzie.
– Valeu por me lembrar. – dei um sorriso torto.
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